Por Diogo Sampaio, Raphael Lacerda e fotos de Nelson Malfacini

Delira… Tem Pajuçara no mar da Mirandela! Após quase três meses de disputa, a Beija-Flor de Nilópolis já possui hino oficial para o Carnaval de 2024. Trata-se da obra composta por Kirraizinho, Lucas Gringo, Wilsinho Paz, Venir Vieira, Marquinhos Beija-Flor e Dr. Rogério, com as participações especiais de Chacal do Sax, Ramon Quintanilha e Naldinho. A parceria superou outras duas na grande final realizada pela escola e se sagrou vencedora da competição. Com isso, o samba de autoria do grupo irá embalar o enredo “Um delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila”, criado e desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo. A Deusa da Passarela será a segunda agremiação a passar pelo Sambódromo da Marquês de Sapucaí no domingo, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo Especial. Esta será a primeira vez em sua história que a azul e branca desfilará nesta posição. Antes da disputa começar, a escola fez um grande show com seus segmentos e os sambas inesquecíveis da discografia nilopolitana. O ponto alto aconteceu quando o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha, surgiu içado por um beija-flor. Arrancou aplausos do público e emocionou o presidente de hora, Anísio Abraão David.

“Eu não tenho como descrever a minha felicidade. Sou Beija-Flor, nascido e criado aqui. Quando a gente fez esse samba, o refrão, quando pensamos na escola e em tudo, fizemos tudo minuciosamente. É um orgulho imenso estar participando de mais uma final na Beija-Flor e de estar consagrando o samba da escola. Agora não é o samba 23, é o samba da Beija-Flor que vai entrar na Avenida e brigar pelo nosso título. Aqui nós somos comunidade e vamos brigar com muita garra pelo nosso título. Eu só tenho que agradecer a essa escola, que me abraçou desde que eu nasci e me abraça até hoje, e também a vocês que cobriram com imensa categoria o nosso concurso”, afirmou Kirraizinho.

“É o meu primeiro samba na Sapucaí. Para mim é uma grande honra, e ganhar pela primeira vez sendo a minha escola é ainda melhor. A ficha não caiu até agora. Foi muito trabalho e, de verdade, estou muito emocionado. A melhor parte do samba para mim é “Ao nobre engraxate um novo horizonte Real cavaleiro dos montes”, que representa o triunfo do Gonguila diante das dificuldades da vida e até mesmo de seu passado. Ele triunfa sendo um artista delirante no carnaval de Maceió. E eu me sinto como ele: um delirante que tentou por cinco anos de disputa e hoje é vencedor”, disse Lucas Gringo.

“É muito emocionante. Foi uma disputa muito acirrada. O nosso samba vem contagiando a comunidade toda desde o início. É muito bom ser campeão com um samba neste estilo. Eu ganhei no “Chuveiro da Alegria”, em 2009, mas essa vitória tem um sabor especial. É um presente para o meu ‘molequinho’ que vai nascer na véspera do carnaval. A parte que mais gosto no samba é: ‘Tem Pajuçara no mar da Mirandela Aqui é Beija-flor doa a quem doer Do gênio sonhador a gana de vencer Tá no meu peito, tá no meu grito Escola de respeito que coroa Benedito’”, contou Venir Vieira, um dos compositores.

Presidente enaltece parceria com Maceió

O presidente da Beija-Flor, Almir Reis, conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO e fez um balanço do concurso de sambas-enredo promovido pela agremiação para o Carnaval de 2024. Para o dirigente, o saldo da competição foi extremamente positivo. Além de elogiar a safra, ele fez questão de assegurar ter sido a disputa mais acirrada que vivenciou dentro da escola ao longo de quase três décadas.

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“Eu vim para Beija-Flor em 1995 e nunca vi, nem na época do meu saudoso mestre Laíla, uma disputa tão acirrada quanto esta. Tanto que hoje tive que botar 15 pessoas para votar ao invés de 14. Sempre foi número par, mas pedi que botassem um número ímpar justamente porque não sabia o que poderia acontecer. Só esse detalhe já dá uma dimensão de como o negócio é sério. Realmente, não tinha visto uma disputa tão acerrada. E isso se deve muito ao altíssimo nível dos sambas. Tivemos uma safra de acordo com o tamanho e a história da nossa escola, com a Soberana. O povo de Nilópolis, essa comunidade que dá a vida pela Beija-Flor, merecia muito um samba à altura deles. Estou muito feliz com o que a gente conseguiu este ano”, declarou Almir Reis.

O mandatário da azul e branca de Nilópolis ainda comentou sobre a parceria com a Prefeitura de Maceió. Recentemente, diversos nomes importantes ligados à Beija-Flor estiveram na capital alagoana, onde realizaram oficinas e workshops para as escolas de samba locais. Na visão de Almir Reis, esse tipo de ação reforça o bom relacionamento entre as partes e aumenta a integração.

“O apoio que Maceió está nos dando é uma coisa surpreendente. O perfeito, os secretários, o povo da cidade recebeu a Beija-Flor de uma forma muito agradável. Em todas as visitas, nós somos tratados como se estivéssemos em casa. Está sendo muito maneira essa relação, tanto que eles têm ajudado a escola em todos aspectos. Inclusive, algumas coisas que encontramos lá, parceria que firmamos, já estiveram presentes nessa final na nossa apresentação. Mas é só uma pontinha do que está por vir. Porém, posso garantir desde já que estão nos fortalecendo de todas as formas que podem”, comentou o presidente.

Ao ser questionado sobre o aporte do patrocínio de R$ 8 milhões divulgado em maio, o dirigente assegurou que o acordo firmado na ocasião está sendo seguido à risca pela administração municipal da capital alagoana. “O pessoal de Maceió é bom pagador. Até o momento, estão cumprindo rigorosamente, na íntegra, tudo o que foi combinado. Está tudo certinho. Eles são homens de palavra, que é uma coisa também faz parte da nossa natureza aqui. Melhor impossível essa parceria”, pontuou.

Diretor cita equilíbrio entre os sambas

Após o anúncio do samba campeão, o diretor de carnaval da Beija-Flor de Nilópolis, Dudu Azevedo, conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO e explicou como funcionou o processo de decisão sobre qual obra seria a vencedora. Ele destacou o equilíbrio entre os sambas finalistas e ressaltou que o ponto crucial no momento da definição foi a vontade da comunidade.

“Tivemos uma disputa nos moldes clássicos. Foram quase três meses de concurso. Ao longo desse período, teve sambas que cresceram, enquanto outros caíram. A gente pode observar, no todo dessa competição, quais os sambas que se encaixavam mais e menos na identidade musical da escola, por exemplo. Isso é importantíssimo, afinal há oito anos a Beija-Flor permanece com uma identidade. Porém, ao mesmo tempo, a gente não pode deixar de ouvir Neguinho da Beija-Flor, Selminha, Claudinho, o carnavalesco, o mestre Rodney, o mestre Plínio. A gente ouve a comunidade inteira, mas esses são ícones. O samba vai ser julgado ali na frente, mas hoje tem um julgamento tão importante quanto, que é daqui de dentro, das pessoas que vão levar esse Carnaval. Foi uma disputa acirrada, de opiniões divididas, em que a gente foi colhendo opiniões, conversando, sempre com muita dúvida sobre qual seria o escolhido. Chegou nessa final e dos 15 votos a maioria optou pelo samba da parceria do Kirraizinho. Todos os segmentos votaram nele, então acredito que tenha sido a melhor decisão. É diferente acabar uma disputa nos braços do seu povo. Quanto a técnica, a gente tinha na mão dois sambas maravilhosos. A parceria do Léo do Piso tinha uma obra que é prateleira de cima, que tecnicamente é quase garantia de nota 10, mas que não estava nos braços do povo que carrega essa escola. A gente entrega muito para comunidade e creio que a maior parte dela saiu dessa final muito feliz com o resultado. O Neguinho, com 47 anos de escola, chorou ao lado do seu Anísio durante a votação. Isso mostra a entrega que ocorreu nessa escolha. É muito forte esse chão. Há de se respeitar a Beija-Flor, doa a quem doer. É apenas uma vontade nossa de mostrar para todo mundo que a gente tem o nosso valor e a nossa força”, justificou o diretor.

Com o hino oficial para o Carnaval de 2024 já estabelecido, Dudu Azevedo confirmou o começo dos ensaios de rua da escola para o dia 11 de novembro. A expectativa é da presença da Unidos de Vila Isabel como escola convidada, no entanto faltam ainda alguns detalhes a serem acertados.

“A gente depende muito das outras escolas, do planejamento delas. Já temos um bate-papo com a Vila Isabel, que vai fazer reedição no ano que vem e já apresentou o samba, dela abrir essa temporada com a gente. Vamos fazer ainda o convite para uma segunda escola. A gente tem vontade de trazer agremiações que não vieram no ano passado. Além disso, nós recebemos um convite da Viradouro para ir lá, assim como o Paraíso Tuiuti também nos chamou para participar de um ensaio deles. Acho que tudo isso só comprova que o Encontro de Quilombo deu certo e nos cabe prosseguir com isso”, declarou.

Neguinho confia na briga pelo título

O nome mais antigo entre os segmentos da Deusa da Passarela, Neguinho da Beija-flor afirmou que esta foi uma das disputas de samba mais acirradas que ele já presenciou. Para ele, a agremiação vai brigar pelo campeonato mesmo sendo a segunda escola a desfilar no domingo de carnaval.

“Sem sombra de dúvidas foi uma das disputas mais acirradas. Eu vou fazer 46 anos de Beija-flor e confesso que nunca vi uma disputa tão acirrada. Entre esse samba que ganhou e o samba 01 foi uma disputa acirradíssima. E para a segunda escola de domingo, com esse samba aí a Beija-flor vai disputar o título. Agora o que podem esperar é um carnaval maravilhoso. Vai fazer um carnaval para disputar o caneco. É um novo desafio que vai ser conquistado. A escolha deste samba foi muito importante para a posição que a Beija-flor vai desfilar. Foi a melhor escolha”, confiante, afirmou o intérprete.

Bateria: ‘perspectiva de um grande carnaval’

Para mestre Rodney essa foi a disputa mais acirrada dos últimos anos. Com uma boa safra para este carnaval e com casa cheia, ele destacou a expectativa de um grande desfile da escola de Nilópolis.

“É, em muitos anos. A safra foi maravilhosa, três sambas maravilhosos. Pode ter certeza que estamos bem representados na Avenida e faremos um grande desfile com essa grande obra. A expectativa é a melhor possível. A escola bem vestida, com um samba bom. A escola com a final muito cheia, fazia muito tempo que não ficava assim. Isso traz a perspectiva de um grande carnaval”, animado, comentou o mestre de bateria da Deusa da Passarela.

Questionado qual naipe seria a peça fundamental para 2024, o mestre da “Soberana” enfatizou o conjunto da obra. Já sobre o andamento, ele contou que os detalhes serão definidos com o início dos ensaios.

“Todos, porque é uma orquestra. É uma equipe e cada um tem a sua devida importância. Nós somos uma bateria muito coesa, trabalhamos em prol do canto e da dança da escola. Este é o diferencial da nossa bateria. O andamento é uma coisa muito importante e a gente tem que ir definindo no ensaio. Não tem um andamento pré-estipulado ainda, mas  nos ensaios vamos determinar”, explicou mestre Rodney.

Barracão dentro do cronograma

Com as fantasias já apresentadas e o barracão a todo vapor, para o carnavalesco João Vitor Araújo a escolha do samba-enredo é mais uma etapa que dá início para o carnaval do ano que vem.

“Agora que temos o nosso hino, é uma nova etapa do nosso projeto. Agora é, de fato, o começo para o carnaval de 2024. Depois do hino parece que tudo muda, porque a nossa rota é, de fato, traçada. Os preparativos (trabalhos no barracão) estão indo bem e dentro do cronograma”, comentou o carnavalesco da Beija-Flor.

Casal é patrimônio da Beija-Flor

Há 27 anos, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha Sorriso são os responsáveis por conduzir o primeiro pavilhão da Beija-Flor de Nilópolis. Neste período, a dupla tornou-se um verdadeiro patrimônio vivo da escola e do Carnaval carioca, servindo como referência para vários nomes do quesito, oriundos de diferentes gerações. No entanto, se engana quem pensa que essa experiência e reconhecimento fez com que os dois se acomodassem. Eles garantiram manterem uma rotina intensa de ensaios e anteciparam que antes mesmo da escolha do samba já haviam iniciados os preparativos visando o desfile do ano que vem.

“Estamos com uma pegada ainda mais intensa que a dos outros anos. Após essa escolha do samba, vamos começar a ensaiar três vezes por semana e, ao longo do tempo, iremos ampliar esse número ainda mais. É extremamente importante preparar o corpo para poder chegar bem condicionado no nosso desfile”, pontuou Claudinho.

“A gente, assim como a Beija-Flor como um todo, está fazendo uma preparação muito antes do normal. Só faltava escolher o hino para decidirmos a coreografia e pontuar as nuances, por exemplo. Agora é aumentar ainda mais os treinos. Temos um excelente samba, fruto de uma disputa maravilhosa, que em tantos anos de escola nunca tinha presenciado igual. Foi uma competição acirradíssima, mas com elegância e com todos respeitando. Escolher só um foi uma missão difícil. Acredito que muitos de nós que estamos na Beija-flor há alguns anos não tínhamos vivenciado uma experiência como essa, com sambas de alto nível e com todos contando tudo do enredo muito bem. Isso é o melhor”, frisou Selminha.

Coreógrafos querem ir além de 2023

Prestes a fazer o segundo desfile desde a chegada na Beija-Flor de Nilópolis, a dupla de coreógrafos formada por Jorge Teixeira e Saulo Finelon já está mais do que entrosada com a escola. Mesmo com o nervosismo da estreia, os dois responsáveis pela comissão de frente conseguiram apresentar um trabalho elogiado pela direção da agremiação e que obteve os 40 pontos dos jurados. Agora, a missão, segundo eles, é manter esse patamar e ir ainda mais além.

“Quando mudamos de escola é um gás a mais, porque tem que suprir as expectativas. Ficamos muito felizes com o resultado e a Beija-flor também ficou. Esse segundo ano não tem jeito, a gente tem compromisso com a excelência, então nunca vamos relaxar. A gente sempre quer mais. É uma agremiação maravilhosa, com uma família que abraçou a gente e uma estrutura fora do normal. Estamos com todos os pré-requisitos preenchidos e agora só cabe a nós mesmos fazer o que deve ser feito”, garantiu Saulo Finelon.

“Como o Saulo falou, foi o primeiro ano. No segundo já ficamos um pouco menos tensos. A escola tem uma estrutura incrível e nós temos todas as condições de fazer um bom carnaval. É o que estamos buscando. A comunidade nos abraçou e isso também nos deixou mais tranquilos – ficamos oito anos em uma escola. Esse carinho da comunidade faz a gente se sentir em casa. Nesse segundo ano a coisa está melhor ainda”, completou Jorge Teixeira.

Análise das parcerias na final

Parceria de Junior PQD: A primeira obra a se apresentar na grande final nilopolitana foi a de autoria de Junior PQD, Rodrigo Tinta, Márcio França, Nando Souza, Robinho Donozo e JC Saraiva, com as participações especiais de Thiago Sodório, André Araújo e Cleissinho Teixeira. O cantor Ronaldo Júnior, integrante do carro de som da Beija-Flor, mais uma vez foi o responsável por defender o samba na quadra e se saiu bem na missão. Seguro, ele mostrou domínio de palco e buscou trazer o público para cantar junto da parceria. No entanto, apesar dessa boa performance do intérprete, a obra não foi além de um desempenho mediano. Como ponto positivo, o refrão principal, com os versos “Nilópolis em festa, hoje é Carnaval/ Bate no peito é Beija Flor na Avenida/ Você vai viajar, então vai delirar/ Na Maceió de Rás Gonguila”, seguiu a tendência das apresentações anteriores na competição e foi o trecho mais entoado. Além dele, o refrão do meio, com os versos “Liberdade ao descer beira mar/ Cavaleiro, folia no ar/ Zé pereira e as cinzas vem na quarta feira/ Devaneio real ilusão, sangue monarca nas veias/ Herdeiro folião na grande Maceió festeira”, também chamou atenção, não só pelo canto, como pela melodia que permitia aos torcedores brincarem. Aliás, a torcida, mesmo pequena, fez bonito e deu o seu recado. Com bandeiras, bandeirões, estandartes e bexigas como adereços, eles demonstraram bastante animação. Todavia, o canto foi irregular, sendo mais forte somente nos refrões. Vale mencionar que a parceria ainda trouxe faixas com dizeres como “Eu acredito!” e “1% de chance, 99% de fé”. Também houve a performance no palco de pessoas caracterizadas como figuras históricas da azul e branca, entre as quais Laíla e Pinah.

Parceria de Kirraizinho: O samba composto por Kirraizinho, Lucas Gringo, Wilsinho Paz, Venir Vieira, Marquinhos Beija-Flor e Dr. Rogério, com as participações especiais de Chacal do Sax, Ramon Quintanilha e Naldinho, foi o segundo a se apresentar na grande decisão da disputa promovida pela Beija-Flor de Nilópolis. O intérprete Emerson Dias, voz oficial do Acadêmicos do Salgueiro, teve a responsabilidade de conduzir a obra na quadra e fez com a mesma excelência das fases anteriores. A obra continuou a vertente de crescimento e fez novamente a sua melhor apresentação na disputa, tendo um rendimento espetacular. O refrão principal, com os versos “Aqui é Beija-flor doa a quem doer/ Do gênio sonhador a gana de vencer/ Tá no meu peito, tá no meu grito/ Escola de respeito que coroa Benedito”, mais uma vez foi ponto alto. O refrão do meio, “Tem mironga, festa da ralé/ Malandragem, frevo arrasta-pé/ A magia que avoa, o rosário no andor/ A cantiga que ecoa no axé do meu tambor”, também se destacou, sendo entoado com bastante força. Falando da torcida, o grupo compareceu em peso e provou estar com samba na ponta da língua. O canto e a vibração deles foi acompanhado por uma boa parcela do público, incluindo integrantes de segmentos como a harmonia e a ala das baianas. Quanto às ornamentações, os torcedores vieram com estandartes, bexigas coloridas, bandeirões da escola e bandeiras com o número da parceria. Assim como em outras etapas, uma banda com instrumentos de sopro e um bumba meu boi decorado com luzes de led foram atrações no meio da galera. Além disso, recursos como disparos de fumaça e chuva de balões também foram utilizados no decorrer da apresentação como forma de engrandecer o espetáculo.

Parceria de Léo do Piso: O terceiro e último samba a se apresentar na grande final da competição realizada pela Deusa da Passarela foi o assinado por Léo do Piso, Diego Oliveira, Diogo Rosa, Julio Assis, Manolo e Wilson Tatá. Contando com nomes estrelados como Pitty de Menezes e Tem Tem Jr. no time de cantores, a parceria teve o intérprete Tinga, voz oficial da Unidos de Vila Isabel, conduzindo o microfone principal. Após uma apresentação abaixo do padrão na semifinal, a obra mostrou sua força e teve um belíssimo desempenho na decisão. O refrão principal, com os versos “Meu Beija-Flor é casa de ogunhê oô/ É onirê ôô, ogunhê ô/ Vem coroar entre jangadas e canoas/ O rei de Maceió nas Alagoas”, foi berrado a plenos pulmões por torcedores e boa parte do público presente na quadra, assim como a subida para ele, especialmente o trecho “Quem nasceu para vencer não escolhe a missão/ Tem na veia a coragem e axé no coração”. Vale destacar que, entre os segmentos, houve uma boa receptividade do samba, sendo possível observar membros da harmonia cantando. Em relação à torcida em si, ela demonstrou empolgação e manteve o pique alto o tempo inteiro. O grupo veio paramentado com bandeiras e bandeirões nas cores da agremiação, além de balões dourados com o número um. Foram usados como adereços novamente barquinhos de led que mudavam de cor, assim como um sol, também em led, com o número da parceria no centro. Entre as outras pirotecnias que marcaram presença, mais uma vez, estão os disparos de fumaça e as máquinas de soltar bolinhas de sabão.