A Mangueira iniciou, neste último sábado, a disputa geral de samba-enredo para o Carnaval 2026, e o CARNAVALESCO acompanhou as apresentações das 15 primeiras obras concorrentes direto do Palácio do Samba. Confira abaixo nossa análise das oito parcerias classificadas para a próxima etapa do concurso.

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Parceria de Estevão Ciavatta: Primeiro entre os classificados a se apresentar, o samba assinado por Estevão Ciavatta, Pedro Tatuí, JotaPê, Gabriela Diniz, Jefferson Oliveira e Miguel Dibo contou com uma torcida animada. A obra foi conduzida pelas vozes de Gilsinho, Charles Silva e Matheus Gaúcho, apresentando uma pegada cadenciada, iniciada pelo agradável refrão de cabeça, em que se destaca o verso “Cada canto do Amapá tem um tantinho de Mangueira”. O momento de explosão surge logo em seguida, nos versos “Aos pés do Amapá, o som do maracá”, que conduzem a energia musical pelo restante da letra. Na segunda passagem, a presença da bateria deu ainda mais fôlego ao conjunto.

Parceria de Chacal do Sax: Na sequência, Marquinho Art’Samba, Tem-Tem Jr. e Rafael Tinguinha defenderam a obra assinada por Chacal do Sax, Fábio Martins, Marcelo Martins, Vitor Leandro, Augusto Gigi, Jean Michel e Gaspar. O samba apresenta originalidade, alternando a tonalidade melódica entre suas diferentes divisões. O refrão principal aposta na criatividade com a repetição “Sem ervas nada se faz! Sem ervas nada se faz!”, entre versos de estilo clássico que entregam para a primeira do samba com bom jogo de palavras no trecho “Evoco o xamã babalaô”. Sem um refrão central, a obra se apoia em duas estrofes mais curtas, em tons distintos, que se encaixaram bem na proposta. O desfecho traz o belo jogo de versos “Só quem vive a Amazônia sabe que é terra negra / O aroma verde e rosa é da Estação Primeira”, completando o conjunto harmônico que conquistou a torcida de forma espontânea.

Parceria de Beto Savanna: A interpretação de Pitty de Menezes, Igor Vianna e Dodô Ananias transformou o Palácio do Samba em floresta ao dar vida à obra assinada por Beto Savanna, Rodrigo Pinho, Wilson Mineiro, Daniel Paixão, Jonathan Tenório e Grassano. A explosão veio logo no início, com os versos em repetição “Saravá, Xamã Babalaô”, que antecedem o refrão de cabeça. Além da intensidade, a letra cita a quadra da Verde e Rosa, contagiando de imediato a torcida, que se manteve animada até o fim. A primeira do samba carrega a energia de forma cadenciada, preparando o terreno para mais uma explosão no refrão do meio, marcado pelo verso duplicado “Reza pra benzer, ô, reza pra benzer”. A parte final acumula força para a virada, enriquecida pelos marcantes versos “Mas ele é o tacape que insiste em ser farol / Ele é o espelho da vovó”, encerrando a apresentação em clima extasiante.

Parceria de Pedro Terra: Uma torcida volumosa se aproximou do palco quando Thiago Acácio defendeu a obra assinada por Pedro Terra, Tomaz Miranda, Joãozinho Gomes, Paulo César Feital, Herval Neto e Igor Leal. O samba mistura o estilo que consagrou a Verde e Rosa no passado com a energia contemporânea. Já no primeiro refrão, os versos “A magia do meu tambor te encantou no jequitibá” estabelecem o tom acolhedor da obra. A emoção se intensifica na primeira parte com “Árvore-mulher, Mangueira quase centenária”. A parte central é composta por estrofes curtas em repetição, introduzidas pela animada combinação “Çai erê babalaô, Mestre Sacaca”. O desfecho, rico em poesia, cita Benedita de Oliveira e completa um samba que manteve os ânimos elevados do público.

Parceria de Ivo Meirelles: O refrão principal da obra de Ivo Meirelles, Gilson Bernini, Gustavo Clarão, Xande de Pilares, Edinho Gomes e Felipe Mussilli é uma exaltação à bateria: “Tem que respeitar meu tamborim”. O samba, conduzido por Ito Melodia, Vitor Cunha e Bruno Ribas, apostou no sentimento da comunidade, embalado por uma torcida de peso. A construção clássica ganha destaque no refrão central, com bom jogo de palavras em “Turé! Turé! O pajé incorporou / Saravá Mestre Sacaca, o xamã babalaô”. No desfecho, os versos “Mergulhei nos mistérios, pude refletir / A herança dos meus ancestrais” trazem uma melodia distinta, conduzindo o encerramento da apresentação.

Parceria de Manu da Cuíca: Com interpretação de Bira Silva, o samba de Manu da Cuíca, Luiz Carlos Máximo, Marcio Bola, João Carlos, Victor Nunes e Mama destacou-se pelos jogos de palavras criativos. No refrão de cabeça, brilha o trecho: “Eu sou Mangueira / Dos pés ao penacho / Na maré do Marabaixo / Tô pra lá de Macapá”. A letra também exalta o centenário da escola, ao citar a “Nega quase centenária”. A obra, cadenciada do início ao fim, aposta em versos de fácil conexão e conquistou um público mais independente em relação às demais parcerias.

Parceria de Lequinho: Assinada por Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Julio Alves, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim, a obra se destaca pela poesia marcante e soluções contemporâneas. A torcida vibrou quando Tinga entoou os versos que antecedem o refrão de cabeça: “Le le le le le le! Aê! Aê! Le le le le le á! / Deixa o morro descer / Pra Amazônia incorporar”, ponto alto da apresentação. O refrão central reforça a força da letra com “Que o doutor da floresta… Sacaca / É ciência que não se lê”. O desfecho cresce melódica e liricamente até a repetição de “Quem guarda a cultura preserva o país”, finalizando com a identificação entre o estilo de vida de Sacaca e o do mangueirense: “Onde a vida é muito mais do que se vê / Só quem ama a escola de Zangaia e de Cartola consegue entender”. A torcida permaneceu animada, sinalizando o potencial da obra.

Parceria de Alexandre Naval: A noite no Palácio do Samba foi encerrada pela parceria de Alexandre Naval, Wendel Uchoa, Ronie Machado, Giovani, Marquinho M. Moraes e Ailson Picanço. O samba chamou atenção pela grande torcida, que sabia a letra de cor e ensaiou junto com Wantuir, Wic Tavares e Hudson Luiz. A obra mistura elementos tradicionais com criatividade, mesmo mantendo um andamento mais cadenciado. Seu refrão de cabeça evoca ancestralidade: “Caboclo Preto Velho, Verde e Rosa é meu sagrado / Toca o Marabaixo, Mangueira!”. A complexidade da letra se desenvolve até o refrão do meio, com menções ao trabalho curativo de Mestre Sacaca. O desfecho mescla emoção e criatividade, culminando no jogo de palavras dos versos “Canta! No terreiro oração se dança! / Samba! No laguinho, rei sentinela!”, responsáveis por devolver o samba ao refrão inicial e encerrar a apresentação em alto nível.