A Unidos da Tijuca voltou à rua na última quinta-feira e deu mais uma demonstração de força na preparação para o Carnaval 2027. Em seu segundo ensaio da temporada, a escola do Borel apresentou uma passagem marcada pela energia da comunidade, pelo bom entrosamento entre os segmentos e, principalmente, pela potência musical. Com uma evolução leve e bastante dançante, a agremiação conseguiu manter o ritmo durante todo o percurso e confirmou o bom momento apresentado na estreia. Se, na semana passada, a chuva não impediu uma apresentação consistente, desta vez a Tijuca mostrou que também pode aliar descontração e organização, com destaque para o canto dos componentes e o desempenho da bateria “Pura Cadência”.
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AO CARNAVALESCO, o diretor de carnaval tijucano, Gabriel Melo, analisou o segundo treino. “Este foi o primeiro reencontro da escola com a sua real grandeza. A gente não coube na rua. Hoje, fui chamado a atenção pelo pessoal da prefeitura de que a Unidos da Tijuca não cabe mais na rua de ensaio. Isso significa que o tijucano recuperou a confiança na escola. Eu sempre digo que o Logun Éde foi para limpar as energias, a Carolina para trazer o ânimo, e eu acho que agora a escola voltou a ter confiança total; o contingente da escola está com confiança total no que está fazendo. É um baita ensaio de chão, um baita ensaio de canto, muita entrega das pessoas. Eu, que tenho procurado estar extremamente centrado nos ensaios, me emocionei três vezes hoje, porque eu ouvia muitas vezes as pessoas dizendo que a escola não tinha chão mais, que a escola não tinha comunidade, e a prova de que todos estavam errados acontece hoje. Eu acho que a gente já venceu alguns fantasmas do passado, mas o que a gente acertou no coração hoje era o maior de todos. Agora é trabalhar, afinar os quesitos, celebrar o momento de maturidade da comissão de frente, a entrega do meu primeiro casal, a alegria e a energia da bateria da escola, que é uma coisa impressionante, e da ala de passistas, que é, sem dúvida, o grande destaque de harmonia e evolução da temporada até aqui, que vem contagiando a escola toda, e começar a mirar fevereiro com outros olhos. Eu acho que a gente não pode mais pensar apenas em recuperação, a gente tem que pensar em conquista”, explicou.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente, comandada por Ariadne Lax e Bruna Lopes, realizou uma apresentação de passagem, com a proposta de marcar o tempo e ocupar o espaço disponível. Mesmo sem apostar em uma encenação mais elaborada, o grupo demonstrou segurança na execução, muita energia e bom domínio da coreografia.
A dança trouxe referências ao universo do enredo, com movimentos em casal que lembravam as tradicionais quadrilhas juninas. A proposta foi bem desenvolvida pelos bailarinos, que apresentaram sincronia e disposição durante a passagem. Um trabalho eficiente da dupla de coreógrafas, que conseguiu manter a identidade da apresentação e imprimir leveza ao segmento.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Marcinho e Cris Caldas deram mais uma demonstração de maturidade e entrosamento. A dupla realizou uma apresentação segura, com boa sintonia entre os movimentos e uma coreografia que dialogou com a proposta musical da escola.
Marcinho apresentou passos inspirados na quadrilha junina, incorporando elementos do universo do samba à dança do casal. Cris, por sua vez, conduziu o pavilhão com muita segurança, combinando vigor e elegância no bailado. O entrosamento entre os dois ficou evidente ao longo da apresentação, reforçando a confiança de uma dupla que demonstra conhecer muito bem os caminhos um do outro.

EVOLUÇÃO
A Tijuca apresentou uma evolução bastante agradável de acompanhar. A comunidade passou pela pista com leveza, alegria e muita disposição para dançar. Foi uma escola para cima, com componentes soltos e participativos, sem perder a organização necessária para o deslocamento.
Um aspecto positivo foi a distribuição dos espaços entre as alas. Mesmo com setores numerosos, a agremiação conseguiu manter um bom espaçamento, evitando grandes concentrações e permitindo que a escola avançasse de maneira fluida. O ritmo também foi bem administrado, sem atropelos ou dificuldades aparentes no deslocamento.
A apresentação mostrou uma comunidade à vontade, que parece ter encontrado um bom equilíbrio entre a liberdade para brincar o carnaval e a organização exigida em um desfile competitivo. A Tijuca ocupou a rua com desenvoltura e manteve a animação durante todo o percurso.
HARMONIA E SAMBA
Se existe um segmento que merece atenção especial na apresentação tijucana, é o conjunto formado pelo samba e pelo canto da comunidade. A sintonia entre a obra e os componentes foi um dos grandes trunfos da escola. O samba foi cantado com muita potência do início ao fim, sem apresentar quedas significativas de rendimento durante o ensaio.
Um dos aspectos mais interessantes foi a maneira como a comunidade respondeu às diferentes nuances da composição. Mesmo nos trechos mais dolentes, que exigem uma interpretação mais sentimental e poderiam representar um desafio para a sustentação do canto, os componentes mantiveram a intensidade e demonstraram envolvimento com a obra.
O resultado foi uma apresentação musical bastante uniforme, com o samba encontrando uma resposta forte na voz da comunidade. Mais do que cantar alto, a Tijuca conseguiu transmitir a sensação de que seus componentes estão conectados à melodia e à narrativa proposta pela composição. Um rendimento que merece destaque e reforça as boas perspectivas para o trabalho de harmonia da escola.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Pura Cadência”, comandada por mestre Casagrande, também teve uma atuação de alto nível. O conjunto apresentou excelente afinação, precisão técnica e regularidade rítmica, além de bossas bem encaixadas, que contribuíram para valorizar ainda mais o samba.
A qualidade da execução chamou a atenção pela maneira como os ritmistas conseguiram aliar técnica e musicalidade. As intervenções foram realizadas com segurança, sem comprometer o andamento da escola, e ajudaram a impulsionar o canto dos componentes. Mais uma vez, a bateria apareceu como um dos pontos altos da apresentação tijucana.
Em entrevista para o CARNAVALESCO, mestre Casagrande analisou o ensaio: “O desfile poderia ter sido hoje. Foi muito bom. Brincadeiras à parte, ainda temos muita coisa para acertar e mostrar. Mas acredito que estamos no caminho certo. O samba encaixou, o público está cantando, o que é o mais importante, e toda a escola canta. O samba é bom e gostoso de cantar. O mais importante é que o samba está fazendo a escola desfilar bem. A bateria veio completa hoje, o que foi uma surpresa muito grande. Faltou até instrumento. Foi gratificante ver que a galera comprou a ideia. O samba é tão bom que as pessoas gostam de tocar, com uma bossa boa e um bom arranjo, o que influencia o rendimento não só da escola inteira, mas também da bateria”, disse o comandante da “Pura Cadência”.

Casão comparou com o primeiro ensaio: “Na semana passada choveu muito, além da coincidência com o jogo entre Flamengo e Vasco. Mas hoje a galera veio firme. Que bom que o público está abraçando, com a comunidade em peso e todas as inscrições encerradas, pelo que fiquei sabendo. Parabéns ao pessoal da harmonia e à direção de carnaval. Nosso presidente não está medindo esforços, e vamos em frente, pois estamos na briga. O barracão está excelente, e a Tijuca está no momento de presentear a sua comunidade”.
Outro destaque foi a rainha de bateria Mileide Mihaile. Em seu retorno ao posto, a maranhense demonstrou muito samba no pé, simpatia e proximidade com os integrantes da agremiação. Participativa, interagiu com a comunidade e mostrou estar bem integrada ao ambiente da escola. A recepção e a sintonia com os componentes reforçam a impressão de que seu retorno foi uma escolha acertada.
Ao fim do segundo ensaio, a Unidos da Tijuca deixa uma impressão bastante positiva. A escola conseguiu reunir organização, leveza e potência musical em uma apresentação equilibrada. Ainda há caminho pela frente até o desfile oficial, mas a comunidade já demonstra envolvimento com o samba, e os segmentos apresentam um entrosamento que merece ser acompanhado nas próximas semanas.










