A Mocidade Independente de Padre Miguel foi a primeira escola a cruzar a Marquês de Sapucaí nesta segunda-feira (16), abrindo o segundo dia de desfiles do Grupo Especial com uma homenagem vibrante a Rita Lee.Com o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage, a verde e branco da Zona Oeste levou à Avenida um tributo que ultrapassou a música e se firmou como declaração política e cultural. A Ala 9 se destacou ao transformar a artista em símbolo do empoderamento feminino. 

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Ala 09 “Toda mulher é meio Rita Lee”. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Batizada de “Toda mulher é meio Rita Lee”, a Ala 9 foi inspirada na canção “Todas as Mulheres do Mundo” e apresentou uma leitura contemporânea da figura da cantora como arquétipo de coragem, irreverência e autonomia. 

Exclusivamente feminina, a ala trouxe para o centro do desfile a discussão sobre independência e ocupação de espaços historicamente negados às mulheres. A proposta foi clara: reafirmar o carnaval como território de expressão e liberdade.

Lisiane Gomes 50 enfermeira
Lisiane Gomes, 50, enfermeira. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Em entrevista ao CARNAVALESCO, Lisiane Gomes, 50 anos, enfermeira, destacou a força simbólica da homenagem. “Ela veio para dizer que a gente pode tudo, que não existe mais essa de que mulher não pode fazer determinadas coisas. A gente pode tudo. Então ela vem para afirmar isso, o feminismo e o protagonismo da mulher brasileira. No carnaval a gente pode se reinventar e fazer tudo o que temos vontade”, afirmou. 

A componente ressaltou ainda que, embora o carnaval seja um espaço agregador, a estrutura ainda carrega marcas de desigualdade. “Apesar do carnaval somar muito, ele ainda é um universo bem mais masculino, mas eu acho que esse espaço está se abrindo, aos poucos, mas esse protagonismo feminino está chegando. Acho que sou a prova viva da liberdade e do legado da Rita, decidi que queria passar meus 50 anos desfilando na Sapucaí e hoje estou aqui. Deixei família, amigos e vim realizar esse sonho”, afirmou.

Leticia Pereira Lima 39 professora
Letícia Pereira Lima 39, professora. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Para Letícia Pereira Lima, 39 anos, professora, o fato de a ala ser formada apenas por mulheres já representa um avanço concreto. “A Ala é exclusivamente feminina e é isso que ela traz, o feminismo, o poder da mulher, o empoderamento. Vejo cada vez as mulheres se tornando protagonistas, essa ala exclusivamente feminina já mostra um pouco disso, acho que estamos no caminho certo”. 

Ela também apontou que a ampliação da presença feminina em funções como intérprete, carnavalesca e mestra de bateria ainda enfrenta barreiras culturais, mas percebe que mudanças estão ocorrendo.

Priscila Abrantes 42 jornalista
Priscila Abrantes, 42, jornalista. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Priscila Abrantes, 42, jornalista, reforçou a dimensão simbólica da apresentação. “Acho que essa ala mostra que a gente pode tudo. Não somos mais aquela mulher recatada e do lar, que fica em casa cuidando dos filhos, a gente também pode ser muito mais. Podemos estar aqui na Avenida, representando essa mulher maravilhosa que foi a Rita Lee, que representou tudo isso, a libertação da mulher, que é um exemplo de liberdade”, disse. 

Vivendo pela primeira vez o carnaval no Rio de Janeiro, ela relatou o impacto da experiência: “Estou aqui desde sábado e é muito legal ver a liberdade das mulheres em saírem fantasiadas, se divertindo, livres”.

Ao transformar a figura de Rita Lee como Padroeira da Liberdade, a Mocidade trouxe para Avenida um posicionamento sobre o presente e o futuro do carnaval. Em uma festa marcada por tradição, mas também por transformação, a escola sinalizou que o brilho feminino já não é coadjuvante.