A Cidade do Samba viveu um dia de consagração do samba-enredo, do trabalho sério e competente das escolas de samba. A casa ficou lotada. A abertura do “Rio Carnaval 2022” provou ser fundamental para o sucesso de todo o pré-carnaval. Caiu nas graças do povo! Foi lindo ouvir o público cantando, se emocionando e interagindo com os artistas do carnaval carioca. Agora, o próximo passo é voltar para base, ou seja, os ensaios de rua, além de acrescentar ao cronograma os ensaios de bateria no setor 11 e os esperados ensaios técnicos no Sambódromo. Abaixo, você confere a análise do site CARNAVALESCO para cada apresentação no segundo dia de festa.

PARAÍSO DO TUIUTI: A escola de São Cristóvão abriu a segunda noite e pisou forte na Cidade do Samba. Como pede o enredo, a comissão de frente, comandada pela coreógrafa Cláudia Motta, mostrou uma dança vibrante. Detalhe importante de ser apontado é que todos os integrantes cantavam o samba, mesmo fazendo a coreografia. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael e Dandara, esbanjou talento na pista. Sincronia nos movimentos, delicadeza nas horas certas e raça em outros momentos em que a música indica. A título de registro pelo que já representam no mundo do carnaval, a dupla não precisa ter o nome no pavilhão da agremiação. Foi um presente da gestão da escola, pode ser utilizado em ensaios de quadra, mas o símbolo da agremiação precisa estar “limpo” em eventos oficiais. A escola caprichou na apresentação com figurinos especiais para alas de baianas e na ala de passistas. Muito bonito ver a arte do samba no pé e a valorização desse segmento tão importante e fundamental. Os intérpretes Celsinho Mody e Grazzi Brasil formam uma combinação perfeita. A dupla conduziu com perfeição o ótimo samba-enredo do Tuiuti. No comando da SuperSom, mestre Marcão voltou oficialmente com o pé na porta. Uma apresentação impecável de um dos maiores comandantes de bateria da história do carnaval. Trabalho de excelência no ritmo do Tuiuti. É fundamental que olhem com atenção o processo realizado pela escola no pré-carnaval, porque em 2018 o caminho trilhado foi muito parecido com o que vem sendo realizado para o desfile de 2022. O quilombo do Tuiuti promete escrever uma nova história inesquecível no carnaval. * VEJA FOTOS

UNIDOS DA TIJUCA: A escola do Borel fez uma das principais arrancadas dos mini-desfiles na Cidade do Samba. Arrepiou! Condução avassaladora de Wantuir, Wic Tavares e da bateria Pura Cadência. Esses pilares da azul e amarelo garantiram o bom resultado da performance tijucana. A contratação e a formação do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe e Denadir, foi um gol de placa. Aliam dança e vibração. Ele muito técnico e ela raçuda. Combinação perfeita! Coreógrafo da comissão de frente, Sérgio Lobato, mostrou a dança com vigor dos seus artistas. O público delirava sempre que um dos integrantes “voava” na pista. Com um dos melhores sambas do ano, o canto tijucano foi forte e correspondido pelo público. A comunidade acreditando é o ponto fundamental para devolver a pujança da Unidos da Tijuca, perdida nos últimos anos. Mestre Casagrande tem seus ritmistas nas mãos. Trabalho reconhecido por todos e de excelência tanto no andamento, quanto nas bossas. Outro ponto forte é o carro de som. Uniforme, vibrante e com pai e filha, Wantuir e Wic, “voando” pela pista. * VEJA FOTOS

MANGUEIRA: Fundamento da raiz do samba! Assim, a Estação Primeira pisou na Cidade do Samba. O samba tão criticado no pré-carnaval funcionou e muito com a comunidade. O trabalho do carro de som com a bateria chegou ao ponto ideal para condução de um desfile. Impressiona o que mestre Wesley faz no comando da “Tem que respeitar meu tamborim”. Qualidade musical espetacular! “Ainda” tem Evelyn Bastos, como rainha de bateria, dona do sambo né, “recheado” com beleza, carisma e responsabilidade social. O intérprete Marquinho Art Samba, a cada ano que passa, conquista ainda mais os mangueirenses. No desafio de cantar uma obra que levou tantas pancadas, ele passou com louvor e sorrindo de orelha a orelha. Aliás, estratégia perfeita da escola parar o canto e deixar a comunidade cantar o verso “a voz do meu terreiro”, que é uma referência para Jamelão. A Verde e Rosa é uma das agremiações que possui uma gama de quesitos em que a projeção é gabaritar na apuração, principalmente, com a comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Os coreógrafos Rodrigo e Priscila realizam trabalhos impecáveis. Na Cidade do Samba, o grupo formado apenas por homens dançou o tempo todo e abriu o show mangueirense com samba no pé. Frutos de Mangueira, Matheus e Squel dignificam a arte do mestre-sala e porta-bandeira. Ele caminha para se tornar um dos maiores do quesito pela dança, mas também pelo jeito de cortejar e pelos movimentos coreográficos e ela vive o auge na Mangueira. Squel é de uma sutileza encantadora na condução do pavilhão. Por fim, é bonito demais ver o capricho mangueirense no figurino para o mini-desfile e sentir toda emoção dos passistas da Verde e Rosa. * VEJA FOTOS

MOCIDADE: A Mocidade está pronta para lutar pelo título do Grupo Especial no Carnaval 2022. Podemos afirmar sem medo de errar que a Verde e Branco de Padre Miguel, pelos quesitos apresentados na Cidade do Samba, está muito forte para o desfile deste ano. Obviamente, ainda existe os quesitos plásticos e o fator “dia do desfile”, mas é inegável o trabalho competente feito pela agremiação sob o comando de Marquinho Marino, um dos principais diretores de carnaval do momento. O samba-enredo, um dos melhores do ano, foi disparado o mais cantado pelo presente no local. Wander Pires, um dos maiores cantores da história, vive o seu melhor momento profissional e tem uma equipe muito bem alinhada e profissional no carro de som. Mestre Dudu e a “Não Existe Mais Quente” resgataram o ritmo da bateria mais esperada do carnaval. No mini-desfile foi arrebatadora a performance do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo e Bruna, que merecidamente receberam o reconhecimento dos Independentes pela qualidade da dança. Aliás, a porta-bandeira, que foi revelação em 2020 pelo site CARNAVALESCO, entra com todos os aplausos possíveis no hall de artistas que já representaram o quesito com muito sucesso na Mocidade, principalmente, nomes como Babi Cruz, Lucinha Nobre e Marcella Alves. O mestre-sala esbanja felicidade na dança. Sem dúvida, um dos principais casais do Grupo Especial. A dupla de coreógrafos da comissão de frente, Saulo Finelon e Jorge Teixeira, com muito talento e competência, também já colocou seus trabalhos no ranking dos melhores da Mocidade. Na apresentação na Cidade do Samba, o grupo formado apenas por homens, ainda interagiu com o casal. A Mocidade está completamente “areretizada” e soha em deixar todo o carnaval assim e conquistar o caneco do Grupo Especial. * VEJA FOTOS

GRANDE RIO: É bom demais ver a “nova” Grande Rio. Uma escola de samba e de sambistas. Comunidade gigante e forte. Referência agora são os “globais de Caxias”, mestre Fadá, Daniel e Taciana, Evandro Malandro, Thiago Monteiro, casal Bejani e os carnavalescos Bora e Haddad. Essa turma é responsável pela mudança da tricolor de Duque de Caxias. Hoje, uma escola abraçada e aguardada pelos sambistas. O que falta para coroar? O título. Na apresentação, na Cidade do Samba, o contingente maior do que o estipulado foi notado. Ainda assim a “avalanche caxiense” deixou sua marca na pista. O andamento praticado pela bateria e carro de som é agradável demais. “Não correr” é característica do mestre e da escola, não vamos levar isso em consideração, Fafá é talento puro e está correto em adotar para sua bateria o “andamento para trás”. Ele decide! O jovem comandante merece ser tratado com muito carinho pela direção da Grande Rio. O julgamento tem que ser feito é na pista, e, até o momento, nada precisa ser corrigido. No comando do magnifício carro de som, Evandro Malandro segue no mais alto nível possível. Canta demais! O samba-enredo está na ponta da língua da comunidade. A comissão de frente, comandada pelo casal Bejani, mostrou uma coreografia impactante. Muita dança e coreografia em cima do samba. Perfeição! O adjetivo também vale demais para o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Daniel e Taciana, que encanta em cada apresentação que faz, seja nas quadras ou ensaios. Independente de torcida ou pavilhão é impossível ver a exibição da dupla e não ficar de boca aberta com tanto talento. Para fechar essa análise fica a dica: pesado é o preconceito de quem fala do enredo e do samba da Grande Rio. “É no toque da macumba, saravá, alafiá!” * VEJA FOTOS

VIRADOURO: Sacode! A vermelho e branco de Niterói “amassou” a pista montada na Cidade do Samba. O trabalho de uma das escolas que mais ensaia e gosta de treinar com sua comunidade é refletido no sucesso da performance do mini-desfile. Tudo está encaixado na escola. O “samba da carta” caminha para ser a obra do ano, já é uma das principais, e conquistou o público torcedor ou não da escola. O intérprete Zé Paulo conduziu com maestria o carro de som, trabalho de extrema qualidade musical de sua equipe. O ritmo da “Furacão Vermelho e Branco” é avassalador. Nada de “correria”. O andamento adotado é característica, confortável para quem toca e deve ser respeitado. Mestre Ciça, seus diretores e ritmistas conhecem demais. Fazem show em bossas e também na condução do andamento. Nada na Viradouro é feito de “orelhada”, existe muito estudo, organização e trabalho. A gestão tão elogiada e referência na competência administrativa da presidência é, acima de tudo, também da perfeita conjunção de profissionais gabaritados, como os diretores de carnaval, Alex Fab e Dudu Falcão, e, da direção de harmonia com Mauro Amorim. A comissão de frente, comandada pelos coreógrafos Alex Neoral e Marcio Jahú, brindou o público com muita dança e coreografia. Julinho e Rute, casal de mestre-sala e porta-bandeira, são referências profissionais do quesito. Além do figurino espetacular, a dupla ensaia demais e colhe os frutos, com o protagonismo merecido, e a garantia de resultado para Viradouro. * VEJA FOTOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui