Por Gustavo Lima e Will Ferreira

Na noite desta sexta-feira, a Torcida Jovem realizou seu primeiro e único ensaio técnico visando o Carnaval 2026. A escola promoveu um treino consistente e completo, no qual todos os quesitos apresentaram bons níveis de desempenho. A comissão de frente traduziu com eficiência a proposta do enredo ao representar a fé presente na África Baiana. Outro destaque ficou por conta do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Gabriel Vullen e Joice Prado, que demonstrou um bailado seguro e claramente pronto para o desfile. O forte canto da comunidade, aliado ao bom rendimento de todo o conjunto musical, também foi um fator animador para a agremiação. O ensaio marcou ainda a estreia do intérprete Ivanzinho com a Torcida Jovem no Sambódromo do Anhembi. Experiente no Carnaval de São Paulo, o cantor retorna a defender oficialmente uma escola da Liga-SP com a missão de reforçar o desempenho do carro de som.

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No entanto, o treino apresentou um ponto de atenção no quesito evolução. A bateria teve certa demora na realização da manobra do recuo, o que impactou o tempo cronometrado de pista, que chegou a 53 minutos e 58 segundos. Vale lembrar que, no Grupo de Acesso 2, o tempo máximo permitido para o desfile é de 50 minutos. Entretanto, a reportagem do CARNAVALESCO apurou que a largada da escola ocorreu com três minutos de atraso e, segundo a contagem interna da agremiação, o desfile teria sido encerrado dentro do limite, em aproximadamente 50 minutos. Ainda assim, o episódio serve como um alerta para ajustes finais.

De modo geral, o ensaio deixou uma impressão positiva e indicou que a Torcida Jovem tem potencial para brigar por uma vaga mais alta na classificação, no desfile que acontece na próxima semana.

A Torcida Jovem desfilará pelo Grupo de Acesso 2 no próximo sábado, com o enredo “Axé – Raízes e Ritmos da Cultura Afro-Baiana”, desenvolvido por uma comissão de carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

Sob o comando de Fernando Lee, a comissão de frente da Torcida Jovem apresentou uma coreografia de alta complexidade e forte carga simbólica. No primeiro ato, Exu evoluía durante todo o percurso da passarela, enquanto os guerreiros bantos se alinhavam e executavam a coreografia em sintonia com o samba, realizando os movimentos obrigatórios do quesito: a saudação ao público e a apresentação da escola.

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Em um segundo momento, a comissão revelou bailarinos representando entidades espirituais, que surgiam a partir do tripé e realizavam movimentos característicos de cada figura, como Oxóssi, Ogum, Oxum e outros orixás. Dentro dessa encenação, destacava-se a presença de uma mulher mais velha acompanhada por uma criança, em uma representação simbólica da transmissão de saberes, como se ela apresentasse ao menino a África Baiana. A criança reagia com encantamento, demonstrando curiosidade e admiração por aquele universo cultural. Eles realizavam tal encenação em volta dos bailarinos que dançavam na pista.

Ao final da coreografia, o menino batia cabeça para Exu, simbolizando seu rito de iniciação. No tripé, que representava a árvore da vida, ocorria ainda a aparição de Oxalá em forma humana em determinados momentos, reforçando o caráter religioso da narrativa apresentada pela comissão de frente. A fé da África Baiana pôde ser vista de maneira clara.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Rumo ao segundo desfile com o pavilhão da entidade, o casal Gabriel Vullen e Joice Prado realizou um ensaio bastante positivo. O destaque ficou por conta da coreografia inspirada em saudações aos orixás, bem executada e com forte expressão. A porta-bandeira apresentou giros intensos e bem sustentados, sem perder o ritmo ao longo da avenida, sempre acompanhada com precisão por Gabriel Vullen.

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Outro ponto que merece destaque foi a situação ocorrida na cabine 3, no Setor H, quando a escola precisou parar para realizar a manobra do recuo da bateria.

Mesmo com a interrupção, o casal manteve a apresentação, repetindo os movimentos sempre que necessário e demonstrando segurança máxima. O sorriso constante no rosto e a sintonia nos toques entre os dois também marcaram o ensaio, reforçando a conexão e o entrosamento do casal, que está há oito anos junto.

HARMONIA

O canto da comunidade da Torcida Jovem foi um dos grandes destaques do ensaio. Todas as alas demonstraram domínio total do samba, sem exceções. Trata-se de uma obra com melodia mais cadenciada, marcada por três ou quatro versos de maior elevação, o que poderia comprometer o rendimento do canto. No entanto, a comunidade da Jovem sustentou a execução com muita força, sem deixar o samba cair em nenhum momento.
Mesmo com essa característica melódica, o samba não soou sonolento. A bateria, que se encaixou perfeitamente na obra, teve papel fundamental nesse desempenho. Mantendo o andamento acelerado durante todo o ensaio, a “Firmeza Total”, sob o comando do mestre Caverna, imprimiu o ritmo ideal para o conjunto musical, garantindo intensidade e empolgação.

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Entre os trechos mais cantados, destacam-se o refrão de cabeça e os versos “Êh Bahia, nas ladeiras o feitiço / Êh Bahia, dos afoxés embalando o destino”, momentos em que o canto se mostrou ainda mais forte e perceptível. Por fim, vale ressaltar o desempenho das últimas três alas, que representaram o ápice do canto da escola ao longo do ensaio.

EVOLUÇÃO

A evolução talvez seja o único quesito que mereça maior atenção por parte da escola em relação a este ensaio. Houve um momento de demora no recuo, o que resultou em um tempo excessivo de parada. Essa situação fez com que a escola estourasse o cronômetro instalado na pista e quase ultrapassasse o tempo oficial previsto pela própria contagem da agremiação.

Fora esse episódio, o desempenho foi bastante positivo. Os componentes evoluíram de forma solta, ocupando bem a pista, cantando e dançando o samba com muita garra. A ausência de coreografias obrigatórias contribuiu para uma evolução mais natural e espontânea. Além disso, foi possível observar uma escola compacta, sem a formação de buracos ou divisões, mantendo a coesão do conjunto durante todo o ensaio.

SAMBA-ENREDO

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Estreando na escola, o intérprete Ivanzinho se saiu bem no comando do carro de som da entidade. A ala musical se mostrou entrosada nos arranjos da bateria “Firmeza Total” e na condução para o canto da escola. Como dito anteriormente, o samba da Torcida Jovem tem melodia cadenciada, e o carro de som foi fundamental no trabalho para que o andamento não caísse. Conjunto musical com desempenho além do satisfatório no ensaio da escola.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Firmeza Total”, comandada pelo mestre Caverna, executou bossas estratégicas em frente às cabines, para mostrar os compassos necessários que o manual exige para a obtenção da nota 10. Porém, um arranjo que foi feito algumas vezes foi a bossa que apresentava um pequeno apagão na frase “O tambor da Jovem ninguém vai calar”.

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