Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias, Letícia Sansão e Will Ferreira

Sem chuva, a Tucuruvi realizou seu segundo ensaio técnico no Anhembi neste domingo. Animado por um forte discurso do vice-presidente Rodrigo Delduque, o treino foi marcado positivamente pelo ótimo desempenho da comissão de frente, que mostrou com extrema facilidade o significado do enredo “Anti-herói Brasil”, a mistura do sofrimento com a diversão dos povos das ruas e a malandragem. Ponto bastante positivo para o ensaio. Vale destacar também a atuação do intérprete Hudson Luiz e de sua ala musical. A escola tem como enredo “Anti-herói Brasil”, desenvolvido pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves.

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COMISSÃO DE FRENTE

Liderada por Renan Banov, a ala retratou fielmente o que é ser um anti-herói. O significado está em ser um protagonista sem os estereótipos tradicionais de herói, tão presentes em nosso cotidiano. De acordo com a Tucuruvi, o grande protagonista da sociedade é o trabalhador e aqueles que fazem o “corre” do dia a dia.

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Isso foi muito bem representado na comissão de frente. No início da encenação, havia uma mulher que aparentemente representava o sofrimento, com gestos que reforçavam essa ideia. Atrás dela, outros bailarinos, vestidos com óculos escuros e cabelos no estilo black, contribuíam para a narrativa e também dançavam. Estes representavam o protagonista que curte a vida, a malandragem e o povo das ruas, como diz a letra do samba.

Destaque para a bela pintura corporal, com brilhos e predominância da cor marrom, criando um belo contraste na avenida. Além disso, a comissão de frente cumpriu os itens obrigatórios de saudar o público e apresentar a escola.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Enfrentando um forte vento, Luan Caliel e Beatriz Teixeira imprimaram um ritmo intenso de dança na pista, principalmente nos giros horários e anti-horários, e soube lidar com a força da natureza. Foi possível perceber uma evolução maior do casal neste ensaio no Anhembi, já que, no anterior, a escola enfrentou chuva, algo que sempre dificulta a atuação do casal.

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Destaca-se o empenho da dupla na execução dos movimentos obrigatórios. Nitidamente, priorizaram a técnica em detrimento de uma coreografia mais elaborada dentro do samba. Vale ressaltar também o entrosamento, já que caminham para o terceiro desfile juntos, além da elegância e do sorriso constantes. O casal da Tucuruvi pode ser considerado uma verdadeira bola de segurança para a escola.

“Sou uma pessoa que não gosta de falar que é uma competição, porque venho para cá com a minha família para me divertir. É o meu momento de escape, estar com a comunidade que me acolheu bastante. Então, a gente virou uma família mesmo e acaba que não ligo muito para a competição. Aqui está todo mundo unido, sempre buscando o melhor, se apoiando ao longo desses anos, e isso já é um mérito”, disse a porta-bandeira.

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“É um ano muito difícil. A Tucuruvi caiu de novo injustamente, e eu posso falar isso com propriedade, porque entrei na escola quando ainda estava no Acesso. Logo depois, em outubro, veio a subida. A escola subiu com o enredo de Chico Anysio, e a história parece se repetir. A Tucuruvi vem muito bem há alguns anos, com enredos fora do sério e, injustamente, caiu novamente. Todo mundo sente esse gosto amargo. A escola vem com tudo, e eu e a Bia estamos trabalhando há muito tempo. É um ano difícil até para nós. No Especial, conseguimos fazer uma coreografia mais intensa, com mais tempo. No Acesso, precisamos reduzir um pouco, porque o tempo é menor. Qualquer erro custa caro, e isso é difícil de lidar. Mesmo assim, vamos entrar de cabeça erguida para buscar esse título novamente para a Cantareira”, completou o mestre-sala.

HARMONIA

É nítido que todos os componentes da escola sabem cantar o samba de ponta a ponta, porém houve falta de vigor e volume no canto na maioria das alas. Faltou imprimir a garra apresentada nos desfiles de “Ifá” e “Assojaba”.

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Toda a escola desfilou com a mesma camisa do enredo, que trazia, na parte de trás, o seu significado. Mesmo com a análise geral do canto, uma ala destoou positivamente das demais. A que trazia a frase “Um povo com voz é um perigo” se sobressaiu pelo canto forte. Ainda assim, vale ressaltar que o quesito Harmonia depende da sinergia entre canto, carro de som e bateria. Por isso, o volume é fundamental para a audição dos jurados.

EVOLUÇÃO

A primeira ala após a comissão de frente é coreografada e, em diversos momentos, os componentes evoluíam normalmente e, ao tentar entrelaçar as fileiras, abriam-se muitos espaços. Também foi possível observar integrantes perdidos, que não acompanhavam suas fileiras e acabavam ficando para trás. Em determinado momento dessa mesma coreografia, toda a última fileira permaneceu atrás enquanto as demais avançavam.

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Em um outro momento específico, as fileiras da ala das baianas também se separou, mas o ajuste foi feito rapidamente. Ainda assim, a Tucuruvi deve ficar atenta a esse tipo de situação, que aparenta ser simples de corrigir, mas que agora só poderá ser trabalhada em ensaios na quadra.

No entanto, é importante esclarecer que, no caso da primeira ala, o diretor de harmonia Ricardo Fervorini entrou em contato com o CARNAVALESCO e informou que se trata de uma ala de ação justificada. Dessa forma, quaisquer incidentes ocorridos não são passíveis de dedução de pontos. A ala das baianas também não é julgada e, conforme o regulamento, qualquer espaçamento entre os componentes, independentemente da distância em relação às grades, não pode gerar penalização por parte do jurado.

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Assim, apesar de ter havido falhas na execução, a escola se manifestou oficialmente, e não há impacto na avaliação do quesito.

SAMBA-ENREDO

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Na voz de Hudson Luiz, a obra cresceu de maneira impressionante. O intérprete tem um estilo que puxa o samba para si, sem transferir totalmente a condução para a comunidade ou para o público. Seu timbre se sobressai, e ele utiliza isso como trunfo para obter êxito em perfeita sintonia com a “Bateria do Zaca”. Os apoios femininos também combinam muito bem com o tom de voz do cantor.

OUTROS DESTAQUES

A “Bateria do Zaca”, comandada por mestre Serginho, destacou-se ao marcar bem o samba durante o ensaio e executar as bossas nos momentos corretos.

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“Depois do ensaio de bateria que fizemos na quinta-feira, voltamos para casa mais quietinhos e ajustamos o que precisava ser ajustado. Acertamos alguns detalhes que haviam passado despercebidos, e o resultado é isso que você está vendo. A galera curtiu, estamos trabalhando forte e sério. Agora é manter o trabalho em banho-maria e recuperar as peças. Estou muito satisfeito”, avaliou Serginho.

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