
O último sábado foi de revelação e celebração no Extremo Sul de São Paulo. Na data, a Estrela do Terceiro Milênio organizou a Festa dos Pilotos, no qual mostrou ao universo do carnaval paulistano as fantasias que desfilarão no enredo “Incrível! Fantástico! Extraordinário!”, assinado por Paulo Barros. A Coruja, que será a quinta escola a desfilar no sábado do Grupo Especial da cidade, também divulgou uma informação bastante importante sobre a parte estética na apresentação oficial. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO conversou com personagens importantes da Estrela do Terceiro Milênio para o Carnaval 2027.
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Régua alta
O título do enredo, que, por dubiedade, pode parecer presunçoso, refere-se às criaturas que são utilizadas para fazer analogias com a sociedade contemporânea. Perguntado sobre o quão desafiador foi conceber o conjunto de fantasias da escola, Paulo Barros observou a criação por outro prisma: “Eu não diria desafiador: o enredo me proporcionou tudo isso, essa é a melhor palavra. Quando eu escolhi esse enredo para a Milênio, eu queria algo lúdico. Ele trata de personagens que traduzem uma essência, cada uma com um tipo de arquétipo. Eu mesmo descobri que não sabia o significado de todos enquanto pesquisava, por exemplo. É uma mensagem de um enredo incrível, fantástico e extraordinário. A gente conseguiu dividir o enredo de maneira que ele conte a história desses seres que saem de um portal para desfilar com a gente. Eles não vêm para nos aterrorizar, eles vêm para alertar, ajudar e proteger. Eu estou muito feliz com o resultado das fantasias, a Milênio tem um belo conjunto. Eu também devo tudo isso ao Paulo Menezes, meu companheiro e que está comigo há muitos anos. A gente fez um trabalho minucioso de pesquisa, de profundidade. A Milênio tem tudo para gabaritar nos quesitos Enredo e Fantasias, com certeza”, afirmou, citando o carnavalesco que é figurinista e assistente do profissional que assina o desfile da escola do Grajaú em 2027.
Volumetria destacada
No evento, Silvão Leite, presidente de honra da Estrela do Terceiro Milênio, informou aos presentes uma surpresa: a escola teria um elemento alegórico em todas as alas. Tal característica do desfile, unida às fantasias volumosas, deixaram a interrogação sobre o quão funcional poderia ser a junção de tais fatores. Barros explicou: “Eu precisava, em cada ala, trazer um personagem. E, para isso, nós teremos cada um dos seres que formam o nosso enredo em formato de escultura, em evidência. A ala, por si só, é o ambiente onde o respectivo ser vive. Você vê a fantasia do Hipografo, por exemplo, e a fantasia nada tem a ver com o ser, mas é esse conceito que está embutido nesse personagem. Foi uma sacada muito legal, fiquei muito feliz com esse resultado”, pontuou.

Escola comprometida
Se a ousadia vai ser a marca da escola em 2027, o carnavalesco deixou claro que a agremiação embarcou junto no atrevimento: “Agora, é lógico: a Milênio comprou a ideia. Se não tivesse comprado, eu não ia fazer a besteira de entregar algo que eles não pudessem executar. Teve um consenso aí: a escola se sentiu bem à vontade para fazer esse projeto. Tudo tem risco, mas se tudo for feito de maneira consciente, profissional e dedicada, ninguém deve ter medo de errar. É lógico que não depende só de mim, depende também do componente da escola, da diretoria, da Harmonia e da escola como um todo para o projeto evoluir bem. Eu já fiz carnaval em São Paulo nos Gaviões, eu tinha alguns tripés no meio de alas. Como deu certo naquele ano, eu resolvi repetir a dose. É um pouquinho mais ousado, mas estou certo de que a escola vai conseguir levar o projeto adiante. Essa é a minha segurança. Vou repetir: eu não ia me aventurar a fazer qualquer tipo de loucura sem o aval deles. Isso nunca”, prometeu.
Tecnologia
Quando perguntado sobre quais cores e materiais privilegiou para conceber as fantasias da escola, Paulo Barros fez questão de revelar um instrumento que o ajudou a mesclar e criar novos materiais: “A gente fez o uso das cores da escola baseado em cada personagem. Se você tem a ala do Pégaso, você tem na roupa do componente uma simulação de nuvem branca: é o céu, ele está voando. A gente tem a cor de cada ala puxando para cada personagem. Já o uso do material foi o natural de carnaval; mas, para a minha surpresa, eu cheguei na Milênio e encontrei uma máquina de corte a laser. Em algumas fantasias, conseguimos fazer coisas que, de longe, parecem plumas, mas não são. Foi muito legal essa experiência: conseguimos fórmulas e resultados diferentes para cada um desses experimentos”, revelou.
Mais que satisfeitos
Miriângela Moura, vice-presidente da agremiação, deixou claro o quanto o conjunto de pilotos idealizado por Paulo Barros foi bem recebido pela diretoria da agremiação: “Pessoa famosa e criativa é problema! Brincadeiras à parte, eu e a diretoria ficamos muito emocionados quando vimos os pilotos das fantasias pela primeira vez. Esse enredo trouxe para a gente a sensação de ver o folião e as pessoas que vão assistir um desfile de carnaval de recuperar memórias próprias. As pessoas verão fantasias e alegorias que não precisarão de muitas explicações para entender a mensagem justamente por ser um resgate de memórias. É histórico, são lendas e histórias que todo mundo conhece. Essa facilidade encantou todo mundo”, comentou.











