Por Ana Carla Dias e Letícia Sansão
Após uma apuração disputada voto a voto, a Mocidade Alegre confirmou o favoritismo construído na avenida e conquistou o título do Carnaval de São Paulo 2026. Com 269,8 pontos, a escola do Limão superou Gaviões da Fiel e Dragões da Real por apenas um décimo e colocou a 13ª estrela em seu pavilhão. Com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, desenvolvido por Caio Araújo, a Morada apresentou um desfile de alto nível plástico, comissão de frente impactante, fantasias bem resolvidas e um time musical entrosado. A evolução teve oscilações pontuais, mas o conjunto se manteve firme nos principais quesitos, acumulando notas máximas ao longo da leitura. Foi uma disputa acirrada até o último envelope. E o alívio só veio no fim.
Projeto acreditado e emoção do primeiro título
Para o carnavalesco Caio Araújo, que conquistou seu primeiro campeonato, a sensação foi de realização após um ano de trabalho intenso.
“A gente fica apreensivo o processo inteiro. Só consegue relaxar mesmo quando veio a última nota que deu o título para a gente. Era um projeto em que a gente acreditava muito. A gente torcia muito por esse projeto. Léa Garcia merecia esse carinho. A gente está muito feliz, muito realizado”, afirmou.

Caio destacou ainda o peso da responsabilidade ao contar a trajetória de Léa Garcia, homenageada do enredo.
“No processo de pesquisa, fui me apaixonando um pouquinho mais pela Léa e, ao mesmo tempo, tendo medo da responsabilidade, porque era uma carreira muito extensa, com muita contribuição. Nesse desafio de tentar encontrar a maneira correta de contar essa história, graças a Deus, acho que a gente conseguiu contar da maneira certa”.
Sobre a sensação de ver o desfile pronto na avenida, resumiu: “Quando eu vou lá para frente, olho para trás e vejo a Mocidade montada, alas, tripés, alegorias, tudo no lugar, dá aquele nó na garganta: ‘Meu Deus, conseguimos’. Está entregue”.
Tensão na apuração e liderança feminina
A presidente Solange Cruz acompanhou a leitura das notas com tensão até o último momento e evitou qualquer comemoração antecipada.
“Eu não gosto de comemorar nada antes. Tem que esperar. Eu fui com adrenalina, dor de barriga, aquele sobe e desce, suor. E demoravam para falar as notas, paravam, davam uma pausa… Que nervoso!”, contou.

Solange também destacou o peso da comunidade no resultado. “É uma comunidade que não tem tempo ruim. Você chama, fala, faz reuniões, eles estão sempre lá, firmes. Isso faz o diferencial”, disse.
Emoção na bateria e 14 anos de reinado
Rainha de bateria há 14 anos, Aline Oliveira descreveu a apuração como um dos momentos mais intensos da trajetória.
“O coração estava na boca, porque eram escolas maravilhosas, enredos fantásticos. Foi até o último do último. Eu não estava entendendo ainda. A galera começou a gritar e eu falei: ‘É sério?’”.
Sobre o trabalho anual, reforçou o peso coletivo da conquista. “É um trabalho de um ano inteiro, não só nosso, mas de todas as agremiações. É uma honra muito grande, uma emoção fora do comum ser campeã do carnaval.”
Direção de carnaval relembra lições do passado

O diretor de carnaval, Junior Dentista, apontou ajustes feitos após o desfile do ano anterior e destacou o foco no objetivo.
“No final do ano a gente falou: vamos brigar pelo título. Continuamente. Muitas vezes a gente quer colocar uma coisa que não precisa. Agora a gente pode alcançar e aumentar a nossa galeria”, comemorou.










