Enredo: ‘Voltando para o futuro, não há limites pra sonhar’

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… Os astrônomos dizem que as estrelas estão muito longe da Terra e que ao observá-las no céu, à noite, estamos olhando para o passado. Isso ocorre porque a luz de uma estrela que chega até nós foi emitida há muito tempo atrás…”

“Olhei pro céu
Vi a estrela que me fez sonhar,
Olhei pra ela e então pedi que iluminasse as viradas da minha vida.
Por tantas águas eu atravessei, em corda bamba eu andei, de corpo e alma na Avenida. Com sua luz, sobre um espelho ela iluminou.
Um Universo de mistérios, um livro aberto cheio de fascinação, Vejo nos astros minha luz na escuridão!”

SEGUINDO A MINHA ESTRELA GUIA
Para o carnaval de 2025, A MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL faz uma viagem intergaláctica até sua estrela guia, onde ela se reconecta com seu brilho mais intenso, o de uma estrela ainda jovem despontando na passarela do samba, saltando mais uma vez para o futuro, trilhando caminhos desenhados pelas estrelas. Se voa para o céu ou dispara como num sprint pela Terra, haverá irremediavelmente de se defrontar com o passado, com a própria identidade, soberana, singular e visionária.

SOMOS POEIRA DE ESTRELAS
“O cosmos está dentro de nós. Somos feitos de matéria estelar. Somos uma forma do universo conhecer a si mesmo”.

O que nos dizem as estrelas quando cintilam no céu? Dizem em silêncio que querem nos fascinar, espalhar o mistério, querem fazer a imaginação trabalhar. Na música silenciosa da luz estelar está a nossa guia e o nosso alento. A estrelas nos ajudam a dar sentido ao cosmos, a beleza do céu profundo, a dúvida sobre o que há de desconhecido neste mundo de distâncias infindáveis…

Todas as substâncias que vemos à nossa volta foram fabricadas no interior das estrelas. O oxigênio que respiramos, o ferro de nossas montanhas, o carbono das plantas e o nosso corpo. Tudo foi feito no interior das fornalhas atômicas das estrelas. Portanto, toda a vida na Terra está intimamente interligada, possuímos uma química orgânica e uma herança evolutiva comum e qualquer que seja o caminho no qual enveredemos, nosso destino estará indissoluvelmente ligado a ela.

SONHANDO COM O FUTURO
“Eu sou um Pierrô Lunar, pego um trem-bala e posso sonhar na Lua. Ziguezaguiando eu vou, sou passageiro espacial, no paraíso da folia.

Vem nessa amor, o futuro é aqui, deixe o sonho te levar pra nova era que virá.”

Povoado de mistérios, o Universo reúne uma infinidade de elementos que sempre intrigou a humanidade. Das crenças e histórias mitificadas pelas antigas civilizações aos estudos de pesquisadores e cientistas da idade média, passando por obras literárias e cinematográficas.

Da maçã de Adão e Eva à maçã que cai de Isaak Newton, Marte, a “maçã vermelha gigante”, torna-se uma obsessão. A lista de filmes sobre marcianos, seres alienígenas e posteriormente sobre Robôs é longa, e passa fascinar o imaginário do homem moderno. Vários filmes do gênero ficção científica surgiram e continuam a surgir, sempre explorando a tecnologia e ambições futurísticas da humanidade, desde as mais fantasiosas, com enredos de guerras e futuros distópicos, até as mais próximas da realidade, com seres parecidos com os humanos.

Seres alienígenas e robóticos habitam as profundezas do nosso inconsciente coletivo, as representações ficcionais passam a refletir o que sabemos do mundo, de nós, do bem e do mal que somos capazes de fazer, de nossos medos e expectativas de um futuro sempre incerto e ameaçador.

O HOMO SAPIENS QUEBRA AS PEDRAS DA INOVAÇÃO
Dinossauros estiveram por aqui há 150 milhões de anos e foram aniquilados pela colisão de um asteroide há 65 milhões de anos atrás. De lá pra cá, as coisas mudaram: nós entramos na história.

Toda essa sabedoria em busca do progresso foi retratada inúmeras vezes, de forma lúdica, por séries de animação. Em 1960 a série de desenho criada por William Hanna e Joseph Barbera1, os Flintstones, traduzia um mundo moderno para idade da pedra. Eles aproveitavam os recursos dos animais e da natureza para criar conforto e criar uma sociedade extremamente funcional. Na mesma época contrapondo a pré-história dos Flintstones, Hanna-Barbera partem para a futurologia, e criam os Jetsons, outra série de desenhos, com personagens vivendo em um mundo espacial e altamente tecnológico ficcional, antecipando para o mundo há 64 anos atrás, ideias que hoje começam a se materializar; como robô assistente na casa de qualquer pessoa, a tele- presença e outras inovações tecnológicas. Ambos os desenhos mostravam muito claramente conceitos de inovação na solução de problemas do dia a dia com soluções criativas, sejam elas rudimentares ou altamente tecnológicas.

Hoje a fixação do homem pela robotização, se torna real, sai da ficção e se materializa. O Homem da pedra lascada avançou, seguiu em frente, deu um salto quântico e chega a “Era Tecnológica”. O mundo das máquinas o fascina, cada vez mais ele cria, flerta e dialoga com esses “seres automatizados” para usá-los a seu favor, a seu bel-prazer. As máquinas, os computadores, drones, satélites espaciais e robôs, tornam-se seus “brinquedinhos favoritos”. Com um “click”, têm-se um mundo na palma das mãos, seja através de celulares e tantos dispositivos disponíveis. Redes sociais são criadas onde todos estão conectados, livres para ir e vir, viajar pra lugares distantes, ver tudo, ter vidas expostas, ouvir e falar o que quiser, ler tudo entre tantas outras facilidades, sem limites, basta ter uma cadeira confortável, um sofá e um bom Wi-FI. Sem um celular, você não é mais você, vamos criando personalidades virtuais, ativas na internet, “…outros “Eus” interagindo o tempo todo, permitindo que nossas vidas sejam transferidas para uma espécie de éter digital, baixáveis em qualquer lugar do mundo. Somos criações remotas, “transumanos”2, onipresentes e oniscientes que, metaforicamente, nos aproxima de uma existência divina: sem um corpo e cientes de tudo o que ocorre no mundo.”(GLAISER, Marcelo, livro O caldeirão Azul, p. 207).

A internet banda larga chegou para nos conectar em uma espiral infinda que ambiciona a perfeição em curtos intervalos de tempo. A humanidade globalizada, cada vez mais ávida por informações instantâneas, busca nas redes sociais, um

“pertencimento” como instrumento central de sobrevivência, numa adesão cega que nos impede a percepção do outro. As experiências presenciais e afetivas sucumbem ao virtualismo e nesse comportamento extremo, parece não haver espaço para crescer, para olhar e aprender com o que existe fora. Chegamos ao ápice da crise criativa com o advento da Inteligência Artificial. Quem ganha? O Homem ou o robô? Não há dificuldade na resposta para essa pergunta. Onde só o robô triunfa, o humanismo morre.

AQUI SE NASCE JOGANDO, PERDENDO OU GANHANDO, EM BUSCA DE FELICIDADE.
“… Já enfrentamos as viradas dessa vida e rodamos igual pião…”

O Homem com seu joystick na mão continua o jogo! Muitos jovens, hoje homens feitos, foram atraídos para a MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL, pela imagem do menino do joystick.

Anos se passaram e os GAMES, cresceram em profusão, a geração “Z” como é conhecida, ama estar desafiando esses jogos, agora, através de suas telas, sejam elas de smartfones, tablets ou de computadores. Para os jovens das décadas de 1980 e 1990, que viviam com joysticks na mão dos videogames, o jogo atual é mais complexo.

1 William Hanna e Joseph Barbera eram cartunistas norte-americanos e fundadores do estúdio de desenho animado Hanna-Barbera em 1957.

2 transumano, trasumanismo – expressão conhecida e muito utilizada em livros e filmes de ficção científica que significa a junção do humano com a máquina.

Abandonar as telas de led que orbitam o cotidiano nos encontros familiares, nas reuniões entre amigos nas mesas de bar, nos colégios, nas plataformas de streaming, é uma missão quase impossível. Ninguém se desconecta. Estamos tão perto, mas, paradoxalmente, tão longe uns dos outros. A pele que habito está em constante mutação por causa da tecnologia. Dá-se o enfrentamento entre o real e o virtual, o natural e o artificial. Será que continuaremos em uma eterna luta do bem contra o mal? Que progresso é esse que não nos apazigua a alma? Pelo contrário, só nos angustia. Que o GAME DA MIPM, os estimule a voltar a olhar para o carnaval, que possamos desafiá-los a atravessar a MATRIX, a viajar na Sapucaí e cair na folia sem desanimar.

O PASSADO, O PRESENTE E O AMANHÃ
“… Dominou o fogo e soube se armar, Conquistou o Mundo e o Espaço também, Veio iluminado para inventar,
Pena que nem tudo foi para o Bem…”
(trecho da letra de um dos sambas concorrentes em 1996 – Autor: Marquinhos PQD)

Um pixel, no coliseu de uma galáxia…

Em 1990, a sonda espacial Voyager 1, tirou uma fotografia da Terra há uma distância recorde. Na foto, nosso planeta mal preenche um pixel, um “pálido ponto azul” na vasta imensidão do espaço. Em um pronunciamento público no dia 13 de outubro de 1994, proferido na universidade de Cornelll, onde lecionava, Carl Sagan3 refletiu sobre o significado da imagem: “Ela deveria inspirar mais compaixão e bondade nas nossas relações, mais responsabilidade na preservação desse precioso pálido ponto azul, nossa casa, a única que temos. Quando medido contra as distâncias cósmicas, e considerando a enorme quantidade de mundos espalhados pelo vazio do espaço sideral, esse pequeno planeta é insignificante, apenas mais um, um entre trilhões de outros. Por outro lado, essa esfera girando em torno do Sol é tudo o que temos. Somos os únicos seres inteligentes no universo até que se prove o contrário” A ciência nos capacitou a maravilhar- nos com o mundo, e cada vez mais a nos engajarmos com o mistério da criação. Se continuaremos a viver em um mundo virtual, se nosso futuro é incerto e indefinido, se alienígenas e robôs dominarão o Mundo? ainda não sabemos. Por enquanto, temos tempo para pensar criticamente sobre as escolhas que fazemos, na possibilidade de nos tornarmos agentes das transformações que queremos ver aqui. Assim como o ar cada vez mais poluído e aquecido, a água é primordial para nossa sobrevivência e não estão pra “um mar de rosas”, vivem nos alertando constantemente que já estão com a paciência transbordando e é quesito urgente de preocupação. O uso indiscriminado de recursos naturais pelo progresso da humanidade tem dado indícios que o “bicho vai pegar”. O planeta pega fogo por causa do aquecimento global, as tsunamis e as chuvas torrenciais colocam cidades inteiras submersas nos cinco continentes, os furacões e os terremotos nada deixam de pé, as guerras de nacionalidades e territoriais traduzem a desumanização do único ser racional de que se tem conhecimento. Onde isso vai parar? Na poeira das estrelas. As descobertas científicas dão conta, no entanto, de maneira otimista, que o futuro do homem, em função da nanotecnologia, da biologia celular e da engenharia genética, estará condicionado à existência eterna, à imortalidade. A superação da morte é a esperança e a nova guerra travada pela humanidade no próximo século e vão constar nas nossas “faturas futuras” batendo em nossas portas. A Natureza é caprichosa, parece querer nos dizer que tiveram seu espaço roubado e os quer de volta, afinal, respeito é bom e ela agradece. Tudo o que devemos fazer é cuidar do nosso planeta, a casa que habitamos, e que as incertezas não nos paralisem, devemos isso às gerações futuras. Estamos vivendo aqui e continuaremos a viver por muitas gerações. Não temos qualquer indicação de que teremos alguém para nos salvar de nós mesmos. A responsabilidade do que ocorre aqui é inteiramente nossa.
E assim seguiremos…O homem investigando a vida, se fecha em laboratórios, pensa no homem artificial, constrói e destrói deixando escapar de seu controle a razão dos seus inventos. “Descansa na rede” meio atravessado; acordado, vislumbra suas invenções e quando dorme sonha temendo o amanhã. A mão que fez a bomba ainda faz um samba, mas onde vai dar esse carnaval? Isso não se descobriu.

Renato Lage e Márcia Lage