
Os apaixonados por carnaval sabem que o evento não se limita ao mês de fevereiro. Na verdade, lá é só o fim de um ciclo. Os desfiles ganham vida muito antes de passar pela Sapucaí. Durante todo o ano, há etapas que fazem a obra final ganhar forma, e as eliminatórias de samba-enredo são um exemplo. É o que o mundo do carnaval está vivendo atualmente. Visando à expansão do público, que antes era restrito aos que frequentavam as quadras, agora é transmitido gratuitamente no canal da Rio Carnaval, no YouTube. A disputa pode ser vista por todos espalhados pelo país e pelo mundo.
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A iniciativa aproxima e conecta os torcedores que não conseguiram acompanhar presencialmente. É o caso de Daniel Nunes, de 21 anos, estudante de Direito e torcedor da Porto da Pedra, que vê as transmissões como uma forma essencial de democratizar o acesso.

“É um recurso muito bom, principalmente, para as pessoas que não podem estar presentes nas quadras, a galera de fora do Rio, que gosta de acompanhar o Carnaval. Eu acho essa iniciativa bem legal. Estava lá em casa vendo a live da Tijuca, sambando, cantando… Bem legal”.
Além disso, Daniel afirma que não pode faltar, na transmissão, mais informações sobre a história da agremiação: “Falar um pouco da história de cada escola, do samba, bairro, a interação da escola com a comunidade”.
O espaço digital dá visibilidade à dedicação diária dos que trabalham no carnaval. Clarice Nascimento, de 18 anos, porta-bandeira da Portela, destaca a forma como a transmissão prepara o público para o evento final, na Sapucaí.

“Eu acho muito importante porque mostra que o carnaval não é só em fevereiro ou janeiro na Sapucaí. Mostra que tem o making of, que as pessoas dão duro desde o início do ano e que muitas vivem disso. Entrevistar pessoas importantes da escola dá visibilidade e ajuda muito os componentes. E assistindo em casa dá para sentir, sim: arrasta o sofá, arrasta a mesa e samba!”, afirma a porta-bandeira.
Clarice ainda ressalta a importância das entrevistas com os componentes, para o público entender mais da história da agremiação: “Entrevistar pessoas importantes da escola, que dão visibilidade, ajuda muito os componentes e faz as pessoas conhecerem um pouco mais a história de cada escola”.
A interação com o público de casa e a animação transmitida no evento são pontos que a porta-bandeira Gabriela Alves, de 19 anos, torcedora da Grande Rio, conta que aumentam o desejo dos telespectadores de vivenciarem o momento de perto.

“É uma forma de outras pessoas que não conseguem chegar às quadras assistirem de casa. Eu acho emocionante quando os intérpretes também chegam perto da câmera e vibram bastante. Desperta o interesse de querer ver de perto. A gente vê de longe e fala: ‘Eu quero estar lá’. Dá uma emoção muito diferente”, disse Gabriela.
Entre os componentes, o sentimento que floresce é o de pertencimento. Quem concilia a vida pessoal com as atividades nas escolas de samba entende o meio digital como uma inclusão para quem não consegue estar presente. Maria Flor Simões, intérprete da escola mirim Herdeiros da Vila, destaca o impacto positivo das transmissões:

“Achei bem melhor, porque, se a gente está longe, conseguimos ver de casa e eu já vi a live da Mangueira. Foi algo bem mais organizado, as imagens são muito bonitas. Ele aproxima as pessoas que têm curiosidade, elas conseguem ver de casa e se interessar em ir”, disse a cantora.
O bailarino e estudante de Educação Física Kauã Augusto, de 22 anos, torcedor da Beija-Flor, Portela e Paraíso do Tuiuti, partilha da mesma opinião que Maria Flor. Ele ressaltou o alcance social das transmissões:

“Eu particularmente fiquei muito feliz, porque uma que estava representando lá é uma amiga minha, Larissa Ramalho. Fiquei muito feliz por ela estar lá na frente. E eu acho muito bom porque tem pessoas que não conseguem chegar lá nas escolas, assistir. Eu também posto alguns conteúdos engraçados, aí acaba que ajuda muito a pessoa que não pode comparecer lá a assistir pela live. Eu sou muito animado. Se tiver que pular dentro de casa, eu vou pular dentro de casa. Se tiver que dar cambalhota, eu vou dar cambalhota, mas eu prefiro estar lá pertinho, sentir de perto”, concluiu Kauã Augusto.









