
Completar o Jubileu de Ouro é um marco para qualquer instituição – ainda mais para uma escola de samba, representante máxima de uma comunidade. Com o Águia de Ouro não é diferente. Nascida no dia 09 de maio de 1976, a azul e branca da Pompeia comemorou a data com uma grande feijoada de aniversário na quadra da agremiação – na qual também revelou detalhes sobre o enredo “Águia na Encantaria de Fés, Folguedos e Milagres que Deságuam no Sertão”. A reportagem do CARNAVALESCO conversou com algumas figuras históricas da escola para saber qual o momento mais marcante que cada um deles viveu com o Águia de Ouro.
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Presidente com memória
Desde 1982 presidente do Águia de Ouro, quando assumiu a direção da agremiação que estava desde a fundação da escola a cargo de Gilson, irmão do atual mandatário, Sidnei Carriuolo Antônio relembrou uma situação muito polêmica para valorizar a força da agremiação: “Um dos tantos momentos marcantes foi em 2019 – no ‘Brasil, Eu Quero Falar de Você’. Tivemos um problema com uma pessoa que, num ensaio técnico, se vestiu inadequadamente. Naquele momento, de turbulência política, nós fomos muito tensos para a avenida. E, na avenida, o que eu vi de retorno, de samba, de arquibancada… para mim, foi muito marcante. Me emocionou realmente”, destacou.
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O incidente em questão teve muita repercussão à época: no primeiro ensaio técnico da escola, um componente fantasiou-se de Adolf Hitler para fazer uma crítica ao fascismo. A agremiação pediu desculpas e explicou-se posteriormente – conquistando a apoteose em um desfile que conquistou a sexta colocação logo no ano em que retornou ao Grupo Especial.
Laços familiares
Tal qual outras tantas escolas de samba, o Águia de Ouro também se orgulha de ter um forte componente familiar. Jacqueline Meira, diretora de carnaval da agremiação emocionou-se ao falar de uma data de forte impacto em toda a vida dela própria:

“Eu tenho muitos momentos, já que eu estou na escola e sou apaixonada pela escola há 39 anos. O Águia me trouxe muita coisa: aumentou minha família, minha irmã é casada com uma pessoa aqui, minha filha é ritmista, meu filho já desfilou aqui. O Águia é tão importante para mim que, no dia em que a minha mãe faleceu, estávamos gravando o clipe da Liga-SP do ano seguinte. Aquele dia foi muito marcante porque eu estava com a comunidade, o presidente me deu a palavra e a comunidade me abraçou e me acolheu. Naquele momento, eu pedi para que desfraldassem o pavilhão como se nunca tivessem desfraldado, façam o maior ritmo possível, cantem com a alma e com o coração por mim e pela minha mãe. Foi no dia 08 de outubro de 2024. Sou muito grata ao Águia de Ouro porque, talvez, eu não estivesse por aqui mais se não fosse por toda essa resposta que todos sempre me deram como pessoa e como profissional. Aqui a gente vive momentos únicos – ora de alegria, ora de tristeza. O mais marcante aqui é que, aqui, ninguém nunca soltou a mão de ninguém de fato. Quem é Águia de Ouro de verdade não solta a mão do outro”, orgulhou-se.
Mestre com dois momentos
Rodrigo Neves, popularmente conhecido como mestre Moleza, pediu licença para relembrar duas situações com a agremiação – e foi prontamente atendido: “Passa um filme na cabeça de toda a minha história com a escola. Quero citar dois momentos: em 1998, a escola estava no Grupo de Acesso I, foi campeã em um desfile inquestionável, voltou para o Grupo Especial em 1999 e, no Desfile das Campeãs, a bateria inteira estava com cabelo azul, choveu e escorreu toda aquela tinta na cara. Eu era moleque, com uma paixão imensa e me marcou demais na minha trajetória. O segundo momento foi ter esse cargo de mestre de bateria no momento em que a escola completa o Jubileu de Ouro. Isso fica marcado na história, o meu nome está lá. Conseguimos deixar um resultado satisfatório, com muito empenho e trabalho, no Carnaval. Que venham muitas outras histórias para contar!”, previu.

Em 1998, o Águia de Ouro desfilou com o enredo “Assim Caminha a Humanidade”, assinado pelo carnavalesco Virgílio Ramos, e foi campeão com três pontos de vantagem para a terceira colocada – primeira instituição que não subiu para o Grupo Especial do ano seguinte.
Desfiles memoráveis
A histórica dupla de intérpretes do Águia de Ouro preferiu focar em desfiles de grande impacto para a agremiação. Douglinhas Aguiar é um deles: “Para mim, não tem como não citar como grande momento na escola a hora do título. Era um título que nós já estávamos correndo atrás há muito tempo. Eu cheguei na bateria da escola em 1984 e, pouco a pouco, a gente foi crescendo. Já merecíamos uma taça há algum tempo, e 2020 foi o momento de todo mundo aqui na escola”, rememorou.

Já Serginho do Porto foi ainda mais longe, comprovando o quanto a exibição de tal ano foi impactante: “O meu grande momento com o Águia de Ouro foi o desfile de 2007. Um desfile marcante, vai ficar na minha mente para o resto da minha vida. Era um momento de muita dificuldade para a gente do Carnaval e para todo mundo no Águia e aquele desfile aconteceu. Os deuses do Carnaval transformaram aquele desfile em algo magnífico. A avenida toda cantou o samba. Foi maravilhoso!”, finalizou.










