
O 23 de abril sempre é especial para a Acadêmicos do Tatuapé, escola que cultua São Jorge – e Ogum, no sincretismo afro-brasileiro. No dia do Santo Guerreiro, a agremiação sempre realiza uma Feijoada em homenagem à entidade – e aproveita para revelar o enredo para o desfile do ano seguinte. E, em 2027, a agremiação terá como temática “Congo Kinshasa: O Coração da África, A Herança Viva de Um Povo Que Resiste ao Tempo”, assinado pelo carnavalesco Wagner Santos. Sempre presente nas datas importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO conversou com duas figuras centrais da quarta colocada do desfile de 2026 com “Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra” para saber mais sobre o enredo que homenageará um país africano.
Para não deixar dúvidas
Existem dois países chamados de Congo no planeta, ambos localizados na África Central:
– A República Democrática do Congo, outrora conhecido como Zaire
– A República do Congo, menor e também conhecido como Congo-Brazzaville, por conta da capital da nação
A Acadêmicos do Tatuapé homenageará o primeiro país. Por sinal, o nome do enredo, iniciado em “Congo Kinshasa”, busca diferenciar os dois países citados justamente pela capital da nação que pisará no Anhembi em 2027.
História do enredo
Perguntado sobre como surgiu a ideia de falar da República Democrática do Congo, Wagner Santos, carnavalesco da Acadêmicos do Tatuapé, tirou toda e qualquer dúvida sobre a origem da temática: “Esse enredo foi trazido pela escola. Foi a embaixada que procurou a agremiação. Nós vamos fazer uma homenagem à República Democrática do Congo e vai ser uma grande honra. Um enredo maravilhoso, um enredo lindo, no qual nós vamos resgatar a história da origem do Congo”, comentou.

O profissional também falou sobre o sentimento que ele possui em relação à temática e trazendo um primeiro panorama do que será visto no Anhembi em 2027: “Nós vamos passar por tradições, nós vamos passar por festas, nós vamos passar por riquezas naturais, nós vamos passar por reservas, nós vamos passar por diversas situações: danças, máscaras, moda, folclore, diversos tipos de culturas que envolvem a República Democrática do Congo. Vai ser uma grande honra para mim porque é um país muito bonito, muito rico, com uma riqueza e um país muito próspero. Tem seus problemas, tem suas dificuldades, tem suas lutas do dia a dia, mas é uma cultura maravilhosa que chegou e nos trouxe muita coisa boa”, destacou.
Erivelto Coelho, um dos quatro presidentes da agremiação, trouxe ainda mais detalhes: “Quando acabou esse último Carnaval, nós já tínhamos em mente de fazer um desfile e um enredo afro. Isso já estava na nossa cabeça – e, aí, existiam várias possibilidades. Quinze dias antes do desfile, o Luiz Marcondes, que a gente conhece como Luiz Verso e Prosa porque já ganhou samba aqui no Tatuapé em 2007, sugeriu a temática – ele tinha esse conhecimento com o pessoal da embaixada da República Democrática do Congo. Eles já tinham uma ideia, eles iriam até participar do desfile ano passado – mas, por conta de agenda, não deu certo. E, como a nossa vontade era de fazer um enredo afro, eu até comentei que dava para a gente fazer até sem recursos – mas, se eles estavam falando que existe o interesse da embaixada junto ao país e que alguma coisa pode vir para nos ajudar, junta a fome com a vontade de comer. A gente não está falando de valores exorbitantes, mas em valores que dá para a gente fazer um grande Carnaval. A gente queria fazer um belo de um enredo – e, tendo isso na mão e ainda com aporte financeiro, não teve nem o que discutir aqui”, comemorou.

Já pensando na avenida
Ao falar sobre o que está na cabeça já pensando no desfile, Wagner antecipou um pouco de como estará a plástica da Acadêmicos do Tatuapé em 2027: “Nós vamos trazer novas técnicas e novas formas de apresentar, até com relação a conceito e proposta visual. Vai ser um enredo carregado de muita dança, de muita coreografia, de muitos elementos da cultura africana que vão fazer parte dele. Vamos trabalhar com materiais rústicos, sempre de acordo com a cultura africana. Vamos ter baobá, vamos ter diversos animais da cultura africana, vamos ter diversos elementos que vão valorizar o nosso enredo. Realmente vai ficar um enredo fantástico. Sentei essa semana com o Departamento Cultural e ainda não tivemos uma definição total do enredo, porque ainda estamos definindo uma proposta visual para apresenta-lo. Mas, com certeza, pelo que já foi pesquisado e pelo que já andamos olhando, vamos ter um belo trabalho, bem desenvolvido, bem criativo – e com vários colaboradores. Nesse ano, a Tatuapé contratou alguns profissionais de dança, de coreografia e de pessoas que a gente possa colocar dentro da escola para que a gente traga uma proposta diferente dos últimos trabalhos que a gente tem feito”, afirmou.

O carnavalesco, em outro momento da entrevista, voltou a frisar que, apesar de muitos vislumbrarem de antemão a plástica afro, surpresas serão vistas no desfile da agremiação: “Muitas heranças culturais do Congo nós temos aqui no Brasil. Vamos retratar essa história de uma forma bonita, alegre, colorida – mas com uma proposta bem africana, um enredo muito bacana. Eu estou muito feliz em ter a oportunidade de desenvolver esse enredo para o Carnaval de 2027. Tenho certeza que será um grande sucesso, já estamos preparando um novo conceito visual, uma nova proposta visual, ideias, coreografias, danças, uma série de elementos que vão enriquecer e vão valorizar esse enredo de uma forma que, com certeza, vai ser contagiante na avenida”, disse.
Religião também na conta
Também por dentro de pormenores da temática, Erivelto trouxe mais algumas informações importantes: “A gente só mandou o Departamento Cultural, juntamente com o Wagner, desenvolver. Graças a Deus eles desenvolveram um grande Carnaval. É uma coisa muito boa que eles conseguiram retratar, tem a cara do Tatuapé. A gente fala dessa africanidade que toca o nosso povo – e, no final, a gente fala de religiosidade. A gente vai homenagear a umbanda com o Preto Velho, que é o pai João do Congo e a vovó Maria Conga. Isso vai contemplar e vai coroar toda a homenagem à República Democrática do Congo – mas, também, indiretamente ou diretamente, ao nosso povo; que, além de gostar muito de fazer um enredo afro, quando a gente consegue colocar religião, ainda mais uma religião que é brasileira, facilita muito. A gente está muito feliz com o resultado e com o roteiro desenvolvido. Tenho certeza absoluta que vai dar um grande Carnaval visualmente”, prometeu.

Expectativa
Presidente da agremiação, Erivelto já pensa nos próximos passos da escola: “Agora é rezar para que os compositores acertem a mão e a caneta para que a gente possa juntar tudo isso e consiga ter um Enredo, um Samba, uma Evolução e uma Harmonia – a gente sabe que o restante é consequência de um belo samba. A gente, agora, reza e torce muito para que a gente tenha um grande samba”, finalizou.











