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‘Aproxima comunidade do samba’, garante Evandro Malandro sobre modelo de disputa da Grande Rio

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o cantor relatou como é a experiência de colocar a voz em todas as obras concorrentes da tricolor de Duque de Caxias e fez um balanço do atual formato do concurso

Pelo quarto carnaval consecutivo, o intérprete Evandro Malandro teve a responsabilidade de gravar todas as faixas em disputa para serem os hinos da Acadêmicos do Grande Rio no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. O cantor é a voz oficial da tricolor de Duque de Caxias desde o ano de 2018, quando substituiu Emerson Dias no posto. Assim como o antecessor, Evandro possuia uma história extensa na agremiação, tendo o seu início como um dos integrantes do carro de som. Em entrevista concedida para a reportagem do site CARNAVALESCO, ele recordou parte desse percurso e comentou a relação de alguns acontecimentos com o projeto que o permitiria gravar os sambas postulantes da verde, vermelha e branca.

Foto: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

“Falando de coração, fiquei muito feliz em chegar na Grande Rio da forma que cheguei, sem precisar pisar em ninguém ou bater na porta e implorar. Graças a Deus, foi algo que aconteceu naturalmente. E logo no meu início na escola, descobri um problema muito sério, mas tive todo o apoio da presidência, da diretoria, que me abraçaram. No caso, o que aconteceu é que desenvolvi a diabetes de uma forma muito severa. Essa minha diabete é emocional e hoje está controlada. Porém, na época, como estava mal de saúde, fiquei com medo, mas os presidentes garantiram que quando estivesse melhor, apto, viria e gravaria o samba. E assim aconteceu. Então, quando eles me apresentaram essa fórmula, no ano seguinte, de gravar todos os sambas concorrentes, fiquei muito feliz. Todo cantor sonha com esse carinho, de ser colocado embaixo das asas assim pelos presidentes. Ainda mais no meu caso, que não era um cantor tão conhecido e que ainda não tinha pisado como primeiro do Grupo Especial. Mesmo assim, recebi esse aparato todo. Fico muito contente em ver a história que estou construindo com a Grande Rio. Da melhor forma que puder retribuir, gravando e colocando a minha voz em cada samba, vou fazer sempre”, afirmou.

Desde o Carnaval de 2020, a tricolor de Duque de Caxias adota um modelo diferenciado para realizar o concurso de sambas-enredo. Além de Evandro Malandro gravar todas as obras concorrentes, as parcerias são proibidas de contar com participações de cantores do Grupo Especial e a presença de torcedores na quadra não é obrigatória. Ao comentar sobre este formato de disputa, o intérprete oficial da Grande Rio fez um balanço da experiência ao longo dos últimos anos e ressaltou que tenta dar uma atenção especial para cada uma das composições ao colocar a voz.

“É bacana este formato, porque aproxima a comunidade do seu samba, do que ela quer escolher, da forma que quer torcer. Nele, o cantor dá a referência para todos. Isso é muito importante. Por isso, tento fazer com muito respeito, com muito carinho e graças a Deus estou arrancando elogios dos compositores, da escola e da nossa comunidade. Acho que consegui colocar, em cada samba, uma emoção. De verdade, não pensem que o samba que não teve torcida é aquele que eu me preocupei menos. Não, me preocupei em todos os sambas. Um exemplo aconteceu nesta primeira eliminatória da disputa para 2024. Uma parceria teve que trazer um rapaz que estava com um pino na perna. Tinham três cantores, era o pai, o filho e o tio, além desse rapaz tocando o cavaquinho. Eu peguei a cadeira, trouxe para ele, fiquei durante toda a apresentação do samba ali, do lado. Enquanto não acabou as passadas, não saí de perto, porque esse é o nosso ofício. Penso que é o mínimo que posso fazer em respeito a tudo que a escola já fez, faz e vai fazer por mim. Tento retribuir todo esse carinho que recebo não só dos presidentes, mas da bateria, da comissão de frente, da harmonia, do casal mestre-sala e porta-bandeira, e principalmente dos nossos componentes e torcedores em geral. Uma das formas mínimas que tenho é, além de gravar os sambas todos, aprender eles. Há um mês para começar as eliminatórias, eu me fecho dentro de casa e escuto só Grande Rio, para conseguir cantar todos os sambas. De repente, posso não me lembrar exatamente da palavra de cada um perfeitamente, no entanto a nuance do samba eu aprendo. Essa é uma das maneiras que tenho de fazer uma retribuição a comunidade que me abraça. Então, fico no palco com cada parceria, porque eles merecem essa atenção, essa dedicação da minha parte”, explicou.

Com base no retrospecto dos anos anteriores, Evandro Malandro avaliou também os efeitos desse modelo de disputa implementado pela Grande Rio na própria escola. Um dos maiores, de acordo com o cantor, é justamente dar a oportunidade da comunidade ter uma noção real do quanto aquela obra pode render na voz oficial da agremiação.

“O impacto para escola é a melhor aceitação da comunidade. Além disso, esse modelo permite a gente ter uma ideia mais real de como aquele samba pode render. Afinal, ele pode ficar muito bom na voz de Huguinho, de Zezinho, de Luizinho, mas quando for para Avenida, na voz do cantor oficial, não ter o mesmo efeito. E para Grande Rio funcionou muito bem. Não estou falando que a gente serve de parâmetro para nada e nem para ninguém. Mas, não deixa de ser uma realidade que não adianta o samba ficar muito bom na voz de outro cantor e não funcionar na minha, que é quem vai defender na Marquês de Sapucaí. Então, nesse modelo, a comunidade fica mais confortável de chegar em uma disputa já sabendo para onde ela quer ir, porque vai curtir aquilo. Portanto, a escola, como um todo, se sentiu muito feliz com esse formato. Ele até pode ter dado o que falar antes, mas é inegável que deu muito certo”, avaliou.

Evandro Malandro relatou como é o seu processo de preparação antes de gravar os sambas concorrentes. De acordo com o intérprete, ele costuma ter um diálogo com os compositores para tentar compreender melhor qual a intenção deles com aquela obra. Aliado a isso, o cantor mantém uma rotina de cuidados com a própria voz, que envolve o acompanhamento profissional.

“Não é fácil. Tenho que chegar em cada compositor e saber captar exatamente o que ele quer. Depois que todo mundo gravou e o cantor vai botar a voz, é o momento daquela cerejinha do bolo que tem de ser muito bem colocada e com muito cuidado. Afinal, é o filho do compositor que está nascendo. Então, tenho que tratar da melhor forma. Acho que tenho conseguido isso com a ajuda do nosso professor de canto, do Pedro Lima, que é incrivelmente bom, sendo um profissional reconhecidíssimo na música e na televisão. Só para citar alguns exemplos, ele já preparou o Babu Santana para fazer o filme do Tim Maia, a Deborah Secco para fazer uma novela que ela era cantora, além de já ter atuado com músicos como Michel Teló. E o Pedro abraçou a minha causa e a do carro de som da Grande Rio. Atualmente, tenho duas aulas semanais com ele, além de uma aula geral com todos os cantores de apoio. Isso, lógico, é respaldado pelos nossos presidentes”, esmiuçou.

Ainda no bate-papo com a reportagem do site CARNAVALESCO, o intérprete contou que é inviável decorar cada uma das obras devido ao intervalo curto entre as gravações. Segundo o cantor oficial da tricolor caxiense, na atual disputa promovida pela escola, ele chegou a colocar voz em três sambas em um único dia. Mesmo assim, Evandro Malandro afirmou que, posteriormente, faz questão de aprender os hinos, para ter todos na ponta da língua.

“Nesse processo de Grande Rio, não dá tempo de decorar as letras. Esse ano, por exemplo, foram onze sambas. A escola estabelece um período para as parcerias fazerem suas gravações, só que ninguém grava naquele tempo. Ninguém quer gravar antes de ninguém, vai todo mundo gravar faltando uma semana, no máximo quinze dias para a entrega, então fica difícil decorar. O que eu faço, na maioria das vezes, é ir na voz guia. Quando não tem, eu ligo para o compositor e peço para me mandar nem que seja em um áudio de whatsapp cantando o samba para eu conseguir dar uma estudada. Por conta dos compositores encurtarem esse prazo dado pela escola e gravarem todo mundo perto um do outro, tem dias que coloco voz em três sambas diferentes. Então, no deslocamento de um estúdio para o outro, aproveito para dar uma escutada e analisar as obras. Além disso, depois de gravado, ainda sou o primeiro a levar, porque gosto de aprender os sambas da minha escola, da minha casa, da minha família. Quando eles forem ser defendidos na disputa, quero estar cantando, vibrando. Afinal, aquela gravação no estúdio floresce em cima do palco, com a bateria cheia, com todos os segmentos na quadra prestando atenção, alguns torcendo para o samba deles, e o cantor presente. Por mais que tenha a parceria ali, é importante estar também a voz oficial da escola, que aprendeu todos os sambas, e fez questão de estar com todos os compositores cantando”, assegurou.

O intérprete fez questão de enaltecer o trabalho em conjunto realizado pelos segmentos da escola. Segundo Evandro Malandro, a cooperação vai desde as primeiras reuniões para definição do enredo até o desfile no Sambódromo na Marquês de Sapucaí, sendo o atual formato do concurso de sambas-enredo mais um exemplo de parceria entre as variadas vertentes que formam a agremiação.

“A gente participa de tudo, praticamente. Nossa presidência, o nosso diretor de Carnaval Thiago Monteiro, fazem questão de manter a família perto. Por mais que as maiores decisões sejam deles, a gente tem uma vez de ouvir, de opinar também. Então, esse processo todo começa naquela primeira reunião, após o desfile, para debater o que vamos fazer no ano seguinte. Lá, são apresentadas as ideias de enredo e temos esse primeiro contato. Daí, conforme vai afunilando, já começo a pensar na desenvoltura da sinopse. Passou essa etapa, já estou louco para começar os sambas enredo. Ao longo da disputa, antes mesmo da final, fico imaginando o samba na Sapucaí, como é que ele vai ser e tal. Geralmente, espero passar umas duas semanas de concurso, no máximo três, para nas quartas de final estar com as ideias mais ou menos prontas para cada possível samba vencedor. E, no final dessa trajetória, quando chega na Avenida, passa esse filme inteiro na cabeça. Nessa hora, até emociona ver aquela sementinha plantada lá atrás render frutos tão bonitos. Dois exemplos disso são o ‘Tatalondirá’ e o ‘Fala, Majeté!’, um vice-campeonato e um campeonato, um seguido do outro. É algo muito bacana”, pontuou.

No ano que vem, a Grande Rio será a quarta escola a cruzar o Sambódromo da Marquês de Sapucaí no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo Especial. A agremiação irá em busca do segundo título de campeã da folia carioca com o enredo “Nosso destino é ser onça”, assinado pela dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. A proposta é fazer uma reflexão sobre a simbologia da onça no cenário artístico-cultural brasileiro, tocando em temas como antropofagia e encantaria.

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