A União da Ilha do Governador segue em ritmo acelerado em seu barracão, com trabalhos a todo vapor para o Carnaval 2026. O site Carnavalesco pôde acompanhar de perto a produção das alegorias, já em fase de finalização, e é possível perceber que a escola prepara surpresas visuais marcantes nos carros alegóricos. As fantasias estão prontas, e a comissão de frente promete chamar atenção pela beleza e pelo impacto estético. No galpão, o clima é de entrega total: equipes trabalham simultaneamente, enquanto o carnavalesco Marcus Ferreira acompanha cada detalhe, literalmente com a mão na massa, orientando, ajudando e ajustando o andamento da produção.
À frente do projeto pelo segundo ano consecutivo, Marcus Ferreira aposta em um enredo que dialoga diretamente com a identidade histórica da escola: o espírito viajante, lúdico e imaginativo da Ilha. O desfile de 2026 terá como fio condutor a passagem do cometa Halley pelo Rio de Janeiro, em 1910, recortando as reações humanas, emocionais e culturais da cidade naquele momento.

Ao falar sobre a origem da ideia, Marcus revela que o enredo nasceu de um desejo antigo, guardado ao longo de sua trajetória no Carnaval:
“Todo artista tem ideias guardadas. Eu tenho a felicidade, na minha trajetória no Carnaval, de sempre buscar algo inédito, temas que dialoguem com a nossa relação com a vida, porque o Carnaval move muito os sentimentos de todos nós. O Halley já estava guardado há um tempo. Quando fiz o Caju, na Mocidade Independente de Padre Miguel, foi um marco na minha carreira, mesmo sem a colocação que imaginávamos. Foi inesquecível. Ali, eu guardei essa ideia.”
Segundo o carnavalesco, o convite para retornar à União da Ilha reacendeu essa proposta, que acabou sendo escolhida de forma coletiva pela escola — um processo pouco comum, mas que fortaleceu o vínculo com a comunidade:
“Esse ano foi diferente. Levei três ideias para a escola e deixamos a escola escolher. Nunca tinha passado por isso. Nada é mais justo do que a escola sentir esse acolhimento de escolha. E foi unânime. Todos disseram: é o Halley. A gente quer reviver essa Ilha lunática, viajante.”
O desfile será construído como uma experiência sensorial, ambientada no início do século XX, quando a ciência ainda não tinha respostas claras sobre o universo, e a passagem do cometa gerou medo, religiosidade, festa e esperança no Rio de Janeiro:
“O desfile da Ilha é sensorial. São as reações humanas cariocas de 1910 diante da passagem do cometa. O Rio transforma a dor em alegria, o medo em esperança. É uma festa fora de época, uma entrega à religiosidade, ao amor, às serenatas ao luar, à batucada.”

Marcus destaca que o samba funciona como um verdadeiro diário da passagem do cometa pela cidade:
“O samba é um grande diário desse Rio de Janeiro visto através do Halley. É o cometa olhando as reações cariocas. As pessoas ouvem o samba e falam: ‘Caramba, é o cometa contando essa história’.”
Visualmente, o desfile aposta em fantasias grandiosas, porém leves, explorando cores vibrantes e mantendo a fluidez do corpo do componente na avenida:
“As fantasias estão leves. Muito coloridas — vermelho, azul e branco —, mas com muito colorido. São fantasias grandes, mas leves. Eu não gosto de cangalhas pesadas. O adereço de mão é leve, para passar a mensagem do enredo com alegria e positividade.”
Entre os grandes trunfos do desfile, o carnavalesco adianta uma abertura impactante, a presença humanizada do cometa e surpresas nas alas tradicionais:

“A comissão de frente já começa muito impactante. O cometa vem logo na abertura, rompendo esse clamor de pavor. Eu humanizei o cometa. As baianas vêm com algo tradicional, mas com uma novidade que ninguém nunca fez. Tem religiosidade, entrega.”
O encerramento promete ser um dos momentos mais emocionantes, com crianças fechando o desfile e simbolizando o futuro:
“As crianças fecham o desfile. Elas são o nosso amanhã. No ensaio técnico, eu vi crianças chorando de emoção, algo que eu nunca vivi na minha carreira. Foi muito tocante.”
Com três alegorias, dois carros alegóricos, cerca de 1.300 componentes e fantasias prontas, a União da Ilha entra na reta final confiante:

“É um Carnaval maior, mais grandioso, mais imponente. Os carros estão maiores. Estamos cuidando de tudo para chegar tranquilos à concentração. A Ilha quer ser feliz. A Ilha quer ser grandiosa.”
No barracão, cada detalhe reforça essa intenção: um Carnaval colorido, imaginativo e emocionalmente conectado à essência da escola, que promete levar para a avenida um espetáculo onde ciência, fantasia e sentimento caminham juntos.









