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Baile Glam de Milton Cunha traz um brinde à diversidade e alegria na Cidade do Samba

Baile Glam terminou com uma grande festa da bateria da Beija-Flor e com todo o público presente podendo subir à passarela para dançar e brincar o carnaval, aceitando todos os gêneros, credos e diversidade

Depois de dois dias de apresentações das escolas de samba do Grupo Especial, a Cidade do Samba recebeu a sétima edição do Baile Glam, que não ocorreu no ano passado por conta da pandemia. A idealização e direção do evento é de responsabilidade de Milton Cunha que também apresentou a festa ao lado de Meime dos Brilhos e Laíza Bastos. Na corte do evento estiveram o carnavalesco do Paraíso do Tuiuti, Paulo Barros, rei do Baile, a cantora Teresa Cristina, como rainha do Baile, além de Lady Sorriso como Musa Trans, e Luiza Gasparelly, Diva do Baile.

Paulo Barros falou sobre a iniciativa do evento de resgatar bailes e concursos de fantasia, concursos que ele guarda na memória.

“O Milton com esse baile, ele resgata algumas coisas do carnaval do passado, os desfiles de fantasia que não existem já há muitos anos, talvez décadas, sei lá. Ele resgata essa essência de antigamente, eu lembro de assistir esses desfiles. E, ele traz essa essência de volta. Acho super legal, acho que isso encaixa perfeitamente com essa oportunidade de trazer o carnaval de volta”, entende o carnavalesco do Paraíso do Tuiuti.

Paulo também aproveitou para falar um pouco sobre a expectativa para os desfiles de abril.

“Olha, a perspectiva é cada vez melhor, a gente está trabalhando, a gente não terminou os trabalhos ainda, mas acredito que, obviamente, a gente vai acabar até lá, até abril vamos estar com tudo terminado”.

Para animar a festa, teve o Grupo Ser, que tem entre seus integrantes o intérprete Igor Vianna do Império Serrano e Mestre Léo Capoeira da bateria da Unidos de Bangu. O grupo cantou diversos sambas-enredo e foi a trilha para os concursos e desfiles de destaques. As baterias do Salgueiro e da Beija-Flor também animaram o evento.

Rainha do Baile Glam 2022, Teresa Cristina se disse bastante honrada com o título e aproveitou para levantar a bandeira da diversidade.

“Eu estava com saudade, eu assisto esses bailes desde criança. Eu sempre gostei de ver os bailes do Skala. Eu gostava de tentar adivinhar o tema do Clóvis Bornay, porque ele não concorria mais, eu já peguei o Clóvis Oconcur. Eu acho que você ser LGBTQIA+ em um país como o Brasil, um país que mata travestis, que mata gays, que agride lésbicas, que ainda tem que aprender tanta coisa, é um ato de coragem. É um ato de amor, de resistência, mas antes de tudo é um ato de coragem. Porque a vida das pessoas está em risco só pela condição de vida. Elas não precisam fazer nada, elas só precisam existir. Isso é muito triste. E aí, ser chamada para ser a rainha desse baile, é como se eu pudesse retribuir o carinho, o companheirismo, a cumplicidade que eu tenho, gente, é amigos, famílias, pessoas que eu não conheço, mas encontro na rua. Então eu me sinto muito honrada”, revela a cantora.

As homenagens especiais foram realizadas para Beth Andrade, ícone do carnaval brasileiro em luxo e beleza, que marcou era desfilando no carro Abre-alas da Mocidade Independente de Padre Miguel. Outro homenageado foi o agitador cultural Orlando Almeida, realizador de diversos eventos, entre eles o Miss Rio de Janeiro Gay, há 35 anos.

Durante o baile, também houve a participação da corte do carnaval carioca. O rei momo Wilson Dias da Costa Neto, em discurso na passarela do evento, pediu respeito ao direito da individualidade de cada um.

“Com orgulho piso neste palco e digo, viva a diversidade. É uma honra estar representando todos nós, neste lugar de fala. Que na noite de hoje só renasça a alegria, a esperança, e principalmente o respeito a individualidade de cada cidadão”.

Entre os destaques do júri que escolheu as melhores fantasias e o Boneca Barracão estavam as porta-bandeiras Selminha Sorriso, Squel Jorgea, Giovanna Justo, Rute Alves e Lucinha Nobre. No concurso Boneca Barracão, a vencedora foi Alessandra Salazary que é passista da Unidos de Padre Miguel.

“É muito importante e muito gratificante para mim porque não é o primeiro ano que eu concorro. Eu competi no último ano e eu era a atual princesa Glam Gay, eu competi no último ano que teve na Estácio, fiquei em segundo lugar, muito contente, utilizei da faixa, do título, porque é uma visibilidade muito grande. É uma oportunidade muito grande da gente que é da classe LGBTQIA+ e o Milton Cunha, ele nos valoriza dessa forma. O baile apenas nos engrandece e a minha escola, Unidos de Padre Miguel, que me deu total força e eu sou muito grata por tudo e por ter chegado até aqui”, revelou Alessandra, grande vencedora do Boneca Barracão 2022.

Outro concurso foi realizado para escolha das fantasias de originalidade masculina e feminina. Alek Belmont ganhou na categoria masculina com a fantasia “a magia e encantamento de um Elfo” e Fabiany Carraro ganhou no feminino com a fantasia “a borboleta”. Os dois vencedores falaram à reportagem do site CARNAVALESCO sobre o sentimento da vitória e explicaram o significado das fantasias.

“A fantasia é magia e encantamento de um elfo. A fantasia originalidade masculina na qual ela é feita com mais de 5 mil cadarços de tênis, na roupa completa. Foi uma felicidade muito grande porque eu já venho tentando ganhar, bato sempre na trave e um dia a gente vai e ganha. É o que as pessoas sempre falam: nunca desista dos seus sonhos”, conta Alek Belmont.

“Eu já fui Boneca Barracão do Milton, e ao decorrer desses anos, eu resolvi concorrer representando a borboleta, a metamorfose, ciclo da vida, a gente passou por tantas coisas nessa pandemia, e muitas pessoas perderam suas famílias, perderam pessoas queridas, e eu quis representar de alguma forma esse ciclo de mudança que nós brasileiros, o mundo todo passou, sofreu, e, fora que a borboleta é o símbolo da representatividade do LGBTQIA+, que nos traz alegria, força de vontade de continuar nessa luta que é diária”, defende Fabiany Carraro.

No final do evento, Milton Cunha, que a todo tempo brincou com todo mundo com seu jeito extrovertido, falou à reportagem do CARNAVALESCO sobre o sentimento de ter realizado o Baile de Glam de forma satisfatória.

“Achei bom, seis horas de espetáculo, 22 destaques, e muito glamour, sem briga, foi um baile, sétimo ano, e nos coroou nessa luta. Viva a diversidade”.

O Baile Glam terminou com uma grande festa da bateria da Beija-Flor e com todo o público presente podendo subir à passarela para dançar e brincar o carnaval, aceitando todos os gêneros, credos e diversidade.

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