Em entrevista ao CARNAVALESCO, os carnavalescos Robson Goulart e Ricardo Paulino apresentaram os detalhes do enredo “Grande Sertão Negro”, que será o tema do desfile da Independente da Praça da Bandeira no carnaval da Intendente Magalhães, em 2026. A proposta é celebrar a chegada dos povos africanos ao Nordeste brasileiro, destacando sua influência na cultura, nas tradições, na culinária e nos cantos que ajudaram a moldar a identidade da região.

Ricardo Paulino explicou que a escolha da narrativa nasceu de uma necessidade derivada da realidade da Série Prata.
“Nós somos do Grupo Prata e temos que fazer aquilo que temos. A subvenção que a gente recebe só dá para fazer aquilo que já existe. Não adianta inventar muito. Todo mundo está fazendo muito afro, afro, afro, e eu não queria fazer afro/macumba. Sentei com o Rabinho e começamos a conversar sobre o que tínhamos de material. Pensamos até em circo, qualquer coisa para sair do afro. Aí veio a ideia: vamos fazer o Nordeste. Mas Nordeste como? A partir do negro que chega ao Nordeste e desenvolve toda uma cultura”, explicou.
Robson Goulart complementou, explicando o recorte histórico do desfile.
“Contamos a história da chegada desses negros em toda a região do Nordeste. Sabemos que lá tem Olodum, candomblé, mas nós explicamos como essas crenças, festejos e tradições chegaram ao Nordeste por meio do povo preto.”
O grande destaque do enredo
Robson destacou o impacto visual que o desfile terá como o grande trunfo do enredo.
“Estamos confiantes no efeito visual. A escola virá bem compacta, com fantasias bem chamativas, bem volumosas. Nossa aposta é nesse diferencial de cores, de efeitos e de alegorias para brigar pelo nosso sonhado título”, afirmou o artista, com entusiasmo.
A parte plástica e estética do desfile
Ao falar sobre a plástica do desfile, Robson voltou a afirmar que a escola está investindo bastante em visuais marcantes. A estética dialoga diretamente com a ideia de força, ancestralidade e presença negra no sertão nordestino, usando volume, cor e impacto visual como elementos centrais da narrativa apresentada pela escola na avenida.
“Estamos trabalhando com bastantes esculturas e com alguns materiais meio diferentes para construir esse enredo”, revelou.
Desafios da Intendente Magalhães
Sobre as dificuldades de colocar o carnaval na avenida da Zona Norte carioca, Ricardo deu sua opinião sem omitir os recursos utilizados e reconhecendo o valor do apoio coletivo.
“Driblamos fazendo empréstimos. A gente faz o empréstimo, começa o carnaval e depois faz um malabarismo para pagar. Mas acaba acontecendo. Um ponto muito forte é o apoio da comunidade. A gente tem uma comunidade muito gostosa, que interage, colabora e chega junto. Assim é mais fácil, porque não precisamos inventar uma comunidade — isso a gente já tem”, disse o carnavalesco, emocionado.
Robson encerrou o papo com otimismo: “No final, tudo dá certo. E vai dar, se Deus quiser.”
Com esse enredo que une história, ancestralidade, identidade negra e visuais ousados, a Independente da Praça da Bandeira promete levar para a Intendente Magalhães um desfile forte, vibrante e emocionante.









