Por Júnior Azevedo, Juliane Barbosa, Luiz Gustavo e Mariana Santos

A Unidos do Viradouro definiu, por volta das 5h30 deste domingo, o samba-enredo que levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027, quando tentará conquistar o bicampeonato consecutivo do Grupo Especial. A parceria de Mocotó, Paulo César Feital, Inácio Rios, Igor Federal, Deja, Romério Duarte, André Quintanilha, Chanel, Ronilson Fernandes e Marcio André Filho venceu a final realizada na quadra da escola e terá a missão de transformar em canto o enredo “Griô”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon. A obra aborda a tradição dos contadores de histórias das populações da África Ocidental e a importância da oralidade na transmissão de memórias e saberes entre gerações. A proposta também estabelece conexões entre essa tradição, manifestações culturais e a formação das escolas de samba no Brasil. Campeã do Carnaval 2026, a Viradouro será a segunda escola a desfilar na terça-feira de carnaval, em 9 de fevereiro de 2027.

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Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

O presidente Marcelinho Calil explicou que a escolha foi construída a partir de uma avaliação técnica ao longo da disputa, mas destacou que o principal diferencial da obra vencedora foi a capacidade de traduzir musicalmente o enredo de Tarcísio Zanon.

“Minha alegria é imensa. A escola precisava de um samba foda, e tinha três. Obviamente, fazendo uma leitura técnica que foi sendo apurada ao longo do tempo, envolvendo quesitos e a voz do Wander Pires, tínhamos dois sambas espetaculares e um que era o enredo. Simplesmente, ele era a existência do próprio enredo. Ele conseguia fazer com que a gente fechasse os olhos e imaginasse o enredo, imaginasse o Griô, a escola na Avenida”, revelou.

A posição de desfile no Carnaval 2027 também foi comemorada pelo presidente, que considera o horário favorável para a escola defender o título. “É extremamente favorável. Este último ano foi a Vila. A gente lembra como estava a Avenida nessa segunda escola de terça. Avenida quente, extremamente receptiva ao que a escola foi apresentar. Posição excelente”, afirmou Calil.

Marcelinho terminou projetando uma Viradouro ainda mais forte na tentativa de conquistar novamente o título. “A Viradouro vem mais forte do que nunca para o bicampeonato, acho que muito mais forte do que 2022 e 2025, que foram as nossas defesas de título. Uma posição excepcional, e vem para botar fogo naquela Avenida, sem dúvida alguma. E tem quesito, samba, história, estrutura, peso e chão para ganhar mais uma vez”, garantiu.

Compositores celebram a vitória

A vitória teve um significado especial para Mocotó. O compositor volta a vencer uma disputa na Viradouro após uma sequência de sete títulos consecutivos entre 1996 e 2002. Agora, chega ao oitavo samba campeão na escola.

“Essa conquista representa muita coisa. É uma emoção muito grande. Ainda mais na minha escola, que está correndo atrás da quinta estrela. E eu, por felicidade, posso ter essa colaboração com a Viradouro. Eu sou um verdadeiro griô: tenho 40 anos de educação e 55 anos de samba. Apesar de um monte de vitórias anteriores, quando vem mais uma vitória, sempre soma. O coração tem que ficar com uma alegria maior do que a anterior. Tenho certeza absoluta, com todo respeito às coirmãs, vamos em busca da quinta medalha”.

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

O compositor também lembrou a longa espera até voltar ao topo da disputa. “É o meu oitavo samba. Eu ganhei sete sambas consecutivos na Viradouro: em 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002. No restante dos anos, eu vinha sempre batendo na trave, mas dizendo que uma hora a bola ia bater na trave, tocar nas costas do goleiro e entrar. E olha, aconteceu exatamente isso”, festejou Mocotó.

Entre os diferentes momentos da obra, Mocotó apontou o refrão central como seu trecho preferido. “É o refrão do meio. É a coisa mais linda do mundo e é muito gostoso de cantar. É um ‘doce de leite’. Acredito que foi ele que trouxe a vitória”.

O compositor PC Feital também comemorou a conquista e revelou ter vivido uma das noites mais emocionantes de sua trajetória. O compositor chegou à quarta vitória na Viradouro. “Há muito tempo acho que eu nunca me emocionei tanto, como me emocionei hoje. A Viradouro é uma escola querida. O que eu posso dizer é que estou com uma felicidade absurda, uma disputa mais do que honrada, porque a Viradouro é isso, acho que é a disputa mais justa que tem. O meu trecho preferido do samba é o refrão central que cita as crianças ao redor do griô, é perfeito”, comentou Feital.

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Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

A conquista também teve um significado familiar para Ronilson Fernandes. O compositor lembrou que seu pai venceu uma disputa de samba na Viradouro em 1981 e afirmou que a vitória representa uma homenagem a ele.

“Essa vitória hoje, para mim, é uma dedicação ao meu pai, que ganhou o samba aqui em 1981. E agora, 45 anos depois, eu, como filho, para mim é uma felicidade enorme estar aqui sendo campeão, com esse enredo maravilhoso, nessa escola do meu coração, que é a Viradouro”.

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Show na final

Encerrando o ano que garantiu a quarta estrela para a Viradouro, a escola apresentou um show de potência musical e saudação à memória ancestral em cada detalhe: do show ao samba escolhido, e até mesmo o convite carinhoso a um representante de cada escola de samba para aproveitar a noite na quadra, no conforto do melhor camarote da escola. Ao falar de memória, o show não poderia começar de outra maneira. A escola homenageou a cantora Débora Cruz, que faleceu em agosto deste ano, em uma versão delicada da música “Andar Com Fé”, de Gilberto Gil, entoada pelo carro de som da agremiação. * LEIA AQUI O TEXTO COMPLETO SOBRE O SHOW NA FINAL