A composição do trio André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho é sucesso nas redes e um dos sambas mais ouvidos do Carnaval 2026. A canção embalará a Vila Isabel na avenida no próximo ano, no enredo em homenagem a Heitor dos Prazeres — multi-instrumentista, alfaiate, ogã e pintor que traduziu a negritude, o samba e o subúrbio em suas obras. O tema foi abraçado pela comunidade, tem gerado identificação e despertado expectativa entre os sambistas. O site CARNAVALESCO conversou com componentes e torcedores sobre como “Macumbembê, Samborembá” os toca.

O fotógrafo e destaque da escola, Breno Santos, aponta a saudação a Oxum — “Ora yê yê ô, Oxum” — presente no refrão, como seu trecho preferido do samba. Ele afirma que quem pratica religiões de matriz africana se identifica imediatamente com a canção:

“A melodia do samba é muito gostosa. É envolvente, fácil de cantar, fácil de gravar. Acho que por isso o samba vem sendo o preferido de muita gente — e o meu também — por conta da identificação. A melodia, as rimas e toda a identidade de resistência. Acho que combinou tudo”, disse.

Dudu Pretinha, auxiliar de serviços gerais e cria da comunidade, faz parte da Vila Isabel há 30 anos. Para ele, o samba representa um resgate da ancestralidade da escola:

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“Este ano estamos voltando a afirmar nossa ancestralidade. Estamos voltando com tudo, mostrando para o nosso povo e para o Carnaval que a Vila Isabel vai brigar pelo título. Estamos fazendo um excelente trabalho, com ensaios maravilhosos. A comunidade abraçou o enredo e tudo o que a escola está proporcionando”, declarou.

Para o portelense Charles Nelson, professor e coreógrafo de dança afro, o apreço pelo samba ultrapassa as fronteiras das escolas. O artista não poupou elogios:

“É um samba magnífico, fico muito emocionado. Heitor foi tudo. Foi músico, pintor, cantor, fez muitas coisas na vida”, contou.

Com expectativas altas para o trabalho do intérprete Tinga e da Swingueira de Noel na avenida, Lúcio Fernando, passista da Vila Isabel e aderecista, acredita que o samba cresce ainda mais com o desempenho do cantor:

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“Quando um samba vai para a voz do Tinga, ele ganha outro sentido, outra garra. A bateria, nem se fala. O Macaco está todo ano trazendo um trabalho incrível de paradinhas”, disse.

Ele completa, ao recordar as notas baixas em samba-enredo no julgamento do último Carnaval, apontando que a saudade também é um fator para o sucesso do samba deste ano:

“Já fazia tempo que a escola não falava de enredo afro, e voltar agora, em 2026, é uma vitória para todo mundo. Todos estavam esperando esse momento da Vila, porque é uma escola que fala de afro. Saudar Oxum e dizer ‘pra você, Heitor’ no refrão traz muito da ancestralidade da escola e relembra coisas que precisavam voltar a ser ditas. Foi um tempo em que a escola deixou de falar dos seus para falar dos outros”, afirmou.