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	<title>João Vitor Araújo &#8211; Carnavalesco</title>
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	<description>Carnaval do Rio de Janeiro, escolas de samba, sambas-enredo, fantasias e vídeos</description>
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		<title>João Vitor sobre o enredo do Cubango: &#8216;Chica Xavier foi uma das pessoas que lutou para que eu pudesse ser protagonista&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto João]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Jul 2021 20:37:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Série Ouro]]></category>
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		<category><![CDATA[João Vitor Araújo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O carnavalesco João Vitor Araújo, do Cubango, é um dos artistas mais sensíveis e engajados do carnaval carioca. Após um belo desfile apresentado no Tuiuti em 2020, muito mal avaliado pelos julgadores, o artista aporta em Niterói para desenvolver o enredo “O amor preto cura: Chica Xavier, a mãe baiana do Brasil”, que vai homenagear [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O carnavalesco João Vitor Araújo, do Cubango, é um dos artistas mais sensíveis e engajados do carnaval carioca. Após um belo desfile apresentado no Tuiuti em 2020, muito mal avaliado pelos julgadores, o artista aporta em Niterói para desenvolver o enredo “O amor preto cura: Chica Xavier, a mãe baiana do Brasil”, que vai homenagear a atriz Chica Xavier no próximo desfile. Ao site <strong>CARNAVALESCO</strong>, ele falou revelou o significado de escolher a personagem para a sua apresentação na verde e branco.</p>
<figure id="attachment_71303" aria-describedby="caption-attachment-71303" style="width: 738px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-71303" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/07/joao_vitor_cubango.jpg" alt="joao vitor cubango" width="738" height="460" title="João Vitor sobre o enredo do Cubango: &#039;Chica Xavier foi uma das pessoas que lutou para que eu pudesse ser protagonista&#039; 1" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/07/joao_vitor_cubango.jpg 738w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/07/joao_vitor_cubango-300x187.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/07/joao_vitor_cubango-696x434.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/07/joao_vitor_cubango-674x420.jpg 674w" sizes="(max-width: 738px) 100vw, 738px" /><figcaption id="caption-attachment-71303" class="wp-caption-text">Foto: Ewerton Pereira/Divulgação</figcaption></figure>
<p>&#8220;Falar de Dona Chica Xavier pra mim, além de ser uma alegria muito grande, até porque foi uma inspiração que eu pedi ao tempo. Pode parecer clichê para algumas pessoas: ‘Ah homenagear uma personalidade’, mas acho que a Sapucaí é o palco pra isso, onde a gente conta histórias, onde a gente celebra personalidades, principalmente, personalidades que tenham um significativo muito grande na nossa vida, na nossa formação, na formação da cultura do nosso país, que é o caso de Dona Chica que além de atriz era mãe, “ialorixá”, foi profissional da educação e tantos outros atributos que fazem parte da formação de Dona Chica Xavier. Ela foi uma guerreira, uma das protagonistas no elenco da luta antirracista, por exemplo, ela lutou pela verdadeira inserção do povo preto na sociedade. Quando eu digo o povo preto na sociedade eu me enxergo. Porque para hoje eu estar aqui falando com você como artista de frente de uma escola tão maravilhosa, tão grande como a Acadêmicos do Cubango foi porque lá atrás houve luta. Na verdade, a luta nunca acabou. Mas é uma luta que começou há muito anos antes de eu nascer. Dona Chica foi uma dessas pessoas que lutou para que eu pudesse estar aqui hoje como protagonista da minha arte&#8221;.</p>
<p>Ter a presidente Patrícia Cunha, como presidente do Cubango, uma mulher negra e ex-porta-bandeira, também mexe com o carnavalesco João Vitor Araújo.</p>
<p>&#8220;Uma agremiação forte como a Acadêmicos do Cubango, ter mulher presidente negra à frente de uma agremiação, é algo que não se via há muito tempo, como um amigo lembrou, acho que desde Dona Neide, presidente do Império Serrano. Olha quanto tempo, olha a distância e como isso é difícil, como é raro, e não só presidente, mas uma escola onde praticamente todos os segmentos são negros. Temos o Fabinho Batista, coreógrafo da comissão de frente, que é negro, eu que sou negro, a presidente que é negra, a vice-presidente que é negra, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, a rainha de bateria que é negra. Cubango é uma escola negra&#8221;.</p>
<p>O artista do Cubango ressaltou que o bairro do Cubango, em Niterói, a a escola de samba possuem lugar de fala para desenvolverem enredos abordando a temática negra.</p>
<p>&#8220;O bairro do Cubango é um quilombo de resistência. É essa missão cultural, social e política que a escola de samba tem. Ela abraça e acaba, de certa forma, representando a história de toda a sua comunidade. As pessoas que ocupam esses espaços, 90% são negras. A escola fala por elas, fala por todos. Essa é a missão da escola de samba, essa é a missão do carnaval. Isso tudo me possibilita trazer à tona esse tipo de enredo, esse tipo de linguagem. É muito triste quando a gente lê pessoas falando: ‘Ah, de novo?’. Não a gente não pode deixar de lado personalidades, deixar de lado essa parte da história, até porque se o carnaval existe, se todo mundo ama sentar na arquibancada, se todo mundo ama sentar numa frisa, num camarote, se divertir, cantar, sambar, admirar é porque lá atrás o nosso povo construiu isso tudo, começou isso tudo. É óbvio que ano a ano, em pelo menos duas ou três escolas, ou mais ou menos, a negritude tem que ser exaltada. E, pra mim, enquanto artista negro, é um prazer, é fabuloso estar em conexão com esse tema, estar em conexão com a Acadêmicos do Cubango, com o que ela representa para a comunidade, trabalhando essa linguagem de enredo, acho que está sendo o momento mais oportuno pra minha carreira&#8221;.</p>
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		<title>João Vitor na coluna Espaço do Sambista: &#8216;A origem das escolas de samba é negra&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto João]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Nov 2020 20:20:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Série Ouro]]></category>
		<category><![CDATA[João Vitor Araújo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O carnavalesco João Vitor Araújo, considerado um dos maiores talentos da nova geração, carrega o DNA de luta, amor e resistência no carnaval. Ele concedeu entrevista para a coluna &#8220;Espaço do Sambista&#8221;, que é publicada toda sexta-feira no jornal MEIA HORA. Veja abaixo o papo na íntegra. Em um sentido mais amplo, por que o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O carnavalesco João Vitor Araújo, considerado um dos maiores talentos da nova geração, carrega o DNA de luta, amor e resistência no carnaval. Ele concedeu entrevista para a coluna &#8220;Espaço do Sambista&#8221;, que é publicada toda sexta-feira no jornal MEIA HORA. Veja abaixo o papo na íntegra.</p>
<p><strong>Em um sentido mais amplo, por que o carnaval tem poucos carnavalescos negros?</strong></p>
<p>João Vitor: &#8220;Falar sobre isso sempre acaba gerando polêmica. Infelizmente, quando este assunto vem a baila, uma quantidade expressiva de pessoas que se dizem apaixonadas por carnaval, são incapazes de compreender a origem das escolas de samba que é negra. Tão sempre ali proferindo comentários preconceituosos, falando que é mimimi. Muitos não tem boa vontade de entender o quão tudo isso é grave, principalmente, por se tratar de uma festa que é genuinamente negra como eu disse anteriormente. E quando você nota a ausência de artistas negros na linha de frente dos desfiles, não se pode simplesmente dizer que a razão dessa ausência é porque nós não queremos, não nos interessamos, que a oportunidade é para todos e nós é que não a abraçamos. Isso é um absurdo. Acho que tudo isso está incluído no racismo estrutural. Automaticamente muitas pessoas aprenderam e acostumaram a associar a arte do carnaval a um artista branco. Eu já falei com você algumas vezes que ainda causo estranheza em algumas pessoas, por ser carnavalesco negro. Acho que temos uma caminhada de luta muito grande para que esse quadro empreteça. Existem muitos artistas negros fabulosos nos grupos de acesso, aguardando apenas uma oportunidade. Essa chance só pode ser dada por aqueles que estão no comando das administrações. É preciso esquecer as comparações maldosas. Já dizia um ditado antigo: &#8216;Sem oportunidade não há experiência&#8217;. Ainda te digo mais, não gosto de ser rotulado como o único carnavalesco negro do Especial (nem sou mais rs), gostaria de ser apenas carnavalesco, desde que outros artistas negros também estivessem ocupando a mesma profissão no grupo principal. Aí sim poderíamos dizer que a profissão é &#8216;racialmente democrática&#8217;.</p>
<p><strong>O que você pensa desse momento de enredos que citam causas sociais?</strong></p>
<p>João Vitor: &#8220;Acho fantástico. Estamos vivendo um momento de total desgoverno. O racismo cada vez mais escancarado, a política retrocedendo cada vez mais. Acho que são razões mais do que suficiente para tratar em forma de enredo ou pelo mesmo como passagem dentro de um enredo. Acho pertinente, não acho batido como dizem por aí. Quantas anos seguidos vimos várias escolas homenageando cidades? Muitas sem grandes relevâncias históricas?  Tem espaço para o lúdico, para o biográfico, para o histórico, CEP e para as críticas políticas e sociais também. Não falar sobre os dois temas perguntados, acho que só se o Brasil fosse o país das maravilhas, como dizia Joãozinho Trinta&#8221;.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-63686" src="http://site.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/joao_vitor_nova.jpg" alt="joao vitor nova" width="655" height="423" title="João Vitor na coluna Espaço do Sambista: &#039;A origem das escolas de samba é negra&#039; 3" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/joao_vitor_nova.jpg 655w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/joao_vitor_nova-300x194.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/joao_vitor_nova-650x420.jpg 650w" sizes="(max-width: 655px) 100vw, 655px" /></p>
<p><strong>Você teve grande destaque no Acesso. Dizem que é uma escola. Mas como se destacar lá hoje sem condição de estrutura e de finança?</strong></p>
<p>João Vitor: &#8220;O Grupo de Acesso será sempre a verdadeira universidade para quem sonha em realizar seus sonhos carnavalescos no Grupo Especial. Todas as teorias acadêmicas caem por terra. Muitas vezes não conseguimos concretizar o que foi projetado no papel. O trabalho na prática muitas vezes faz com que ignoremos o que sonhamos. É preciso ser perspicaz para tomar as melhores decisões, ter paciência, pensar muito rápido nos momentos mais difíceis, ser muito criativo sem perder o bom gosto e o carinho pelo trabalho. Este grupo dirá se você está pronto ou não&#8221;.</p>
<p><strong>Qual sua mensagem para um menino que ler essa entrevista e sonha em ser um carnavalesco como você?</strong></p>
<p>João Vitor: &#8220;Interessante esse pergunta, pois é por eles que eu luto, não desisto e quero seguir em frente. Fazer carnaval não é fácil, só quem tem amor por tudo isso, é capaz de enfrentar todos os obstáculos encontrados pela frente. Não temos quase nenhum dia de paz, mas depois que você vê o resultado lá na frente, tudo compensa. Hoje eu tenho muitos admiradores pelo Brasil a fora. Recebo inúmeras mensagens de meninos que dizem me ter como referência artística, de coragem e determinação. Isso me deixa muito orgulhoso. Costumo sempre dizer para eles que sejam aquilo que eles quiserem ser, por mais difícil que a vida esteja, sonhar vale muito a pena, conseguir realizar é melhor ainda. Querem ser carnavalesco? Sejam. Estudem, pesquisem, aprendam. A profissão é linda, mesmo com inúmeras dificuldades. Eu espero que os desfiles de escolas de samba aconteçam nos próximos mil anos. Para isso, renovar será sempre preciso&#8221;.</p>
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