Vinda das águas e exaltando a criação, a Lins Imperial mergulhou na Intendente Magalhães com o enredo “Macacu – No caminho das águas cristalinas, reflete a alma da criação”. A proposta evocou natureza, espiritualidade e identidade, conduzindo o público por um percurso imagético inspirado em rios, cachoeiras e na força ancestral das águas. Sob a presidência de Flávio Melo e com desenvolvimento dos carnavalescos Agnaldo Corrêa e Edcley Cunha, a agremiação apostou em leveza estética e entrega comunitária para traduzir sua narrativa na avenida.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente apresentou-se com energia e entrega, chamando atenção pelo canto alto e pela participação dos bailarinos. Os integrantes vieram com figurinos que remetiam a vestes indígenas, assim como a coreografia, executada com passos firmes e imponentes.

O quesito também trouxe um elemento cenográfico verde, semelhante ao tronco de uma árvore, que contava com três surpresas: uma explosão de fumaça; um integrante vestido de azul no topo, com figurino e movimentos que remetiam ao vento; e uma representação de Oxum na parte inferior, que, ao surgir, recebia a reverência dos demais componentes. A proposta dialogava com a ideia das águas como fonte de vida, reforçando o aspecto simbólico do enredo.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O primeiro casal, Jackson Senhorinho e Manoela Barbosa, defendeu o pavilhão com elegância e técnica. No entanto, sentiu-se a falta de maior interação do mestre-sala com o público, elemento que poderia ter elevado ainda mais a apresentação e contagiado as arquibancadas.
Ainda assim, o casal manteve postura e compromisso com o quesito ao longo do desfile, trazendo inovações na coreografia, com passos firmes, deslocando-se lateralmente e com movimentos de mãos ao centro, remetendo a danças da cultura indígena em trechos do samba, como: “Na procissão, o som do ijexá faz ecoar os rios e corredeiras / Povo d’Oxum, mantendo a devoção, axé de Odé, oração das benzedeiras…”. No geral, o casal não apresentou falhas durante o percurso.
ENREDO
Com o enredo “Macacu – No caminho das águas cristalinas, reflete a alma da criação”, a escola apresentou uma narrativa que propôs um mergulho poético em Macacu, exaltando as águas e os rituais. O desfile buscou construir essa atmosfera por meio de referências naturais e espirituais, associando rios e cachoeiras à força e à renovação.
A leitura foi sensível, apostando na simbologia e na representatividade da natureza, da memória e da religiosidade.
EVOLUÇÃO
A escola apresentou evolução regular, mas com alguns pontos de atenção. A fantasia de um componente da primeira ala acabou se soltando, gerando um momento de tensão, e os apoios precisaram agir rapidamente para corrigir a situação antes da chegada à cabine de jurados.
Já a ala das baianas evoluiu com destaque no canto, sendo uma das que mais sustentou o samba. Contudo, o adereço de cabeça dificultou a movimentação em determinados momentos e, consequentemente, a liberdade na evolução.
O penúltimo carro enfrentou dificuldade de locomoção e precisou ser conduzido com auxílio, impactando o fluxo no trecho. Ainda assim, as últimas alas atravessaram a avenida com mais animação que as primeiras, recuperando o ritmo e encerrando o desfile em alta.

HARMONIA
O carro de som contou com as vozes de Ciganerey, Pedro Vapor e Vitão, além da presença de duas mulheres que reforçaram o conjunto vocal. Algumas alas se destacaram no canto, como a ala com cestos na cabeça e a penúltima ala do costeiro verde, que cantava e dançava com entusiasmo. A ala das baianas também manteve o samba na ponta da língua.
No entanto, o desempenho foi irregular em outros setores, onde faltaram canto e maior entusiasmo.
SAMBA-ENREDO
O samba acompanhou a proposta lírica do enredo, buscando traduzir em versos a fluidez das águas e a força da criação. Em alguns momentos, encontrou sustentação nas alas mais animadas, especialmente no fim do desfile, quando a escola apresentou maior empolgação coletiva.
FANTASIAS E ALEGORIAS

As fantasias eram leves e funcionais, com presença marcante de costeiros que enriqueciam o visual. A leveza facilitou a evolução, embora alguns problemas pontuais tenham surgido, como a fantasia que se soltou logo no início. Ainda assim, o conjunto dialogava com a temática natural proposta.
As alegorias reforçaram o imaginário, com elementos que remetiam à natureza. O penúltimo carro, entretanto, apresentou dificuldade de locomoção e precisou ser conduzido, comprometendo parcialmente o andamento naquele setor. Visualmente, mantiveram coerência com o enredo.
OUTROS DESTAQUES
A bateria, comandada por Mestre Leozinho Bradock, mostrou presença marcante de chocalhos e tamborins, além de bossas que remetiam a rios e cachoeiras, dialogando diretamente com o enredo. A rainha Bianca Ramos desfilou com energia, embora, em alguns momentos, estivesse mais distante da bateria.
A ala das passistas também se destacou pela entrega e desempenho; todas sambaram bastante e demonstraram animação. No conjunto, a escola apostou na sensibilidade do tema e na animação das alas finais para deixar sua marca na avenida.










