A Marquês de Sapucaí foi palco, na última terça-feira, de mais um importante capítulo na preparação para o Carnaval 2026. A Liesa promoveu um teste do novo sistema de som do Sambódromo, reunindo intérpretes, ritmistas de diferentes escolas e dirigentes do carnaval para avaliar, na prática, a nova engenharia sonora que será utilizada nos desfiles. O evento contou com a presença de cantores como Tinga, Evandro Malandro, Pitty de Menezes e a dupla da atual campeã Beija-Flor, Nino e Jéssica. No início da noite, todos cantaram juntos clássicos do carnaval, em uma apresentação coletiva que empolgou quem acompanhava o teste.

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Fotos: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

A batucada ficou por conta de 60 ritmistas de diversas escolas permitindo que o novo sistema fosse avaliado também em relação à bateria, elemento central do desfile. O CARNAVALESCO ouviu o presidente da Liesa, Gabriel David, além de Nino Milênio, Jéssica Martin, Pitty de Menezes e mestre Casagrande, que falaram sobre os avanços, ajustes necessários e expectativas para os desfiles.

Gabriel fez um balanço detalhado dos testes já realizados até agora. “Quando a gente falou pela primeira vez que iria fazer essa mudança em toda a engenharia do sistema de som, é que é um processo longo, complexo e doloroso. Ele realmente é. Acho que só a gente vivendo da forma mais intensa possível esse processo é que a gente pode chegar a um resultado melhor no final, principalmente, na hora dos desfiles de todas as escolas. Acho que a gente tem evoluído significativamente ao longo desses testes”, avaliou.

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O mandatário também destacou que ainda existem pontos a serem ajustados. “A gente ainda precisa evoluir em alguns detalhes a mais, dentro de toda a visão da equipe que tem trabalhado nisso. Mas eu acho que tudo na vida, quando a gente quer evolução, a gente tem que ter diálogo. E eu acho que o diálogo entre toda a equipe de som e todos os artistas do carnaval é visivelmente melhor para todos”, afirmou.

Segundo ele, o contato direto com os artistas tem sido fundamental. “Eu conversei com praticamente todos os artistas do carnaval até aqui e não obtive nenhuma reclamação a respeito do diálogo. Claro que sempre tem um detalhe ou outro para melhorar, mas não sobre o diálogo. Eu acho que isso é a primeira evolução que a gente tem durante todo esse processo, e eu queria muito destacar isso. Acho que o som tem tudo para ser um ponto muito positivo desse carnaval”, pontuou.

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Gabriel também explicou que ainda haverá testes importantes nas próximas semanas. “Precisamos testar a excelência do som ao longo deste final de semana e, no próximo, talvez tenha um dos testes mais importantes de todos, que é aquele que ninguém vê, mas que é primordial, que são todas as radiofrequências que passam no Sambódromo. Diante de todas as dores que eu já presenciei vestindo a camisa da Liesa com esses equipamentos de som, o teste principal para a gente, na verdade, é no segundo final de semana de ensaio técnico”, declarou.

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Ao comentar sobre questionamentos feitos por intérpretes da Série Ouro em relação ao retorno em testes anteriores, Gabriel David foi direto. “É por isso que existem os testes e, de fato, é uma engenharia muito complexa, foi o que a gente sempre falou. É só na hora que a gente botar no campo de jogo que a gente vai acertando os detalhes. Os ensaios técnicos da Série Ouro, sem dúvida nenhuma, foram interessantes para que essa evolução continue e que seja mais um dia de testagens. Hoje também tiveram algumas reclamações de coisas que podem melhorar e terão ainda neste primeiro final de semana de ensaios técnicos especiais. Isso está tudo dentro de uma previsão normal. O importante é que chegue no dia do desfile com todo mundo muito confortável e com o som na sua mais perfeita qualidade. E eu acho que isso vai acontecer, está dentro do processo. Não tem nenhum absurdo até aí, por isso que a gente chama de ensaios técnicos”, explicou.

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Sobre a expectativa para os desfiles, o presidente foi cauteloso, mas otimista. “Eu estou com os pés no chão. Eu acho que a minha expectativa é que o som seja melhor do que o do ano passado e que a gente tenha uma capacidade de analisar qualquer uma das diversas variações que podem surgir nesse modelo, mas saber, de fato, o que variou, o que não foi da forma que a gente queria. Acho que mais importante do que só acertar é saber por que você errou. E a maior dúvida que a gente tinha no passado é que a gente não tinha muito esse acesso a essa informação. A minha expectativa é que vai ser melhor do que o do ano passado, mas principalmente que a gente vai ter uma análise mais contundente de como ele performou ao longo de todos os dias”, detalhou.

Representando a Beija-Flor, Nino fez questão de elogiar o resultado do teste. “Foi maravilhoso. Só está melhorando. Eu tive o privilégio, a oportunidade, a honra de ser o primeiro a testar. Fizemos o teste eu e Jéssica, junto com a nossa equipe da Beija-Flor. Muita coisa melhorou e está muito legal. Os intérpretes estranharam um pouco no início, mas aconteceram muitas reuniões na Liesa sobre o assunto, e quem estava estranhando agora já está gostando. Tem tudo para ser um sucesso no carnaval”, comentou.

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Jéssica reforçou a avaliação positiva. “Esse teste foi maravilhoso. Esse som está perfeito. Aqui, pelo menos no meu fone de ouvido, está parecendo um CD. Muito legal, equipe maravilhosa. Está dando maior suporte, maior atenção para a gente. E creio que esse Carnaval de 2026, além de ser novidade, vai ser um sucesso”.

Mesmo satisfeitos, a dupla destacou que ajustes finos ainda podem ser feitos. “A gente vai ter mais uma passagem de som. Eu prefiro esperar mais esse teste, porque eu acho que pode até melhorar. Não que esteja ruim. Ficou perfeito, mas eu acho que a gente pode conseguir equalizar um pouco mais dentro do nosso ouvido. Um pouco mais de bateria, um pouco mais de surdo, um pouco mais de vozes… Aquela melhorada que a gente só percebe quando ela acontece”, explicou Jéssica.

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Nino ainda detalhou pontos técnicos. “Acho que dá para ter um pouco mais das vozes do cantor principal. Conforme eu e a Jéssica, tem que destacar um pouco mais ali. As pessoas… sei lá, uma divisãozinha que dê para ver que ela está ali e eu estou ali. Porque às vezes fica muito coro. E a gente também tem que esperar um pouquinho, porque a gente não está com a nossa bateria soberana, maravilhosa. Faltam os atabaques… Ainda falta muita coisa. Só nos próximos testes que a gente vai conseguir ter essa concepção completa”, comentou.

Pitty de Menezes também aprovou o teste. “O som está maravilhoso. Está se ajustando. Amanhã a gente tem uma passagem de som. Cada escola, agora a parte musical mesmo, das harmonias, de cordas, vozes. Hoje foi para ajeitar mais a bateria, a questão da musicalidade da bateria. Mas, assim, foi maravilhoso. O som tem uma tecnologia maravilhosa e a sonoridade maravilhosa também. Acho que tem tudo para dar certo, para fazermos um grande espetáculo aqui na Marquês de Sapucaí no nosso grande dia”, declarou.

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Ele também comentou sobre a importância do processo de ajustes. “Sempre dá para melhorar. A gente está ajustando, é como a gente está falando: é ajuste. E ajuste é isso, tem erros, acertos… Eu acho que eles já detectaram algumas coisas que estavam erradas e vão ajustar agora para dar certo, para chegar no dia do ensaio técnico melhor ainda e chegar no dia do desfile perfeito”, concluiu.

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Mestre Casagrande fez uma análise técnica do teste. “Foi muito proveitoso. A gente pôde entender a logística na qual a nova equipe de som se propõe a nos dar. Ficou legal. No primeiro momento, a gente tinha botado até os cantores na frente, mas aí ficou um sistema muito agudo; depois passou para trás e melhorou”, explicou.

O mestre ressaltou que cada agremiação terá suas próprias necessidades. “Agora é de escola para escola, de diretor musical, diretor de carnaval, que a gente vai entender como é que vai ficar. Cada um tem suas peculiaridades. Até porque a gente tem dois ensaios técnicos ainda. Tem o primeiro para a gente entender mais um pouco e depois, no segundo, eu acho que já vai estar bem ajustado”, afirmou.

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Sobre possíveis problemas no teste, Casagrande foi sincero. “Teve. Ficamos nessa diferença do delay com o canto. O ideal seria que a gente ensaiasse com a bateria no setor 1, no box da bateria, e a gente não conseguiu ensaiar. Mas, para a logística, para a gente entender a logística de som, o teste de hoje foi muito proveitoso”, declarou.

Por fim, ele deixou clara a expectativa, ainda que com cautela. “Acho que no desfile vai ser um sucesso. Mas é o que eu te falei: vai depender muito de escola para escola. A nova equipe de som, os responsáveis, nos deixaram muito à vontade para decidirmos entre cada escola. Então a gente vai conversar com o nosso diretor de carnaval, nosso diretor musical, para ver o que a gente faz. Chegar no melhor, isso que é o importante. Chegar 100%, mas só a boa vontade que a organização está tendo com a gente já está valendo”, concluiu.