O Vai-Vai irá fazer uma homenagem diferente em um enredo CEP. Aliás, são dois tributos. A Saracura tem como enredo São Bernardo do Campo e, para realizar todo o desfile, a escola aposta em uma narrativa que será a produção de um filme da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, uma das mais importantes do Brasil historicamente. Com o objetivo de alçar voos maiores na tabela, a “Escola do Povo” tem à frente do projeto uma comissão de carnaval na qual cada um dos profissionais possui sua função claramente estabelecida. Tati Gregório é a enredista, Marcão é o responsável pelas fantasias e Gleuson Pinheiro cuida das alegorias. A agremiação, de certa forma, venceu a desconfiança em relação ao tema e agora quer conquistar a todos com uma plástica diferente e uma abertura impactante, de acordo com os responsáveis pela confecção do desfile.
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A escola da Bela Vista abriu o barracão para o CARNAVALESCO, que conheceu o projeto e conversou com a comissão de carnaval.
O Bixiga será a sexta escola a desfilar na sexta-feira de carnaval e tem como tema “Em Cartaz: A Saga Vencedora de Um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”.
Narrativa de um enredo social
Responsável pela escrita do tema, a enredista Tati Gregório falou sobre o surgimento da proposta e a ideia de um enredo CEP dentro de um filme.
“A escola vem construindo, há alguns anos, uma narrativa ligada à arte. Primeiro falou do hip hop e depois do teatro. Para o enredo sobre São Bernardo do Campo, optamos por seguir essa linha artística e escolhemos o cinema. A cidade abriga a Vera Cruz, uma companhia cinematográfica que foi e ainda é muito importante para o Brasil. A partir desse gancho, a proposta é apresentar um filme na avenida. Toda a narrativa do enredo é pensada como uma produção cinematográfica. O próprio samba-enredo traz essa ideia, com a imagem de um filme em preto e branco. Esse foi o nosso recorte: criar uma narrativa cinematográfica que nos permita usar a ficção, sem ficar presos a um enredo CEP ou excessivamente amarrado à realidade da cidade. A ficção nos dá mais liberdade para contar essa história”, explicou.

Tati ainda afirma que foi difícil desvincular a cidade de São Bernardo do Campo do âmbito político, mas que construir um enredo social a fascinou.
“Talvez a maior dificuldade tenha sido tomar o cuidado de não fazer um enredo político. São Bernardo do Campo tem um contexto político muito forte, e não queríamos seguir por esse caminho, assim como não queríamos um enredo puramente geográfico. Encontrar esse meio-termo foi desafiador. A grande satisfação foi conseguir construir um enredo social. Essa escolha e essa narrativa social foram extremamente gratificantes durante a elaboração do enredo”, disse.
Receptividade da comunidade
Gleuson Pinheiro, responsável pelas alegorias do Vai-Vai, diz-se extremamente satisfeito e honrado em estar na escola e também falou sobre como a comunidade recebeu o tema.
“É difícil colocar em palavras o que representa chegar para trabalhar no Vai-Vai neste primeiro ano. É o sonho de todo mundo que atua no carnaval. Estou muito contente com a receptividade da comunidade, da direção da escola e dos companheiros da comissão de carnaval. Sempre que se inicia um trabalho novo, em uma comunidade nova, existe a aflição sobre como esse trabalho será recebido. A recepção foi muito positiva, principalmente nos primeiros contatos e apresentações do projeto de alegorias, que é a área da qual cuido. Tem sido um trabalho muito prazeroso de desenvolver, com um andamento bastante positivo”, comentou.

Marcão, responsável pelas fantasias, foi para o lado emocional, exaltou o gigantismo da escola e disse que quer permanecer por muito tempo.
“O Vai-Vai é a maior escola de São Paulo, então não tem como chegar sem sentir uma diferença na postura, na observação do trabalho e no retorno. Muitas vezes, quem vem de fora tem a impressão de que é uma escola fechada, muito por conta do orgulho dos componentes, que pode até parecer marra para alguns. Mas é um orgulho enorme fazer parte dessa família. Só pisando aqui é possível entender isso. Ao mesmo tempo, é uma escola muito fácil de trabalhar. A direção confia, dá liberdade para desenvolver o trabalho, as pessoas se aproximam e o resultado aparece. Estou amando desenvolver esse trabalho aqui e, se houver interesse, quero continuar por muito tempo, porque é a maior escola de São Paulo”, declarou Marcão.
Plástica na avenida
Profissional que já teve experiências em outras agremiações como carnavalesco, Gleuson revelou que o Vai-Vai optou por um desfile colorido, já que cinema significa cor.
“O enredo tem como fio condutor a Vera Cruz e o cinema, o que permite algumas brincadeiras visuais. Quando pensamos no cinema de época, estamos falando do auge da Companhia Vera Cruz, nos anos 1950 e 1960. O samba brinca com a ideia do filme em preto e branco, que também são as cores do Vai-Vai. Por outro lado, o cinema é luz, e luz é cor. Por isso, teremos um desfile muito colorido, com forte contraste de cores. Trabalhamos pensando em um desfile que deve começar à noite e terminar ao amanhecer, e as cores estarão associadas a efeitos visuais que dialogam entre si”, explicou.

Marcão contou que as fantasias terão um papel importante e darão um belo efeito visual na avenida.
“O trabalho de fantasias e alegorias está muito integrado. Começamos no preto e branco, passamos por uma fase intermediária do cinema e da televisão, com tons mais crus, e, ao longo do desfile, tudo vai ganhando muita cor. Nas fantasias, trabalhamos com uma cor base e detalhes que criam efeito visual. É um trabalho coletivo, envolvendo toda a escola, para que as cores contem a história de São Bernardo do Campo a partir do povo da cidade e da linguagem do cinema”, completou.
Ponto alto no Anhembi
De acordo com Tati Gregório, além da forte comunidade, a terceira alegoria é o ápice do desfile.
“Teremos uma comunidade extremamente potente. O samba dialoga muito com o enredo e com a proposta visual. Ver uma comunidade gigante cantando com força total e, ao mesmo tempo, enxergar visualmente tudo aquilo que está sendo cantado será emocionante. Destaco como ponto alto a terceira alegoria. Também há um setor de fantasias muito bem amarrado ao enredo, que vai surpreender. As pessoas vão se perguntar como aquilo foi parar em São Bernardo do Campo. Não esperem o óbvio, porque o desfile será diferente”, afirmou.
Gleuson disse que, em sua visão, o visual da escola dialoga bastante com a personalidade da comunidade, e esse é o ponto alto do desfile.
“Estamos falando de uma das escolas mais tradicionais do Brasil, com 96 anos de história. Mesmo com toda essa tradição, o Vai-Vai sempre foi, pelo menos na área visual e de alegorias, uma escola de vanguarda, que aponta caminhos para o futuro. Não é uma escola tradicional nesse sentido. Isso já é perceptível no envolvimento da comunidade com o trabalho e deve se confirmar no desfile. Um dos pontos altos será a identificação do componente com um visual não convencional, mas que dialoga muito com a identidade da escola”, ressaltou.
Segundo Marcão, o Vai-Vai irá apostar em uma forte abertura, típica dos anos 1990.
“A entrada do Vai-Vai irá marcar o início dessa proposta, que se espalha ao longo do desfile. É uma abertura com um Vai-Vai tradicional, com referências aos anos 1990, comissão de frente, elementos cênicos e alegoria. Essa é a surpresa”, completou.
Explicação setor a setor do desfile
“O setor de abertura é o setor de apresentação. Ele funciona como o início de um filme, com a Vera Cruz convidando o público a assistir à produção. A ideia é chamar as pessoas para se sentarem simbolicamente na cadeira do cinema e acompanharem essa história. Depois, apresentamos o povo da cidade, a formação de São Bernardo do Campo, quem são essas pessoas e por que chegaram ali. Em seguida, mostramos a formação da consciência social, da luta de classes e da luta sindical, com esse povo indo para as indústrias e desenvolvendo uma consciência coletiva. Também apresentamos as mazelas e os sofrimentos enfrentados ao longo desse processo. No último setor, mostramos aquilo que essas pessoas almejam, pretendem e merecem conquistar. É o momento em que aparecem as vitórias, as conquistas e o merecimento”, contou Tati.
Ficha técnica
Quatro alegorias
18 alas
2.300 componentes










