Sexta escola a desfilar no segundo dia de desfiles da Série Prata, a Império de Nova Iguaçu levou para a Intendente Magalhães o enredo sobre a história de Kupapa Unsuba, uma casa de candomblé localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro. Foi um desfile com características de campeão, embora pequenos detalhes possam impedir a conquista do título.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão, assinada pelo coreógrafo Walber Valentini, apresentou todos os orixás e seus filhos de santo em uma demonstração de fé que encantou o público e emocionou os presentes.
A coreografia, muito bem construída e tecnicamente executada, utilizou atabaques para simbolizar os encontros de oração. A aparição do orixá Ogum no meio da apresentação, com troca de figurino, foi um dos pontos altos. Houve um pequeno contratempo, com algumas dançarinas se enrolando na troca de saias, mas nada que comprometesse o espetáculo.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Yago Silva e Bárbara Falcão desfilou com figurino inteiramente dourado, de grande beleza, simbolizando a bênção dos orixás em sua dança.
A coreografia foi impecável, incorporando gingado africano e referências às religiões de matriz afro-brasileira. A apresentação encantou o público, e os jurados aplaudiram do início ao fim.
ENREDO
A proposta dos carnavalescos Marco Falleiros e Larissa Pereira, intitulada “Kupapa Unsuba – Morada Ancestral”, não se limitou a homenagear a casa de candomblé da Zona Norte do Rio, que recebeu bênçãos de axé na Bahia, mas também celebrou a cultura africana, evocando ancestralidade, memória e pertencimento.
O desfile conseguiu exemplificar com clareza tudo o que a dupla planejou, do início ao fim, credenciando a escola à disputa pelo título da Série Prata e ao sonho de desfilar na Marquês de Sapucaí. Ainda assim, alguns problemas pontuais chamaram atenção.
EVOLUÇÃO
A evolução começou tranquila, com controle adequado do tempo. Porém, quando o cronômetro marcava 37 minutos, a escola acelerou o ritmo para não ultrapassar o limite regulamentar. Passou no limite, encerrando o desfile em 40 minutos e 42 segundos, sem perder pontos.
HARMONIA
Houve excelente entrosamento entre o carro de som, liderado pelo experiente Wantuir, e a bateria, com ritmo forte e envolvente. No entanto, muitos componentes desfilaram sem cantar o samba, o que pode gerar perda de pontos no quesito.
FANTASIAS e ALEGORIAS
As fantasias estavam impecáveis, com acabamento digno de Série Ouro. O conjunto foi visualmente impactante e praticamente sem falhas.
As alegorias desfilavam bem, com carros bonitos e bem apresentados. Contudo, antes da terceira cabine de jurados, uma parte do último carro quebrou e caiu diante do público, o que pode trazer consequências na avaliação. No fim, o carro precisou ser empurrado por componentes para conseguir completar o percurso antes do limite de tempo.
OUTROS DESTAQUES
A bateria, comandada pelo mestre Marven Almeida, apresentou-se com beleza e segurança. Uma bossa executada apenas com os tambores foi um dos momentos mais marcantes, empolgando a Intendente. A rainha de bateria, Ingryd Milagre, recebeu muitos aplausos pelo gingado e pela presença vibrante na avenida.




