Para entrar na Sapucaí, a bateria “Swingueira de Noel” da Vila Isabel incorporou o homenageado do enredo e afinou os instrumentos como quem prepara os pincéis antes de pintar um quadro. Pintor, compositor e sambista, Heitor dos Prazeres teve sua multifacetada trajetória traduzida nos figurinos de “sambistas pintores”. 

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Mestre Macaco 1
Mestre Macaco Branco. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Em entrevista ao CARNAVALESCO, ritmistas da Vila Isabel falaram sobre a relação entre música e cor, a diversidade que sustenta a formação das baterias, o legado ancestral dos tambores ligados aos terreiros e o sonho coletivo de emocionar o público na Marquês de Sapucaí.

Renan Gohan
Renan Gohan, ritmista da Swingueira de Noel. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

O motorista Renan Gohan, 37 anos, tocador de tarol, explicou como funciona essa relação entre som e cores na “Swingueira de Noel”. 

“As cores se completam, e quando se combinam, formam imagens muito bonitas. Na bateria é a mesma coisa. Os instrumentos se completam, um faz uma coisa, o outro faz outra, e depois vem o impacto de tudo junto. Daí saem as bossas, os arranjos, e uma coisa combina com a outra de um jeito bem interessante”, comparou ele. 

Não são apenas cores, no sentido figurado, que se misturam quando se fala das baterias de escolas de samba. A ala também reúne pessoas de origens, histórias e identidades diversas, além de carregar o legado dos tambores dos terreiros que originaram o samba. Renan explicou como essa diversidade apareceu dentro do ritmo.

“A essência da bateria é justamente a diversidade e a união dos povos. Lá nos primórdios, na Pequena África, as pessoas se reuniam como forma de diversão, e daí nasceu a nossa cultura. É muito importante manter essa diversidade, não só com o nosso povo, mas também com estrangeiros que vêm, amam e respeitam a nossa cultura. Sustentar esse legado é fundamental. Eu me sinto feliz e honrado em fazer parte dessa ancestralidade do samba. Por isso é tão importante o trabalho das escolinhas de bateria, para passar isso de geração em geração”, afirmou.

Feijão Bombeiro, ritmista da Vila Isabel. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

O ritmista Feijão Bombeiro, 50 anos, tocador de tarol, falou sobre o sentimento que mais buscou transmitir na avenida. 

“Pintamos leveza e felicidade. É um trabalho árduo o ano inteiro, por isso, é essencial chegar aqui, se divertir e passar essa alegria para a arquibancada. Pintamos a emoção de muita gente. As pessoas saem da realidade para viver esse mundo do faz de conta no carnaval. Nós estamos pintando alegria”, afirmou ele, empolgado para entrar na Marquês de Sapucaí. 

Se Heitor sonhava ao pintar, os ritmistas da Vila sonham ao tocar seus instrumentos. Para o ritmista Feijão Bombeiro, tocador de tarol, de 50 anos, o maior sonho de um sambista é alegrar o público. 

No enredo marcado pela dimensão dos sonhos, frequentemente representados por cores e sons, Feijão afirmou que o maior desejo do ritmista é simples: emocionar o público.

“O sonho do ritmista é levar alegria para o nosso povo, que sofre tanto no dia a dia. Pintamos leveza, felicidade e a emoção de muita gente. É um trabalho árduo o ano inteiro, por isso, é essencial chegar aqui, se divertir e passar essa alegria para a arquibancada. As pessoas saem da sua realidade para viver esse mundo do faz de conta no carnaval. Nós estamos pintando alegria”, afirmou ele, empolgado para cruzar a passarela. 

Responsável por comandar esse grande ateliê sonoro da Vila, Mestre Macaco Branco comentou sobre como sua bateria irá a sinestesia da trajetória de Heitor dos Prazeres para a Sapucaí. 

“A bateria vai fazer uma aquarela na avenida, trazer essa emoção que o Heitor tinha quando pintava seus quadros, escrevia suas músicas e tocava seu atabaque. Para a gente, é um prazer imenso poder falar de Heitor dos Prazeres e transformar sua história em ritmo”, destacou o líder, confiante na missão que lhe foi dada.