Por Maria Estela Costa e Marielli Patrocínio

quilombovila 2
Fotos: Maria Estela Costa e Marielli Patrocínio/CARNAVALESCO

Sob o luar nilopolitano, Vila Isabel e Beija-Flor de Nilópolis se juntaram no último sábado para um Encontro de Quilombos na principal avenida de Nilópolis. A agremiação apresentou seu enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”, idealizado pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, além do enredista Vinícius Natal, que homenageia o sambista Heitor dos Prazeres, com foco na “Pequena África”, localizada na região central do Rio de Janeiro. O ensaio foi marcado pela potência da comunidade, responsável por animar o público.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

“Há dois anos a gente esteve presente aqui, é uma honra muito grande. Fomos muito bem recebidos, não só por toda a escola, mas por toda a população. Trazer um pouco do que a gente faz no 28, toda quarta-feira, para cá. Bem reduzido, mas vai ser energia positiva, com a força do nosso samba, da nossa bateria, dos nossos segmentos. Feliz pra caramba e só agradecer à Beija-Flor de Nilópolis pelo convite”, declara Moisés Carvalho, diretor de carnaval da Vila.

COMISSÃO DE FRENTE

quilombovila 7

Abrindo o ensaio, a comissão de frente, comandada por Márcio Jahú e Alex Neoral, iniciou mostrando uma dança em que um integrante representava a figura homenageada, enquanto os demais dançavam em movimentos circulares e em fileiras, além de baterem palmas em sintonia com o samba. Era possível notar referências às danças da cultura afro, com uma mistura de capoeira e danças típicas dos cultos religiosos. Os dançarinos não estavam fantasiados, mas suas roupas estavam combinando: todos de short branco e camisa que os identificava como integrantes desse quesito.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

quilombovila 3

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, se apresentou com figurinos elegantes: ele com um terno em tom de amarelo-dourado claro e sapato social branco com detalhes dourados; já ela estava com um vestido amarelo-dourado escuro e, no esquenta, botas douradas, mas logo trocou por um saltinho aberto, também dourado.

O casal vem trabalhando a expressividade, e isso foi algo muito bem lapidado. No ensaio, os passos estavam sincronizados. Raphael orbitava em volta de Dandara sem perder o foco nela e no pavilhão. Havia uma comunicação por olhares que antecipava os movimentos seguintes, tudo isso com muita fluidez.

HARMONIA

quilombovila 8

O ensaio da Vila Isabel não contou com muitas alas completas, pois alguns desfilantes se ausentaram. A solução da escola foi misturar alas para que o ensaio pudesse ser realizado  e deu certo. Mesmo misturadas, as alas cantavam o samba com potência. É claro que houve incentivo dos componentes da harmonia, mas os desfilantes estavam à vontade, o que potencializou ainda mais o canto.

Além disso, a participação do carro de som, junto à bateria, foi responsável por facilitar a compreensão da letra pelo público. Havia uma boa sintonia entre ambos.

quilombovila 9

EVOLUÇÃO

As alas, apesar de misturadas, estavam bem posicionadas e seguiram de acordo com as instruções dos diretores. Duas alas localizadas no setor 1 estavam coreografadas, com passos fáceis, que não exigiam tanto esforço físico dos desfilantes.

quilombovila 5

Um aspecto que chamou atenção foi que, talvez por estarem acostumados a ensaiar com uma quantidade maior de desfilantes, a agremiação acabou acelerando no início do ensaio e, da metade para o final, desacelerou, fazendo pausas para prolongar o desfile. No entanto, isso também pode ter ocorrido pelo fato de a Avenida Mirandela ser mais extensa que a 28 de Setembro, local habitual dos ensaios da escola.

SAMBA

A comunidade estava bem familiarizada com o samba, cantando a canção de ponta a ponta. Além disso, o público nilopolitano apresentou maior facilidade em cantar apenas o refrão.

quilombovila 3

A presença do carro de som foi crucial para o rendimento dos desfilantes e também para testar o conhecimento do samba, já que, por estarem em um local majoritariamente ocupado por torcedores da coirmã Beija-Flor de Nilópolis, nos momentos de paradinha era necessário entregar mais vocais e domínio da letra para conduzir o canto e ensiná-la ao público.

quilombovila 1

OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria, Sabrina Sato não esteve presente neste Encontro de Quilombos. Assim, as estrelas da noite foram as musas, que desfilaram com looks produzidos, repletos de pedrarias, decotes e miçangas, além de interagirem com a comunidade nilopolitana, demonstrando respeito. E, claro, o samba no pé não ficou de fora.

quilombovila 10

A bateria, comandada pelo mestre Macaco Branco, apresentou paradinhas junto aos intérpretes, além de dancinhas dos ritmistas, sincronizadas com a batida dos instrumentos. O mestre falou sobre os preparativos para o desfile.

“A Vila Isabel já está pronta para desfilar e defender esse grande enredo sobre Heitor dos Prazeres. Se o desfile fosse hoje, a Vila Isabel estaria muito bem representada. É um prazer imenso poder visitar nossa coirmã aqui na Mirandela e realizar o nosso ensaio, que foi maravilhoso. Foi uma energia surreal”.

quilombovila 6