
A coroação de Gabi Mendes como nova rainha de bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel representa, para a direção da escola, o resultado de um projeto construído ao longo de anos. Em entrevista ao CARNAVALESCO neste sábado, durante a semifinal da disputa de samba-enredo para o Carnaval 2027, o diretor executivo Bryan Clem revelou que a musa já era preparada internamente para assumir o posto e afirmou que a escolha foi tratada como um desejo antigo da agremiação. Ela assume o posto deixado por Fabíola de Andrade, que agora é rainha da escola. Segundo Bryan, a própria Fabíola já havia indicado Gabi como uma possível sucessora quando assumiu o cargo de rainha.
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“A Gabi sempre foi o nome da escola, desde o princípio. A Fabíola , quando virou rainha, já pediu para a gente ter a Gabi como sucessora do cargo. É um nome que é nosso, que quer trabalhar há muito tempo. Já trabalhávamos com ela como rainha do carnaval, preparando para ser rainha da Mocidade. É um desejo nosso muito antigo”, afirmou o diretor.
A decisão ganhou força quando Fabíola comunicou à direção que precisaria se ausentar por mais tempo. De acordo com Bryan, não houve necessidade de uma longa discussão para definir a substituta.
“Quando a Fabíola pediu para se ausentar um pouco mais por questões pessoais, não teve outro nome. Tanto a direção quanto a Fabíola, o mestre Dudu e o Gustavo Andrade falaram: ‘A Gabi é um sonho para a gente’”, contou.

Para o diretor executivo, a escolha também representa uma mensagem da Mocidade para a comunidade e para o carnaval. A escola pretende valorizar personagens que construíram suas trajetórias dentro da própria agremiação.
“A Mocidade hoje faz uma história muito bonita. É um ato inédito para a gente e acho que passa um recado muito importante para a comunidade e para o carnaval como um todo. A gente está fazendo um trabalho de colocar a estrela para brilhar como tem que ser, e não é melhor cruzar nossas próprias estrelas. A Gabi é uma estrela muito grande para a gente”, destacou.
Da passista à rainha
Bryan Clem ressaltou que a ascensão de Gabi não aconteceu de maneira repentina. Segundo ele, a Mocidade identificou o potencial da jovem ainda nos primeiros passos dentro da escola e construiu gradualmente sua trajetória.
“Trabalhei com ela há muito tempo. A Gabi chegou como passista. Vimos um potencial enorme nela. É um fenômeno da arte. Preparamos ela para ser rainha do carnaval. Ela ganhou. Falamos: ‘Vamos colocar ela como musa agora, vamos preparar para ser rainha’. Se você pegar a história da Gabi, é tudo um processo de crescimento com ela, com a gente. A gente sabia que chegaria essa hora. Só que primeiro era preciso respeitar a Fabíola sempre”, explicou.
O diretor considera que a trajetória de Gabi pode servir de inspiração para outras meninas da comunidade. “A importância é ser um espelho para todo mundo. É muito legal ver o carnaval cada vez mais dando espaço para quem merece. Que as pautas sejam dessas meninas, do futuro dessas meninas ao redor da Gabi, que realmente se espelham nela. A gente consegue mudar a vida de muita gente”, declarou.
Bryan esclarece relação com Anita
Durante a entrevista, Bryan também esclareceu as circunstâncias envolvendo Anita, que chegou a ser apontada como possível nome para assumir o posto de rainha de bateria da Mocidade. Segundo o diretor, houve, de fato, uma conversa com a artista, mas não existiu um convite formal para que ela ocupasse a função.
“A Gabi está com a gente para ser rainha há muito tempo. O que aconteceu foi uma questão importante de falar, porque às vezes a falta de apuração deixa umas verdades não tão claras para todo mundo. Teve uma conversa com a gente. Ela (Anita) nos procurou para falar sobre o projeto da vida dela. A gente teve uma conversa com ela através de um parceiro nosso para entender a relação dela com a gente. A gente queria fazer um enredo que fosse esse enredo atual. Ela tinha outras ideias de enredo também, que gosta de participar. Por um momento, aquilo não casou com a prioridade dela, nem com a nossa prioridade”, explicou.
O diretor reforçou que Anita é vista como um fenômeno e que a intenção da Mocidade era estreitar relações, inclusive pensando em possíveis projetos futuros.
“A gente teve uma conversa muito boa com ela, mas não bateu martelo para ser rainha de bateria, para gravar alguma coisa. Foi muito mais para aproximar, porque ela é um fenômeno. Para a gente, é muito importante ela ajudar a gente nessa fase de buscar uma cidade, aumentar a parte comercial e tudo mais. Não teve nenhuma conversa após isso. Quando a Fabíola falou: ‘Eu preciso me ausentar um pouco mais’, não teve dúvida. É a Gabi e vamos embora”, afirmou.
‘A marca Gabi Mendes’
Como diretor executivo, Bryan também destacou o papel do marketing na construção da imagem de Gabi. Ele fez questão, porém, de separar a estratégia comercial do talento da nova rainha.
“É difícil falar que ela é um produto do marketing, porque ela é um fenômeno de arte. A Gabi nasceu para ser rainha. Ela tem carisma, talento e o samba, que é fenomenal. A nossa função, comercialmente falando, é potencializar esse talento. Fizemos isso lá atrás como rainha do Carnaval. A gente trouxe ela para trabalhar e falou: ‘Vamos trabalhar ela’. Um produto não se cria de um ano para o outro. Você vai trabalhando com calma no produto. Produto que eu digo, enfim, a marca Gabriela”, afirmou.
O diretor acredita que a chegada ao posto de rainha de bateria representa apenas o início de uma nova fase.
“A Gabriela está aí hoje chegando ao ápice, e está só começando. Eu sei que agora vai abrir muito mais portas para ela e para a escola também. Que ela seja um exemplo para todo mundo, porque ela vai mudar a vida de muita gente. Para a gente que gosta do carnaval, que trabalha com isso, é muito importante ter alguém que tem um DNA, que tem talento e que é natural. A nossa função aqui é só dar suporte para ela poder voar cada vez mais alto”, comentou.
Mocidade quer fortalecer talentos da comunidade
A aposta em Gabi também está inserida em uma estratégia que, segundo Bryan, já faz parte da história recente da Mocidade. O diretor citou outras passistas e musas que chegaram aos segmentos da escola e destacou que atualmente a agremiação conta com três mulheres oriundas da comunidade em seu quadro de musas: Luana, Mayara e Gabi.
“A escola sempre fez isso. Se pegar nossa história, todo ano tem uma musa da comunidade. Em 2017, 2018, 2019, foi Raquel, foram várias que passaram por aqui. A gente tem hoje três meninas da comunidade: Luana, Mayara e Gabi. Se metade do nosso quadro de musas é da comunidade, isso é muito importante. E, virando rainha agora, é cada vez mais fortalecer isso. É óbvio que eu não vou ser hipócrita: é importante comercialmente. Alguns cargos de musa fazem parte do universo do carnaval. Só que saber estabelecer pilares é muito importante. A Mocidade tem um chão muito forte. Como é que eu não vou aproveitar isso? É até uma resposta boa para o mercado: a Mocidade que faz em casa. Eu tenho mestre de bateria que é de casa, tenho rainha que é de casa. Isso é muito importante para a gente”, afirmou.









