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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Menos de um mês após a apuração do Grupo Especial de São Paulo, a Dragões da Real já organizou o primeiro evento da agremiação para o ciclo do Carnaval 2027. No último sábado, a escola celebrou seu aniversário (no próximo dia 17 de março, o grêmio da Vila Anastácio completa 26 anos) com a comunidade na ‘Super Feijoada’, realizada na Fábrica do Samba. O evento, que contou com show do projeto Terreirão do Sobral, participação de Royce do Cavaco e apresentação da ala musical, teve como estrela principal o cantor Belo. Sempre presente nos marcos do carnaval paulistano, o CARNAVALESCO entrevistou Renato Remondini, o Tomate, presidente da Dragões da Real. O dirigente falou sobre os rumos da agremiação nestas primeiras semanas pós-desfile de 2026, já de olho no próximo ciclo.

Retorno com alegria

Habitué do Desfile das Campeãs, a Dragões da Real teve um resultado inesperado em 2026: a sexta colocação impediu que a agremiação voltasse ao Sambódromo do Anhembi, honraria reservada às cinco primeiras colocadas (vale lembrar que a escola nunca saiu da elite desde que alcançou o grupo principal, em 2012).

Para Tomate, o desfile “Guerreiras Icamiabas: Uma Lendária História de Força e Resistência” trouxe orgulho: “O saldo foi extremamente positivo pela jornada da escola, por tudo que vivemos. A Dragões abraçou um enredo com uma causa bacana, e o povo ‘caiu para dentro’ da história”, comemorou.

A ‘Super Feijoada’, com atrações de renome nacional, também foi motivo de elogios pelo mandatário: “A comunidade está feliz demais! São 8 mil pessoas comemorando o aniversário, com todos os ingressos vendidos ainda em dezembro, três meses antes do evento. Se tivéssemos mais 10 mil ingressos, venderíamos todos. A Dragões da Real está feliz”, comentou.
Além das atrações programadas, o evento contou com a presença de Lexa, madrinha da bateria “Ritmo Que Incendeia”. No palco, ao lado da rainha Karine Grum e da princesa Yohana Obyara, a cantora entoou o hit “Chama Ela”.

Detalhes técnicos

Ao pontuar onde a escola poderia ter sido superior na apuração, o presidente destacou um quesito que costuma ser um trunfo da agremiação: “Perdemos para nós mesmos em um dos nossos melhores quesitos, que é Evolução. Talvez a Dragões seja uma das melhores escolas nesse item nos últimos 10 anos e eu estou afirmando isso. Detectamos o erro, o que é importante. Houve uma falha de pontuação atribuída pelo jurado; ele errou claramente. Tivemos dois problemas de Evolução que comprometeram nosso campeonato: um foi falha da escola e o outro foi erro do jurado, realmente. Temos plena convicção disso, e ele não errou só para a Dragões. Aí é uma questão para a Liga-SP resolver com ele”, refletiu.

Única (e grande) mudança

Além das diversas renovações anunciadas pelas redes sociais, uma figura importante deixou a agremiação: primeira porta-bandeira da Dragões desde 2023, Janny Moreno seguiu para a coirmã X-9 Paulistana. Agora, Rubens de Castro defenderá o pavilhão ao lado de Jéssica Gioz, que desfilou entre 2016 e 2025 na Império de Casa Verde.

Ao explicar como chegaram ao nome de Jéssica, Tomate destacou o papel de figuras-chave na escola: “Sempre demos liberdade para o Rubens e para o Risovaldo Braz, o Vado, nosso diretor de casais, para escolherem quem acham melhor. Nunca interferimos nisso, e a escolha foi deles — super assertiva, por sinal”, elogiou.

A qualidade técnica da nova porta-bandeira também foi exaltada: “A Jéssica é irmã do nosso mestre de bateria e, quando anunciada, foi extremamente aclamada. O Carnaval queria vê-la de volta. Eles já começaram a trabalhar, por sinal”, informou o presidente.

Um detalhe ligado às apurações recentes também foi mencionado: “Nesses últimos dois anos, infelizmente a nota de casal não veio como queríamos e a escola precisava dessa mudança. Que seja para melhor! Mas, sobretudo, eu disse a eles que o mais importante é estarem bem e felizes”, tranquilizou.

Apesar dos 30 pontos garantidos no quesito Mestre-Sala e Porta-Bandeira em 2026, o segundo módulo reservou um 9.8 (descartado) para a antiga dupla. Em 2025, foram dois 9.9 — com um décimo perdido no cômputo final. Já em 2023 e 2024, Rubens e Janny haviam gabaritado o quesito.

Ciclo 2027

Sem dar spoilers, Tomate adiantou o que os sambistas podem esperar: “Estamos estudando alguns enredos para 2027; deve vir algo muito forte. É hora de se reerguer e entender onde precisamos melhorar — nossa vida é de constante evolução. Vamos partir para 2027 com sangue nos olhos”, finalizou.