A Vila Isabel entrou na Avenida falando de sonho. Neste ano, com “Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”, em homenagem a Heitor dos Prazeres, a Azul e Branca volta a valorizar da cultura negra como parte da sua história e da sua comunidade.

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Luiz Fernando 2
Luiz Fernando Pereira Teles, de 60 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Esse reconhecimento é sentido de forma profunda por quem ele representa. Para o enfermeiro Luiz Fernando Pereira Teles, de 60 anos, o desfile deste ano tocou em um lado pessoal.

“É um prazer tremendo, até porque sou negro e o nosso país é um país negro. Temos que defender essa pluralidade e o negro precisa saber quem ele é e de onde veio”, potuou.

Eloa Oliveira
Eloá Oliveira Santos, de 38 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A trancista e baiana da escola, Eloá Oliveira Santos, de 38 anos, falou da importância de ser vista enquanto mulher preta e dividiu um emocionante relato pessoal.

“Eu me sinto tendo visibilidade, porque nós negros somos desqualificados. Eu falo para o meu filho: leva identidade até na padaria. Você pode ter doutorado, mas a sua pele vai te desclassificar. Estar aqui exaltando a minha cor é motivo de muita felicidade. Minha mãe já desfilou por nós, a minha avó, passou essa legado pars ela e agora estou aqui. Meu sonho é que nós negros não precisemos ser mortos para seremos vistos, e nem assim somos, pois viramos só mais uma estatística. Que não exista mais desigualdade”, desabafou.

Catia de Jesus
Cátia de Jesus, de 45 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Já a terapeuta capilar Cátia de Jesus, de 45 anos, levou a oportinidade de desfilar no ano em que a Vila traz esse tema como honra e aprendizado.

“A história é tão rica, que não tem como não me sentir representada. A Vila sempre aborda temas muito importantes para comunidade negra, e isso é maravilhoso. Esse samba é um aprendizado, ele conta uma história interessante, fala de literatura, música, pintura, e a arte é o futuro. Quando eu entro para desfilar, meus sonhos já são realizados”, comentou.

Laura Espinosa
Laura Espinosa, de 25 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A consultora Laura Espinosa, de 25 anos, que desfilou pela primeira vez na escola, falou sobre a responsabilidade de representar um povo discriminado, mesmo sem fazer parte dele, enquanto aliada.

“Eu sei que não sou uma pessoa negra, mas sinto responsabilidade de participar e contar essa história. Quando você está falando de histórias que normalmente não são contadas, você se sente parte de algo maior. Eu sonho que possamos criar momentos de união e paz. Ver um evento que celebra diferenças me faz acreditar em um mundo melhor”, disse.

A força do samba
Um dos pontos mais altos do desfile deste ano é o samba que embala a homenagem a Heitor. A obra caiu no gosto popular ainda na disputa de samba, em meados do ano passado. Os componentes e torcedores estavam ansiosos para cantá-lo a plenos pulmões na Avenida.

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Presidente da Vila Isabel, Luzinho Guimarães

O presidente da escola, Luizinho Guimarães, associou a catarse coletiva provocada pelo samba com a vontade da comunidade em voltar a consquistar o tão sonhado título.

“Era um desejo nosso ter um grande enredo e um grande samba. Esse ano fomos muito felizes. Agora é acreditar na nossa comunidade e no nosso segmento para fazer um grande desfile. Se Deus quiser, vai ser um dia maravilhoso para a gente”, comentou o presidente.

Felipe Lacerda
Felipe Lacerda, de 38 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

O inspetor de pintura industrial Felipe Lacerda, de 38 anos, destacou a identificação da comunidade com a história contada como o principal fator para essa explosão.

“Foi feito para a gente do Morro dos Macacos. Amamos desde a disputa, já foi aclamado ali. Independentemente de ser o melhor do carnaval ou não, cativou o povo do samba de Noel. Isso é suficiente. Vamos entrar para brincar e curtir, o resto deixa para os jurados”, afirmou.