Nona escola a desfilar no primeiro dia de desfiles, a Unidos de Lucas veio para a Intendente contar a história das principais revoltas sociais que marcaram o Brasil, como a Revolta da Vacina, a Revolta da Chibata, entre outras. Foi um desfile marcado por recados fortes na comissão de frente e que passou com segurança pela avenida.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão, assinada pela coreógrafa Taty Amparo Bekl, retratou a Batalha de Uçurumim, quando os indígenas conseguiram expulsar os franceses das terras cariocas, no ano de 1567.

A dança mostrava os indígenas que viviam no Rio de Janeiro enfrentando o Império Francês, que tentava invadir a cidade. Ao final, quando conseguiam vencer os franceses e expulsá-los do território, a comissão apresentava um cartaz com a frase de que o Brasil, hoje, amanhã e sempre, será uma terra indígena — um recado forte e bastante significativo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Ewerton Anchieta e Alana Couto utilizou figurinos em homenagem às tribos Tamoios e Temiminós, que participaram da Batalha de Uçurumim retratada pela comissão de frente. As fantasias, predominantemente vermelhas com detalhes em amarelo, formavam um conjunto visual muito bonito.

Na dança, a dupla preferiu a segurança, sem grandes ousadias. Houve ótima química entre os dois, e a sintonia com o samba rendeu aplausos do público presente, em um momento marcante do desfile.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

ENREDO

A proposta do carnavalesco Lucas Lopes, com o enredo intitulado “O povo escreve sua história em seu sublime pergaminho”, foi recontar a trajetória das principais revoltas sociais que aconteceram no Brasil, especialmente ao longo do século passado.

O que se viu na passarela foi fiel à proposta apresentada: uma nova versão de cada revolta estudada nos livros escolares, que tradicionalmente destacam figuras específicas. Desta vez, o desfile colocou outros personagens como protagonistas desses momentos tão importantes da nossa história.

EVOLUÇÃO

A escola evoluiu com tranquilidade, sem necessidade de correria. Fez um desfile seguro, administrando bem o tempo e encerrando sua apresentação em 40 minutos, com serenidade e sem sustos nos instantes finais.

HARMONIA

Além da boa sintonia entre o carro de som e a bateria, a comunidade de Parada de Lucas cantou bem o samba-enredo. Não foi um espetáculo extraordinário no quesito canto, mas houve entrega suficiente para agradar ao público presente.

FANTASIAS E ALEGORIAS

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

As fantasias eram leves e representavam, em cada ala, diferentes batalhas e revoltas que marcaram a história do país. Destaque para as belas fantasias que retrataram o cangaço e o setor que trouxe a mensagem “O povo na rua e a rua é do povo”.

As alegorias estavam muito bonitas e bem detalhadas. O primeiro carro abordou a chamada revolta vermelha, representando os indígenas na luta por seus direitos, sem apresentar qualquer problema técnico. O segundo carro trouxe a campanha das Diretas Já, também muito bem executado e sem falhas.

SAMBA-ENREDO

O samba, composto por Rafael Gigante, Vinícius Ferreira, Charles Silva, Kaique Gigante, Lucas Martins, Guilherme Kauã, Jefferson Oliveira e João Vidal, mostrou-se bonito e bem estruturado, detalhando a proposta de reparação histórica apresentada ao longo do desfile.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre Átila Gomes, apresentou ritmo firme, seguro e com boas bossas. Os ritmistas estavam vestidos com trajes inspirados em pais de santo, dentro de uma proposta estética muito bonita. A rainha de bateria, Tânia Waleska, destacou-se pela beleza e pelo gingado, chamando a atenção do público.