O Leão de Nova Iguaçu foi a penúltima escola da Série Prata a cruzar a Intendente Magalhães na última terça-feira. Com o enredo “Maria Felipa”, a agremiação levou à Avenida a resistência e a luta da heroína preta nas guerras da Independência da Bahia.
O samba-enredo apresentou mensagem potente, honrando o legado da mulher que teria liderado a libertação da Ilha de Itaparica contra invasores portugueses. Apesar da força narrativa, o conjunto alegórico e o engajamento da comunidade não corresponderam plenamente às expectativas criadas pelo tema.

COMISSÃO DE FRENTE
Coreografada por Maicon Teixeira, a comissão optou por uma apresentação simples, sem recursos tecnológicos, mas sustentada pela expressividade corporal dos componentes.
O grupo demonstrou entendimento da força do samba, cantando com intensidade e apostando na entrega cênica. Houve troca de figurinos durante a coreografia e a revelação de um elemento surpresa ao final, erguido pelos integrantes, encerrando a apresentação de forma impactante.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Serginho Sorriso e Caroline Santos apresentaram bailado técnico e seguro, mas alguns aspectos podem ser aprimorados. Faltou maior sincronia na transmissão da emoção proposta pelo samba, especialmente na expressão facial e no canto dos versos.
A dupla cumpriu a coreografia com correção, porém sem alcançar o nível de envolvimento dramático que o enredo exigia.
ENREDO
Desenvolvido pelos carnavalescos Flávio Lins e Júnior, o enredo destacou a trajetória de Maria Felipa de Oliveira, pescadora, capoeirista e guerreira, natural da Ilha de Itaparica, no Recôncavo Baiano.
Filha de escravizados, Maria Felipa é reconhecida como símbolo de liderança e resistência do povo preto no período colonial. Segundo a tradição, em 1823 ela teria organizado um grupo de cerca de 40 pessoas para enfrentar tropas portuguesas e defender a soberania baiana.
Embora exista debate historiográfico sobre a comprovação documental de sua existência, Maria Felipa permanece viva na tradição oral e na memória popular como ícone de bravura e resistência feminina.
EVOLUÇÃO
O Leão encerrou seu desfile em 40 minutos e 31 segundos. Não houve correria, mas a dispersão apresentou lentidão no fim, com alas demorando a deixar a pista. O tempo quase foi extrapolado, exigindo atenção redobrada nos minutos finais.
HARMONIA
No carro de som, Márcio Oliveira e Fabinho Pirraça demonstraram segurança e entusiasmo. Tentaram contagiar a comunidade, mas a resposta não foi uniforme. Parte dos componentes aparentava não dominar totalmente a letra do samba, o que pode impactar a avaliação no quesito.
SAMBA-ENREDO
O samba contou com time numeroso de compositores, incluindo Arlindinho Cruz, Ali Jabr, Julio César Lourenço, José Maurício, Marcos Vinicius Sampaio, Douglas Guaracemir, Cláudia Ravizzini, Vinicius de Almeida, Alexandre Ribeiro, Frank Tavares, Silvio Romai, Sérgio Igor Castro da Silva e André Zezza.
O refrão foi o ponto alto da obra, especialmente nos versos:
“Mais uma Maria, das Marias do Brasil / Valente, guerreira, sua luta resistiu”, exaltando a força feminina e a representatividade da homenageada como símbolo da mulher brasileira.
FANTASIAS E ALEGORIAS
As fantasias buscaram transportar a atmosfera da Bahia para a Passarela Popular do Samba. No geral, eram simples, mas algumas apresentaram problemas de acabamento.
O vestido da porta-bandeira perdeu penas ao longo do percurso. Na primeira ala, houve desproporção no comprimento das saias, com variações visíveis entre componentes.
Como destaque positivo, os ritmistas da bateria “Rugido do Leão” vieram caracterizados como Filhos de Gandhy, referência cultural interessante que agregou identidade ao conjunto.
As alegorias não foram o principal atrativo do desfile. A ideia do leão emergindo em meio ao mar no abre-alas era visualmente instigante, mas o acabamento careceu de maior precisão.
A última alegoria, que trazia a homenageada em evidência, também apresentou limitações no acabamento, reduzindo o impacto esperado para o encerramento da narrativa.
OUTROS DESTAQUES
O grupo de passistas do Leão se destacou pela energia, sorriso no rosto e samba no pé, demonstrando leveza e segurança ao longo da pista.










