beijaflor casal
Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

A disputa de samba da Beija-Flor de Nilópolis afunilou. Na noite da última quinta-feira, sete parcerias se apresentaram na quadra da escola em busca de uma vaga na próxima etapa, e a parceria de Paulo Cesar Feital foi eliminada nessa terceira rodada. Os seis sambas restantes seguem na briga e voltam a se apresentar na quarta eliminatória, marcada para a próxima quinta-feira, dia 20. Em 2027, a “Deusa da Passarela” levará à avenida o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, em homenagem a Zeneida Lima, a última pajé marajoara. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO dos seis sambas classificados.

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Parceria de Junior Trindade: O samba 05, de Júnior Trindade, Samir Trindade, Laura Romero, Cleiton Roberto, Doguinha Guaracimir e Marcão da Gráfica, foi defendido pelo cantor Bruno Ribas. A parceria abriu a terceira noite de eliminatória com uma apresentação sem muito brilho. Os dois refrões renovam a vitalidade da obra, que exige canto forte e constante, o que não é uma dificuldade para uma escola como a Beija-Flor. Na segunda parte, os versos “Mãe luz de Nazaré / Me mantém de pé na esperança / Por Deus, pelos ancestrais / Nas lutas sociais, proteja as crianças” demonstram força poética de fino trato em uma melodia que prepara bem o crescimento do refrão principal. Entretanto, os primeiros versos da primeira estrofe soam truncados, dificultando a compreensão da letra. Apesar da animação da torcida no refrão principal, o canto cai consideravelmente no restante do samba. Uma apresentação regular.

Parceria de Márcio França: Segunda parceria a se apresentar, o samba 77, de Márcio França, Fábio Leite, Rodrigo Tinta, Guinho, Cleissinho Teixeira e Eduardo Amsterdam, passou de maneira correta. A letra como um todo é de fácil assimilação, e muito se deve à performance de Ronaldo Júnior, Diego Nascimento, Guinho, Diego Natural e Rodrigo Carvalho. No entanto, a letra pouco desdobra, em termos poéticos, a sinopse da Beija-Flor. Há trechos muito genéricos que não trazem especificidade à personagem que a escola irá homenagear em 2027, o que indica uma perda poética no samba-enredo. Os versos do trecho “Abri os caminhos, minhas ervas têm poder / Folhas caídas fazem a vida rejuvenescer / Invoco a energia ancestral” são uma boa abertura. Já o refrão principal é bem cantado pela torcida presente, que trouxe um grupo de mulheres vestidas com saias de chita, com galhos e cocares nas mãos.

Parceria de Marquinho Beija-Flor: Destaque da noite, o samba 13 começou a ser cantado antes mesmo de Pixulé puxar seu grito de guerra. Excelente apresentação da parceria de Marquinho Beija-Flor, Claudio Russo, Chacal do Sax, Rômulo Massacesi, Julio Alves e Léo Freire. O refrão do meio é um primor, e os versos “É de pena e maracá! / É de pena e maracá! / Eu sou cabocla com herança africana / Mestre Mundico me ensinou a dar o nó em caruá! / Eu tenho a alma nilopolitana” evocam um canto afirmativo e orgulhoso da identidade Beija-Flor. Um prato cheio para a comunidade nilopolitana. Na segunda parte, os versos “Vem no balanço do siriá / Marujada e carimbó / Quem ensina é aguaguara / No curumim vi o futuro no olhar / A Baixada a invocar a força marajoara” fazem uma variação melódica que areja a obra, e o samba explode no refrão principal. Uma grande apresentação de um samba que desponta na disputa.

Parceria de Diogo Rosa: Uma parceria que apresentou ótimo rendimento foi o samba 01, de Diogo Rosa, Julio Assis, Kirraizinho, Manolo, Clay Rodolfo e Dr. Luiz Claudio, defendido por Tinga. A cabeça do samba carrega, nos versos “Moço, espia só / Invisível vira folha / Folha vira pó”, um jeito interessante de entrar no enredo. A obra conta com variações melódicas que evocam o canto da escola. Tanto o refrão do meio quanto o refrão principal crescem e são bem cantados. No entanto, a segunda parte cai um pouco porque está entre dois momentos cantados com muita força. Destaque para os versos “Fiz da vida minha escola, nesse azul que não tem fim / Dedico a poesia em tributo, onde o amor é instituto / que ensina curumim / gratidão que borda o manto e assenta a altivez / evoca o mundo místico outra vez”. Uma ótima apresentação.

Parceria de Sidney de Pilares: O samba 39, de Sidney de Pilares, Pedro Marajoara, Dudu Nobre, Marcelo Lepiane, Salgado Luz e João Conga, foi defendido por Igor Sorriso e Igor Vianna. A obra passou de maneira irregular na terceira noite de eliminatórias. O refrão principal anima, mas o samba como um todo apresenta uma melodia truncada. Problema que se concentra sobretudo na primeira parte, quando a estrofe inicial, extensa, dá lugar a estrofes bem mais curtas, o que compromete a compreensão do canto logo de saída. A torcida presente festejou com bandeiras e cantou animada o refrão, mas não sustentou o samba como um todo. Uma apresentação irregular.

Parceria de Junior PQD: Outro destaque da noite foi o samba 02, de Júnior PQD, Ailson Picanço, Junior Billy Mandy, Geral M., Felício, Marquinho Paloma e Marcelo Moraes, defendido por Pitty de Menezes. A primeira parte da obra conta com belíssimas melodias que evocam os mistérios da floresta, como nos versos “Três luas te aguardam na floresta / pintando a sua tez morena / acende o brasileiro pra aldeia tremer / corre sangue mineira Naê, sem medo nós vamos lutar”. Destaque para os versos “Tecer pelas mãos da curandeira / O azul dessa bandeira que o céu vai colorir”, de encantamento. O refrão principal passa com muito vigor, mérito da construção melódica do samba e da performance de Pitty, que fez a torcida presente cantar muito bem a obra. Excelente apresentação.