cardeissp6
Fotos: Diego Florêncio/CARNAVALESCO

Na noite da última segunda-feira, ocorreu o lançamento da coleção Cardeais do Samba, no Espaço Cultural da Liga-SP, na Fábrica do Samba. A publicação reúne cinco volumes, cada um com uma história biográfica de nomes considerados pilares fundamentais do samba paulistano. Além do lançamento das obras, houve também a apresentação da Mocidade Unida da Mooca, que, em 2027, fará uma homenagem com o enredo “Modupé, Cardeais!”.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Embalada pela voz do intérprete Gui Cruz, aniversariante da noite, e pela bateria “Chapa Quente”, a apresentação foi mais que especial e contou com homenagens ao embalar os sambas-exaltação da Nenê de Vila Matilde, Vai-Vai, Unidos do Peruche, Camisa Verde e Branco, Lavapés Pirata Negro e Barroca Zona Sul, escolas por onde os cardeais passaram e ajudaram a construir o que conhecemos hoje.

cardeissp5

Dos cinco autores, apenas Tadeu Kaçula não esteve presente no evento, por compromissos externos, mas enviou um vídeo para ressaltar o projeto, no qual contou a história de Seo Inocêncio Tobias.

“Desejo que este livro, que tive o privilégio de escrever sobre a história de Seo Inocêncio Tobias, sirva também como um importante inventário para as futuras gerações e para todas as pessoas que entendam e vejam esse homem como um farol, uma mente brilhante que ajudou a construir o samba do carnaval de São Paulo”.

cardeissp3

E, falando de Seo Inocêncio Tobias, não tem como não lembrar de seu melhor amigo, Seo Pé Rachado, que foi presidente do Vai-Vai por 25 anos e responsável por transformar o cordão Vai-Vai, que existiu até os anos 1940, na estrutura de uma escola de samba. Claudia Alexandre foi a escritora responsável por contar a história de Seo Pé Rachado, que teve sua trajetória escrita pela primeira vez, e ressaltou que ainda há muito a ser contado.

cardeissp7

“Algo que senti de diferente ao pesquisar sobre Seo Pé Rachado é que ninguém havia escrito sobre ele. Então, considero o livro dele um ensaio, que me instiga a pesquisar e me aprofundar mais sobre sua história. Como a coleção é formada por livretos, tivemos o desafio de escrever o momento em que os cardeais se inserem no carnaval. Ainda há muita coisa a ser escrita sobre Seo Pé Rachado, e quero muito aprofundar essa pesquisa e sua história”.

Agora, seguindo do Bixiga para a Vila Matilde, Seo Nenê também teve sua história contada em um dos cinco livros da coleção, escrito por Tiaraju Pablo D’Andrea, que destacou a chegada da escola ao bairro.

cardeissp1

“Uma coisa que me chamou a atenção durante as pesquisas é como a Nenê de Vila Matilde se transforma em uma escola que vai abrigar a população negra da Zona Leste. Isso é interessante porque a Vila Matilde não era, necessariamente, um bairro negro. Mas, quando a Nenê foi fundada, há relatos, inclusive de Seo Nenê, de que as pessoas gostariam de expulsá-los, de que não os queriam ali, e tiveram de se acostumar com a presença da escola.”

Outra agremiação marcada por histórias de superação é a Unidos do Peruche, de Seo Carlão, que foi enredo da Filial do Samba em 2025 e faleceu dias antes do desfile oficial em sua homenagem. Bruno Baronetti foi o escritor da biografia de Seo Carlão e contou que conviveu com o cardeal e teve a oportunidade de ouvir suas histórias.

cardeissp8

“Durante meu mestrado, em 2015, Seo Carlão foi um dos meus entrevistados e, desde 2017/2018, frequento a casa dele, onde passei a fazer uma série de entrevistas. Lancei uma biografia em 2019 e tive a oportunidade de escutar as histórias que ele viveu, como a luta por uma escola no Parque Peruche e a resistência durante a Ditadura Militar, quando a escola foi invadida. Então, me considero muito sortudo por ter convivido com ele e entrevistá-lo”.

E, encerrando a coletânea dos cinco livros, não poderia faltar ela, considerada a fundadora do samba paulista: Madrinha Eunice, fundadora da escola mais antiga de São Paulo, a Lavapés Pirata Negro. Lyllian Bragança detalhou um pouco do processo de pesquisa sobre a cardeal.

cardeissp4

“Madrinha Eunice teve uma pesquisa difícil na parte documental, pois ela era de Piracicaba, cidade do interior de São Paulo, e lá registraram seu nome errado. Em vez de Deolinda Madre, colocaram Mader, e foi difícil encontrá-la. Mas Madrinha Eunice tem muitos afilhados, e acredito que isso seja uma sorte. Ela entendeu que o legado dela seriam as crianças e cuidou delas. Então, automaticamente, elas falam dela”.

A coleção de livros é da Editora Dandara, em parceria com a Iniciativa Negra, e a versão digital está disponível para download em PDF no site da Iniciativa Negra.

cardeissp2