A Unidos de Vila Maria realizou a Festa dos Protótipos, apresentando o conjunto de fantasias para toda a comunidade. O evento contou com encenações sobre circo, quadra decorada com o tema e tudo o que envolve as atrações circenses. À medida que os componentes vestidos com as indumentárias iam entrando, diferentes músicas tocavam. Foi um momento de muita emoção também quando o casal de mestre-sala e porta-bandeira Kadu Andrade e Camila Moreira desfilou com o pavilhão na passarela montada no meio da quadra para a realização do evento. Muitas pessoas da comunidade se emocionaram com a apresentação. A festa mostra ao mundo do samba o ponto de partida rumo ao Carnaval 2027, já que o samba e o enredo foram definidos há bastante tempo. Foi uma celebração agradável para todas as pessoas presentes.
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“A Festa dos Protótipos é sempre muito bem recebida, porque é ali que você consegue entender a dimensão do trabalho. As fantasias foram montadas com muito carinho, dentro das possibilidades da escola. E isso é importante frisar: o carnavalesco precisa ter essa consciência de trabalhar dentro das limitações da escola. Aqui na Vila Maria, nosso presidente, Adilson, deixou a direção artística à vontade para criar as peças. As fantasias estão muito bem descritivas, então o público vai entender. Só de olhar, já vai começar a compreender e sentir a energia do enredo. Embora seja uma reedição de 2005, ela traz um olhar mais contemporâneo, até mesmo por conta do texto que o Diego criou”, disse o carnavalesco Mauro Quintaes.
Desafio de realizar uma nova concepção
O enredista Diego Araújo, por sua vez, explica que retornar ao carnaval de São Paulo e participar da releitura de um desfile tão importante para a Vila Maria tem um significado especial. “Eu sou muito feliz de retornar ao carnaval de São Paulo. E hoje estar aqui na Vila Maria, com a possibilidade de reviver um desfile muito memorável para a escola, que tem um poder sentimental e uma memória afetiva muito grande”, celebrou.
A diferença de estrutura entre o desfile de 2005 e o projeto atual foi um dos principais desafios enfrentados pela equipe. Naquele ano, a Vila Maria levou cerca de quatro mil componentes para a avenida, em um desfile dividido em cinco setores. Agora, disputando o Grupo de Acesso 1, a escola trabalha com uma estrutura menor. Diego explica que essa diferença exigiu uma reorganização do projeto original. “Claro que hoje, no Grupo de Acesso, temos menos condições de estrutura do que tínhamos no Especial de 2005, principalmente em relação ao tamanho da escola para desenvolver o desfile. Por isso, nós precisamos reorganizar algumas informações do desfile de 2005, remanejar algumas coisas e trazer ideias novas para este desfile. Como o Mauro falou, estamos sempre pensando também na forma como ele gosta de fazer carnaval: nas formas, nas cores e nas ideias mirabolantes que ele tem. O Mauro é um cara que gosta muito de apostar no imaginário que extrapola a realidade, assim como o enredo também fala”, declarou.

Para Mauro, será um desfile de fácil compreensão pelo público presente no Anhembi. “Esse poder de resumir, plasticamente falando, não é tão complicado quando você tem a possibilidade de contar a história também por meio das alas. Em termos de alegorias, fizemos uma mistura de elementos em cada uma delas. O desfile está de facílimo entendimento. Mesmo não tendo a mesma dimensão numérica de 2005, é um desfile grandioso. A escola está motivada e, certamente, o entendimento será muito fácil também”, afirmou.
Preocupação com a pasta/roteiro para os jurados
No meio da entrevista, Mauro Quintaes entrou na questão do grande pesadelo do carnaval de São Paulo, que é a pasta dos jurados. Para o carnavalesco, a arte deveria vir em primeiro plano. “E também é importante prestar atenção à pasta. O carnaval de São Paulo tem esse circo dos horrores que é a pasta. Ela é um elemento que faz com que, a cada passo, você precise pensar para não ter nenhum problema. Aqui vai uma opinião pessoal do Mauro Quintaes: já passou da hora de essa pasta do carnaval de São Paulo ser colocada de lado e de se priorizar a plástica, a beleza e a arte dos desfiles das escolas de samba daqui. A pasta é apenas um detalhe informativo. Ela não pode ser um elemento norteador para você derrubar uma escola ou deixar de beneficiar outra em um campeonato. A plástica é muito mais importante: a vibração, a dança, a beleza, o enredo, o casal, a comissão”, declarou.
Diego concorda com o argumento apresentado pelo colega e também defende uma maior leveza no carnaval paulistano. “Eu concordo com tudo o que o Mauro falou, inclusive sobre a pasta. Acho que o carnaval de São Paulo precisa realmente de mais leveza. As pessoas precisam voltar a ter a oportunidade de brincar mais o Carnaval aqui”, comentou.
Fantasias pensadas para facilitar a leitura
Entrando no principal tema da noite, estão as fantasias. A equipe trabalha para que os figurinos não apenas tenham qualidade estética, mas também contribuam para que o público compreenda a narrativa apresentada pela escola. Mauro contou que o figurinista Rômulo Roque está à frente do trabalho. “Nosso figurinista é o Rômulo Roque, que não pôde estar aqui hoje. Mas também estou contando com a ajuda do Marcelo e do Ed, que vieram do Vai-Vai. A gente conseguiu resgatar os dois de lá. Eles tiveram um entendimento muito claro das fantasias, até porque o figurino era muito claro”, revelou.
A proposta é trabalhar com fantasias que sejam divertidas e imediatamente compreendidas pelo público. “São fantasias divertidas e, repito, de fácil entendimento, com acabamento primoroso. O acabamento é fundamental aqui em São Paulo”, declarou.
Diego reforçou que a preocupação com a leitura não está restrita aos figurinos. “A gente priorizou a facilidade de leitura de todas as fantasias e também das alegorias. Vai ser um carnaval de fácil leitura, alegre e divertido, para a Vila Maria brincar e para o componente da escola também aproveitar”, contou.
Apesar da leveza, a proposta não abandona a crítica social que o enredo proporciona. “Existe a crítica social, porque traçamos um paralelo com o enredo para manter essa essência de 2005. Mas, mesmo assim, priorizamos a alegria, que eu acho que é algo que está faltando aqui em São Paulo”, completou.
Orçamento e diálogo com a presidência
Outro desafio da Vila Maria é desenvolver um desfile de grande impacto dentro da realidade financeira do Grupo de Acesso 1. A verba disponível é inferior à das escolas do Grupo Especial, o que exige um planejamento específico. De acordo com Mauro, o diálogo entre ele e o presidente Adilson é muito bom em relação a essas questões. “O importante, nessa questão financeira do Acesso 1, é você ter um diálogo aberto com o presidente, porque quem faz a máquina rodar são os presidentes. Eu tenho uma relação muito aberta com o presidente Adilson. A cada passo que a gente dá, perguntamos: ‘Vai dar para fazer? Não vai dar para fazer?’, tanto em fantasia quanto em alegoria. Até este momento, nada foi negado. Por isso, acredito que essa relação entre o carnavalesco, a direção artística e o presidente da escola, que é quem administra o fator financeiro de todo esse jogo, é fundamental. Não que ele venha a interferir, mas, se a gente sair um pouco da margem que já está prevista de gastos, voltamos a conversar. Tenho uma relação muito boa com ele, e isso é muito importante”, destacou.
Neste assunto, Diego trouxe para a conversa sua experiência no carnaval do Rio de Janeiro. Durante quatro anos, ele trabalhou na Porto da Pedra e vivenciou a realidade da Série Ouro carioca. “Eu acho que a gente, que vem de uma experiência de quatro anos na Porto da Pedra, enfrentou o Grupo de Acesso no Rio, que também não é fácil. São Paulo, pelo menos, dá muito mais condições para a gente fazer um carnaval com mais dignidade para o trabalhador. A Fábrica do Samba, apesar de não ter o mesmo padrão de estrutura para todas as escolas, pelo menos dá dignidade às agremiações, que não precisam estar em galpão invadido ou debaixo de viaduto”, contou.
Diego ainda celebra as estruturas e torce para que o Rio de Janeiro olhe para a folia paulistana para oferecer essas condições. “Fico muito feliz de vir para São Paulo e ver que a cidade já avançou muito nesse sentido, dando a possibilidade de um artista como o Mauro vir para cá e ter um barracão com dignidade, pé-direito para fazer alegorias e espaço para produzir as fantasias. Tomara que as outras escolas também consigam isso em breve. E espero que, no Rio, elas também alcancem essa estrutura e olhem para São Paulo quando tiverem que pensar nesse aspecto”, declarou.
Força da disputa no Grupo de Acesso 1
Mauro diz que a competitividade é o que move um profissional. “Aqui no Grupo de Acesso 1, existe uma disputa. Você quer fazer o melhor. Eu já tive situações em que você sabia qual escola iria ganhar. O presidente perde a motivação, o carnavalesco perde a motivação. O que motiva o carnavalesco a criar e fazer o melhor é justamente isso: não saber o resultado final um ano antes”, disse.
Finalizando a conversa, Mauro demonstrou grande ambição e afirmou que pensa no título para a escola. “Queria aproveitar para dizer que, nos meus 42 anos de carnaval, tenho certeza de que vou comemorar com o campeonato da nossa Vila Maria”, concluiu.
A Unidos de Vila Maria será a quinta escola a desfilar no domingo do Grupo de Acesso 1, com o enredo “Sonho e Realidade no Circo da Vida”, assinado pelo carnavalesco Mauro Quintaes.









