Dentre tantas características que tornam escolas de samba únicas, duas delas costumam ser muito relacionadas à Unidos de Vila Maria. A agremiação da Zona Norte paulistana é frequentemente citada como uma instituição “de família”, bem como é reconhecida em toda a cidade como uma das agremiações que mais revelam nomes para a folia de São Paulo. Tal característica ficou explícita no lançamento do enredo da Vila Maria para 2026. Além da temática, o elenco da equipe também foi apresentado – com muitas novidades. Sempre presente em eventos que mexem com as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO conversou com alguns dos principais segmentos que sofreram modificações na verde, azul e branco para 2026.
Emoção em dobro
Um dos momentos mais emocionantes do evento em questão foi a apresentação do novo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos de Vila Maria. Kadu Andrade e Camila Moreira nunca negaram que são torcedores da agremiação. Mais do que isso: ambos são criados na rua Kaneda, no Jardim Japão – um dos bairros que compõem o distrito da Vila Maria.

Ao falarem com a reportagem, ambos destacaram que o coração bateu mais forte ao receber o convite: “A gente está muito feliz porque a gente está retornando para a nossa escola do coração, aqui é onde tudo começou. E eu estou retornando depois de 16 anos! Passei por outras escolas, tive uma rodagem, e esse ano eu tive o convite para estar retornando para a minha escola do coração. Eu estou com uma sensação que eu não consigo explicar. Eu acho que a emoção vai tomar conta daqui a pouco, mas eu estou muito feliz – e, até, tremendo um pouquinho aqui”, pontuou.
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Camila seguiu a mesma linha do companheiro: “Estou extremamente feliz, muito feliz mesmo. Primeiro porque é minha escola do coração, sou nascida e criada aqui. Nunca neguei, por onde eu passei, que respeitei todos os pavilhões, mas sempre deixei claro que esse pavilhão verde, azul e branco estava no meu coração. É uma alegria imensa poder estar representando a minha comunidade e levando o legado de grandes porta-bandeiras e mestres-salas que passaram por aqui. Todos têm um pouquinho de construção dentro dessa Camila porta-bandeira que eu sou hoje”, disse.
Em 2025, ambos defenderam o pavilhão do Pérola Negra – que sagrou-se campeão do Grupo de Acesso II. Mais do que isso: o quesito foi gabaritado pela dupla, que voltou a dançar junto poucas semanas antes do carnaval por conta de problemas de saúde de Bia Dias.
A sintonia entre ambos, de acordo com a dupla, é um dos grandes diferenciais do quesito da Vila Maria para 2026: “Eu não costumo comparar nós com os outros. Eu e a Camila, além da dança, a gente tem uma amizade muito forte: a gente cresceu junto, a gente estudou na mesma escola. A gente tem um vínculo muito forte, de antes da dança. Fica muito mais fácil. Foi o que aconteceu esse ano, voltando 26 dias antes do carnaval. Ela retornou e a gente conseguiu gabaritar o quesito, prêmios e, graças a Deus, ajudar o Pérola Negra a subir. O trabalho fica bem mais fácil com esse entrosamento”, comentou Kadu.
Camila complementou: “A amizade fala muito mais alto nesse momento. É muito tempo junto, e o que a gente leva é amizade, entrosamento e trabalho árduo- mas, nesse último, igual a todos. Acho que a vantagem é a amizade aqui”, disse.
Novo protagonista
Desde 2012, um profissional vivia na escola seguindo ensinamentos de um mestre e passando tudo que sabe para ritmistas. No ciclo para o carnaval de 2026, tal homem tornou-se, ele próprio, o comandante. Trata-se de Marcel Bonfim, que assume o comando da Cadência da Vila, bateria da Unidos de Vila Maria. Ele, que era um dos diretores dos ritmistas sob o comando de Rodrigo Moleza (que foi para o Águia de Ouro), foi apresentado de maneira oficial à comunidade como novo ritmista-mor.

Logo nas primeiras palavras como mestre de bateria (anteriormente, ele ocupou o mesmo cargo no Morro da Casa Verde e na Unidos do Peruche), Marcel fez questão de frisar que o trabalho de Moleza seguirá como referência: “É uma alegria muito grande para mim! Cheguei aqui em 2012 e, ao longo desses anos, a gente fez o trabalho junto com o Moleza. Agora, a escola optou por que eu faça parte como mestre de bateria para cuidar da Cadência da Vila. A gente vai seguir o legado que foi deixado”, destacou.
Isso não quer dizer, entretanto, que tudo será igual. O novo comandante pontuou que algumas alterações serão feitas: “A gente vai colocar um pouquinho do nosso tempero. O trabalho vai continuar com o mesmo legado. A gente vai colocar um pouquinho da nossa identidade, um pouquinho mais para frente a bateria – mas não vai ser muita coisa. Vai ser um pouquinho mais para frente, e a gente trocou algumas polegadas de surdo para dar um grave mais aflorado. A gente vai seguir nessa linha”, revelou.
Clã unido
Ao longo do evento, chamou atenção o potente discurso de Taiana Freitas, que vai para o segundo ano como coreógrafa da comissão de frente da Unidos de Vila Maria – logo no primeiro ano, o grupo comandado por ela foi eleito o melhor do Grupo de Acesso I de acordo com a votação popular do Destaques do Ano, organizado pelo CARNAVALESCO.
Uma das novidades da Vila Maria para 2026 é Vinícius Freitas, carnavalesco que já está desenvolvendo o enredo “Do chão que alimenta a culinária que encanta: Brasil um banquete de sabores”. O sobrenome não esconde: ele é irmão de Taiana. E, mais do que isso: ambos são filhos de Jorge Freitas, carnavalesco seis vezes campeão do Grupo Especial carnaval paulistano e atualmente na Dragões da Real.

Vinícius mostrou-se bastante à vontade para falar da nova escola: “Com toda a sinceridade e com muita humildade, posso falar que já estou em casa. Eles me abraçaram de uma maneira surreal. Não tem como não ter força, não ter ânimo e não ter vontade de apresentar um grande espetáculo para essa comunidade e para essa diretoria. Eles me abraçaram da melhor maneira possível, com toda a sinceridade, com toda alegria e com toda a vontade. Tenha certeza que isso aí está sendo recíproco desde o início – tanto de toda a equipe como por parte da comunidade. Nós, juntos, iremos apresentar um grande trabalho na avenida”, afirmou.
Vinícius já assinou desfiles em duas coirmãs da Vila Maria. Ambos no Grupo de Acesso I, ambos culminando em subida de divisão. Em 2017, com “É Mentira!”, a Independente Tricolor chegou pela primeira vez na história da instituição à elite do carnaval paulistano. No ano seguinte, o tradicionalíssimo Águia de Ouro, com o enredo “Mercadores de Sonhos”, foi campeão do mesmo pelotão – em desfile assinado por Vinícius e por Sérgio Caputo Gall.
O novo carnavalesco da Vila Maria fez questão de exaltar a vontade que está de conquistar o terceiro acesso da carreira para a escola: “A gente sempre busca esse resultado de sucesso, mas o sucesso só vem com esse trabalho do ano inteiro na quadra e no barracão. Tenho certeza que a gente vai buscar isso junto com a equipe. Tive, graças a Deus, duas escolas que eu passei e pude ajudar a subi-las. Na Vila Maria, eu tenho certeza que essa dedicação vai ser maior ainda – mais ainda por conta de como eu fui recebido por essa comunidade maravilhosa. Trabalho não vai faltar. E, com o trabalho, a gente vai buscar concretizar esse sucesso: o título do Grupo de Acesso I e o Grupo Especial – de onde a Vila Maria não deveria ter saído nunca”, finalizou.









