O Império da Tijuca levou para o último dia de desfiles da Série Prata o samba-enredo “O Intrépido Santo Guerreiro”, propondo narrar a trajetória do santo que enfrentou a opressão, desafiou batalhas em nome da justiça e foi eternizado como protetor dos humildes.

Abrindo a noite na avenida, a escola se destacou pela evolução leve e pela harmonia da comunidade, que desfilou com energia e comprometimento do início ao fim. No entanto, o conjunto visual apresentou oscilações: algumas fantasias demonstravam maior riqueza de acabamento, enquanto outras eram mais simples, criando um contraste perceptível ao longo dos setores.

A leitura do enredo também se mostrou um ponto negativo. Em diversos momentos, a narrativa proposta pelo samba não parecia dialogar plenamente com o que era apresentado na avenida, dificultando a compreensão clara da história por parte do público.

COMISSÃO DE FRENTE

Sob a coreografia de Handerson Big, a comissão de frente apresentou uma performance marcada por força e precisão técnica. Formada exclusivamente por homens, a coreografia explorou movimentos enérgicos que remetiam à figura do guerreiro. Apesar da boa recepção do público e da execução segura, faltou maior contextualização dramática que conectasse de forma mais evidente a apresentação ao enredo desenvolvido pela escola.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Carlos Junior (Muskito) e Jaçana Ribeiro brilhou com elegância e sintonia. A dupla demonstrou excelente coordenação, movimentos limpos e suavidade na condução do pavilhão. A leveza e o entrosamento ficaram evidentes durante toda a apresentação, transmitindo alegria e conexão genuína. Muskito dançou com técnica e imponência, enquanto Jaçana manteve postura graciosa e segura do início ao fim.

HARMONIA E EVOLUÇÃO

As alas desfilaram organizadas e alinhadas, contribuindo para uma evolução fluida. Os carros alegóricos, visualmente bem construídos, complementaram o conjunto plástico da escola. A passagem pela avenida ocorreu de forma tranquila, com a comunidade mantendo o canto até o encerramento do desfile, finalizado em 37 minutos e 48 segundos.

SAMBA

Comandada pelo mestre Jordan Pereira, a bateria sustentou o samba-enredo com firmeza, apresentando bossas e variações rítmicas que mantiveram a energia em alta. O intérprete Juan Briggs conduziu o canto com garra e presença. Mesmo enfrentando problemas técnicos de som ao longo da avenida, bateria e carro de som demonstraram força e comprometimento, garantindo que o samba não perdesse intensidade.

FANTASIAS E ALEGORIAS

As fantasias seguiram uma linha estética marcada por referências medievais e religiosas, com presença de armaduras estilizadas, capas, escudos e adereços que remetiam à figura do guerreiro protetor. Algumas alas apresentaram bom acabamento, com aplicações metálicas, pedrarias e combinações de cores que dialogavam com a ideia de coragem e devoção. Em contrapartida, houve setores com fantasias mais simples e com menor volumetria, o que gerou contraste visual ao longo do desfile e impactou a uniformidade do conjunto plástico.

Já as alegorias se destacaram pelo impacto visual e pela tentativa de construir a narrativa do enredo de forma simbólica. Elementos como castelos, portais, espadas e imagens que remetiam à espiritualidade reforçaram o caráter épico da proposta. Os carros apresentavam boa leitura estética e contribuíram para momentos de destaque visual na avenida, especialmente nas representações de batalhas e da proteção divina atribuída ao santo guerreiro.

Apesar do bom apelo visual de alguns módulos, a integração entre fantasias, alegorias e desenvolvimento narrativo nem sempre foi clara, o que dificultou a compreensão completa do enredo em determinados trechos do desfile. Ainda assim, o conjunto demonstrou esforço criativo e momentos de beleza plástica que ajudaram a sustentar a identidade da escola na Intendente.