A Alegria do Vilar deixou São João de Meriti para incendiar a Intendente Magalhães na última terça. Em busca da “chama da vitória” da Série Prata, a escola de Vilar dos Teles levou para a Avenida a força de Xangô, acompanhado de seu machado da justiça, o Oxê.
O samba-enredo “Regido e Guiado Pelas Lâminas do Rei da Justiça” mostrou-se envolvente nas vozes dos intérpretes Tem-Tem Jr. e Mário Sérgio, contribuindo para elevar o nível das apresentações da comissão de frente e do primeiro casal, Walber Negreiro e Cássia Maria.

COMISSÃO DE FRENTE
Sob direção de Marcus Mesquita, a comissão apresentou excelente trabalho ao introduzir a cultuação ao orixá. A coreografia utilizou elementos cenográficos que representavam a fogueira e oferendas (amalá) para Xangô, criando atmosfera ritualística logo na abertura do desfile.
O ponto alto foi o momento em que o protagonista, após receber energia simbólica, emergiu do fogo segurando o machado de dois gumes — um em cada mão — representando sabedoria e equilíbrio nas decisões do destino. Impactante e coerente com a proposta do enredo.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Walber Negreiro e Cássia Maria deram um verdadeiro show de bailado e sintonia na Passarela Popular do Samba. Com fantasias em tons de azul e prata, o casal representava a pedreira e a cachoeira de Xangô — locais tradicionalmente associados às reverências ao orixá.
Cássia defendeu o pavilhão com garra e fluidez nos movimentos, enquanto Walber demonstrou carisma e segurança ao conduzir o cortejo. Chamaram atenção os momentos em que trocavam olhares durante os versos “Ferramenta pra lição, a sentença e o perdão / A dualidade humana”, reforçando a interpretação cênica do samba.
ENREDO
Os carnavalescos Fabiano Ribeiro e Laerte Gulini apostaram na força simbólica de Xangô como guia rumo à vitória e à sonhada ascensão à Marquês de Sapucaí.
O Oxê, machado de dois lados inseparável do orixá, foi o eixo central do desfile, simbolizando extremos da existência: bem e mal, verdade e mentira, vida e morte. A escola propôs reflexão sobre equilíbrio e justiça, alinhando espiritualidade e competitividade carnavalesca em narrativa coesa.
EVOLUÇÃO
A Alegria do Vilar evoluiu com segurança, encerrando seu desfile em 39 minutos e 10 segundos. Não houve registros de buracos na pista nem correria próxima à dispersão, mesmo com o tempo se aproximando do limite. Destaque para a condução eficiente dos diretores de harmonia.
HARMONIA
No carro de som, Tem-Tem Jr. e Mário Sérgio conduziram o samba com segurança e entusiasmo, incentivando a comunidade a cantar com intensidade. Grande parte dos componentes demonstrou domínio da letra e animação constante.
Por outro lado, alguns desfilantes chegaram ao quarto módulo visivelmente cansados, o que pode impactar a avaliação no quesito caso os jurados considerem queda de rendimento vocal na reta final.
SAMBA-ENREDO
Assinado por Leozinho Nunes, Ali Gringo, Dinho Prateado, Luciano Gomes, Mauro Naval, Frank, T’Nem, Marco Calixto, Francisco Salviano e Filipe Zizou, o samba constrói saudações a Exu, pedindo passagem, e a Xangô, clamando por guia e proteção.
O refrão “O machado de Xangô, pro destino anunciar / É a chama da vitória da Alegria do Vilar” é de fácil assimilação e trouxe força para a comunidade, funcionando como combustível emocional ao longo da apresentação.
FANTASIAS E ALEGORIAS
As fantasias estavam alinhadas à proposta do enredo. O machado de dois lados aparecia com frequência nos materiais e adereços, reforçando identidade visual e mensagem temática.
As cores vermelho e amarelo dominaram o conjunto. As baianas, em especial, apresentaram peças caprichadas, com riqueza de camadas e criatividade nas confecções, agregando imponência ao desfile.
As alegorias apresentaram bom acabamento e cuidado com os detalhes narrativos. O conjunto visual dialogava bem com a proposta temática. O carro abre-alas, no entanto, poderia ter proporções mais grandiosas diante do impacto visual dos carros que o sucederam.
OUTROS DESTAQUES
O mestre Tiago Brilhantina conduziu a “Cadência do Vilar” com bossas bem distribuídas, valorizando trechos estratégicos do samba.
A rainha de bateria Julia Sollis brilhou em sua estreia à frente da bateria, esbanjando samba no pé e carisma, contagiando arquibancadas e componentes.










