A Tradição atravessou a Intendente Magalhães com leveza, grandiosidade e entusiasmo, trazendo a história da apresentadora Gardênia Cavalcanti. A tradicional escola da Zona Norte do Rio de Janeiro levou muita cor à sua apresentação e chegou à pista buscando levantar o público antes mesmo das alas oficiais. Os “Amigos da Gardênia” vieram logo à frente da escola, puxando o público e animando as arquibancadas.

Visualmente bonita e marcada por fantasias criativas, a escola sustentou uma apresentação animada, mesmo com oscilações no canto ao longo do percurso e questões envolvendo adereços.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente trouxe um figurino representando o condor imperial, símbolo da escola, em uma roupagem colorida e volumosa que, com os movimentos da coreografia dos bailarinos, criava um impacto visual bonito e chamativo para quem assistia ao espetáculo.

Comandada pelo coreógrafo Tony Tara, a comissão apresentou um olhar lúdico da Gardênia criança na avenida, com uma atriz mirim representando a infância da homenageada e, em seguida, a transição para a fase adulta e o estrelato como apresentadora, exemplificada no momento em que a bailarina que representava Gardênia era coroada no trecho “Vem coroar Gardênia Cavalcanti”. Ao final, as duas versões — criança e adulta — se encontravam, fechando o ciclo da vida da homenageada.

No entanto, o quesito enfrentou imprevistos importantes. Na segunda cabine de jurados, a apresentação ocorreu sem a coroa que compunha o figurino, após o adereço cair. Na terceira cabine, não foi possível recolocar o item, que ficou preso à roupa do bailarino responsável por carregá-lo, o que impactou a leitura completa da proposta, que seguiu o restante do desfile sem o objeto. Ainda assim, o grupo manteve a execução coreográfica e buscou sustentar a narrativa diante do imprevisto.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Gabriel Galvão e Thaissa Soares, desfilou com figurino de base preta, com penas e pedras coloridas, seguindo a linha apresentada pela escola. O casal contou com a presença de oito guardiões ao seu redor, reforçando o simbolismo da proteção e a importância do pavilhão.

A apresentação foi energizada, com a dupla cantando alto o samba e dançando com passos firmes e bem desenhados. A rapidez dos movimentos de Gabriel chamava a atenção e dava brilho à performance.

Contudo, o casal enfrentou um contratempo quando o adereço de cabeça apresentou problema logo à frente dos jurados, caindo durante a apresentação. A dupla seguiu para a segunda cabine sem o item, mesmo tentando recolocá-lo ao longo do desfile, o que comprometeu parte do figurino originalmente proposto. Apesar disso, manteve postura e compromisso com a dança, defendendo o pavilhão com elegância dentro das possibilidades.

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ENREDO

A Tradição apostou em uma narrativa que dialogava com memória, identidade e trajetória da homenageada, trazendo elementos afetivos ligados à vida pessoal e profissional de Gardênia. A proposta buscou exaltar as raízes nordestinas e os laços familiares da apresentadora, que veio em destaque no primeiro carro da escola, interagindo com o público e cantando o samba.

A escola contou com a facilidade de ter a própria homenageada representada na avenida, com riqueza de detalhes e informações para compor a narrativa. Isso foi perceptível nas alas que carregavam significados e em componentes que fazem parte da vida da apresentadora. A leitura foi simples e emocional, priorizando exuberância e conexão afetiva.

EVOLUÇÃO

A escola desfilou de forma leve, brincando e sem grandes intercorrências ao avançar pela pista. O conjunto manteve fluidez e ocupação adequada dos espaços, ainda que o entusiasmo nem sempre tenha sido acompanhado por canto alto e uniforme dos desfilantes.

Sem dúvidas, a animação dos “Amigos da Gardênia” à frente ajudou a manter o ritmo e a energia durante o percurso.

HARMONIA

No desfile da Tradição, algumas alas se destacaram positivamente no canto, especialmente as posicionadas atrás do primeiro casal e aquelas que traziam fotos de família, evidenciando forte identificação com o enredo e maior envolvimento emocional com a história apresentada. Esses setores ajudaram a sustentar a energia da escola em momentos importantes do percurso.

No entanto, de maneira geral, o canto não foi um ponto forte da apresentação, já que boa parte dos componentes não acompanhava o samba com a mesma intensidade. O carro de som teve papel importante, contribuindo para dar mais corpo ao conjunto vocal e melhor entrosamento. Ainda assim, a voz do intérprete principal não se sobressaiu como esperado, o que impactou a projeção do samba ao longo da avenida.

SAMBA-ENREDO

O samba, escrito por Lico Monteiro, Leandro Thomas, João Perigo, Telmo Augusto, Gigi da Estiva, Filipe Zizou, João Neto, Rafael Gonçalves, Salgado Luz, Denis Moraes, Júlio César e Valtinho Botafogo, cumpriu seu papel ao levar a proposta afetiva da escola, mas encontrou dificuldades de projeção, mesmo sendo de fácil entendimento.

Com parte dos componentes cantando com menos intensidade — ou sequer cantando — a obra perdeu força em determinados trechos. Ainda assim, a bateria contribuiu para manter o clima animado e ajudou a sustentar o andamento.

FANTASIAS

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

As fantasias foram um dos pontos altos do desfile. Desenvolvidas pelo carnavalesco Leandro Valente, os figurinos foram criativos e bem executados dentro da proposta apresentada, dando colorido e identidade ao conjunto.

As baianas merecem destaque especial pela criatividade nas vestimentas. Usando um contraste de azul e amarelo, traziam saias feitas de material semelhante a papel laminado azul, que enriqueceram visualmente o desfile e reforçaram o cuidado com o acabamento.

ALEGORIAS

As alegorias trouxeram muita cor e brilho, com acabamento que chamava a atenção e dialogava com o enredo, compondo um conjunto harmonioso, colorido, chamativo e visualmente agradável. A escolha das cores vibrantes e dos elementos decorativos reforçou a ideia apresentada pela escola.

Com tamanhos medianos, as alegorias contribuíram para manter a estética alegre e coerente da escola. O acabamento foi perceptível na pintura, na aplicação de materiais e na finalização dos detalhes, garantindo um resultado visual que valorizou os elementos alegóricos e fortaleceu a identidade apresentada pela Tradição.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, por onde passava, contagiava o público com uma batida impactante, forte e envolvente, sendo um dos pilares da apresentação. Seu ritmo firme ajudou a sustentar a energia da escola do início ao fim.

Junto aos ritmistas, o rei de bateria, Bruno Pinheiro, chamou a atenção pela interação com o público. No geral, a Tradição apresentou um desfile bonito e alegre, superando imprevistos com espírito carnavalesco e fortalecendo sua ligação com a comunidade.