O abre-alas da Unidos da Tijuca, intitulado “Aprendendo os Mistérios da Vida – A Crença, o Afeto e o Encontro com as Palavras”, trouxe uma enorme escultura de Carolina Maria de Jesus ainda criança. A impactante e ao mesmo tempo doce imagem buscou mergulhar na infância da escritora para mostrar que, antes de ser um símbolo de denúncia e resistência, ela já foi uma menina cheia de sonhos.
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O carro trouxe elementos que remetem à religiosidade da homenageada e ao ambiente rural em que ela vivia no interior para falar de sua origem. Essa estética também dialogou com o momento em que se encontra a própria escola, que está no processo de retomada da sua identidade.

FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO
A passista Ale Jansen desfilou como destaque na alegoria e definiu a experiência de vir a frente dessa imagem como a representação da luta feminina.
“É um presente muito grande fazer parte não só desse enredo, mas abrir o desfile com uma mensagem de empoderamento feminino, de força, de raça e de luta. Estou vivendo um sonho de infância, pois assim como Carolina, também sonhei primeiro até chegar aqui”, afirmou, emocionada.

FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO
Para o advogado Júlio Brito, de 45 anos, há 15 anos desfilando na Tijuca, abrir o desfile contando o início da trajetória de Carolina condiz com o momento atual vivido pela escola.
“Esse carro representa a infância da Carolina, o começo dos sonhos e das crenças dela, e abrir o desfile com essa imagem é um grande desafio. Hoje, falar de uma mulher preta e periférica em um Carnaval que cada vez mais clama somente por luxo exige coragem, mas o nosso carnavalesco desenvolveu isso brilhantemente, passando a emoção necessária para sustentar o enredo. Quando o samba fala ‘muda essa história’, tem muito a ver com esse momento: o desfile já começa com a Tijuca clamando por essa mudança, por um resgate dos tempos em que estava sempre entre as campeãs, bem colocada. Ao mesmo tempo, essa memória da infância da Carolina se associa à própria escola na relação que ela constrói com sua comunidade, principalmente com as crianças, plantando o amor pelo samba desde cedo. É aqui que essa história começa a ser contada”, detalhou.

FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO
A analista de RH Jaqueline Portela, de 31 anos, que também veio como destaque bem a frente do carro, vestindo uma fantasia de criança, concordou com a afirmação que a alegoria conversa com o momento da Tijuca: “Acho que traduz exatamente esse momento da escola, que traz essa retomada mesmo. E acho que a infância tem tudo a ver com isso. Representa a força de sonhar e ir atrás de voltar para o lugar que ela pertence”.










