
A festa do Estrela do Carnaval Palácio dos Cristais 2026 reservou momentos inesquecíveis na quadra da Tijuca. Um deles foi o de Pixulé, intérprete do Paraíso do Tuiuti, que conquistou a premiação de Melhor Intérprete com uma apresentação que virou celebração coletiva. A festa da escola de São Cristóvão foi completada pela bateria da escola, a “SuperSom”, comandada pelo Mestre Marcão, que também subiu ao palco para receber o prêmio de Melhor Bateria do Grupo Especial. A rainha Mayara Lima também venceu na categoria Melhor Rainha.
Quando Pixulé puxou o samba de 2026, a quadra inteira cantou junto, caprichando no coro “Canta Tuiuti”. “Estou muito feliz. Ser ovacionado pelos sambistas, por vocês da imprensa e pelo público em geral é uma felicidade imensa. O samba que chegou desacreditado e hoje todo mundo canta”, disse o cantor.
Se Pixulé celebrava um reencontro com o reconhecimento, Jéssica Martin vivia uma estreia que já virou marco. A intérprete da Beija-Flor, que faz dupla com Nino do Milênio, conquistou o prêmio de Revelação no seu primeiro ano à frente do microfone da escola de Nilópolis. Uma estreia que não é pouca coisa: ela assumiu o posto deixado pelo lendário Neguinho da Beija-Flor, que carregou o microfone nilopolitano por 50 anos. A premiação reconheceu que a passagem foi feita à altura.

A sensação, ela disse, foi de realização, mas também de responsabilidade. “Não é somente um prêmio, é a realização de um sonho e de me sentir capaz de estar nesse lugar de fala de mulheres sambistas, que correm atrás todos os dias”, declarou Jéssica. A intenção é abrir caminho. “Quero permanecer e que outras mulheres também estejam nesse lugar”, disse.
Jéssica não estava sozinha nessa conversa. Em outra parte da quadra, outro prêmio, outra mulher e a mesma luta. A Vila Isabel conquistou o troféu de Originalidade com o tamborim quadrado, instrumento recriado a partir dos quadros de Heitor dos Prazeres. A ideia nasceu dois anos antes de o enredo ser lançado, quando Talita Santos, professora de tamborim e integrante da bateria, visitou uma exposição do pintor no CCBB e aquela imagem não saiu mais da cabeça. Ela levou a proposta ao Mestre Macaco, que abraçou a ideia. “Em tempos de só coisas novas e tecnologia, resgatar o nosso passado também é valioso. A gente não esperava ser premiado. Foi para fazer uma homenagem”, disse Talita, que aproveitou para destacar o gesto raro do mestre: “Muitas mulheres são invisibilizadas. Ele é um cara diferenciado”.
O segundo reconhecimento da Vila Isabel na noite veio na categoria Samba-Enredo, coroando a composição de André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho. Para Diniz, a emoção começou antes mesmo do desfile, quando o samba tocou pela primeira vez na internet e a resposta do mundo do samba foi imediata. “Assim que o samba bateu pela primeira vez na internet, foi uma emoção. Foi tudo mágico, da primeira vez que o samba aconteceu até o desfile”, disse o compositor, que agradeceu o acolhimento da comunidade e de toda a equipe do CARNAVALESCO.









