A Porto da Pedra transformou o encerramento de seu desfile em um ato político com a alegoria “Uma Puta Mulher!”, que propôs a ressignificação da palavra “puta” — até hoje usada como xingamento — para uma expressão de orgulho, força e luta pelos direitos das mulheres.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Detalhes da alegoria da Porto da Pedra
Detalhes da alegoria da Porto da Pedra
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

O carro trouxe uma escultura da ativista Lourdes Barreto e também homenageou Gabriela Leite, fundadora da grife Daspu. Ambas foram pioneiras na criação do movimento das trabalhadoras do sexo no Brasil, que luta por direitos civis e trabalhistas para essas mulheres, além de ser contra a estigmatização.

Juma Santos representou a Tulipas do Cerrado
Juma Santos representou a Tulipas do Cerrado
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Com a ativista Indianarae Siqueira e Raquel Pacheco, a famosa “Bruna Surfistinha”, como destaques, a alegoria reuniu representantes de ONGs e coletivos de trabalhadoras sexuais de diferentes regiões do país. Juma Santos representou a Tulipas do Cerrado, movimento de trabalhadores sexuais do Distrito Federal, e comentou a emoção de participar do momento.

“Eu sou uma trabalhadora sexual com mais de 50 anos aí na estrada. Está sendo muito emocionante para mim estar aqui nesse carro, porque essa é uma pauta que tem que ser discutida. Hoje em dia, quando vão falar de puta ou prostituta, falam de ‘job’. Cada um inventa um termo diferente para nos ofender, mas somos todas profissionais”, desabafa.

Bruna Surfistinha e Indianarae Siqueira
Bruna Surfistinha e Indianarae Siqueira
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Já Cleide Almeida é da Vila Mimosa, famoso reduto de prostituição do Rio de Janeiro. Ela ressaltou a importância de Lourdes e Gabriela para o movimento.

“A figura de ambas começaram toda essa história. Elas são como as nossas ancestrais, e nós estamos dando continuidade a essa luta, que é de resistência e de empoderamento, pela justiça social e direitos humanos”, comenta Cleide.

Cleide e a amiga Betania
Cleide e a amiga Betânia
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Amiga de Cleide, Betânia Santos, prostituta em São Paulo, completou: “Para a gente, essa homenagem é muito forte. Lourdes Barreto e Gabriela Leite são as protagonistas na defesa do trabalho sexual e das prostitutas do Brasil”.

‘Lute como uma puta’

Sobre a ressignificação do slogan “Lute como uma puta”, Cleide leva uma certeza consigo: “A Gabriela sempre achou que tínhamos que quebrar esse tabu. Quanto mais as pessoas se acostumarem a falar ‘eu sou uma puta’, a sociedade vai aceitar um pouco mais, com mais respeito e dignidade”.

Betânia enfatizou o poder de levar essa mensagem para uma vitrine mundial como a Sapucaí:“É para que mais pessoas entendam que a puta, assim como qualquer outro cidadão, tem direito, além das necessidades básicas,como ao lazer, ao trabalho e à cultura”, completa.