A Unidos de Bangu transformou a Marquês de Sapucaí em território de memória e reverência na noite em que foi a quarta escola a desfilar pela Série Ouro. Com o enredo “As Coisas que Mamãe me Ensinou”, homenagem à cantora e compositora Leci Brandão, a agremiação levou para a avenida um desfile marcado por ancestralidade, força feminina e compromisso social. Na segunda alegoria, intitulada “Paixão por Regar a Árvore Frondosa no Palácio Verde e Rosa”, a Velha Guarda ocupou o centro da cena, simbolizando a conexão entre Bangu e Mangueira sob o olhar de esculturas de Cartola, Dona Zica e Jamelão.

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O carro representou o encontro da tradição da Zona Oeste com a da Zona Norte. Entre esculturas que remetiam aos pilares do samba mangueirense, os integrantes mais antigos da escola lembravam que ali estava a raiz — a memória viva que sustenta o presente.

NEUZA DA SILVA
Neusa, baluarte da agremiação
Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Baluarte da agremiação, Neusa Oliveira, de 83 anos desfila desde criança e se emocionou ao falar da homenagem.

“Eu vi muita coisa nessa vida, muita vitória e muita dificuldade também. Ver a Bangu homenageando a Leci é uma emoção grande. Ela é Mangueira, mas virou mãe de todo mundo que ama o samba. Isso é bonito demais”, afirmou.

Ao comentar a presença simbólica dos ícones Verde e Rosa no carro, completou: “É como se eles estivessem olhando pela gente. Cartola, Dona Zica, Jamelão. Tudo isso é raiz. Dá até arrepio”, disse.

MARIA DO CARMO JORGE
Maria do Carmo Jorge, de 60 anos
Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Maria do Carmo Jorge, de 60 anos, está há uma década na escola e destacou o sentimento de união entre territórios.

“A Velha Guarda recebe com orgulho. É uma homenagem que une bairros, une comunidades”, afirmou. Sobre Leci, reforçou a admiração: “Ela é voz do povo, é coragem. Ela canta o que muita gente sente. Por isso a gente se rende”, concluiu.

JACKSON DOS SANTOS
Jackson dos Santos, de 72 anos.
Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Com 20 anos de desfile, Jackson dos Santos, de 72 anos, ressaltou o peso histórico do momento. “A Bangu já passou por muita coisa, e ver essa homenagem é sinal de maturidade. A gente reconhece quem construiu o samba”, afirmou. Cercado pelas esculturas, sentiu a força da tradição. “É como desfilar acompanhado de lendas. A gente sente uma força diferente na avenida”, disse.

WALMIR ANTONIO
Walmir Antônio, 66 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Já Walmir Antônio, de 66 anos, que há 27 desfila pela escola, falou sobre o simbolismo de “vestir” a alma Verde e Rosa. “A gente veste o Verde e Rosa com dignidade. É respeito à história e à tradição”, afirmou. Para ele, a homenageada é incontestável. “A Leci é resistência, é luta, é talento. Não tem como não tirar o chapéu”, concluiu.

SONIA MARIA
Sônia Maria, 79 anos
Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Sônia Maria, 79 anos, há 10 desfiles na Bangu, resumiu o sentimento da ala. “A Velha Guarda recebe essa missão com carinho. Samba é união”, disse. Sobre a artista, reforçou: “A Leci é rainha porque é verdadeira. Ela canta com o coração”, afirmou.

Desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Sales e Marcus do Val, com samba-enredo assinado por Dudu Nobre, Junior Fionda, Vou Pro Sereno, entre outros compositores, o desfile celebrou a trajetória de Leci Brandão como defensora da cultura popular, das raízes africanas e dos direitos sociais. Na segunda alegoria, porém, foi a Velha Guarda quem deu o tom mais profundo: entre memórias e esculturas sagradas do samba, a Bangu mostrou que tradição se reconhece, se respeita e se abraça.