A União de Maricá revelou, na tarde desta segunda-feira, a sua segunda alegoria para o Carnaval 2026. Intitulada “Ogum e a forja do metal”, a alegoria integra o enredo “Berenguendéns e Balagandãs”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, e encerra um dos setores do desfile que a escola apresentará na Marquês de Sapucaí, na Série Ouro.

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O carro faz referência direta ao imaginário do orixá Ogum dentro da simbologia dos balangandãs — joias de tradição afro-brasileira carregadas de fé, proteção e identidade. Conhecido como o “deus-ferreiro” e o “senhor da forja”, Ogum representa o saber africano da manipulação dos metais, conhecimento fundamental para a produção dos berloques que compõem as tradicionais pencas.

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“Ao trazer Ogum para o encerrar esse setor, a gente está exaltando o saber ancestral africano que transforma o metal em símbolo, em proteção e em identidade. Ogum é trabalho, é tecnologia, é conhecimento, e tudo isso dialoga diretamente com a construção dos balangandãs”, explica o carnavalesco Leandro Vieira.

Ainda segundo o carnavalesco, a alegoria apresenta visual predominantemente metálico. Ferro e prata são os materiais que orientam toda a concepção estética do conjunto, presentes tanto na estrutura quanto nos adornos cenográficos. Desde os cães que “puxam” o carro — animal associado a Ogum no imaginário religioso afro-brasileiro — até os atabaques e elementos decorativos espalhados pela alegoria, tudo é tingido em tons metálicos e prateados, reforçando o simbolismo do metal como elemento central.

No centro do conjunto alegórico, Ogum surge representado como um guerreiro retinto, vestindo uma armadura prateada que remete à sua força e à sua função como divindade do ferro.

“Essa alegoria traduz visualmente a ideia do balangandã como joia-amuleto. Os instrumentos de Ogum, feitos de ferro e prata, dialogam diretamente com o design dessas pencas, que sempre carregaram devoção, resistência e estratégia de sobrevivência”, completa Leandro Vieira.