luan salgueiro
Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

O Salgueiro, que levará para a Sapucaí o enredo sobre Xica da Silva, desfilará com 27 alas e trabalha com a estratégia de antecipar as etapas de confecção de fantasias e alegorias. Segundo Luan Teles, diretor de barracão da escola, o planejamento começa muito antes do período mais intenso de produção.

“A gente larga na frente com escultura, com laminação de fibra. Sempre trabalhei com um planejamento muito antecipado”, afirmou o diretor de barracão salgueirense.

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Acervo zerado

O ritmo acelerado também aparece na outra ponta do ciclo de produção. Depois de cada desfile, as fantasias são catalogadas e colocadas à venda, enquanto as alegorias são desmontadas para reaproveitamento de materiais ou comercialização. No caso do Salgueiro, nada restou do carnaval de 2026.

“Hoje a gente não tem mais nada. Todas as fantasias do Salgueiro já foram vendidas, e todas as esculturas do carnaval passado também”, contou o diretor.

O reaproveitamento de materiais, segundo ele, é uma prática comum tanto no Grupo Especial quanto na Série Ouro, mas depende do projeto desenvolvido pelo carnavalesco a cada ano.

Da planta à Avenida

Cabe ao diretor de barracão transformar o projeto do carnavalesco em estruturas que funcionem no dia do desfile. Quando Jorge Silveira entrega a criação, Luan faz a ponte com as equipes de ferragem e de artesãos. Uma das principais preocupações é o transporte: as alegorias precisam respeitar medidas específicas para sair do barracão e serem montadas na concentração, superando obstáculos como o viaduto próximo ao prédio Balança Mas Não Cai.

“A minha parte hoje no Salgueiro é organizar o desfile para que a gente não tenha problema de montagem nem de desmontagem, para ter um carnaval bem tranquilo”, resumiu.

‘Casamento que deu certo’

A escola chega ao terceiro carnaval com a mesma equipe, contratada em 2024. Luan chegou ao Salgueiro vindo do Império da Tijuca, onde exercia a função de diretor de carnaval. Na Academia do Samba, passou a dividir a gestão do barracão com Wilsinho Alves, que assumiu a direção de carnaval.

“Eu nunca tinha trabalhado com o Wilsinho. A gente brinca que é um casamento que deu certo. Ele é uma pessoa muito tranquila de trabalhar, que aceita muito as ideias”, disse.

A continuidade, segundo ele, também facilita a relação com o carnavalesco. Luan conta, em tom de brincadeira, que Jorge Silveira é o único com quem ainda não precisou utilizar um alerta recorrente na semana do desfile.

“Todo carnavalesco, quando chega essa semana, não pode dormir. Porque se ele dorme e o carnaval fica pronto, quando acorda quer botar mais uma coisinha ali, outra aqui. O Jorge é um cara sensacional, aceita muito a ideia”.

Para o diretor, o diferencial do barracão salgueirense está na gestão e na capacidade de antecipar processos.

“O ponto forte é a organização, o planejamento. Desde o momento em que a gente tem organização e planejamento, a chance de dar certo é muito grande”.