A Tom Maior é uma escola de samba que, mesmo tendo a sua quadra, não abandona as ruas. É uma agremiação que sempre fez percursos por ruas e bairros onde esteve presente, mas fincou suas raízes de fato na Rua Sérgio Tomás. É um local cuja pista tem largura e comprimento parecidos com os do Sambódromo do Anhembi, possibilitando um ensaio que simula treinos técnicos e desfiles para valer. No último domingo, a escola realizou o seu primeiro ensaio de rua do ciclo do Carnaval 2027, visando aos seus objetivos para o próximo ano. O treino contou com um contingente razoável de pessoas, o que já permitiu perceber o entrosamento da comunidade com o samba-enredo. O elenco de segmentos esteve completo, com exceção do coreógrafo da comissão de frente, Gandhi Tabosa. Fato é que foi um ensaio benéfico para a comunidade já ir se acostumando com o cheio calendário da escola, que irá para a rua mais cinco vezes até o carnaval. O CARNAVALESCO conversou com as personalidades que estiveram presentes. Todos os segmentos fizeram uma avaliação positiva do ensaio.

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Importância do ensaio de rua, clima leve e samba encaixado

O presidente e mestre Carlão celebrou o contingente de pessoas no ensaio, além do desempenho da comunidade. Como comandante da “Tom 30”, também ficou satisfeito com o rendimento. “Ainda estamos em setembro. O ponto forte foi o clima da escola: um clima leve, de alegria, sem esquecer a parte técnica. O canto foi muito satisfatório, e a bateria fez o que estamos acostumados a fazer nos ensaios. Agora, teremos mais cinco ensaios de rua e mais dois ensaios técnicos no Anhembi, além de ensaios específicos. Acredito que estamos no início de um trabalho muito bom e não podemos perder tempo. O carnaval é cedo e precisamos cumprir as etapas no tempo correto”, comentou.

A Tom Maior sempre foi uma escola de rua. Agora, mesmo com a sua quadra, Carlão diz que não quer abrir mão dessa característica, pois o percurso permite à agremiação ensaiar para a pista do Anhembi. “Acredito que o ensaio de rua simula muito bem o desfile, principalmente pela distância. Hoje, fizemos um percurso completo de ensaio de rua com aproximadamente a mesma metragem do Anhembi, em torno de 560 a 580 metros. Procuramos fazer o percurso no tempo correto, independentemente da quantidade de pessoas. Sou um defensor do ensaio de rua porque ele simula muito o que vamos fazer no ensaio técnico e na avenida. Enquanto Deus permitir, não vamos abrir mão disso”, afirmou.

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Diferentemente dos outros anos, a Tom Maior optou por encomendar o samba de 2027. É uma obra com uma melodia muito mais acelerada, e o dirigente falou sobre isso. “Esse samba foi feito sob encomenda para a parceria do Turko e do Rafa do Cavaco, já pensando nisso. O enredo não é convencional e traz muito conhecimento sobre o alimento e sobre o produto, sobre o que o pão representou na história da humanidade e representa até hoje, além da simbologia em questões políticas e outros aspectos. Com isso, fizemos um samba realmente eletrizante, para cima. Acho que eles trouxeram um samba muito bom, e fizemos algumas alterações junto com eles. Para nós, para a nossa escola e para a nossa comunidade, esse samba se encaixou muito bem”, declarou.

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Presidente Carlão

Avaliação técnica

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A diretora de carnaval e harmonia, Érika Ferreira, declarou que ainda é preciso evoluir, pois este foi o primeiro ensaio de rua. Entretanto, deixou seus elogios ao canto da comunidade da Tom Maior. “Por ser o primeiro ensaio de rua da nossa escola, foi muito satisfatória a entrega da nossa comunidade, assim como a de toda a nossa harmonia, de todos os nossos chefes de ala, bateria, alegoria e todos os segmentos. Mesmo sendo o primeiro treino, hoje tivemos quase mil pessoas aqui conosco. O espaço que utilizamos é praticamente um pouco maior do que o Anhembi. Começou aquele calor, depois esfriou, mas a galera veio com muita disposição. Desde o primeiro ensaio, estamos com um corpo de avaliadores, que são pessoas amigas e profissionais que vieram avaliar o nosso desfile e o nosso trabalho. Ainda não sei qual foi o resultado, mas, vendo de fora, e por ser o primeiro ensaio, foi sensacional. Ainda não chegamos à evolução que queremos, mas, em nível de canto, que é o quesito Harmonia, a galera veio cantando muito”, comemorou.

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Diretora de carnaval e harmonia, Érika Ferreira

Falando sobre a importância de um ensaio de rua, a líder disse que leva a sério. “É uma questão técnica, porque é uma simulação da avenida. É claro que corremos alguns riscos, porque precisamos fechar a rua e ter as pessoas nos pontos certos para orientar os carros, mas é uma questão técnica mesmo, de fazer toda essa movimentação como se estivéssemos no Anhembi, simulando as nossas alegorias. É uma simulação muito importante para que, quando chegarmos lá, no dia 16 de janeiro, no nosso primeiro ensaio técnico, já estejamos preparados. Minha meta é chegar ao primeiro ensaio técnico com 95% da escola pronta”, contou.

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Érika também comentou a encomenda do samba-enredo para o Carnaval 2027. “Na realidade, foi uma decisão da diretoria. Nós decidimos, este ano, encomendar um samba. Juntando todas as nossas necessidades, tanto em relação ao enredo quanto à parte técnica do quesito e também aos patrocinadores, resolvemos fazer diferente este ano. Foi sensacional. Nós escolhemos dez dos nossos compositores e conseguimos transmitir para eles o que queríamos. Eles foram para o nosso barracão, juntamente com a nossa diretoria, comigo, o João, que é o nosso enredista, o nosso mestre Carlão, que também é presidente, e o Flávio Campello, nosso carnavalesco. Apresentamos para eles todo o projeto de carnaval: fantasias, alegorias. Eles viram tudo antes de fazer o samba, e isso facilitou a criação dessa obra maravilhosa que foi cantada hoje”, concluiu.

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Energia e acolhimento da escola

O intérprete Leozinho Nunes exaltou a energia da comunidade e, segundo o cantor, o ensaio de rua é importante por realmente ser uma simulação do desfile. “Deu para sentir a alegria e a energia da minha comunidade. Faltam ainda quatro meses para o carnaval, mas a minha escola, a minha comunidade, vem ensaiando bastante e se preparando. A entrega deles é sensacional. É o primeiro ensaio de rua em setembro e eu acho que a gente está dentro do tempo. Até porque o carnaval este ano é no início de fevereiro. A gente tem que ensaiar na rua agora para poder chamar o povo. O ensaio de rua é praticamente uma simulação do desfile, porque é na rua, é um percurso e tudo mais”, disse.

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Intérprete Leozinho Nunes

Leozinho rasgou elogios à ala musical, que agora é oficialmente liderada pelo diretor musical Beah Casanossa. “A energia na ala musical não para. O tempo inteiro. Foi uma hora e vinte sem parar. Vocês podem ver que eu não paro. O nosso diretor, o Beah, se ele vê alguém parado, fala: ‘Bora!’. É um chamando o outro. O time está bem unido. A gente faz reuniões on-line, estamos sempre juntos na quadra. Apesar de eu ser do Rio, eu estou sempre aqui. Esses dias eu cheguei na quinta-feira, nos encontramos sexta, ontem foi a gravação e hoje de novo. Sempre juntos”, enalteceu.

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O músico também exaltou a sinergia do carro de som com a bateria “Tom 30”, especialmente o tratamento recebido por ele. “Desde quando eu cheguei aqui, os diretores de bateria me abraçaram. E eu não andava com a ala musical, não. No início, eu andava com eles. Parece que eu já estou aqui há um bom tempo. Vocês conseguem ver, o povo consegue ver. A escola me abraçou. O presidente Carlão, Dona Erika, que é a nossa diretora, vêm dando todo o suporte, não só para mim, mas para toda a ala musical, para eu ficar bem à vontade, do jeito que você está vendo. A ala musical junto com a Tom Maior. A gente se olha o tempo inteiro”, celebrou.

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Coreografia e simulação da avenida

A porta-bandeira Ana Paula Sgarbi avaliou como positivo o primeiro ensaio de rua da dupla. “Eu gostei bastante. Gostei do espaçamento. A nossa coreografia já estava pronta, agora é só lapidá-la conforme a evolução da escola. Então, acho que estamos caminhando muito bem. Deu uma impactada no peito em um trecho, mas, de resto, tudo certo”, disse.

Detalhando ainda mais, seu parceiro Ruhanan Lucas falou sobre a coreografia. “Acho que a coreografia já está muito bem incorporada por nós, porque é uma coreografia de que gostamos muito. O nosso personagem-síntese é muito clássico, é a nossa cara, e nós já o amamos. Quando podemos explorar esse lado artístico mais clássico da dança de mestre-sala e porta-bandeira, ficamos muito à vontade. Gostamos de fazer o mestre-sala e porta-bandeira da forma mais clássica possível, sem inventar muita moda. Acho que essa proposta já está incorporada em nós. Estamos tranquilos com isso. Também estamos trabalhando os passos de rua, o deslize e essas coisas. No geral, acho que o ensaio foi muito bom”, explicou.

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Casal Ruhanan Lucas e Ana Paula Sgarbi

De acordo com Ana Paula, um ensaio de rua é muito melhor do que na quadra, pois as dimensões são maiores e simulam a evolução na pista. “Eu adoro ensaio na rua. Acho que é o espaço mais real para nós. Na quadra, fica muito pequeno, e a nossa evolução para a avenida é muito melhor na rua. Não tem comparação. Ensaiar na rua é uma progressão, porque é na pista que aquilo realmente acontece. Tanto que, há algum tempo, com os diretores antigos da escola, antes da Érika, houve um ensaio em que falaram: ‘Você não vai dançar?’. Eu falei: ‘Se eu dançar, vou abrir o braço’. Na hora que isso aconteceu, quase acertei o rosto de um componente. Óbvio que não desmereço a nossa quadra, mas a rua é muito importante para o nosso segmento”, declarou.

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Ruhanan seguiu o mesmo pensamento. “Na quadra, às vezes, a prioridade do ensaio é o canto. Não temos essa vaidade de querer dançar o tempo inteiro na quadra. Quando vamos para a rua, damos o nosso melhor. Acho que é isso”, completou.

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