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	<title>Samba Didático &#8211; Carnavalesco</title>
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	<description>Carnaval do Rio de Janeiro, escolas de samba, sambas-enredo, fantasias e vídeos</description>
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	<title>Samba Didático &#8211; Carnavalesco</title>
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	<item>
		<title>Samba didático: Portela conta sua própria história no ano do centenário</title>
		<link>https://carnavalesco.com.br/samba-didatico-portela-conta-sua-propria-historia-no-ano-do-centenario/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ingrid Marins]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Jan 2023 20:33:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Portela]]></category>
		<category><![CDATA[Samba Didático]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Buscando a 23ª estrela no ano em que completa 100 anos, a Portela irá contar toda a trajetória de sua história com o enredo &#8220;O azul que vem do infinito&#8221;, desenvolvido pelos carnavalescos Márcia e Renato Lage. A dupla terá o desafio de fazer o desfile do centenário da azul e branco de Oswaldo Cruz [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Buscando a 23ª estrela no ano em que completa 100 anos, a Portela irá contar toda a trajetória de sua história com o enredo &#8220;O azul que vem do infinito&#8221;, desenvolvido pelos carnavalescos Márcia e Renato Lage. A dupla terá o desafio de fazer o desfile do centenário da azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira.</p>
<p>A temática se passa em cinco personalidades marcantes da Portela. Desde Paulo da Portela até o saudoso Mestre Monarco. Salve! A parceria do samba campeão e escolhido para representar a escola na avenida, é dos compositores Wanderley Monteiro, Rafael Gigante, Vinícius Ferreira, Bira, Marcelão e Edmar Júnior.</p>
<p>Emocionado, o compositor Wanderley Monteiro declara em entrevista para o site <strong>CARNAVALESCO</strong> o seu sentimento pela Águia Altaneira e o que tentou colocar no samba do centenário. &#8220;Portela, te amo muito além do infinito, onde estão todos esses baluartes, todo esse azul lindo que foi desenhado pelos nossos carnavalescos e tentamos retratar em nosso samba&#8221;.</p>
<p>O site <strong>CARNAVALESCO</strong> dá continuidade à série de reportagens “Samba Didático” entrevistando o compositor Wanderley Monteiro para que possa detalhar os significados e representações por trás do versos e expressões presentes no samba da Portela para o carnaval de 2023:</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #00ccff;">Prazer novamente encontrar vocês</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">Ali pelas bandas de Oswaldo Cruz</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">Nosso mundo azul ganha vez</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">E aquela missão nos conduz</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">Eu, Rufino e Caetano</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;O samba procurou falar das 5 personalidades que marcaram época na Portela. Paulo, Natal, Dodô, David Correa e Monarco. Ele começa com a narrativa do Paulo. É Paulo da Portela reencontrando os amigos que com ele fundaram a escola. Eu, Rufino e Caetano, esse encontro não poderia ser diferente, ali em Oswaldo Cruz&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #00ccff;">No linho, no pano, pescoço ocupado&#8230;</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">Vencemos mesmo marginalizados</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Trio dos fundadores Paulo, Rufino e Caetano. O Paulo tinha uma máxima que o sambista precisava andar bem vestido com terno de linho e gravata. E tinha esse jargão, como Monarco falava muito: &#8220;o sambista colocava uma gravata, falavam que era o pescoço ocupado&#8221;. Colocamos isso no samba, porque acreditamos ser uma referência. Era como Paulo gostava que os sambistas andassem. O samba sempre foi muito marginalizado naquela época, ele foi perseguido. Tem até uma música que é do Campolino e do Tio Hélio da Serrinha, gravada pelo Zeca Pagodinho&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #00ccff;">No bailar, uma porta bandeira</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">A nobreza desfila humildade&#8230;</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">Natal nos guiou, deu Águia!</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">A Majestade&#8230;</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Aqui a gente fala da Dodô, nossa grande porta bandeira e a primeira da Portela. Lançada pelo nosso professor, Paulo da Portela. Natal é um dos presidentes mais emblemáticos da história da Portela e ele fazia tudo pela nossa escola. &#8216;Deu águia&#8217;, fazemos um trocadilho porque Natal também tinha uma banca de jogo do bicho. E a águia é um dos bichos desse jogo e o símbolo da Portela. As vitórias que Natal conseguia para a Portela, também é uma alusão ao jogo do bicho que ele tinha&#8221;.</p>
<blockquote><p><span style="color: #00ccff;"><strong>&#8220;Abre a roda&#8221;, &#8220;malandro, que o samba chegou&#8221;</strong></span><br />
<span style="color: #00ccff;"><strong>Andei na &#8220;Lapa&#8221;, também já &#8220;subi o Pelô&#8221;</strong></span><br />
<span style="color: #00ccff;"><strong>&#8220;Macunaíma&#8221; falou: nas &#8220;maravilhas do mar&#8221;</strong></span><br />
<span style="color: #00ccff;"><strong>&#8216;A brisa me levou&#8221;</strong></span></p></blockquote>
<p>&#8220;Nessa fase do samba falamos sobre os grandes carnavais da Portela, alguns desses 100 anos. A gente cita a importância de David Corrêa falando dos sambas dele. &#8220;Abre a roda malandro que o samba chegou&#8221;, é Madureira samba de 2013. &#8220;Andei na Lapa, também já subi o Pelô&#8221;, é do &#8216;Lapa em Três Tempos&#8217; e o &#8216;Pelô&#8217; é o samba de 2012. Nos versos seguintes, citamos os sambas compostos por David Corrêa&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #00ccff;">Eis um &#8220;Brasil de glórias&#8221; que incandeia</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">A &#8220;vaidade&#8221; é um &#8220;conto de areia&#8221;</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">Eu vim me apresentar:</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">&#8220;Deixa a Portela passar!&#8221;</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Eis um Brasil de glórias que incandeia&#8221;, é um grande samba do Candeia. &#8220;A vaidade é um conto de areia&#8221;, Tributo a vaidade, que é um grande carnaval de 1991 e &#8220;Conto de areia&#8221;, é outro samba clássico da Portela, composto por Dedé da Portela. &#8220;Deixa a Portela passar&#8221;.</p>
<blockquote><p><span style="color: #00ccff;"><strong>&#8220;Lendas e mistérios&#8221; de um amor</strong></span><br />
<span style="color: #00ccff;"><strong>Casa onde mora a profecia</strong></span><br />
<span style="color: #00ccff;"><strong>Clara como a luz de um esplendor</strong></span><br />
<span style="color: #00ccff;"><strong>Cem anos da mais bela poesia</strong></span></p></blockquote>
<p>&#8220;Lendas e mistérios de um amor&#8221;, a gente fala sobre o enredo de 2009. &#8220;Casa onde mora a profecia&#8221;, é o samba dominando o mundo. &#8220;Clara como a luz do esplendor, cem anos da mais bela poesia&#8221;, é sobre Clara Nunes que é outra grande personagem da Portela. E óbvio que tinha que estar no nosso samba também. &#8220;100 anos da mais bela poesia&#8221;, é falar da Portela, de como ela é. Sempre valorizando, exaltando os seus compositores, seus poetas. Essa é a Portela&#8221;.</p>
<blockquote><p><span style="color: #00ccff;"><strong>Vivam esse sonho genuíno</strong></span><br />
<span style="color: #00ccff;"><strong>De fazer valer nosso legado</strong></span><br />
<span style="color: #00ccff;"><strong>Vejo um futuro mais lindo</strong></span><br />
<span style="color: #00ccff;"><strong>Nas mãos de quem sabe o valor do passado</strong></span></p></blockquote>
<p>&#8220;Vivam esse sonho genuíno de fazer valer nosso legado&#8221;. Aproveite esse sonho autêntico, legítimo dos nossos fundadores e vamos aproveitar esse legado que eles nos deixaram. &#8220;Vejo um futuro mais lindo nas mãos de quem sabe o valor do passado&#8221;, é acreditar que os dirigentes de hoje da Portela seguiram todos os ensinamentos dos nossos professores e vão dar um caminho a escola de continuar brilhando nesse cenário do carnaval e do samba. Acreditamos que eles valorizando, reconhecendo e seguindo todos aqueles ensinamentos vão levar a Portela cada vez mais longe, e continuando com a profecia de Paulo&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #00ccff;">Ser Portela é tanto mais</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">Que nem cabe explicação</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">Basta ouvir os Baluartes</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">Pra chorar de emoção</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Ser Portela é tanto mais que nem cabe explicação, basta ouvir os baluartes para chorar de emoção&#8221;. Vem a explosão do coração, da paixão pela Portela pelos seus integrantes, reverenciando os grandes baluartes da Portela. Os personagens que nos fazem ser um apaixonado pela escola. &#8216;Ouvir os baluartes&#8217;, estamos falando de todos&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #00ccff;">Cavaco e viola&#8230; A velha linhagem</span></strong><br />
<strong><span style="color: #00ccff;">A benção Monarco pra essa homenagem</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Cavaco e viola na velha linhagem, a benção Monarco a essa homenagem&#8221;, aí estamos homenageando Paulinho da Viola, Ary do Cavaco, Seu Jorge do Violão, Manaceia e todos os outros. A benção Monarco é todos os narradores do nosso enredo e nosso último baluarte que nos deixou em dezembro de 2021. Prestamos essa homenagem nominalmente a um dos grandes nomes da Portela que é o Monarco&#8221;.</p>
<blockquote><p><span style="color: #00ccff;"><strong>O céu de Madureira é mais bonito</strong></span><br />
<span style="color: #00ccff;"><strong>Te amo, Portela, além do infinito!</strong></span></p></blockquote>
<p>&#8220;O céu de Madureira é mais bonito, te amo Portela além do infinito&#8221;, é aquela coisa do portelense. O céu de Madureira realmente é mais bonito para a comunidade&#8221;.</p>
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		<item>
		<title>Samba Didático: Mangueira apresenta as Áfricas presentes na Bahia através de musicalidade, ancestralidade e religiosidade</title>
		<link>https://carnavalesco.com.br/samba-didatico-mangueira-apresenta-as-africas-presentes-na-bahia-atraves-de-musicalidade-ancestralidade-e-religiosidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Jan 2023 20:46:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Mangueira]]></category>
		<category><![CDATA[Samba Didático]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O enredo da Estação Primeira de Mangueira em 2023 vai retomar um casamento há muito tempo esperado pelos torcedores da agremiação, a união da Verde e Rosa com uma temática afro e com toda a musicalidade e religiosidade do estado da Bahia. Campeã do carnaval carioca pela última vez em 2019, a escola promoveu mudanças [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O enredo da Estação Primeira de Mangueira em 2023 vai retomar um casamento há muito tempo esperado pelos torcedores da agremiação, a união da Verde e Rosa com uma temática afro e com toda a musicalidade e religiosidade do estado da Bahia. Campeã do carnaval carioca pela última vez em 2019, a escola promoveu mudanças em diversos segmentos para o próximo carnaval, logo após a posse da nova presidente Guanayra Firmino em maio deste ano. Uma das principais medidas tomadas pela mandatária e sua diretoria foi a escolha da dupla Annik Salmon e Guilherme Estevão para substituir Leandro Vieira, que estava na escola desde o carnaval 2016 e pediu para sair. Da nova dupla de carnavalescos surgiu a ideia do enredo &#8220;As Áfricas que a Bahia canta&#8221;, amplamente aprovado pela direção da escola.</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="uL-4FPTFQPY"><iframe title="MANGUEIRA 2023 | ARRANCADA DO SAMBA NO PRIMEIRO ENSAIO DE RUA" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/uL-4FPTFQPY?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O samba escolhido para embalar este enredo é de autoria de Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim. O compositor Lequinho explicou sobre o que na opinião do artista é o fio condutor da obra produzida pelo grupo para o próximo carnaval da Estação Primeira de Mangueira, além de apresentar a relação entre letra e melodia pensada pelos compositores.</p>
<p>&#8220;O nosso samba aborda a ancestralidade, a religiosidade e a musicalidade baiana. Sempre buscando fazer um casamento perfeito entre a letra e a melodia, o nosso samba inicia em tom menor, faz a passagem para o tom relativo em alguns momentos e termina em tom maior, dando ao nosso refrão principal a característica melódica dos grandes sambas de Mangueira&#8221;, esclarece Lequinho.</p>
<p>Dando continuidade a série Samba Didático, o site <strong>CARNAVALESCO</strong> convidou o compositor Lequinho a explicar mais do significado por trás dos versos e expressões do samba-enredo 2023 da Mangueira:</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff9900;">OYÁ, OYÁ, OYÁ EÔ!</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">Ê MATAMBA, DONA DA MINHA NAÇÃO</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">FILHA DO AMANHECER, CARREGADA NO DENDÊ</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">SOU EU A FLECHA DA EVOLUÇÃO</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">SOU EU MANGUEIRA, FLECHA DA EVOLUÇÃO</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Iniciamos o samba com uma saudação a Oyá, que também é chamada de Matamba. A narradora da obra se identifica como sua filha ao citar o amanhecer e o dendê, expressões que são ligadas diretamente a Oyá. Em seguida inserimos uma frase que está em destaque na sede do primeiro bloco afro do Brasil , o Ilê Aiyê, &#8216;toda mulher é flecha da evolução&#8217;. E finalizamos o trecho com a afirmação de que a Mangueira também é flecha da evolução, tendo em vista que a Mangueira é, notadamente em sua história, uma escola de alma feminina&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff9900;">LEVO A COR, MEU ILÚ É O TAMBOR</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">QUE TREMEU SALVADOR, BAHIA</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">ÁFRICAS QUE RECRIEI</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">RESISTIR É LEI, ARTE É REBELDIA</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Nesse segundo momento, afirmamos que o Ilú de Iansã é o nosso tambor que por tantas vezes rufou para homenagear a Bahia. Destacamos também a chegada do povo preto a Salvador com suas crenças, costumes e musicalidade. Para manter viva a sua memória ancestral, eles recriam na Bahia a sua africanidade, resistem e fazem de sua arte uma forma de se rebelar contra todo o tipo de opressão&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff9900;">COROADA PELOS CUCUMBIS</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">DO QUILOMBO ÀS EMBAIXADAS</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">COM GANZÁS E XEQUERÊS FUNDEI O MEU PAÍS</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">PELO SOM DOS ATABAQUES CANTA MEU PAÍS</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Nesse trecho o nosso samba faz referência aos Cucumbis, cortejos dramáticos em que uma mulher preta é coroada. Citamos também a resistência dos quilombos na época da escravidão e os cortejos das embaixadas africanas, também conhecidas como Clubes Negros. Finalizamos afirmando que a Bahia é um país que canta e dança, um país que foi fundado ao som de ganzás, xequerês e atabaques&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff9900;">TRAZ O PADÊ DE EXU</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">PRA MAMÃE OXUM TOCA O IJEXÁ</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">RUA DOS AFOXÉS</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">VOZ DOS CANDOMBLÉS, XIRÊ DE ORIXÁ</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;No refrão do meio destacamos a religiosidade, a preparação do padê de Exu, o ritmo do ijexá para Oxum e os Afoxés. Os rituais que são iniciados dentro do terreiros de candomblé vão ganhando as ruas da Bahia&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff9900;">DEUSA DO ILÊ AIYE, DO GUETO</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">MEU CABELO BLACK, NEGÃO, COROA DE PRETO</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">NAO FOI EM VÃO A LUTA DE CATENDÊ</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">SONHO BADAUÊ, REVOLUÇÃO DIDÁ</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">CANDACE DE OLODUM, SOU DEBALÊ DE OGUM</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">FILHOS DE GANDHY, PAZ DE OXALÁ</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;No início da segunda do samba mergulhamos nos blocos afros. Exaltamos a coroação da mulher preta como deusa do Ilê Ayiê, rainha do gueto. Exaltamos também a explosão do orgulho preto através do Black Power. A luta de Moa do Catendê, fundador do Bloco Badauê, que foi assassinado de forma cruel por uma discussão política. A revolução feminina que deu origem ao Bloco Didá, composto só por mulheres instrumentistas, e a africanidade do Olodum Debalê e dos filhos de Gandhy&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff9900;">QUANDO A ALEGRIA INVADE O PELÔ</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">É CARNAVAL, NA PELE O SWING DA COR</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">O MEU TIMBAU É FORÇA E PODER</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">POR CADA MULHER DE ARERÊ</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">LIBERTA O BATUQUE DO CANJERÊ</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Na parte final destacamos a alegria do carnaval baiano, o Pelourinho, o Axé contemporâneo, a Timbalada, a força e o poder das cantoras pretas da Bahia que cantam e libertam o batuque dos rituais afros pelo Brasil e pelo mundo&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff9900;">EPARREY OYA! EPARREY MAINHA!</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">QUANDO O VERDE ENCONTRA O ROSA TODA PRETA É RAINHA</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;No bis que antecede o refrão principal, a narradora faz outra saudação a Oyá para agradecer por toda a sua trajetória. Ela reafirma a importância da mulher preta para a história da Estação Primeira de Mangueira e mantém aceso o sonho de toda menina que sobe e desce as ladeiras do morro de Mangueira, de ter suas vozes ouvidas e o seu talento admirado por todos&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff9900;">O SAMBA FOI MORAR ONDE O RIO É MAIS BAIANO</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">REINA A GINGA DE IAIÁ NA LADEIRA</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff9900;">NO ILÊ DE TIA FÉ, AXÉ MANGUEIRA</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Inspirado na música &#8216;Onde o Rio é mais baiano&#8217; de Caetano Veloso e com uma divisão de samba de roda, o nosso refrão principal exalta a figura de Tia Fé, ela que veio da África, desembarcou na Bahia, poderia perfeitamente ter sido a matriarca de um dos grandes blocos afros que citamos em nosso samba-enredo. Mas, quis o destino, que ela viesse para o Rio de Janeiro e que aqui no morro de Mangueira fundasse um terreiro onde viu nascer blocos que vieram a formar anos depois a maior escola de samba do planeta&#8221;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Samba Didático: Salgueiro traz ideia de novo paraíso sonhado por João 30 em mensagem de respeito e contra intolerância</title>
		<link>https://carnavalesco.com.br/samba-didatico-salgueiro-traz-ideia-de-novo-paraiso-sonhado-por-joao-30-em-mensagem-de-respeito-e-contra-intolerancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jan 2023 17:20:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Salgueiro]]></category>
		<category><![CDATA[Samba Didático]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.carnavalesco.com.br/?p=102370</guid>

					<description><![CDATA[<p>Com nove títulos conquistados no carnaval do Rio e sempre com a alcunha de ser uma escola diferente, o Salgueiro aposta justamente em um enredo que prega uma mensagem sobre o respeito aos diferentes para voltar a ser campeã do Grupo Especial, o que não acontece desde 2009. O idealizador do enredo e agora responsável [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Com nove títulos conquistados no carnaval do Rio e sempre com a alcunha de ser uma escola diferente, o Salgueiro aposta justamente em um enredo que prega uma mensagem sobre o respeito aos diferentes para voltar a ser campeã do Grupo Especial, o que não acontece desde 2009. O idealizador do enredo e agora responsável por produzir o desfile da Academia do Samba é o carnavalesco Edson Pereira, que esteve na Vila Isabel nos últimos três carnavais. Estreante na Vermelha e Branca, o artista vai trazer para a Sapucaí em 2023 o enredo &#8220;Delírios de um Paraíso Vermelho&#8221;.</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="pBB57Z4lAt4"><iframe title="SALGUEIRO 2023 | ARRANCADA DO SAMBA NO ENSAIO DE RUA" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/pBB57Z4lAt4?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O samba tem autoria de Moisés Santiago, Líbero, Serginho Do Porto, Celino Dias, Aldir Senna, Orlando Ambrosio, Gilmar L Silva e Marquinho Bombeiro. O compositor Moisés Santiago explicou ao site <strong>CARNAVALESCO</strong> como se deu a construção da obra através do enredo desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira.</p>
<p>&#8220;O fio condutor do samba passa pela genialidade do Joãosinho Trinta como carnavalesco. Mas, verdadeiramente falando é sobre a forma que ele pensava com relação ao ser humano. Ele era um cara agregador, que sempre buscava esse respeito, principalmente aos mais prejudicados pela sociedade. Em cima dos enredos que ele criou, o enredo passa com relação a essa parte do homem, da humanidade, do respeito ao próximo, da aceitação. Acredito que o samba fala muito bem sobre isso, a partir de sua letra, da construção pelos setores partindo de um paraíso vermelho, que era um paraíso livre, um paraíso perfeito, em tom vermelho que é carnavalizado. O samba tem essa mensagem, tem essa conotação de fazer o povo pensar, de como se respeitar, de como aceitar o defeito dos outros. Se você tem as suas iniciativas de vida, suas escolhas, você precisa respeitar isso no próximo&#8221;, explicou Moisés.</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="fGVXCL73t34"><iframe title="SALGUEIRO EM 4K | APRESENTAÇÃO NO MINI DESFILE PARA O CARNAVAL 2023" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/fGVXCL73t34?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O compositor completou ainda, esclarecendo que o samba procura realizar uma contestação também sobre o que é certo e errado e o entendimento do que é pecado na vida da sociedade atual.</p>
<p>&#8220;O enredo do Salgueiro é essa contestação de o que é pecado, de o que não é pecado, porque que é pecado, porque pecou, e fazer essa reflexão do que é o certo, do que é o errado, fazer essa reflexão de aceitação, de aprender a lidar com as diferenças, respeitar as diferenças, essa é a mensagem que se dá através do samba, pois o carnaval reúne, é a grande revolução da alegria. E o vermelho é a grande paixão do salgueirense, que é esse paraíso renovado, esse paraíso puro de todos os males, de toda a negatividade. É o morro feliz, é a comunidade feliz&#8221;, finalizou Moisés Santiago.</p>
<p>O site <strong>CARNAVALESCO</strong> dando prosseguimento a série Samba Didático, pediu ao compositor Moisés Santiago para explicar mais sobre os significados presentes nos versos e expressões da obra do Salgueiro para 2023.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff0000;">NO TOQUE SUBLIME DE AMOR</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">O PROFETA PINTOU O PARAÍSO</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">INTENSO VERMELHO QUE TINGE A EMOÇÃO</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">TÁ NO MEU CORAÇÃO SALGUEIRO</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">A VIDA EM PERFEITA HARMONIA</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">A PLENA LIBERDADE DE VIVER</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">MAS A TENTAÇÃO QUE SEDUZIU ADÃO E EVA</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">FEZ O PECADO FLORESCER</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;O profeta João pinta esse paraíso, o paraíso original, que foi criado por Deus, que a gente conhece, que era todo colorido. Ele pinta pela liberdade de expressão, de vermelho, através do carnavalesco Edson. Esse carnavalesco é vermelho, e um vermelho que está no coração do salgueirense. A partir do pensamento desse paraíso vermelho, e que se vivia na plenitude da vida, que Adão e Eva desfrutavam de todo aquele mundo perfeito, e parte do princípio de que a gente sabe que tem o paraíso, de que existiu dentro da construção bíblica da vida. É o paraíso original do primeiro pecado de Adão e Eva, começa o questionamento dentro do enredo, sobre esse caos que esse primeiro pecado trouxe ao mundo, a evolução da humanidade. É o link do mundo, do que vem acontecendo, até que virá mais à frente do samba esse renascimento pós Apocalipse, após todo esse caos na terra&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff0000;">QUEM SERÁ PECADOR? QUEM IRÁ APONTAR?</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">HÁ UM OLHAR DE QUERER JULGAR</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">SE CADA UM TEM SEU JEITO</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">MELHOR CONVIVER SEM PRECONCEITO</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Esse conceito de julgar, é a forma de quem olha, o que é pecado em quem julga. Nesta parte, fala-se sobre as pessoas que foram muito julgadas, muito isoladas da sociedade. Esse renascimento pós apocalipse fala sobre isso, a redenção dos excluídos e a gente pede um basta para a sociedade. É um novo paraíso, é o paraíso renascendo e se tornando vermelho novamente. O paraíso está se reconstruindo com os excluídos, isso é o mais importante, essa é a mensagem. Esse é o grande renascimento que se fala no enredo do Salgueiro&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff0000;">NO MEU SONHO DE REI, QUERO TEMPO DE PAZ</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">GUERRA, FOME E MAZELAS NUNCA MAIS</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">A MINHA ACADEMIA ANUNCIA</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">DA ESCURIDÃO, RAIOU O DIA</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;O refrão do meio do Salgueiro é ligado ao apocalipse, ele faz essa transição de que nós temos o sonho de rei. Nós temos um sonho de vencedor, de coisas boas, e o Salgueiro é a Academia do Samba, que vai ser pra gente esse novo raiar do dia após o Apocalipse. Tanto que logo em seguida, o verso da segunda parte ele já emenda falando da redenção. Ele fala dos excluídos, que logo após o Apocalipse, há a redenção dos excluídos, dos mendigos, que é em cima de &#8216;Ratos e Urubus&#8217;. Os mendigos, as prostitutas, todas as pessoas que são excluídas pela sociedade. É sobre esse novo renascimento da vida, é isso que fala esse trecho. O refrão do meio é muito intenso, ele anuncia dias melhores, livre de todas as coisas ruins da Terra, ele pede paz, pede o fim de todas as mazelas que o povo sofre, e anuncia dias melhores, a anunciação de novos tempos, de prosperidade, mas esse reinício desse paraíso é através dos renegados da sociedade&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff0000;">BENDITA REDENÇÃO! OS EXCLUÍDOS LIBERTANDO SUAS DORES</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">EMBARQUE, PRO RENASCER DOS SEUS VALORES</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">BASTA! DE VIOLÊNCIA E OPRESSÃO</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">CHEGA DE INTOLERÂNCIA</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;A barca de Caronte, neste caso, vem com uma renovação trazendo esses renegados, é a ideia de um link através desse paraíso perfeito que passa por toda essa nuvem que paira através do pecado original de Adão e Eva, ele vai em um desenrolar desde o momento em que acontece o caos na sociedade até esse novo resplandecer. A partir da criação do paraíso, partindo do primeiro pecado de Adão e Eva que viviam em um paraíso limpo, e começa a humanidade a questionar e o pecado se tornar uma coisa mais abrangente, chega um momento do Apocalipse em que desgoverna tudo e acaba essa paraíso. Esse paraíso, a partir do apocalipse, com o passar do tempo, ele tem renovação com Caronte, é a barca de Caronte, ele traz esse renascimento desses excluídos. A segunda parte na verdade é um link de pensamento do samba do Salgueiro. Existe um link de transformação de um mundo. O enredo do Salgueiro é como se fosse um mundo perfeito, começando através do paraíso, o pecado de Adão e Eva, e começa a peregrinação dos seres humanos , o crescimento da vida na Terra e a partir dali, o pecado vai aflorando, e os julgamentos, e as exclusões, através de cada um que se diz apto a julgar alguém e assim vai&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff0000;">A LUZ DA ETERNIDADE ACENDE A CHAMA</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">FESTEJANDO A IGUALDADE QUE A FELICIDADE EMANA</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">RESPLANDECE A BELEZA DO MEU RUBRO PARAÍSO</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">PROIBIDO É PROIBIR, AVISO!</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">PELAS BENÇÃOS DE JOÃO, NESSA NOITE DE MAGIA</span></strong><br />
<strong><span style="color: #ff0000;">O MEU SAMBA É A REVOLUÇÃO DA ALEGRIA</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;A gente começa a falar de igualdade. Aqui nesse novo paraíso do Salgueiro, após essa limpeza, não tem proibição, tudo pode. Até que haja uma medida, mas tudo pode dentro do respeito, de não se julgar para também não ser julgado. É a grande temática do enredo. Através do samba, o Joãosinho Trinta falava, é o texto do próprio Joãosinho, é uma fala dele. O samba vai ser a grande revolução, ele diz que a grande revolução da humanidade ia acontecer através do samba. Teve a revolução industrial, tantas outras revoluções através de guerra. A partir dessa grande revolução da alegria, se constrói esse novo lugar, esse novo paraíso vermelho. Ele diz que a festa, que o carnaval, é o que deixa todo mundo igual, que deixa todo mundo junto, ricos, pobres, feio, bonito, branco, preto, gay, homem, mulher, todo mundo convive junto, de classes sociais diferentes, de pensamentos e etnias diferentes. É o momento final que prepara para o nosso refrão principal&#8221;.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;"><strong>VERMELHA PAIXÃO SALGUEIRENSE</strong></span><br />
<span style="color: #ff0000;"><strong>QUE INVADE A ALMA, TÁ NO SANGUE DA GENTE</strong></span><br />
<span style="color: #ff0000;"><strong>O MORRO DESCE NA BATIDA DO TAMBOR</strong></span><br />
<span style="color: #ff0000;"><strong>NESSE DELÍRIO QUE O ARTISTA SE INSPIROU</strong></span></p></blockquote>
<p>&#8220;O nosso refrão final fala sobre a paixão pelo vermelho que é o vermelho do Salgueiro, que é o paraíso vermelho salgueirense, que está na alma, o salgueirense tem orgulho dessa cor vermelha. O seu componente emanado e conduzido pelo enredo do Joãosinho Trinta, por essa magia que ele unia todo o morro, vai atrás dele fazer o grande carnaval do Salgueiro, com certeza um dos grandes carnavais que o Salgueiro vai proporcionar acontece neste desfile de 2023&#8221;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Samba didático: Chama do braseiro, Mocidade Independente de Padre Miguel aposta na temática nordestina</title>
		<link>https://carnavalesco.com.br/samba-didatico-chama-do-braseiro-mocidade-independente-de-padre-miguel-aposta-na-tematica-nordestina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ingrid Marins]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Jan 2023 00:52:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Mocidade]]></category>
		<category><![CDATA[Samba Didático]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estreante na Mocidade Independente de Padre Miguel, o carnavalesco Marcus Ferreira possui uma trajetória campeã. Vindo da Intendente Magalhães até a chegada no Grupo Especial com a Viradouro. O artista se tornou campeão junto com Tarcísio Zanon com quem formava uma dupla na vermelho e branco de Niterói. Para 2023, ele irá fazer um trabalho [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Estreante na Mocidade Independente de Padre Miguel, o carnavalesco Marcus Ferreira possui uma trajetória campeã. Vindo da Intendente Magalhães até a chegada no Grupo Especial com a Viradouro. O artista se tornou campeão junto com Tarcísio Zanon com quem formava uma dupla na vermelho e branco de Niterói. Para 2023, ele irá fazer um trabalho solo com a Mocidade Independente de Padre Miguel. O artista desenvolveu o enredo &#8220;Terra de meu céu, Estrelas de meu chão&#8221;. A temática aborda a história dos artistas do Alto do Moura, que são discípulos de mestre Vitalino, pertencentes ao Centro de Artes Figurativas das Américas. O samba campeão foi da parceria de Diego Nicolau, Richard Valença, Orlando Ambrosio, Gigi da Estiva, W. Correa, Leandro Budegas e Cabeça do Ajax.</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="o-mhKumQ7do"><iframe loading="lazy" title="MOCIDADE | CONHEÇA O SAMBA-ENREDO PARA O CARNAVAL 2023" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/o-mhKumQ7do?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O site <strong>CARNAVALESCO</strong> conversou com Diego Nicolau que explicou detalhes da letra do samba. É a continuidade da série“Samba Didático” entrevistando os compositores para que eles possam detalhar os significados e representações por trás do versos e expressões presentes nos sambas para o carnaval de 2023.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #339966;">Senhor que fez da arte mundaréu</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Em suas mãos Padre Miguel</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Concebeu a criação</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Plantou sua missão</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Fez do sertão, barro tauá</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;O enredo começa com a criação do mundo. Vamos fazer algo inspirado no título de 1996 que com aquele abre alas com as mãos construindo o mundo. Só que dessa vez em barro. &#8216;As mãos dos filhos do barro&#8217;. A gente faz esse contraponto no samba. É o barro utilizado lá, que utilizavam para fazer os trabalhos deles. A arte dele&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #339966;">Jardim no agreste floresceu</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Regado ao firmamento de meu Deus</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">A lida pra viver, da lama renascer</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Marias e Josés no céu que moram pés, raiz!</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Fiel retrato desse meu país</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Passamos para a parte rural, da natureza. São todas essas situações, todas essas imagens que ele retratou dos nordestinos. Dos retirantes que iam passando e parando para fazer seu destino. E ele retratava através da sua arte. É a parte dos retirantes, da natureza do sertão nordestino. E terminamos falando &#8220;fiel retrato desse meu país&#8221;. É justamente isso que ele fazia, retratava a realidade do país, do povo e do nordeste&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #339966;">Segue o carro de boi</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">O peão no barreiro</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Ô rainha bonita</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Sou teu rei cangaceiro</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">É a vida um xadrez</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Pra honrar o legado</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Quem foi que fez?</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Foi Deus do barro</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;No terceiro setor da escola, vamos falar do surreal. Através de um tabuleiro de xadrez, dos personagens do nordeste. O lampião, Maria Bonita. Todos esses personagens que permeiam o nordeste e o sertão. E a escola vem com alegoria também falando do surrealismo, da arte figurativa&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #339966;">Molha Pedro minha terra</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Chão de estrelas de João</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Traz Antônio minha amada</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Padim Cícero Romão</span></strong><br />
<strong><span style="color: #339966;">Alumia o teu povo em procissão</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Depois vem a parte da religiosidade também. Dos três santos nordestinos. É quando ele fala sobre essa construção que é muito importante e conhecida fora de lá. Sabemos que ele tem muito esses aspectos culturais e as procissões. Que é pedido as santidades muita chuva, que tragam o amor. Os nordestinos tem suas mazelas que pedem sempre aos seus santos de devoção&#8221;.</p>
<blockquote><p><span style="color: #339966;"><strong>Chega folia, chega cavalo marinho</strong></span><br />
<span style="color: #339966;"><strong>Lindas flores no caminho</strong></span><br />
<span style="color: #339966;"><strong>O nordeste coloriu</strong></span><br />
<span style="color: #339966;"><strong>E de repente essa gente independente</strong></span><br />
<span style="color: #339966;"><strong>Faz da greda seu batente</strong></span><br />
<span style="color: #339966;"><strong>Molda um pouco de Brasil</strong></span></p></blockquote>
<p>&#8220;Finalizando é o Alto do Moura, a festa que tem lá. Com várias manifestações culturais e a gente brinca. Colocamos o &#8220;independente&#8221; dentro do enredo sem deixar de perder o sentido. Porque o povo nordestino é arretado e independente&#8221;.</p>
<blockquote><p><span style="color: #339966;"><strong>Amassa, deixa arder o massapé</strong></span><br />
<span style="color: #339966;"><strong>Lá no meu Alto do Moura</strong></span><br />
<span style="color: #339966;"><strong>Um pedacinho de fé</strong></span><br />
<span style="color: #339966;"><strong>A massa, força de Mandacaru</strong></span><br />
<span style="color: #339966;"><strong>Lá do meu Alto do Moura</strong></span><br />
<span style="color: #339966;"><strong>Fiz brilhar Caruaru</strong></span></p></blockquote>
<p>&#8220;Reafirmamos, colocando o amassa. É assim que ele molda, amassando o barro. E depois a massa é do povo, força. E falamos de Caruaru, que é a cidade que fica o baile do Alto do Moura&#8221;.</p>
<blockquote><p><span style="color: #339966;"><strong>Ê meu cardeá!</strong></span><br />
<span style="color: #339966;"><strong>Sou a chama do braseiro</strong></span><br />
<span style="color: #339966;"><strong>Nordestino, retirante da saudade</strong></span><br />
<span style="color: #339966;"><strong>Mais um filho desse solo pioneiro</strong></span><br />
<span style="color: #339966;"><strong>Um artista esculpindo a Mocidade</strong></span></p></blockquote>
<p>&#8220;O refrão é algo que colocamos um duplo sentido com a Mocidade. Com a nossa parceria, e fomos brincando com o forno. Que eles colocam na obra para secar o barro. Após disso vem a chama do braseiro e falamos também do nordestino. &#8216;O pioneiro&#8217; é da Mocidade, pois ela tem um samba muito marcante, campeã do carnaval de 1985, em que ela fala que quer ser a pioneira. Colocamos isso em um verso para sintetizar o que o componente da Mocidade quando entrar na Sapucaí estará representando. É um artista esculpindo a Mocidade&#8221;.</p>
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		<title>Samba didático: Imperatriz traz linguagem da literatura de Cordel para samba com pegada narrativa e termos originários do Nordeste</title>
		<link>https://carnavalesco.com.br/samba-didatico-imperatriz-traz-linguagem-da-literatura-de-cordel-para-samba-com-pegada-narrativa-e-termos-originarios-do-nordeste/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Jan 2023 03:19:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Imperatriz]]></category>
		<category><![CDATA[Samba Didático]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.carnavalesco.com.br/?p=101947</guid>

					<description><![CDATA[<p>Leandro Vieira está de volta à Rainha de Ramos, escola pela qual o artista passou em 2020 no Grupo de Acesso. O profissional agora terá o desafio de produzir o desfile da Imperatriz no Grupo Especial com a agremiação sedenta por acabar com jejum de mais de 20 anos sem o título da elite do [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Leandro Vieira está de volta à Rainha de Ramos, escola pela qual o artista passou em 2020 no Grupo de Acesso. O profissional agora terá o desafio de produzir o desfile da Imperatriz no Grupo Especial com a agremiação sedenta por acabar com jejum de mais de 20 anos sem o título da elite do carnaval carioca. Para isso, ele desenvolveu um enredo bem diferente do que ele já havia produzido nos anos de Estação Primeira de Mangueira, no Império Serrano e na própria Imperatriz. Com uma sinopse toda trabalhada na literatura de Cordel, a Verde e Branca de Ramos vai contar na Sapucaí uma história lúdica sobre o líder dos cangaceiros, Lampião.</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="yd_Ydoabvo8"><iframe loading="lazy" title="IMPERATRIZ 2023 | ARRANCADA DO SAMBA-ENREDO NO ENSAIO DE RUA" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/yd_Ydoabvo8?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O samba escolhido para o desfile de 2023, tem a autoria dos compositores Antonio Crescente, Gabriel Coelho, Lucas Macedo, Luiz Brinquinho, Me Leva, Miguel da Imperatriz, Renne Barbosa e Rodrigo Rolla. Miguel da Imperatriz conversou com o site <strong>CARNAVALESCO</strong> e elogiou o trabalho desenvolvido por Leandro Vieira na construção da sinopse do enredo.</p>
<p>&#8220;É preciso falar sobre a sinopse fantástica que o Leandro (Vieira) escreveu em forma de literatura de Cordel, todo versado e com palavras e temos nordestinos, o que levou a gente a escrever o samba em formato de literatura de Cordel. Esse samba tem três partes importantes que é a parte que conta sobre a morte do Lampião, depois ele tentando entrar no inferno, depois ele tentando entrar no céu, e depois ele tentando pedir pelo amor de Deus a Padre Ciço para arrumar algum lugar para ele, que também não conseguiu dar guarida para ele, e aí depois, de uma forma mais lúdica ele fica vagando nas coisas nordestinas, nos bonecos de barro, no gibão, no chapéu de couro, na sanfona. A gente ficou muito feliz com o samba, nós achamos que o samba é ótimo, a letra é boa, é muito melódica, a comunidade super abraçou o samba, a gente está esperançoso para que este título volte a Ramos depois de tantos anos&#8221;, espera o compositor.</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="qs0jA7S5M5s"><iframe loading="lazy" title="IMPERATRIZ EM 4K | APRESENTAÇÃO NO MINI DESFILE PARA O CARNAVAL 2023" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/qs0jA7S5M5s?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O site <strong>CARNAVALESCO</strong> dá prosseguimento à série de reportagens &#8220;Samba Didático&#8221; pedindo ao compositor Miguel da Imperatriz para esclarecer mais dos significados e representações por trás do versos e expressões presentes no samba da Imperatriz para o carnaval de 2023:</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #008000;">Imperatriz veio contar para vocês</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Uma história de assombrar</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Tira sono mais de mês</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;É uma introdução do que vem por aí. Nós estamos realizando a preparação para a História de Lampião, cabra bravo. Este trecho do samba que se repete logo no começo cria essa expectativa para contar para as pessoas que estão ouvindo o samba, este causo&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #008000;">Disse um cabra que nas bandas do Nordeste</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Pilão deitado se achegava com o bando</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Vinha no rifle de Corisco e Cansanção</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Junto de Cirilo Antão, Virgulino no comando</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Na primeira parte do samba, a gente conta como foi essa emboscada em que o Lampião morreu, contando o quanto ele era bravo, falamos da relação que ele tinha com os seus comparsas, que é o Corisco, Cansanção, Cirilo Antão, Pilão Deitado, todos cangaceiros. E também falamos do Virgulino, que é quem estava no comando, que é o próprio Lampião&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #008000;">Deus nos acuda, todo povo aperreado</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">A notícia corre céu e chão rachado</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Rebuliço no olhar de um mamulengo</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Era dia 28 e lagrimava o sereno</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Nesse momento, as pessoas descobriram que Lampião havia morrido, e começaram a ficar muito tristes, pois o povo gostava dele e aí que nós colocamos &#8216;dia 28 lagrimava o sereno&#8217;, é uma expressão para contar o dia que o Lampião havia morrido, dia 28 de julho de 1938. Usamos o &#8216;Rebuliço no olhar de um mamulengo&#8217; para retratar o espanto que causou em todo o povo a morte do Lampião&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #008000;">E foi-se então, adeus capitão!</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">No estouro do pipoco</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Rola o quengo do caboclo</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">A sete palmos desse chão</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;No segundo refrão a gente fala sobre a morte de Lampião propriamente dita, e depois começa a parte mais lúdica do enredo em que ele chega no inferno. As expressões usadas remetem aos termos usados principalmente regionalmente para definir a morte &#8216;sete palmos desse chão&#8217;, &#8216;rola o quengo&#8217;, quengo é cabeça. O termo capitão era designado ao Lampião como sua patente&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #008000;">Nos confins do submundo onde não existe inverno</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Bandoleiro sem estrada pediu abrigo eterno</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Atiçou o cão catraz, fez furdunço</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">E Satanás expulsou ele do inferno</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;A gente fala sobre a chegada de Lampião no inferno. Acho até que é uma parte com termos bonitos &#8216;nos confins do submundo onde não existe inverno&#8217;, que frase bacana para a gente falar que ele foi para o inferno. E aí o Lampião pede abrigo ao Satanás que não deixou ele entrar porque ele era muito bravo, o diabo ficou enciumado com tanta bravura do Lampião, e não deixou ele entrar no inferno. Cão catraz é também uma expressão para se designar o Satanás&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #008000;">O jagunço implorou um lugar no céu</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Toda santaria se fez de bedel</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Cabra macho excomungado de tocaia num balão</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Nem rogando a Padim Ciço ele teve salvação</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Neste momento ele vai para o céu tentar entrar após ser expulso do inferno. Obviamente, não foi deixado, a santaria toda se fez de bedel. Bedel é tipo um ser de comando, é como se fosse o síndico de um prédio. Todos ficaram loucos, de jeito nenhum ele podia entrar no céu. Depois, Lampião entra de tocaia, ou seja escondido, em um balão, e vai pedir guarida, pedir proteção, rogar ao Padre Cícero, para ver se o santo conseguia botar uma pressão em alguém para que o Lampião pudesse entrar em algum lugar, porque ninguém queria deixar ele entrar em lugar nenhum&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #008000;">Pelos cantos do Sertão, vagueia, vagueia</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Tal qual barro feito a mão misturado na areia</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;Nem Padre Ciço conseguiu ajudá-lo. Lampião volta para a Terra. Ele volta para a Terra e fica vagando pelas coisas culturais nordestinas que é como se fosse que estas coisas pegam esse espírito de Lampião. Ele vagueia pelas terras do sertão, pelos bonecos de barro de Vitalino, pelo gibão, pelo chapéu de couro, pela sanfona de Luiz Gonzaga, ele praticamente se torna como se fosse um espírito cultural nordestino&#8221;.</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #008000;">Quando a sanfona chora, mandacaru aflora</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Bate zabumba tocando no meu coração</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Leopoldinense, cangaceira é minha escola</span></strong><br />
<strong><span style="color: #008000;">Eis o destino do valente Lampião!</span></strong></p></blockquote>
<p>&#8220;No nosso refrão principal, a gente quer falar um pouco das coisas nordestinas. Estes termos presentes neste trecho são as coisas nordestinas que Lampião, nesse conto, nessa literatura de Cordel, vagueia por ali. No final a gente fala que é Leopoldinense, nossa escola cangaceira, que é onde o Lampião finalmente chega e por lá fica, é o destino do valente Lampião. Esse refrão principal amarra toda a história e aí volta para o primeiro refrão &#8216;Imperatriz veio contar&#8230;&#8217; que a gente introduz de novo e assim segue&#8221;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Samba didático: Imperatriz celebra seu casamento vitorioso com Arlindo Rodrigues, fundamental para estética clássica da escola</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Jan 2022 22:14:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Imperatriz]]></category>
		<category><![CDATA[Samba Didático]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Volta pro seu lugar” é um dos versos do samba da Imperatriz Leopoldinense para 2022. De volta ao Grupo Especial, a escola sabe da dificuldade de se manter na elite desfilando como primeira no domingo de carnaval, mas ainda assim sonha em um futuro próximo afirmar não só a sua presença no Grupo Especial, mas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>“Volta pro seu lugar” é um dos versos do samba da Imperatriz Leopoldinense para 2022. De volta ao Grupo Especial, a escola sabe da dificuldade de se manter na elite desfilando como primeira no domingo de carnaval, mas ainda assim sonha em um futuro próximo afirmar não só a sua presença no Grupo Especial, mas retornar ao seu protagonismo nos desfiles do grupo mais importante da folia carioca. Campeã pela última vez em 2001, a escola traz de volta sua última carnavalesca vitoriosa para falar de um enredo que é a própria história da Imperatriz.</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="96Rt32rGIwU"><iframe loading="lazy" title="IMPERATRIZ: samba-enredo o Carnaval 2022" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/96Rt32rGIwU?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Arlindo Rodrigues foi o carnavalesco que trouxe elementos da cenografia do Teatro Municipal, uso de espelhos nos carros alegóricos, etc&#8230; Suas contribuições vão além da Imperatriz, mas são fundamentais para a história da escola que conheceu seu primeiro campeonato justamente com Arlindo, responsável pelo desfile de 1980.</p>
<p>Para 2022, o samba, desenvolvido para o enredo “Meninos, Eu Vivi&#8230; Onde Canta o Sabiá, Onde Cantam Dalva e Lamartine”, é de autoria solo do compositor Gabriel Mello. Gabriel conta que o samba busca ressaltar esse casamento entre Imperatriz e Arlindo que foi tão feliz para o carnaval carioca.</p>
<p>“O Arlindo fala para essa juventude, para essa nova geração da Imperatriz Leopoldinense da história dele com a escola, com essa construção da Imperatriz que a gente conhece. É um samba que vem falar para a Imperatriz que vem falar sobre esse amor, sobre esse casamento carnavalesco maravilhoso, sobre essa caraterística, porque Imperatriz? Porque tão bela, porque tão necessária, porque tão alinhada, tão bem arrumada, romântica em seus enredos. Porque a renda, porque o luxo, porque a costura, porque ser Imperatriz, e não se curvar a outro estilo e não tentar ser aquilo que está fora de sua essência”, entende o compositor.</p>
<figure id="attachment_75864" aria-describedby="caption-attachment-75864" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-75864" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/01/compositor_gabriel_melo.jpg" alt="compositor gabriel melo" width="700" height="440" title="Samba didático: Imperatriz celebra seu casamento vitorioso com Arlindo Rodrigues, fundamental para estética clássica da escola 1"><figcaption id="caption-attachment-75864" class="wp-caption-text">Foto: Leandro Ribeiro/Divulgação TV Globo</figcaption></figure>
<p>O site <strong>CARNAVALESCO</strong> dá continuidade à série de reportagens “Samba Didático” pedindo ao compositor Gabriel Mello para esclarecer um pouco mais dos significados e das representações por trás dos versos e expressões presentes no samba da Imperatriz Leopoldinense para o carnaval de 2022:</p>
<blockquote><p><span style="color: #339966;">“EU AINDA ERA MENINO/À LUZ DE UM NOBRE DESTINO/O DOM DE TOCAR CORAÇÕES”</span></p></blockquote>
<p>“O samba enredo parte dessa conversa do Arlindo com a Escola.Ele era um menino que começava a se descobrir pra vida chegando no teatro municipal descobrindo seu dom, porque Arlindo era auto de data, Arlindo não fez faculdade nem cursos. Arlindo tinha o dom natural de costurar, de criar, de desenhar”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #339966;">“E VOCÊ ERA MENINA, SUSPIRANDO POESIAS/ENTRE VERSOS E ESTAÇÕES/QUANDO A MÃO DO GRANDE PROFESSOR/NOSSO CAMINHO EM OURO ENFEITOU”</span></p></blockquote>
<p>“É exatamente neste momento, final dos anos 50, em que Arlindo desabrocha para vida. Descobre sua vocação em que a Imperatriz também está sendo formada, em que ela está nascendo no subúrbio carioca, com seus primeiros sambas, com seus primeiros sambas de roda, com as primeiras reuniões daquela turma que fez a fundação da escola. Então, o destino dos dois se cruza pela primeira vez. Fernando Pamplona se torna amigo de Arlindo Rodrigues no teatro municipal e leva Arlindo para fazer as decorações de rua do carnaval. Arlindo e Fernando Pamplona são os responsáveis, curiosamente, pela decoração de rua do primeiro carnaval em que a Imperatriz tem um grande resultado. Depois, Arlindo, como jurado, vai colaborar para o primeiro campeonato da Imperatriz dos grupos de acesso”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #339966;">“FUI DA RIBALTA À AVENIDA/VOCÊ TÃO LINDA, FOI CENÁRIO DE AMOR (LÁ LÁ LÁ LÁ LAUÊ)”</span></p></blockquote>
<p>“Ele vai do teatro para as folias carnavalescas e a Imperatriz começa a se desenhar como a escola dos sambas românticos. Como a Romântica do Subúrbio. Com seus enredos monárquicos e históricos, que vão ter como ápice o desfile de 1972 do Martin Cererê”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #339966;">“FIZ DA ORQUESTRA DA FOLIA/O MANEQUIM DAS FANTASIAS/QUE JOÃO NOUTRO TEMPO RASGOU”</span></p></blockquote>
<p>“Ele chega ao carnaval carioca fazendo revolução, levando todo esse conhecimento que ele tinha de trabalhar com o guarda roupa e com a cenografia do Teatro Municipal para dentro das escolas de samba. Ele veste pela primeira vez a bateria com fantasia, transforma batuqueiros e passistas em manequins para desfilar as fantasias daquilo que a gente chama de protótipo e cria esse carnaval clássico, com essa estética clássica que hoje a gente chama de Barroco e tradicional. Ele é o pai do barroco no carnaval. Aí, João, que era assistente dele, cria dele dentro do barracão, é o seu filho pródigo, o filho rebelde. Eu faço essa menção no samba porque é neste momento, quando Arlindo está no Salgueiro, que João começa a se envolver com carnaval. E, depois, ele sucederia o próprio Arlindo no Salgueiro e se tornaria uma febre do carnaval moderno”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #339966;">“PEGA NA SAIA RENDADA! PRA VER O QUE EU VI/NO ESPELHO DA RAÇA ENCARNADA… XICA E ZUMBI! E DESCOBRIR /NOVOS BRASIS NA IDENTIDADE/CANTA SALGUEIRO, Ô, SALVE A MOCIDADE!”</span></p></blockquote>
<p>“A gente vai brincar com esse capricho do Arlindo, com essa marca que o Arlindo imprime nos desfiles. Com as rendas, com os bordados. O uso dos espelhos que é muito importante, que foi ele que introduziu isso para substituir as luzinhas que eram muito usadas no carnaval e que davam muitos problemas aos carros alegóricos. E ,essa frase &#8216;Espelho da raça encarnada&#8217;, ela se refere não só ao uso do espelho, mas também da visualização da raça, porque Arlindo participa desse momento em que se introduz os personagens populares, as figuras pretas dentro dos enredos. E que personifica pessoas como Isabel Valença, como Mercedes Batista, que vão incorporar grandes personagens. Xica e Zumbi, talvez os mais famosos aí, que vão ser vividos nesse tempo de Salgueiro. E, esse Brasil que é descoberto no Salgueiro, vai ganhar uma tônica muito grande na Mocidade porque o Arlindo chega a Mocidade em 1972 fazendo enredos brasileiríssimos e conquista o primeiro campeonato da Mocidade em 1979 com um enredo sobre o descobrimento do Brasil que ele já havia feito no Salgueiro. Mas, ele traz uma nova versão para o enredo com novas hipóteses, com novas informações sobre a história do Brasil. Esse desfile é a síntese dos enredos que o Arlindo fez&#8221;.</p>
<blockquote><p><span style="color: #339966;">“LEMBRO QUE O IMPERADOR/ME LEVOU PRA SER REI EM SUA ASSÍRIA/AMANHECEU E NÓS DOIS/FOMOS UMA SÓ VOZ NO ALTAR DA BAHIA</span></p></blockquote>
<p>Então, Luizinho Drummond, que era chamado, pelos jornais da época, de imperador, convence o grande arquiteto do carnaval, o grande elaborador dos grandes carnavais a ser o rei, a ser o mentor da sua Ramos, da sua Assíria, do seu Império. O casamento se concretiza. Arlindo desenvolve &#8220;O que a Bahia tem&#8221; que é um carnaval emblemático, a escola é campeã no sol da manhã com um desfile esfuziante, dos mais bonitos da história, em um dos casamentos mais importantes da história do carnaval carioca, do glamour e do luxo, do romantismo do Arlindo com o glamour e o luxo da Imperatriz Leopoldinense.</p>
<blockquote><p><span style="color: #339966;">“BRILHEI… NO SEU PALCO ILUMINADO/DANCEI… SABIÁ CANTOU MEU APOGEU”</span></p></blockquote>
<p>“Então, ele brilha no palco iluminado da Imperatriz com o desfile de Lamartine que vai torná-lo consagradíssimo. Quando a gente fala em brilhar, a gente se refere ao próprio desfile, a abertura deste desfile talvez tenha sido uma das aberturas mais impactantes em termos de brilho da época por conta do uso dos espelhos e pela incidência de luz solar. Sabiá cantou meu apogeu é uma referência ao desfile de 1982 que é considerado um dos mais bonitos da história, auge do Arlindo em termos de figurino e de estética”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #339966;">“NUMA DERRADEIRA SERENATA/SONHEI COM DALVA E FUI MORAR COM DEUS”</span></p></blockquote>
<p>“Derradeira serenata porque é a última e o Arlindo depois de 1983 quando ele faz Chica da Silva e o Rei da Costa do Marfim ele tem várias idas e vindas com a Imperatriz. E, em 1987 ele tem seu último encontro de amor com a Imperatriz. Ele morreu logo depois do desfile da Dalva de Oliveira, que também era um espetáculo que estava no Teatro João Caetano. Arlindo era muito amigo de Dalva, muito fã de Dalva. Então, ele parte, mas deixa a marca da estética dele na Imperatriz. Essa marca vai ser replicada por outros carnavalescos. Todos aqueles que vão passando pela escola, vão respeitando, tanto Max, quanto Viriato, como a própria Rosa Magalhães, então se diz que houve uma ligação que permaneceu incólume por um tempo”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #339966;">“SEU SAMBA NASCENDO NO MORRO/ECOA DO POVO E RESSOA NO CÉU/DESPERTO EM SEUS BRAÇOS DE NOVO/NO MAIS BELO TRAÇO DA FLOR NO PAPEL/SE A SAUDADE É CERTEZA/UM DIA A TRISTEZA SERÁ CICATRIZ/ETERNA SEJA! AMADA IMPERATRIZ!”</span></p></blockquote>
<p>“ Nessa parte, faz-se a passagem da Dalva de Oliveira para o celeste. A música Ave Maria do morro diz que quem mora mais em cima do morro, vive mais perto do céu. E a Imperatriz é a escola do complexo do Alemão, a escola cercada pelos morros do subúrbio. Arlindo ainda se conecta com essa gente, com esses sambistas, todas as vezes que o seu pavilhão é empunhado. E que ele desperta nesses traços de Rosa Magalhães, neste ano, Rosa, sua mais aplicada pupila, talvez a grande continuadora de sua obra e de seu estilo, pra mostrar que laços de afeto são eternos. Independente da saudade que exista, a Imperatriz deve ser eterna. A escola de samba permanece, ela fica, ela deixa seu legado histórico”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #339966;">“VEM ME ENCANTAR!/VOLTA PRO SEU LUGAR!/SEU MANTO É MEU BEM QUERER/E LÁ DO ALTO O PAI MAIOR MANDOU DIZER/QUEM VIVEU PRA TE AMAR, SEGUIRÁ COM VOCÊ”</span></p></blockquote>
<p>“Ele pede que ela o encante, que ela o faça vibrar de novo, de volta ao seu lugar, que não é simplesmente voltar ao Especial, é voltar ao protagonismo do Grupo Especial. Se declara sobre o bem-querer e manda uma mensagem do céu. De que aqueles que viveram para amar seguirão para sempre com a escola. É uma mensagem de esperança, de amor e de carinho, de abraço a todos aqueles que perderam as pessoas e a Imperatriz sofreu perdas muito importantes. A família que perdeu seu Luizinho, a escola como um todo que perdeu seu Luizinho, que foi seu grande líder, seu grande patrono, grande patriarca. Mas a todos aqueles que passaram por esse ano tão difícil, e que precisam encontrar forças para continuar. É uma mensagem do Arlindo evoluído, iluminado que traz essa noção de que seremos para sempre aquilo que construímos. O que nos faz imortal é o legado que deixamos”.</p>
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		<title>Samba didático: Grande Rio traz as setes chaves de Exu e quer mostrar toda complexidade do Orixá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Dec 2021 16:45:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grande Rio]]></category>
		<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Samba Didático]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2020, a Grande Rio bateu na trave, a escola obteve a mesma pontuação que a campeã Viradouro e perdeu no desempate pelo quesito evolução. Ainda mais sedenta por conquistar o título inédito, a agremiação de Duque de Caxias vai apostar mais uma vez em um enredo cultural com forte temática religiosa, pregando mais uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2020, a Grande Rio bateu na trave, a escola obteve a mesma pontuação que a campeã Viradouro e perdeu no desempate pelo quesito evolução. Ainda mais sedenta por conquistar o título inédito, a agremiação de Duque de Caxias vai apostar mais uma vez em um enredo cultural com forte temática religiosa, pregando mais uma vez a mensagem sobre a tolerância religiosa e principalmente o respeito às religiões de matriz africana.</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="nRd91b_-xyk"><iframe loading="lazy" title="GRANDE RIO: samba-enredo o Carnaval 2022" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/nRd91b_-xyk?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O enredo “Fala Majeté! Sete Chaves de Exu” assinado pela dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora vai levar para a Marquês de Sapucaí histórias e manifestações culturais ligadas a simbologia dessa entidade tão complexa, múltipla e presente no universo das escolas de samba. A Grande Rio será a quinta escola a desfilar na segunda-feira, curiosamente, no dia da semana dedicado a Exu.</p>
<p>Na leitura dos carnavalescos, o enredo vai tratar de coisas muito próximas à vida cotidiana como a rua, a feira, o carnaval, o lixo se desdobrando em sete chaves de interpretação que abrem infinitas outras portas: “Exu princípio de tudo[&#8230;]; Exu que se faz caboclo, poeira, na cruza, em brasa, chão de terreiro[&#8230;];Exu de proezas tantas, pelejas,orikis[&#8230;];Exu Caveira, Capa Preta[&#8230;]; Exu potência e gingado[&#8230;];Exu de tinta e de sangue[&#8230;];Exu que não é o diabo do teatro colônia[&#8230;]Todo lugar tem uma rainha, lá no lixo também tem&#8230;”, como é citado na sinopse.</p>
<figure id="attachment_75809" aria-describedby="caption-attachment-75809" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-75809" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/12/compositores_granderio.jpg" alt="compositores granderio" width="700" height="400" title="Samba didático: Grande Rio traz as setes chaves de Exu e quer mostrar toda complexidade do Orixá 2"><figcaption id="caption-attachment-75809" class="wp-caption-text">Foto: Leandro Ribeiro/Divulgação TV Globo</figcaption></figure>
<p>O samba, um dos mais elogiados da safra de 2022, é de autoria de Gustavo Clarão, Arlindinho Cruz, Jr. Fragga, Claudio Mattos, Thiago Meiners e Igor Leal. O compositor Claudio Mattos conta que a obra buscou seguir à risca a divisão do enredo realizada pelos carnavalescos com as Sete Chaves de Exú.</p>
<p>“O resumo do enredo é que você pode enxergar Exu em todas as coisas. Exu não está em uma única coisa. Exu é energia, é movimento, é a mensagem. É a voz das ruas. Ele está em tudo. Então, o enredo são sete momentos em que você consegue enxergar o Exu, são sete chaves. Então não bastava a gente fazer um samba com uma única mensagem. Acho que os carnavalescos querem mostrar isso, um Exu complexo, um Exu que está em tudo”, explicou o compositor.</p>
<p>O site <strong>CARNAVALESCO</strong> dá continuidade à série de reportagens “Samba Didático” pedindo ao compositor Claudio Mattos para esclarecer um pouco mais dos significados e das representações por trás de alguns versos e expressões presentes no samba da Grande Rio para o carnaval de 2022:</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000; background-color: #339966;">“BOA NOITE, MOÇA; BOA NOITE, MOÇO…/AQUI NA TERRA É O NOSSO TEMPLO DE FÉ/“FALA, MAJETÉ!”</span></p></blockquote>
<p>“O começo do samba é o Exu baixando na Terra, ele está chegando para o desfile cumprimentando todo mundo. Mas se você olhar no final &#8220;eu levo fé nesse povo que diz&#8230;&#8221; já dá uma outra conotação , o que mostra que o tempo do Exu é cíclico. Ele não tem início, meio e fim. O tempo se renova”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000; background-color: #339966;">“FAÍSCA DA CABAÇA DE IGBÁ/NA GIRA… BOMBOGIRA, ALUVAIÁ!/NUM MAR DE DENDÊ… CABOCLO, ANDARILHO, MENSAGEIRO”</span></p></blockquote>
<p>“Na visão do enredo, a primeira chave seria Calunga, como essa fé cruzou da África para o Brasil. E veio parar aqui, nesta terra, em que há uma grande ancestralidade, onde essa fé foi bastante desenvolvida, onde surgiu até a umbanda. Toda a energia que eles atravessaram esse mar é vista como um mar de dendê”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000; background-color: #339966;">“DAS MÃOS QUE RISCAM PEMBA NO TERREIRO/RENASCE PALMARES, ZUMBI AGBÁ!”</span></p></blockquote>
<p>“Aí já entra na segunda chave porque os carnavalescos enxergam Exu como a energia de Zumbi de Palmares. Na luta, na força dele, você consegue enxergar Exu nas mensagens, nas histórias de Zumbi”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000; background-color: #339966;">“EXU! O IFÁ NAS ENTRELINHAS DOS ODUS/PRECEITOS, FUNDAMENTOS, OLOBÉ/PREPARA O PADÊ PRO MEU AXÉ”</span></p></blockquote>
<p>“No terceiro setor, a gente fala um pouco do destino, dos Odus e termina entrando na parte da feira, onde as pessoas vão na feira para comprar as comidas para fazer as oferendas para Exu. A gente bota isso em modo &#8220;padê&#8221; que é a comida preparada para o Exu”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000; background-color: #339966;">“EXU CAVEIRA, SETE SAIAS, CATACUMBA/É NO TOQUE DA MACUMBA, SARAVÁ, ALAFIÁ!/SEU ZÉ, MALANDRO DA ENCRUZILHADA/PADILHA DA SAIA RODADA… Ê MOJUBÁ!/SOU CAPA PRETA, TIRIRI, SOU TRANCA RUA/AMEI O SOL, AMEI A LUA, MARABÔ, ALAFIÁ!/EU SOU DO CARTEADO E DA QUEBRADA/SOU DO FOGO E GARGALHADA… Ê MOJUBÁ!”</span></p></blockquote>
<p>“É a parte que a gente consegue mostrar, acho, que a energia da melodia passa completamente a energia de Exu. É exatamente o que a gente queria. É a energia do movimento, de ele estar em tudo. A gente cita a parte dos Exus catiços, a gente cita diversas entidades. Acho que a energia da melodia desse samba é transcendental. Quando todo mundo espera que venha um bis a gente muda as entidades e muda a melodia, lembrando muito um ponto”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000; background-color: #339966;">“Ô LUAR, Ô LUAR… CATIÇO REINANDO NA SEGUNDA-FEIRA/Ô LUAR… DOBRA O SURDO DE TERCEIRA/PRA SAUDAR OS GUARDIÕES DA FAVELA/EU SOU DA LIRA E MEU BLOCO É SENTINELA</span></p></blockquote>
<p>“Na segunda parte do samba, ainda fazendo a melodia em cima de pontos, a gente entra na parte das festas. Você consegue enxergar Exu nas festas. A gente começa com um ponto de Tranca Rua que já foi citado em samba da Grande Rio, o de 1993, &#8220;ô luar, ô luar&#8221;. A gente fala dos catiços reinando na segunda-feira que é o dia de Exu, fala do sete da lira com surdo de terceira, entra bem nesse sentido das festas”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000; background-color: #339966;">“LAROYÊ, LAROYÊ, LAROYÊ!/É POESIA NA ESCOLA E NO SERTÃO”</span></p></blockquote>
<p>“A gente entra na melodia de um outro ponto que é o &#8220;Laroyê, laroyê, laroyê&#8221;. Aí, a gente entra mais na parte da arte mais escrita. Em que você pode enxergar Exu como Macunaíma, você pode enxergar Exu nas escolas em vários livros, um livro do Dimas por exemplo, em diversos personagens da literatura, em diversos poetas”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000; background-color: #339966;">“A VOZ DO POVO, PROFETA DAS RUAS/TANTAS ESTAMIRAS DESSE CHÃO”</span></p></blockquote>
<p>“Aí já entra no sétimo setor que é a parte onde tem a sétima chave que fala sobre o Exu estar em tudo, estar nas pessoas, nas ruas, em cada morador de rua, em cada retalho, no farrapo, na Estamira que é uma moradora de rua, trabalhava no lixão de Gramacho. Está no Bispo do Rosário, está no &#8220;Olímpia&#8221;, em Stella, e é a energia que se passa principalmente de Maria Mulambo. Pode ser muito comparada com a dessas pessoas. E assim como todo lugar tem uma rainha lá no lixão também tem. A Estamira é o principal fio condutor deste enredo que até o título do enredo fala mais em cima de como ela se apresentava com as pessoas na Rua &#8220;Fala Majeté&#8221;. Exi é posto como um espelho da Estamira, que ela era de perto da quadra, lá de Caxias”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000; background-color: #339966;">“LAROYÊ, LAROYÊ, LAROYÊ!/AS SETE CHAVES VÊM ABRIR MEU CAMINHAR/À MEIA-NOITE OU NO SOL DO ALVORECER… PRA CONFIRMAR”</span></p></blockquote>
<p>“A partir daí a gente solta um pouco das sete chaves e começa a preparar a finalização. A gente repete a melodia do ponto &#8220;Laroyê, laroyê, laroyê&#8221;. À meia noite ou no sol alvorecer é para confirmar o título para Caxias”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000; background-color: #339966;">“ADAKÊ EXU, EXU Ê ODARÁ!/Ê BARA Ô, ELEGBARÁ!/LÁ NA ENCRUZA, A ESPERANÇA ACENDEU/FIRMEI O PONTO, GRANDE RIO SOU EU!”</span></p></blockquote>
<p>“Adakê Exu significa Rei Exu. Vem abrir os caminhos para um novo tempo, um tempo de título para Caxias. Um novo tempo para a humanidade depois dessa pandemia. Nada melhor do que Exu para abrir os caminhos de uma nova vida, de um novo carnaval após dois anos em que ficamos em casa, muita gente com dificuldade para arranjar emprego, para retomar a vida, e Exu é essa energia para retomar e abrir os caminhos”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000; background-color: #339966;">“ADAKÊ EXU, EXU Ê ODARÁ!/Ê BARA Ô, ELEGBARÁ!/LÁ NA ENCRUZA, ONDE A FLOR NASCEU RAIZ,/EU LEVO FÉ NESSE POVO QUE DIZ:</span></p></blockquote>
<p>“Exu também é Grande Rio, Exu é o povo de Caxias, a Grande Rio é Exu na Avenida e é essa energia que a Grande Rio vai trazer. Lá no Bis tem a repetição que fala dessa flor que seria Exu abrindo caminhos para um novo tempo, onde não tem início, meio e fim e o samba começa de novo &#8220;Eu levo fé nesse povo que diz, Boa noite moça, boa noite moço&#8221;.</p>
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		<title>Samba didático: Em busca da retomada do protagonismo de 2018, Tuiuti  traz em seu enredo a ancestralidade, a sabedoria e a resistência negra</title>
		<link>https://carnavalesco.com.br/samba-didatico-em-busca-da-retomada-do-protagonismo-de-2018-tuiuti-traz-em-seu-enredo-a-ancestralidade-a-sabedoria-e-a-resistencia-negra/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Dec 2021 14:36:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Tuiuti]]></category>
		<category><![CDATA[Paraíso do Tuiuti]]></category>
		<category><![CDATA[Samba Didático]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não dá para reparar no enredo, ou ouvir o samba de 2022 do Paraíso do Tuiuti, e não fazer um paralelo com 2018, com certeza, o desfile mais histórico da escola de São Cristóvão. Desde 2017 no Grupo Especial, alavancada por aquele desfile sobre a escravidão, mas também por boas apresentações nos anos seguintes, o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Não dá para reparar no enredo, ou ouvir o samba de 2022 do Paraíso do Tuiuti, e não fazer um paralelo com 2018, com certeza, o desfile mais histórico da escola de São Cristóvão. Desde 2017 no Grupo Especial, alavancada por aquele desfile sobre a escravidão, mas também por boas apresentações nos anos seguintes, o Paraíso do Tuiuti quer mostrar que vem amadurecendo e que pode sonhar em repetir ou superar aquele segundo lugar de 2018.</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="dwwe-pepTVw"><iframe loading="lazy" title="PARAÍSO DO TUIUTI: samba-enredo o Carnaval 2022" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/dwwe-pepTVw?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></div>
<p>E, parece, como o enredo busca no passado a receita para um futuro melhor, o Tuiuti com certeza se inspira neste passado recente vencedor que assombrou o mundo do samba, por um desfile de qualidade, com bom samba, bons quesitos, mas principalmente por exaltar o protagonismo do povo negro. É esta retomada que a escola queira fazer e, por isso, escolheu trocar o desfile que falaria sobre os bichos para trazer a história da humanidade que vem da África, onde nasceu o primeiro homem, para exaltar “aqueles que abriram nossos caminhos”, como é descrito na própria sinopse.</p>
<p>“Ka ríba tí ye – “que nossos caminhos se abram” &#8211; o Tuiuti canta histórias de luta, sabedoria e resistência negra” é assinado pelo carnavalesco Paulo Barros que vai pela primeira vez desenvolver um enredo com esta temática. A pegada do desfile está mais voltada para a sabedoria Iorubá e fará uma homenagem aos pretos, homens e mulheres que marcaram a história da humanidade porque escolheram os caminhos da determinação, da beleza, do conhecimento, afirmando com suas trajetórias toda a sua ancestralidade.</p>
<p>O samba para 2022 do Paraíso do Tuiuti tem a autoria de Cláudio Russo, Moacyr Luz, Júlio Alves, Alessandro Falcão e W. Correia Filho e será entoado na Sapucaí por Celsinho Mody, Grazzi Brasil e Carlos Jr. O compositor Cláudio Russo resumiu um pouco do direcionamento dado ao hino pela parceria vencedora. “O fio condutor deste samba é a luta, a resistência e a exaltação ao povo em suas mãos variadas matizes”.</p>
<p>O site <strong>CARNAVALESCO</strong> dando continuidade à série de reportagens “Samba Didático” pediu ao compositor Cláudio Russo para explicar um pouco mais sobre os significados e as representações por trás de alguns versos e expressões presentes no samba do Paraíso do Tuiuti para o carnaval de 2022:</p>
<blockquote><p><span style="color: #ffff00; background-color: #3366ff;">&#8220;OLODUMARÊ MANDOU/OXALÁ ME CONDUZIR PELO CÉU DA LIBERDADE/ME FALOU ORUNMILÁ/VAI MEU FILHO SEMEAR PELO MUNDO A HUMANIDADE&#8221;</span></p></blockquote>
<p>“Os versos da cabeça que começam com Olodumarê mandou&#8230; Estão relacionadas ao mito da criação Nagô Iorubá. Pois, este mito conta que através de Olodumarê é criado o panteão dos orixás africanos (Olodumarê, o deus supremo, criou o mundo. Contou com a ajuda de Orunmilá, Exú e Oxalá)”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ffff00; background-color: #3366ff;">&#8220;SOU ALABÊ GUNGUNANDO O TAMBOR/TRAGO CANTOS DE DOR, DE GUERRA E DE PAZ/PRA VER SECAR TODO PRANTO NAGÔ/E GRITAR POR DIREITOS IGUAIS&#8221;</span></p></blockquote>
<p>“Sou Alabê gungunando significa batucando, fazendo o tambor murmurar cantos de resistência, luta e exaltação (Os tambores dos Alabês embalam o ritual do Tuiuti)”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ffff00; background-color: #3366ff;">“EH! DANDARA!/A ESPADA E A PALAVRA, EH!/NÃO VAI SER ESCRAVA/HEI DE VER NOUTRAS NEGRAS MINAS/UM BAOBÁ MALÊ QUE NASCEU DO CHÃO/PRA VENCER A OPRESSÃO COM A FORÇA DA MELANINA”</span></p></blockquote>
<p>“Neste trecho, fazemos a alusão a força da mulher preta, personificada neste trecho por Dandara dos Palmares e também a essência da concentração de melanina, fator de orgulho diante a opressão generalizada (Dandara, rainha guerreira implacável, impôs respeito, com sua força, inteligência e rebeldia)”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ffff00; background-color: #3366ff;">&#8220;KA RI BA TI YÊ CAMINHOS DE SOL/POR ONDE OTELOS, STELLAS E TERESAS DE BENGUELA/SE FAZEM FAROL&#8221;</span></p></blockquote>
<p>“Ka ri ba ti yê significa que os nossos caminhos se abrem através da luz, do sol, caminhos de um novo tempo para o povo preto representados por tantas Mercedes Batistas e Estelas de Oxóssi neste ‘brasilzão de meu Deus’, e que é luz, se faz de farol para as gerações vindouras&#8230; (A saudação do Tuiuti simboliza o respeito às nossas origens e aos ensinamentos dos orixás. Um canto de amor aos homens e mulheres pretas, que são exemplos de luta, sabedoria e resistência)”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ffff00; background-color: #3366ff;">&#8220;PRA ILUMINAR ALAFINS/E MORRER SÓ DE RIR FEITO MIL BENJAMINS&#8221;</span></p></blockquote>
<p>“Para iluminar Alafins&#8230; É a continuação do pensamento anterior, que surjam tantos outros novos Alafins ou Benjamins de Oliveira exaltando a força de nosso povo tão marcado pela luta e por inúmeras contribuições à humanidade (Benjamim de Oliveira deu o salto para a liberdade, desafiando seus opressores e encantando a plateia, principalmente, a criançada)”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ffff00; background-color: #3366ff;">“OGUNHIÊ! OKÊ ARÔ!/LAROYÊ! MEU PAI, KAÔ/TEM SANGUE NOBRE DE MANDELA E DE ZUMBI/NAS VEIAS DO POVO PRETO DO MEU TUIUTI”</span></p></blockquote>
<p>“O refrão principal enfoca as saudações a diversos orixás, como também a presença do sangue preto de Mandela e Zumbi nas veias de toda comunidade do Paraíso do Tuiuti (Mandela escolheu difundir a paz, com a serenidade de quem sabe como dominar os perigos)”.</p>
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		<item>
		<title>Samba didático: Cartola, Jamelão e Delegado vão representar toda gente do morro de Mangueira em homenagem da escola</title>
		<link>https://carnavalesco.com.br/samba-didatico-cartola-jamelao-e-delegado-vao-representar-toda-gente-do-morro-de-mangueira-em-homenagem-da-escola/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Dec 2021 15:38:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Mangueira]]></category>
		<category><![CDATA[Samba Didático]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Mangueira é uma escola que capricha quando homenageia grandes figuras do samba e da cultura brasileira. Campeã recente com o enredo sobre Maria Bethânia, em 2016, a Verde e Rosa tem um largo histórico de grandes honrarias prestadas, como a Chico Buarque em 1998, a Carlos Drummond de Andrade em 1987, Dorival Caymmi, em [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Mangueira é uma escola que capricha quando homenageia grandes figuras do samba e da cultura brasileira. Campeã recente com o enredo sobre Maria Bethânia, em 2016, a Verde e Rosa tem um largo histórico de grandes honrarias prestadas, como a Chico Buarque em 1998, a Carlos Drummond de Andrade em 1987, Dorival Caymmi, em 1986, e em 1984 com o super campeonato de inauguração do Sambódromo da Marquês de Sapucaí homenageando Braguinha. Dá até para lembrar de 2011, quando Nelson Cavaquinho rendeu um terceiro lugar para a escola que apesar das dificuldades financeiras fez um carnaval emocionante.</p>
<figure id="attachment_75415" aria-describedby="caption-attachment-75415" style="width: 963px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-75415" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/12/compositores_mangueira.jpg" alt="compositores mangueira" width="963" height="570" title="Samba didático: Cartola, Jamelão e Delegado vão representar toda gente do morro de Mangueira em homenagem da escola 3"><figcaption id="caption-attachment-75415" class="wp-caption-text">Foto: Leandro Ribeiro/Divulgação TV Globo</figcaption></figure>
<p>Desta vez, a responsabilidade é grande. São simplesmente três dos maiores ícones, não só da Mangueira, mas do carnaval e da cultura brasileira. Cartola, o fundador da escola, poeta que escolheu as cores do pavilhão, cujo centenário foi em 2008. Jamelão, uma das maiores vozes de samba de todos os tempos, voz potente como dos Reis, Reis pretos, e mestre Delegado, que defendeu o pavilhão verde e rosa por décadas, se transformando em exemplo para todas gerações de mestre-sala por sua garra e excelência em suas notas máximas.</p>
<p>A Mangueira, neste enredo, que será produzido pelo carnavalesco Leandro Vieira, escolheu nesta homenagem a estes três ícones, retratá-los também lembrando que eram de carne e osso, criados no morro, e trazendo seus nomes de batismo: Angenor, José e Laurindo, que depois se tornaram Cartola, Jamelão e Delegado. Este detalhe que dá o nome ao enredo serve também para lembrar que do Morro de Mangueira nasceram e nascem todos os dias diversos talentos. Como diz na sinopse “Engana-se quem pensa que os habitantes do Morro de Mangueira morrem sem ter o que deixar como herança, assim como estão enganados aqueles que pensam que, os que lá nascem, estão desprovidos de bens. [&#8230;] Lá, nascem ricos daquilo que o dinheiro não compra, e nós, quando privados da arte que brota a granel nos corpos da favela, ficamos mais pobres”.</p>
<p>O samba para o enredo “Angenor, José e Laurindo” é de autoria de Moacyr Luz, Pedro Terra, Bruno Souza e Leandro Almeida. A escola será a segunda a desfilar no domingo de carnaval buscando seu 21º título. O compositor Bruno Souza conta que a ideia principal do samba era retratar as três grandes referências da Mangueira como também gente simples do Morro, dessa forma homenageando também a localidade em que está inserida a Estação Primeira.</p>
<p>“A ideia central é retratar os homenageados do enredo como representantes do povo que habita o morro da Mangueira. Para isso nós começamos nosso samba apresentando a Mangueira como um lugar onde a poesia é constante, um território do povo preto que lutou e luta pela sua liberdade. A partir da Escola de Samba mostramos a sua formação para gente humilde e trabalhadora do dia a dia, que, no entanto, são reis na arte do carnaval”, explica Bruno.</p>
<p>O site <strong>CARNAVALESCO</strong> dá continuidade à série de reportagens “Samba Didático” pedindo ao compositor Bruno Souza para esclarecer um pouco mais dos significados e das representações por trás de alguns versos e expressões presentes no samba da Estação Primeira de Mangueira para o carnaval de 2022:</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff9900;">“MANGUEIRA… TEU CENÁRIO É POESIA/LIBERDADE E AUTONOMIA/QUE O NEGRO CONQUISTOU (ÔÔÔ)”</span></p></blockquote>
<p>“Apresentação da Comunidade da Mangueira como um território de beleza poética e também de luta e resistência negra”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff9900;">“A SABEDORIA SE CHAMA ANGENOR”</span></p></blockquote>
<p>“Seguimos invocando Cartola como o precursor do legado deixado pelos ancestrais mangueirenses, o reverenciando como o sábio maior, fundador da Estação Primeira. Trata-se de uma reverência a Cartola, responsável pelo legado da dinastia mangueirense e pela criatividade poética da escola”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff9900;">“LUSTRANDO SAPATO, VENDENDO JORNAL/CHAPÉU DE PEDREIRO NO MESMO QUINTAL/TRÊS ILUMINADOS REIS DO CARNAVAL”</span></p></blockquote>
<p>“É o retrato da desvalorização dos artistas negros das favelas, que embora reinantes na cultura e na arte desse país, recorreram ao trabalho informal e de baixo prestígio social como forma de subsistência”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff9900;">“AS ROSAS NÃO FALAM, MAS SÃO DE MANGUEIRA/EU VI SEU LAURINDO BEIJANDO A BANDEIRA/JOSÉ CLEMENTINO NA FLOR DA IDADE/O SOL COLORINDO A MINHA SAUDADE”</span></p></blockquote>
<p>“Chegamos ao refrão do meio trazendo o perfume das rosas de Cartola para exalar a nostalgia de Seu Laurindo beijando a bandeira e de José Bispo Clementino com sua voz inconfundível, seja na juventude nas gafieiras ou até os seus últimos dias no samba enredo. É através do perfume das rosas de Cartola que exalamos a nostalgia e a saudade dos tempos em que Delegado defendia nossa bandeira, assim como dos áureos momentos de Jamelão. Seja na sua juventude, nas gafieiras, ou em sua melhor idade, com sua voz potente interpretando a verde e rosa na avenida”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff9900;">“QUEM TRAZ A COR DESSA NAÇÃO/SABE QUE O MORRO É UM PAÍS”</span></p></blockquote>
<p>“Seguimos com o que nos une e nos faz ser um só corpo poético, dançante e vibrante. O verde e rosa que nos arrepia, o respeito por nossos ancestrais e o reconhecimento da potência da favela, que resume perfeitamente o cenário do nosso Brasil. É a afirmação da comunidade mangueirense enquanto a síntese do Brasil. De uma comunidade formada em sua maioria por trabalhadores (as) negros (as) dotados de talento, poesia e arte em sua essência e que representam não só o espírito mangueirense, mas também do que é a população brasileira”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff9900;">“A VOZ DO MEU TERREIRO IMORTALIZA O SAMBA”</span></p></blockquote>
<p>“A definição de terreiro remete aos tempos em que as quadras de escolas de samba assim eram denominadas, por se tratarem, em sua maioria, de espaços em que o chão era de terra batida. Vem do terreiro da Mangueira a voz inconfundível de Jamelão, rompendo as barreiras do mundo do samba”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff9900;">“E QUEM GUARDOU COM AMOR O NOSSO PAVILHÃO/TEM AOS SEUS PÉS A NOSSA GRATIDÃO”</span></p></blockquote>
<p>“Encerramos o samba reverenciando e agradecendo àquele que por longos anos defendeu a nossa bandeira e que com a poesia de seus pés e de seu bailado recebeu todas as notas 10 possíveis”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff9900;">“SÓ SEI QUE MANGUEIRA/É UM CÉU ESTRELADO”</span></p></blockquote>
<p>“No refrão principal clamamos para que nossos imortais sejam por nós e reconhecemos que em Mangueira há uma constelação de bambas ilustres, que pelo que construíram no passado legaram o amor que hoje batemos no peito para afirmar. Se em Mangueira foi constituído um solo de poesia, hoje em seu céu habitam os homenageados ao lado de tantos mangueirenses que fizeram da verde e rosa a escola mais querida do planeta, formando uma ilustre e saudosa constelação”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff9900;">“VALEI-ME CARTOLA, JAMELÃO E DELEGADO”</span></p></blockquote>
<p>“Durante todo o samba os homenageados são retratados pelos seus nomes de batismo e pelos seus feitos, sendo guardado para o refrão a exaltação dos nomes que lhes eternizaram através de uma invocação para que continuem a iluminar a Estação Primeira de Mangueira”.</p>
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		<item>
		<title>Samba Didático: Salgueiro se inspira em sua própria história para falar de resistência e valorização da cultura negra</title>
		<link>https://carnavalesco.com.br/samba-didatico-salgueiro-se-inspira-em-sua-propria-historia-para-falar-de-resistencia-e-valorizacao-da-cultura-negra/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Dec 2021 19:01:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Salgueiro]]></category>
		<category><![CDATA[Samba Didático]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em busca do tão sonhado título, que já não vem a 11 carnavais, o Salgueiro é mais uma escola, nesta safra de bons enredos, a buscar dentro de si a inspiração para a valorização da cultura do negro e para uma mensagem de resistência. No desfile, a escola lembrará que foi pioneira na introdução da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em busca do tão sonhado título, que já não vem a 11 carnavais, o Salgueiro é mais uma escola, nesta safra de bons enredos, a buscar dentro de si a inspiração para a valorização da cultura do negro e para uma mensagem de resistência. No desfile, a escola lembrará que foi pioneira na introdução da temática africana nos desfiles das escolas de samba, seguindo na contramão das “narrativas oficiais” da história do país, dando voz e palco para personagens, heróis e protagonistas pretos, como Xica da Silva, desfile de 1963, que ficou como inspiração depois para o filme de 1976 dirigido por Cacá Diegues e estrelado por Zezé Motta.</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="qe6Dkn50zcE"><iframe loading="lazy" title="SALGUEIRO: samba-enredo o Carnaval 2022" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/qe6Dkn50zcE?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></div>
<p>“Resistência” é assinado pelo carnavalesco Alex de Souza que vai para o quarto carnaval à frente da Academia do Samba. Torrão amado, “o lugar onde eu nasci”, como diz na letra do samba, é simplesmente o morro do Salgueiro, daí a valorização de suas próprias origens dentro de um enredo que trará o Salgueiro como um griô que transmitiu ao longo dos anos histórias riquíssimas através de seus carnavais, se consolidando como elemento ativo no processo de resistência cultural e de luta contra o racismo institucional, como é citado na própria sinopse.</p>
<p>Desta forma, com este enredo, o Salgueiro quer resistir lembrando de sua história, de um legado deixado pelos povos que viviam nos quilombos, garantindo o direito a fé, em especial em relação às religiões de matriz africana tão perseguidas, destacando os valores civilizatórios e culturais presentes na cozinha, na dança, valorizando a arte e os festejos introduzidos pelos negros, pois afinal de contas como é apresentado na própria sinopse, resistir é existir.</p>
<figure id="attachment_75280" aria-describedby="caption-attachment-75280" style="width: 757px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-75280" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/12/compositores_salgueiro.jpg" alt="compositores salgueiro" width="757" height="453" title="Samba Didático: Salgueiro se inspira em sua própria história para falar de resistência e valorização da cultura negra 4"><figcaption id="caption-attachment-75280" class="wp-caption-text">Foto: Leandro Ribeiro/Divulgação TV Globo</figcaption></figure>
<p>O samba é uma composição de autoria de Demá Chagas, Pedrinho da Flor, Leonardo Gallo, Zeca do Cavaco, Joana Rocha, Renato Galante e Gladiador. Leonardo Gallo explica que o samba valoriza justamente a resistência que o próprio Salgueiro tem feito ao longo de sua história.</p>
<p>“Nosso samba foi escrito em primeira pessoa, sendo que o próprio Salgueiro é que narra a história, o samba em si. E o fio condutor, eu diria que é a própria história do Salgueiro, que sempre valorizou a cultura do preto, foi o primeiro a faze enredo colocando o negro como protagonista, daí tivemos Zumbi, Xica da Silva”, afirma o compositor.</p>
<p>O site <strong>CARNAVALESCO</strong> dando continuidade à série de reportagens “Samba Didático”, pediu ao compositor Leonardo Gallo para explicar os significados e as representações por trás de alguns versos e expressões presentes no samba do Salgueiro para o carnaval de 2022.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;">“UM DIA MEU IRMÃO DE COR/CHOROU POR UMA FALSA LIBERDADE/KAO CABECILÊ SOU DE XANGÔ/PUNHO ERGUIDO PELA IGUALDADE”</span></p></blockquote>
<p>“Iniciamos essa narrativa afirmando que a assinatura da lei áurea deveria em tese, &#8220;em tese&#8221;, abolir a escravidão, porém libertos continuamos escravos da miséria, discriminados e marginalizados. Então nesse momento, evocamos a proteção de Xangô, nosso orixá, o orixá do Salgueiro, o orixá da justiça, padroeiro da escola e do morro do Salgueiro. Ele é capaz de combater as mazelas impostas pela exclusão que nós estamos vivendo, a exclusão social, e com isso, conclamamos nossos irmãos a resistir com o punho erguido, a lutar pela tão sonhada igualdade”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;">“HOJE CATIVEIRO É FAVELA/DE HERDEIROS SENTINELAS/DA BALA QUE MARCA, FEITO CHIBATA/VERMELHO NA PELE DOS MEUS HERÓIS/LUTARAM POR NÓS, CONTRA A MORDAÇA”</span></p></blockquote>
<p>“Passados 133 anos da abolição, ainda continuamos aprisionados a um sistema cruel onde o preto luta diariamente por respeito. Vivendo aprisionados em favelas, sob condições precárias, assentadas por políticas públicas ineficientes, isolado hereditariamente, e aterrorizados por constantes tiroteios que extingue sonhos. Assim como a chibata marcava com cicatrizes uma era de heróis que com seu sangue combatiam a intolerância racial. E hoje, sentinela são os policiais, o poder público que entra nas favelas e não quer saber quem está na frente. E com as balas, elas matam, mas elas deixam marcado também quem está vivo. Porque a lembrança fica e nunca tem fim. Então isso fica marcado com sangue”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;">“Ê MÃE PRETA, MÃE BAIANA/DESCE O MORRO PRA FAZER HISTÓRIA/ME FORMEI NA ACADEMIA/BACHAREL EM HARMONIA/EIS AQUI O MEU QUILOMBO, ESCOLA”</span></p></blockquote>
<p>“Nossas mães, as mães pretas, de quem foi criado no morro, passaram por tanta humilhação para que os filhos pudessem seguir um caminho digno. E começam a viver um tipo de vida de privações, provocações e muito trabalho. E foi com esse seu suor e aprendizado, que consegui me formar, e me formar na academia do samba representando a minha cultura e arte precedida por minhas raízes e pela história de vida dos meus ancestrais. E que história. E aí tem algumas curiosidades. Como no caso em que a representante da ala das baianas é a Tia Glorinha, moradora ainda lá do morro. Que desceu né. A escola desceu o morro e realmente fez história como baiana. Aí vem também o trecho, &#8216;bacharel em harmonia, eis aqui o meu quilombo&#8217;, quando a escola foi formada o Geraldo Babão já dizia né, ele fez um samba exaltação que foi o primeiro samba da escola, que foi exaltação que diz &#8216;vamos balançar a roseira&#8217;, nela tem uma frase sobre os diretores de harmonia, o próprio Laíla criado no morro do Salgueiro, e o próprio Calça Larga, a família Calça Larga, e o Salgueiro sempre foi bacharel em harmonia”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;">“Ê GALANGA Ê… REI ZUMBI OBÁ/PRETA AQUI VIROU RAINHA XICA/SOU A VOZ QUE VEM DO GUETO/RESISTÊNCIA NO TAMBOR/PILÃO DE PRETO VELHO EU SOU”</span></p></blockquote>
<p>“Ao som dos nossos tambores, tivemos a responsabilidade e o pioneirismo de introduzir a temática africana no carnaval do Rio de Janeiro para o mundo, e com isso criamos diversos enredos que ratificam a nossa história: &#8216;Chico Rei&#8217;, chamado de Galanga, &#8216;Zumbi dos Palmares&#8217;, ícone da resistência preta, &#8216;Xica da Silva&#8217;, coroada em nosso chão. Personagens que deram voz aos excluídos, dignificam a nossa história de resistência. A resistência do tambor é o nosso próprio pavilhão. É o próprio pavilhão do Salgueiro. Está lá representado pelos tambores. E neste caso, nós estamos falando do nosso pavilhão. E o pilão de preto velho, eu sou, é o pilão que é bem resistente, onde os pretos velhos vão macerar as ervas para tirar todo mal, e o próprio desfile de 1992, aquela imagem para todo Salgueirense é lembrado até hoje no &#8216;soca no pilão preto velho mandingueiro&#8217;. Vem isso tudo em uma levada e nós temos o nosso preto velho como a própria resistência”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;">“NO RIO BATUQUEIRO/MACUMBA O ANO INTEIRO/NÃO NEGO MEU VALOR, AXÉ/GINGADO DE MALANDRO/KIZOMBA E CAPOEIRA/CAXAMBU E JONGO, FÉ NA REZADEIRA/TEMPERO DE IAIÁ, NÃO TENHO MAIS SINHÔ/E NUNCA MAIS SINHÁ”</span></p></blockquote>
<p>“O Rio de Janeiro é a terra do malandro batuqueiro e é o próprio enredo do Salgueiro de 2016. E da macumba, todo mundo é um pouco de macumbeiro. Resistir é assentir nossa fé, é não ter medo, receio de expor nossas crenças, é dançar, é jogar. Este momento do Rio de Janeiro que nós estamos passando, muitas vezes aparece na televisão, notícia corriqueira, da intolerância religiosa que tem atingido as religiões afros. E, assim, temos que mostrar a nossa força. Temos o Jongo, o Jongo da Serrinha, o caxambu, no próprio morro do Salgueiro, são resistências. A própria rezadeira hoje quase não tem como antigamente, de levar uma criança para a rezadeira. Hoje quase já não tem valorização delas. O tempero de &#8216;Iaiá&#8217; é todo o tempero que veio já lá da África que foi disseminado aqui no Rio, no Brasil, na nossa culinária. É uma resistência. Então não tem mais essa de &#8216;sinhô&#8217;, nem de &#8216;sinhá’”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;">“SAMBO PRA RESISTIR/SEMBA MEUS ANCESTRAIS/SAMBA PELOS CARNAVAIS/TORRÃO AMADO O LUGAR ONDE EU NASCI/O POVO ME CHAMA ASSIM”</span></p></blockquote>
<p>“Aí, nós temos o samba como elemento cultural de forte resistência histórica frente ao escravismo, a colonização e as tentativas de supremacia cultural branca. O samba sempre foi voz das periferias. O samba me ensina, me encoraja, me liberta, me apresenta ao mundo. O samba me define. &#8216;Semba, meus ancestrais’, é as nossas origens, e ‘samba pelos carnavais’, as próprias escolas de samba que são resistentes a todos os sistemas. ‘Torrão amado’ é o próprio Salgueiro, o ‘torrão amado’ é como é conhecida a nossa escola, o morro em si. E pouca gente sabe disso. Quem é Salgueiro, esse é um lema nosso. Para quem nasceu, o morro é o ‘Torrão Amado’. E o Salgueiro nasceu no Morro do Salgueiro. O povo na Sapucaí espera o Salgueiro, o Torrão Amado”.</p>
<blockquote><p><span style="color: #ff0000;">“SALGUEIRO… SALGUEIRO…/O AMOR QUE BATE NO PEITO DA GENTE/SABIÁ ME ENSINOU: SOU DIFERENTE”</span></p></blockquote>
<p>“Esse trecho está mostrando a escola que é hoje o Salgueiro, graças ao Seu Djalma (Sabiá). Já que ele foi de tudo um pouco na escola. É a nossa referência no mundo do samba. O nosso maior baluarte. E nada mais grandioso do que reverenciar esse ícone do samba dando voz a resistência do Morro do Salgueiro, da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, na Sapucaí. Nada mais justo que homenagear esse grande homem representando todos os outros que também já partiram, a todos os grandes salgueirenses e muito respeito por ele. E cantar &#8216;Salgueiro, Salgueiro&#8217; é uma forma que o salgueirense tem de exaltar seu pavilhão, é o que mais o salgueirense sabe fazer, é cantar, cantar, cantar de qualquer forma, que seja o nome da sua escola. Então quando a gente fala Salgueiro e depois canta de novo, a gente reafirma o poder da nossa escola, claro sempre respeitando todas as coirmãs. Mas é o Salgueiro, a força da escola é cantar”.</p>
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