Em 2026, a Portela vive um momento de profundas transformações. A principal mudança foi a chegada da nova presidência, comandada por Junior Escafura. Para integrar a bateria, assumiu o mestre Vitinho, e na ala musical, como intérprete oficial, chegou Zé Paulo. A comunidade portelense mantém uma relação histórica e afetiva intensa com a agremiação: escola e comunidade se reconhecem como partes essenciais uma da outra, complementares em sua existência. Juntas, atravessam esse processo de renovação com paixão, respeito e união, sendo força mútua em cada mudança.

Neste sábado, a Portela encerrou com maestria a segunda noite de ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí. No Carnaval 2026, a agremiação levará para a Avenida o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará: a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, que contará a história de Custódio Joaquim de Almeida, figura fundamental para o movimento negro, especialmente na região Sul do Brasil.

Jane Garrido, contadora aposentada, tem 79 anos de vida, sendo 63 deles dedicados à Portela. Ela falou sobre as mudanças vividas pela escola. Portelense apaixonada e sempre atenta ao futuro da agremiação, Jane inicialmente não recebeu bem a entrada de Escafura na presidência, mas, com o passar do tempo, sua percepção mudou.

Jane Garrido Portela

“Meu desejo é que consiga conquistar o título, porque eu fui oposição a ele, mas estou achando que ele está fazendo um trabalho muito bom. Ele está unindo a comunidade, ele está unindo a escola. Eu espero que chegue aonde eu quero, porque, independente de quem é quem, eu sou Portela. Eu tenho 63 anos de escola, minha mãe foi baiana da época de Paulo. Tudo que eu quero é o melhor para a Portela. E eu acho que está no caminho certo”, afirmou Jane.

Jane também contou que conhece o mestre Vitinho desde pequeno e elogiou seu trabalho à frente da bateria Tabajara do Samba.

“Vitinho é minha cria ali também da Portela. Eu também comandei os Filhos da Águia, e o Vitinho veio dos Filhos da Águia, ele começou ali. Excelente garoto, está fazendo um trabalho excelente. Modernizou a bateria, porque hoje quem não acompanha o modernismo, perde. Não falando mal do Nilinho, porque o Nilinho era um excelente mestre de bateria, mas o Vitinho está no caminho certo.”

Além disso, Jane recebeu de forma positiva a chegada do novo intérprete e acredita que Zé Paulo já estava bem encaixado no samba, justamente por ter defendido a obra durante a disputa.

“O Zé Paulo encaixou o samba com a escola, porque, inclusive, ele foi quem defendeu o samba na disputa. E o nosso intérprete faleceu, então é um cara que já estava encaixado no samba. Foi excelente. Ele está levando o samba em comum acordo com o Vitinho, encaixou tudo. Eu acho que a Portela está na hora de arrebentar. É tudo nosso”, afirmou Jane Garrido.

A biomédica Eliane de Santanna, de 48 anos, desfila na Portela há cinco anos e está confiante de que, com essa nova gestão, a escola tem plenas condições de conquistar o título.

Eliane de Santana Portela

“Com essa nova gestão, vamos conquistar esse título que a Portela e Madureira esperam levar para casa. Estamos muito ansiosos, felizes com essa gestão, alegres, e a Portela vai chegar com muita surpresa, muita alegria e muita entrega”, disse Eliane.

A perda de Gilsinho ainda é recente e profundamente sentida pela comunidade portelense. Por isso, foi de extrema importância a forma como Zé Paulo chegou à agremiação, acolhendo a comunidade e deixando claro que não veio para substituir ninguém, mas para somar. Eliane comentou sobre essa recepção:

“O Zé Paulo é super povão. Ele está junto com a comunidade, e a comunidade abraçou o Zé Paulo. Como ele diz, ele não veio para substituir o Gilsinho, mas sim para somar com a Portela como um bom portelense. E toda a Portela o abraçou com muito carinho.”

Sobre a bateria, Eliane também destacou a atuação do novo mestre:

“O mestre Vitinho trouxe inovação, trouxe um ar novo para a bateria. A Tabajara está diferente, mais potente, mais alegre e vai surpreender na avenida.”

Márcio Henrique, de 28 anos, assistente logístico, também estreou na bateria da Portela neste ano. Apesar da chegada recente, ele já conhece o mestre Vitinho de outros carnavais, inclusive tendo trabalhado com ele anteriormente. Márcio acredita que o trabalho do presidente Escafura levará a escola a mais uma conquista.

Marcio Henrique Portela

“Ele, o Junior Escafura, rejuvenesceu a Portela, a equipe, tudo. E eu já tinha trabalhado com o Vitinho também, então, para mim, eu estou em casa”, contou Márcio.

Sobre a chegada de Zé Paulo, ele também comentou:

“O cara tirou onda. Foi pego de surpresa pelo que aconteceu, mas está sabendo carregar a Portela nas costas. Todo mundo gosta do trabalho dele. A gente não pode fazer muita cobrança, porque foi tudo muito repentino, mas, por enquanto, ele está sabendo se sair bem.”

A administradora Josi Mascarenhas, de 44 anos, está na Portela há 11 anos e percebe a nova gestão como mais humana, próxima da comunidade e presente no dia a dia dos portelenses. Para ela, trata-se de uma administração que dá voz à comunidade e fortalece a união da escola.

Josi Mascarenhas Portela

“Eles são mais humanos, mais comprometidos com a comunidade, parceiros e realmente presentes no nosso dia a dia. Eles se importam com as pessoas, e é isso que o Carnaval precisa. A gente precisa fazer uma boa entrega, mas também precisa de humanidade, companheirismo e compreensão. Essa gestão é excelente. Eu sou apaixonada por eles. A Nilce, inclusive, é minha irmã de santo, então eu só tenho a agradecer e ficar muito feliz com essa nova gestão da Portela”, afirmou Josi.

Com muita fé e amor pela agremiação, Josi contou como recebeu a chegada de seu amigo de infância, mestre Vitinho:

“O mestre Vitinho é excelente. Eu fiz uma novena para a gente ganhar o Estandarte de Ouro. Conheço o Vitinho desde criança, somos amigos, e eu estou muito feliz. Eu rezei muito, e isso se concretizou, para o bem do Carnaval e para o bem de nós, portelenses.”

Por fim, Josi falou sobre o novo intérprete:

“Eu acho uma voz que se encaixa com a Portela. O Gilsinho é hors concours, não tem como comparar. Mas é uma voz que se encaixa, ele é muito humilde, interage com a gente o tempo inteiro e faz questão de fazer parte da família. E ele é da família. É espetacular. Só tenho a agradecer.”