Na Marquês de Sapucaí, a homenagem da Mocidade Independente de Padre Miguel a Rita Lee ganhou corpo coletivo na ala LGBTQIAPN+, que levou para a avenida um tributo à artista como símbolo de liberdade, autenticidade e enfrentamento às normas sociais. Em um desfile marcado pela celebração de sua trajetória, a presença da diversidade transformou a memória musical em afirmação política.
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Muito antes de debates sobre gênero e sexualidade ocuparem o centro da esfera pública, Rita já tencionava padrões. Em 1997, no clipe de “Obrigado, Não”, exibiu o beijo entre dois homens vestidos de militares. O gesto foi considerado ousado para a época e revelador de sua postura provocadora diante do conservadorismo. Na avenida, esse legado foi reconhecido como caminho aberto para novas existências.

Estreante na Estrela Guia, Gabi Santos, de 32 anos, escolheu desfilar justamente na ala LGBTQIAPN+ por se reconhecer nessa história de coragem. Seguindo os passos da avó, antiga torcedora da escola, ela destacou a importância de artistas que desafiaram limites e tornaram possíveis outras formas de viver.
“Ela trilhou o chão para a gente caminhar. Tem total importância para estarmos aqui hoje fazendo o que estamos fazendo. Me influencia muito, assim como outros artistas da época, como Ney Matogrosso e Cazuza. Não são da minha geração, mas têm um valor enorme para mim”.

Entre os componentes, a imagem de Rita aparece associada à franqueza e à recusa do silêncio. João Gabriel Lemos, que também desfilou na ala, afirmou se reconhecer na personalidade direta da cantora.
“Essa autenticidade dela, esse jeito de falar as coisas sem medo… eu sou genioso e me identifico muito. Quando a Mocidade lançou o enredo, falei que era o meu ano, porque me vejo nessa forma de se expressar sem censura”.
Em um espaço historicamente marcado por disputas de visibilidade, a presença de uma ala dedicada à diversidade reafirma o Carnaval como território de existência coletiva. Para Gabi, mais do que representação, trata-se da continuidade de um legado.
“O Carnaval tem essa licença poética para a gente se libertar das amarras e viver da forma mais livre possível”, afirmou.
Ao transformar a homenagem a Rita Lee em celebração coletiva da diferença, a Mocidade fez da Sapucaí não apenas palco de memória, mas espaço de liberdade que a cantora ajudou a construir. Entre música, coragem e fantasia, sua voz segue ecoando onde sempre fez mais sentido: no corpo de quem insiste em existir sem pedir permissão.










