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	<title>Entrevistão &#8211; Carnavalesco</title>
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	<description>Carnaval do Rio de Janeiro, escolas de samba, sambas-enredo, fantasias e vídeos</description>
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	<title>Entrevistão &#8211; Carnavalesco</title>
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		<title>Entrevistão: &#8216;Fazer o caminho reverso exige coragem&#8217;: Zé Paulo Sierra abre o jogo sobre a Maricá e o carnaval</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcos Marinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 22:08:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[União de Maricá]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_195201" aria-describedby="caption-attachment-195201" style="width: 809px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-195201" src="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica_2.jpg" alt="ze marica 2" width="809" height="476" title="Entrevistão: &#039;Fazer o caminho reverso exige coragem&#039;: Zé Paulo Sierra abre o jogo sobre a Maricá e o carnaval 2" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica_2.jpg 809w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica_2-600x353.jpg 600w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica_2-150x88.jpg 150w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica_2-768x452.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica_2-714x420.jpg 714w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica_2-300x177.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica_2-696x410.jpg 696w" sizes="(max-width: 809px) 100vw, 809px" /><figcaption id="caption-attachment-195201" class="wp-caption-text">Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO</figcaption></figure>
<p>Fazer o &#8220;caminho reverso&#8221; no carnaval exige coragem. Quando Zé Paulo Sierra trocou o Grupo Especial pelo projeto de acesso da União de Maricá, muitos não entenderam a aposta. Hoje, com o passaporte carimbado de volta à elite e após a missão de defender a Portela em um momento de luto, ele prova que é movido a desafios. No “Entrevistão”, o intérprete analisa o alto nível de exigência vocal, a revolução do streaming e o futuro das disputas de samba.</p>
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<p><strong>O que passa na sua cabeça quando você pensa que largou o Especial para tentar o projeto com a Maricá e agora estar no Especial com ela?</strong></p>
<p>Zé Paulo Sierra: Foi uma decisão baseada na experiência que vivi na Viradouro, de 2013 para 2014, quando eu era intérprete da Estação Primeira de Mangueira. Na época, com a saída do Ivo Meirelles da presidência, decidi seguir outros caminhos. A Viradouro estava no Grupo de Acesso, e eu resolvi me dedicar à escola para fazer um trabalho de resgate. Logo no primeiro ano, fomos campeões.</p>
<p>Quando surgiu a proposta da Maricá, o cenário era de uma possível subida. O plano inicial era que, se a escola vencesse o Acesso, eu assumiria como intérprete oficial no Especial já para o carnaval de 2026. Quando acabou a conversa, a primeira coisa que perguntei ao presidente foi: ‘E se não subir, a proposta continua de pé?’. Ele garantiu que sim, mas acho que no fundo não acreditou muito. Afinal, eu estava no Grupo Especial, e fazer esse ‘caminho reverso’ é algo que a maioria das pessoas não compreende. Só que eu tinha o profundo desejo de construir essa história novamente.</p>
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<p>Por isso, assim que terminou o Carnaval de 2025, procurei o presidente e falei: ‘A minha proposta de cantar no Acesso está de pé, se a escola quiser contar comigo’. Foi uma escolha muito motivada pela minha vivência na Viradouro; a experiência de estar na escola do Acesso até ela se tornar a potência que é hoje.</p>
<p>Queria resgatar essa construção de identidade e, por uma feliz coincidência, a Maricá subiu logo no meu primeiro ano aqui, repetindo o feito de 2014. Conseguimos o acesso para 2027! É um projeto de longevidade, com muita vontade de fazer as coisas darem certo.</p>
<p><strong>Quando você chegou à Maricá, disse que a escola ofereceria estrutura de trabalho. Conta para a gente como é isso na prática?</strong></p>
<p>Zé Paulo Sierra: Acho que o resultado é muito visível. É uma escola que trabalha com muita seriedade. Nós estamos aqui hoje no barracão e, claro que ainda há coisas a finalizar, mas parece que ele foi construído agora; está novo, entregue. Era um espaço antes utilizado por uma coirmã, e a sensação é de que tudo está saindo do zero, de forma muito organizada, planejada e pensada. A diretoria pensa muito nos seus segmentos e dá todo o suporte para fazermos um grande trabalho.</p>
<p>E isso não envolve somente a parte financeira, mas, principalmente, o ato de ouvir. Hoje, por exemplo, temos uma sala de ensaios para atender as necessidades dos casais de Mestre-sala e Porta-bandeira e do Patrick Carvalho (coreógrafo da comissão de frente). Além disso, temos o projeto da nova quadra e já contamos com um técnico de som exclusivo da escola.</p>
<p>Cada segmento tem a sua demanda atendida. Afinal, não adianta querer ter tudo e tudo isso não funcionar no dia a dia. Tudo o que é feito aqui é pensado para dar funcionalidade ao nosso trabalho e garantir que o profissional se sinta bem.</p>
<p><strong>Como será o seu trabalho para ajudar a escola a mexer com o público e, ao mesmo tempo, atender aos jurados em 2027?</strong></p>
<p>Zé Paulo Sierra: Vai ter que ser um trabalho cada vez mais técnico. Tivemos um simpósio da Liesa recentemente, e o quesito harmonia ainda gera muita dúvida. Tem jurado que defende que o canto da escola (a comunidade) deveria ter um peso maior na pontuação, já que o quesito foi redividido em subquesitos. Houve, inclusive, propostas para reorganizar a distribuição dessas pontuações.</p>
<p>É um quesito muito complexo. Precisamos aliar o canto da escola, em sua totalidade, ao desempenho técnico da ala musical: afinação, uníssono e a precisão dos arranjos. Para se ter uma ideia do nível de exigência atual, um julgador chegou a sugerir que os arranjos musicais passem a ser entregues escritos; uma opção que ficaria a critério de cada agremiação.</p>
<p>As discussões estão amadurecendo, mas a resposta prática para tudo isso é uma só: mais ensaio. E ensaios diferenciados. O que fazemos na rua, às vezes, deixa passar detalhes que não percebemos. Já um ensaio de estúdio revela nuances de afinação e harmonia que precisam ser corrigidas ou acrescentadas, sempre em total sintonia com a bateria.</p>
<p>É preciso se esmerar e observar o que as escolas que gabaritaram o quesito vêm fazendo. Não se trata de copiar, mas de se espelhar. Vamos pegar o enorme talento que já temos na nossa escola e adequá-lo ao crivo de julgamento do Grupo Especial.</p>
<p><strong>Seguindo nessa linha, o quesito harmonia tem focado bastante na ala musical e no intérprete. Como você enxerga essa dinâmica no julgamento atual?</strong></p>
<p>Zé Paulo Sierra: Tivemos um hiato de uns dois ou três anos em que o foco da perda de décimos ficou quase totalmente no antigo carro de som. Mas, de uns dois anos para cá, as alas de comunidade voltaram a ser penalizadas. Hoje, o julgamento se divide de forma muito clara entre o canto da escola e a parte musical técnica, e houve até uma sugestão recente de dar ainda mais peso ao desempenho da comunidade no regulamento, retomando o que era o foco inicial do quesito Harmonia no passado.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-195200" src="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica.jpg" alt="ze marica" width="1091" height="704" title="Entrevistão: &#039;Fazer o caminho reverso exige coragem&#039;: Zé Paulo Sierra abre o jogo sobre a Maricá e o carnaval 3" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica.jpg 1091w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica-600x387.jpg 600w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica-150x97.jpg 150w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica-768x496.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica-651x420.jpg 651w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica-300x194.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica-696x449.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/ze_marica-1068x689.jpg 1068w" sizes="(max-width: 1091px) 100vw, 1091px" /></p>
<p>Independentemente de como essas notas serão divididas nos subquesitos, o nível de exigência é altíssimo. A escola precisa ensaiar muito. Em Maricá, temos a grande vantagem de realizar muitos ensaios de rua. Ano passado fizemos cerca de dez treinos, o que para uma escola do Acesso é um parâmetro altíssimo, digno de Grupo Especial.</p>
<p>Como a nossa quadra ainda não comporta estruturalmente um ensaio mais técnico, focar na rua ajuda demais a construir o canto da escola. Sabemos que, no dia do desfile, a emoção e a presença dos carros alegóricos alteram o cenário, mas o segredo continua sendo um só: quanto mais ensaios, melhor.</p>
<p><strong>Falando sobre o simpósio da Liesa com a presença dos julgadores, qual foi seu balanço desse encontro?</strong></p>
<p>Zé Paulo Sierra: Foi muito importante. O Gabriel David já vinha iniciando esse trabalho de aproximação antes mesmo de assumir a presidência da Liesa. Antigamente, o julgador ficava muito distante das escolas, parecia alguém intocável. Poder ter essa troca foi bacana demais. A gente sabe que não é fácil julgar. Você mexe com a paixão de comunidades inteiras e com o trabalho de diversos profissionais. E sempre alguém precisará perder décimos para outra escola poder ganhar.</p>
<p>Essa nova proximidade torna o processo muito mais transparente. Estamos ali sentados, conversando em prol de um bem maior: buscar uma regularidade melhor tanto para os desfiles quanto para o próprio trabalho do corpo de jurados.</p>
<p>Nós temos lido as justificativas atentamente para entender onde estão as demandas de despontuação. Seja mantendo o regulamento atual ou alterando para o próximo carnaval, precisamos estar sempre atentos ao que funciona. Você analisa uma coirmã e pensa: ‘Olha que arranjo bacana, vamos melhorar o nosso’, ou ‘Eles fazem mais abertura de voz ali, vamos tentar trabalhar isso’. No fim das contas, é um jogo de xadrez.</p>
<p><strong>O que você achou do novo sistema de som da Avenida implementado em 2026? E o fim do carro de som?</strong></p>
<p>Zé Paulo Sierra: Demos um salto gigantesco de qualidade. Antes, não tínhamos passagem de som na Sapucaí. Hoje temos o mini desfile em dezembro e os ensaios técnicos, que já funcionam como essa passagem de som, além de mais um teste na semana oficial do evento. A sonorização é muito boa e a tendência é ficar ainda melhor com os ajustes futuros, já que este foi apenas o primeiro ano.</p>
<p>A BMX (empresa responsável pelo novo sistema de som) fez um trabalho excelente. Eles tentaram entender o funcionamento particular de cada escola, nos deixaram totalmente à vontade e nos deram suporte o tempo todo. E o tratamento foi exatamente o mesmo, tanto para as escolas do Acesso quanto para as do Especial.</p>
<p>Claro que na sexta-feira houve algumas dificuldades iniciais, o som estava muito alto e o retorno da bateria ficou um pouco embolado, mas no sábado isso já estava devidamente ajustado. É show ao vivo, e imprevistos acontecem.</p>
<p>Quanto à ausência do carro de som físico, para mim não fez falta nenhuma. Eu já não me apoiava nele e sempre usei fone de ouvido para o meu retorno, então a minha dinâmica mudou muito pouco. Acredito que a falta do caminhão foi mais uma questão estética para quem estava assistindo da arquibancada.</p>
<p><strong>Como foi a missão de assumir o microfone da Portela após a morte do Gilsinho?</strong></p>
<p>Zé Paulo Sierra: Fui para a Portela não para substituir o Gilsinho, mas por alguns motivos: eu havia cantado o samba que se sagrou campeão na disputa, então a escola já teria alguém dominando a obra. Além disso, tenho uma identificação antiga com a agremiação; comecei a gostar de samba-enredo por causa da Portela. O Júnior (Escafura, presidente da Portela) é um grande amigo e sabia disso.</p>
<p>Quando ele me procurou, eu era um dos poucos nomes à disposição, embora estivesse ‘indisponível’ contratualmente. Fui direto com ele: ‘Eu garanto fazer as duas escolas, mas não abro mão da Maricá, porque tenho contrato e compromisso aqui&#8221;. As diretorias conversaram e chegamos a um acordo.</p>
<p>Foi um desafio imenso, porém extremamente prazeroso. Realizei um sonho do meu pai, revivi a minha infância e tentei levar um pouco de alegria para a escola num momento de tanta tristeza e luto pela nossa perda do Gilson. Dei o meu melhor.</p>
<p>Uma pena a colocação da escola na apuração, mas desejo toda a sorte ao Júnior e ao Bruno Ribas, meu irmãozinho que assumiu o microfone com todo afinco e talento. Cantei dois dias seguidos, dei conta do recado e, na minha opinião, fui bem em ambas as apresentações; os áudios estão aí nas plataformas para provar. Não me arrependo de nada.</p>
<p><strong>Hoje, qual sua análise técnica do samba do Caju (Mocidade 2024) e, indo além da técnica, o que ele representou?</strong></p>
<p>Zé Paulo Sierra: O Caju é um achado. Há quanto tempo não víamos um samba tão protagonista de um Carnaval? E tem um detalhe muito importante: foi um samba protagonista cuja agremiação não foi campeã nem sequer voltou no Desfile das Campeãs. Tecnicamente falando, ele rendeu muito mais nos ensaios técnicos do que no próprio dia oficial do desfile, muito impulsionado pelo público nas arquibancadas.</p>
<p>Acho que o André, diretor musical da Mocidade, foi genial na criação daquela introdução. Que viralizou! É muito gratificante ver que, depois de mim, é o segundo cantor que passa pela escola, e a introdução contínua sendo o meu grito de guerra. É difícil cantar o Caju hoje sem fazer ‘Prepare o seu coração’.</p>
<p>Esse samba entrou definitivamente para a história do Carnaval. Se fosse um desfile campeão, entraria para aquela galeria de um ‘Me dê, me dá’ ou ‘Explode Coração’. É um samba para a história da Mocidade e do Carnaval, assim como o ‘Alabê de Jerusalém’ da Viradouro. Tive a sorte na minha carreira de cantar grandes obras, e essa, sem dúvida alguma, é uma delas.</p>
<p><strong>Hoje, os álbuns nas plataformas digitais estão com ótima aceitação. O caminho é por aí? O que melhoraria?</strong></p>
<p>Zé Paulo Sierra: É um caminho sem volta. O samba já não toca mais em rádios comerciais há muito tempo, e o nosso tempo de exposição na TV aberta é muito menor do que tínhamos nas décadas de 1980 e 1990. Hoje, o streaming é o caminho. O samba do Caju, por exemplo, foi a música mais executada no Rio de Janeiro na virada do Ano Novo de 2023 para 2024 via plataformas digitais. Por isso, o Gabriel David direcionou o marketing da Rio Carnaval para as redes sociais e para os influenciadores. É onde o público está.</p>
<p>Além do alcance, a qualidade técnica dos álbuns também melhorou muito. Nos primeiros anos do formato digital, os sambas chegavam às plataformas muito comprimidos. Hoje, a produção das faixas entendeu o processo, e melhorou bastante. É um caminho sem volta.</p>
<p><strong>Para encerrar, a disputa de samba é financeiramente atrativa para os cantores? Quais são os desafios para você, como intérprete?</strong></p>
<p>Zé Paulo Sierra: Para uma pequena parcela que compõe a ‘elite’ do Grupo Especial, sim. Mas a grande maioria dos cantores profissionais, que atuam nas Séries Ouro, Prata e Bronze, acaba ficando de fora. As eliminatórias encurtaram. Antes, tínhamos disputas longas, com 17 rodadas; hoje, raramente chegam a dez. Isso sem contar o movimento crescente de agremiações que encomendam os sambas ou que limitam a quantidade de microfones nos palcos apenas para cortar custos de produção. Um modelo ideal seria um tempo para ouvir os sambas e depois fazer a disputa.</p>
<p><strong>E o que mudaria nas disputas de samba pensando na avaliação dos sambas e no processo de escolha?</strong></p>
<p>Zé Paulo Sierra: O tempo é o fator principal. O ideal não é ter disputas de meses, mas sim criar um intervalo maior; por exemplo, de um mês para ouvir o samba entre a entrega e o início das eliminatórias. Além disso, eu gostaria que pudéssemos gravar as faixas concorrentes ao vivo, direto do barracão, com total tranquilidade. Imagina oferecer uma hora de estúdio para cada parceria se apresentar, sem aquele caos do primeiro dia de eliminatória. Às vezes, obras com potencial acabam sendo eliminadas precocemente simplesmente porque não foram bem passadas no palco. Quanto mais a gente tiver antenado e participando do projeto, a gente consegue um trabalho melhor.</p>
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		<title>Entrevistão: ‘Sonho com a criação de uma faculdade dentro da Cidade do Samba para formar novos profissionais para o carnaval’, diz Elmo José dos Santos</title>
		<link>https://carnavalesco.com.br/entrevistao-sonho-com-a-criacao-de-uma-faculdade-dentro-da-cidade-do-samba-para-formar-novos-profissionais-para-o-carnaval-diz-elmo-jose-dos-santos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcos Marinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 03:58:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há legados que só o tempo é capaz de assentar. Foi o que aconteceu com Elmo José dos Santos ao olhar para a atual diretoria da Liesa e ver, na nova geração de dirigentes, os mesmos meninos que ele viu nascer. Eterno &#8220;Rato do Tamborim&#8221; e ex-presidente campeão pela Mangueira, ele vive hoje um momento [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_194979" aria-describedby="caption-attachment-194979" style="width: 950px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-194979" src="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa.jpg" alt="Elmo liesa" width="950" height="612" title="Entrevistão: ‘Sonho com a criação de uma faculdade dentro da Cidade do Samba para formar novos profissionais para o carnaval’, diz Elmo José dos Santos 6" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa.jpg 950w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa-600x387.jpg 600w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa-150x97.jpg 150w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa-768x495.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa-652x420.jpg 652w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa-300x193.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa-696x448.jpg 696w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" /><figcaption id="caption-attachment-194979" class="wp-caption-text">Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO</figcaption></figure>
<p>Há legados que só o tempo é capaz de assentar. Foi o que aconteceu com Elmo José dos Santos ao olhar para a atual diretoria da Liesa e ver, na nova geração de dirigentes, os mesmos meninos que ele viu nascer. Eterno &#8220;Rato do Tamborim&#8221; e ex-presidente campeão pela Mangueira, ele vive hoje um momento de colheita. Já consagrado com o título de baluarte de sua escola do coração, o diretor projeta o cobiçado centenário Verde e Rosa e celebra 25 anos como diretor de carnaval da Liga exercendo um papel que vai muito além da logística e da técnica: o de griô, &#8220;tio&#8221; carinhoso e grande pacificador dos bastidores. Depois de desbravar a lama para ajudar a erguer o asfalto da Cidade do Samba, ele acompanha, com orgulho e lágrimas nos olhos, a modernização do espetáculo comandada pela juventude. Nesta edição do “Entrevistão”, Elmo fala sobre tudo isso: a emoção do reconhecimento, o fim das antigas rivalidades de barracão e o que significa, ainda hoje, cuidar da floresta inteira para manter o quilombo do samba de pé.</p>
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<p><strong>Como foi ser presidente da Estação Primeira de Mangueira?</strong></p>
<p>Elmo José dos Santos: Foi uma das maiores honras da minha vida. Nasci e fui criado no morro de Mangueira, no tempo de parteira. Meu pai, mestre Tinguinha, foi fundador da bateria, e meu tio, Chico Porrão, o primeiro ensaiador da escola. Fui ritmista, diretor de harmonia, diretor de relações públicas, diretor social, passista&#8230; Mas você nunca imagina que um dia vai ser presidente. Em 1994, a Mangueira estava em 11º lugar, a um ponto do rebaixamento, sem mesa, sem cadeira e com 500 mil dólares de dívida. Quando a comunidade me escolheu, recusei de início, meu pai tinha medo porque já tinham assassinado dois presidentes. Mas, quando vi, já estava sendo carregado nos ombros. Arregaçamos as mangas, fomos atrás das autoridades mangueirenses junto com Alcione, Jamelão, Dona Neuma e Dona Zica e deu certo: em 1995 fomos para o quarto lugar. No ano seguinte, terceiro. E em 1998 fomos campeões com ‘Chico Buarque de Mangueira’.</p>
<p>Também ampliamos nossos trabalhos sociais, que chegaram a ser reconhecidos internacionalmente, recebendo até a visita do [ex-presidente dos EUA] Bill Clinton, que disse que a Mangueira tinha um dos melhores trabalhos sociais dos países em desenvolvimento. Fiz da Mangueira um grande exército que andou ombro a ombro até ser campeã novamente. A Mangueira é, acima de tudo, uma entidade viva espiritualmente. Quando assumi, mestres como Jamelão, Carlos Cachaça, Nelson Sargento, Xangô, Dona Neuma, Dona Zica me colocaram no meio de uma roda. E o Nelson Sargento me disse:</p>
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<p>‘A Mangueira é uma árvore frondosa. Ela tem raiz, tem tronco, tem galho e dá frutos saborosos. Nunca se esqueça: você, como presidente, é apenas um galho. E por mais que os galhos cresçam, o tronco sempre será maior. E quem sustenta o tronco são as raízes’. Comecei a chorar tanto que minha tia rezadeira teve que me tirar da roda. Hoje fazemos o maior espetáculo da Terra, mas muita gente morreu, apanhou da polícia e defendeu o nosso quilombo para chegarmos até aqui. Salve a Mangueira!</p>
<p><strong>O enredo do Chico Buarque foi fruto das andanças que vocês fizeram atrás dos mangueirenses ilustres?</strong></p>
<p>Elmo José dos Santos: Exatamente. Descobrimos que o Chico era mangueirense; a Portela até tentou fazer um enredo sobre ele antes, mas ele não aceitou. O Chico é boníssimo, um gênio, mas muito tímido. Quando ele disse que queria ir ao morro, avisei a imprensa toda. Foi uma loucura! À noite, meu telefone tocou. Era o Chico: ‘Presidente, queria pedir uma coisa. Quando eu for de novo, não chame a imprensa. Quero ir lá no alto, no Pindura Saia, tomar uma cachaça e curtir com a minha Velha Guarda’. Levei ele sem ninguém saber.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-194981" src="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_3.jpg" alt="Elmo liesa 3" width="1023" height="668" title="Entrevistão: ‘Sonho com a criação de uma faculdade dentro da Cidade do Samba para formar novos profissionais para o carnaval’, diz Elmo José dos Santos 7" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_3.jpg 1023w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_3-600x392.jpg 600w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_3-150x98.jpg 150w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_3-768x501.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_3-643x420.jpg 643w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_3-300x196.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_3-696x454.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 1023px) 100vw, 1023px" /></p>
<p>Até hoje o Chico faz o show de verão da Mangueira. Ele nunca abandonou a escola, mas tem uma coisa: depois que fomos campeões com ele, a escola foi homenagear a Maria Bethânia e o convidamos para desfilar. Sabe o que ele respondeu? ‘Vou colocar meu título em jogo?’ (Risos). Nunca mais desfilou! Mas sempre ia à quadra de surpresa, cantava, e o povo ficava feliz. Não foi amor de ocasião, ele levou a Mangueira para o coração.</p>
<p><strong>Qual seu desfile inesquecível e por quê?</strong></p>
<p>Elmo José dos Santos: A inauguração do Sambódromo, em 1984. Eu tocava caixa na bateria, e a Mangueira foi supercampeã com o povo indo e voltando atrás, consagrada. Mas é difícil escolher um só. O desfile inesquecível é aquele em que a escola canta com amor, em que a comunidade sua a camisa sambando e sonha junto. Em 1998, colocamos um piano no carro de som. O Chico, muito tímido, subiu antes de soar a sirene, e só disse: ‘Vai passar nessa avenida um samba popular’. A arquibancada veio abaixo! Ganhei e perdi, mas nunca deixei de defender a bandeira Verde e Rosa conforme os mestres me ensinaram. Aprendi que família é aquela que está junto no tempo de som, mas principalmente no tempo de trovão.</p>
<p><strong>Você imaginava que estaria há 25 anos na Liesa?</strong></p>
<p>Elmo José dos Santos: Nunca contei o tempo. Aprendi com mestres como Capitão Guimarães, Anísio Abraão David, Carlinhos Maracanã e Luiz Pacheco Drummond que, na Liga, você tem que ser ‘tratador de floresta’, não de uma árvore só. O samba teve que provar o tempo todo que veio do povo. Somos guerreiros de um quilombo. Quando nos atacam, defendemos. Quando recuam, choramos nossos mortos ao redor da fogueira, mas festejamos o nascimento dos nossos curumins, as crianças das escolas mirins. Não fui escolhido para cuidar de uma árvore, mas da floresta inteira. Procurei fazer isso com muito amor, carinho e respeito por todas as escolas de samba. Por isso cheguei a esses 25 anos.</p>
<h2><strong>VEJA MAIS</strong><br />
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<p><strong>Como você se sente quando é chamado de Griô do carnaval?</strong></p>
<p>Elmo José dos Santos: Minha responsabilidade cresce muito. Faço a lavagem das Sapucaí há 16 anos com minhas tias rezadeiras. Usamos água de um poço em Itaboraí, do tempo da escravidão, com mais de 100 anos. E assumo esta responsabilidade: assentamos aqui o nosso santo, Oxóssi, o rei dos caboclos e da fartura. Sou eu quem coloca as flores e a bebida dele, que é o padroeiro da Cidade do Samba, do Rio de Janeiro e de várias escolas, e tomo conta do povo de rua porque o carnaval também é deles.</p>
<p>Fico até com receio quando as pessoas me chamam de griô, mas quando vejo as pessoas passando por momentos difíceis, sem emprego, eu sento e rezo por ela. Só estou dando continuidade ao trabalho dos mestres do passado e das tias rezadeiras. Faço a minha parte com muito amor no coração. Não importa a escola, sempre terá o meu afago, sempre terá a minha reza. Porque um griô de verdade reza sem pedir licença.</p>
<p><strong>Você é o criador dos ensaios técnicos. Considera que é o grande momento do carnaval, fora dos desfiles oficiais? Como foi esse início até hoje?</strong></p>
<p>Elmo José dos Santos: Os ensaios técnicos nasceram de uma necessidade de quando eu era presidente da Mangueira. A quadra estava tão largada, as pessoas eram assaltadas no banheiro, a bateria descia com 40 componentes por medo. Sugeri aos patronos da Liesa: ‘Quero fazer um batuque no Setor 1 da Sapucaí para motivar o pessoal’. Disseram que a luz era cara, e disse que podiam deixar a luz de vigia. Conseguimos ônibus para levar a comunidade e torcida, depois convidei a Tradição e a Beija-Flor, e lotamos a arquibancada. Aquilo virou notícia!</p>
<p>Até que o Capitão Guimarães me chamou no escritório dele para estruturar os ensaios técnicos, com a ajuda do seu Anísio e do pessoal da TV Globo. Passamos a levar artistas como Arlindo Cruz e Alcione para cantar no fim. Aquilo passou a ser, como o Capitão dizia, um ‘amortecedor social’. Existem duas coisas de graça no Rio de Janeiro: praia e ensaio técnico. É algo feito pelo povo e para o povo. É a chance de quem não pode pagar uma arquibancada cantar o seu samba-enredo. Tem gente que gosta mais do ensaio técnico do que do próprio desfile. Costumo dizer que o ensaio técnico é o grande ‘grito’ do nosso carnaval.</p>
<p><strong>Você conviveu com a antiga e a nova geração. Como você analisa esse momento de hoje?</strong></p>
<p>Elmo José dos Santos: Os antigos abriram a estrada, e o carnaval até hoje segue na linha que eles construíram. A juventude chega com a tecnologia, com a comunicação, e leva o espetáculo ainda mais longe. Acho que o segredo é marchar junto, os antigos e os jovens, porque não existe futuro se você não respeitar o passado. A fórmula é essa: andar junto, um ajudando o outro, defendendo o nosso quilombo. Os mais velhos têm a sabedoria, os mais jovens têm a força. É juntar a fome com a vontade de comer. Eu trabalho para isso: não dá para pensar no carnaval sem falar dos ancestrais, sem pensar nos fundadores da Liga. Se hoje o asfalto está liso, alguém pisou na lama primeiro para construí-lo. Eu sou esse cara que está no meio-termo, sempre pedindo bênção aos mestres e dando a bênção aos mais novos.</p>
<p><strong>Mexeu contigo ver a homenagem do Gabriel David no dia do seu aniversário?</strong></p>
<p>Elmo José dos Santos: Muito. Foi um carnaval muito difícil, com muitas mudanças e 15 dias seguidos de chuva. Quando cheguei na sala de apuração para fechar os envelopes, encontrei toda a diretoria, Gabriel, Pedro Gomes, Julinho Guimarães, João Drummond, Thiago Faria, em pé, me aplaudindo. Comecei a chorar. Eu os vi nascer; eram meninos quando construímos a Cidade do Samba. Pensei: ‘Deus! A juventude está reconhecendo a minha importância nesse contexto’. No meu aniversário, o Gabriel publicou o vídeo desse abraço. Quando minha esposa me mostrou o vídeo, eu chorei outra vez. A vida é feita de amor e troca de energia.</p>
<p><strong>O que sentirá no centenário da Mangueira em 2028?</strong></p>
<p>Elmo José dos Santos: Serei baluarte da Mangueira no centenário! Quando eu era presidente, criei o ‘Quadro dos Baluartes’ para homenagear quem tinha 50 anos de serviços prestados à escola. Fui eu quem deu o título de presidente de honra à Carlos Cachaça. E fico pensando: estarei com a minha faixa de baluarte, passando na avenida, festejando os 100 anos dessa escola tão querida, onde nasci, me criei, caí na vala, bebi água do bicão e fui rezado por muitas tias. Não sei o que mais poderia pedir à vida. Há mais de oito anos eu não desfilo por causa do cargo, mas, nesse dia, vou pedir licença poética na Liga para desfilar. É a homenagem que quero fazer aos 100 anos da minha paixão verdadeira.</p>
<p><strong>Estamos aqui na Cidade do Samba. Você acompanhou o antes e o depois do carnaval com esse espaço. Qual o seu balanço desses quase 20 anos?</strong></p>
<p>Elmo José dos Santos: É um divisor de águas. Antes, as escolas montavam os carros debaixo do viaduto, em barracões que eram invadidos… Quando chovia, o esgoto subia; quando fazia sol e vento, a poeira sujava toda a decoração. Às vezes, faltando 15 dias para o carnaval, tudo era feito ‘no gato’. Pegava fogo, tinha acidente, não tinha pé-direito para as alegorias&#8230; era uma desorganização total.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-194980" src="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_2.jpg" alt="Elmo liesa 2" width="831" height="548" title="Entrevistão: ‘Sonho com a criação de uma faculdade dentro da Cidade do Samba para formar novos profissionais para o carnaval’, diz Elmo José dos Santos 8" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_2.jpg 831w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_2-600x396.jpg 600w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_2-150x99.jpg 150w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_2-768x506.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_2-637x420.jpg 637w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_2-300x198.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Elmo_liesa_2-696x459.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 831px) 100vw, 831px" /></p>
<p>Quando o Capitão Guimarães e o (então prefeito) César Maia idealizaram a Cidade do Samba, eu e o Jorge Castanheira ficamos responsáveis por avaliar o terreno e levar as informações à prefeitura. Tudo foi muito pensado e estudado. O Carnaval deu um salto que ninguém esperava. A Sapucaí tem 13 metros de largura e tem escola que chega com carros de 12 metros de largura, saindo daqui com 25, 28 carretas. A logística aumentou de uma maneira inimaginável, e o resultado são esses desfiles históricos que, às vezes, se decidem por um décimo. Definitivamente, existe o carnaval antes da Cidade do Samba, e o grande carnaval depois dela.</p>
<p><strong>Sempre ouvimos que a saída das alegorias é um momento tenso. Como você controla o emocional nessa hora?</strong></p>
<p>Elmo José dos Santos: No começo, sentia aquele frio na barriga, mas acredito que, a quem trabalha, Deus ajuda. Hoje fazemos tudo com planejamento com mapa: definimos a hora exata em que cada escola vai tirar o carro do barracão e as carretas vão entrar na Cidade do Samba. Os presidentes das agremiações contam com profissionais de alto nível, e meu trabalho não seria nada sem essa parceria. Costumo dizer para os meus diretores de carnaval, diretores de barracão e diretores de harmonia que eu tenho o maior esquadrão do carnaval. Temos um grupo chamado ‘Juntos somos mais fortes’. Quando cheguei aqui, era cada um por si; tinha ciúme, tinha briga. Acabei com isso. Hoje, se uma escola precisa de um equipamento emprestado para tirar um carro, avisa no grupo e todo mundo ajuda. Voltamos a ser o que os mestres sempre quiseram: uma grande família.</p>
<p><strong>Qual a sua expectativa para a nova Cidade do Samba anunciada pela Prefeitura?</strong></p>
<p>Elmo José dos Santos: Gostaria de ver o projeto. Hoje já sabemos onde estão as nossas ‘dores’ e nós sabemos que a nossa farmácia é o poder público. A infraestrutura da atual Cidade do Samba precisa aumentar para acompanhar a grandeza que as escolas colocam na avenida, e isso exige um novo projeto discutido com presidentes, carnavalescos e profissionais do setor. O carnaval cresceu demais e estamos sentindo a dor da falta de espaço.</p>
<p>Sempre digo que o carnaval é muito diferente do futebol. Se você vai a um estádio com a camisa do rival, leva um ‘saravá’. Na escola de samba, é co-irmã. Quando um mestre de bateria visita outra agremiação, recebe tapete vermelho e é convidado até para reger os ritmistas por um momento. É um ambiente de profundo respeito, não tem gente rasgando a bandeira do outro.</p>
<p>Gostaria que a Prefeitura, o Estado e o Governo Federal reconhecessem isso e valorizassem o trabalho social que as escolas desenvolvem; muitas vezes chegando onde a mão do poder público não alcança. Não se trata de pedir um favor, pelo contrário. Nossas agremiações mirins formam novos ‘guerreiros’ para o nosso quilombo, e exigem que a criança estude para desfilar. Em posições de responsabilidade, como Mestre-sala e Porta-bandeira tem que estudar e passar de ano. Apoiar essa nova estrutura é estar ombro a ombro com a gente, garantindo cada vez mais dignidade ao povo do samba.</p>
<p><strong>Para encerrar, qual sonho você já realizou no carnaval? E o que ainda sonha?</strong></p>
<p>Elmo José dos Santos: O sonho que já realizei foi ajudar a fazer o Quilombo do Samba estar fechado em copas. Também sonhava em ver o povo do samba na Marquês de Sapucaí, tomando sua ‘água de São Jorge’ no ensaio técnico sem pagar nada; e isso se realizou. Outro grande sonho foi ver cada agremiação com seu pequeno exército, que são as escolas mirins, preparando novos guerreiros para defender o nosso Quilombo do Samba.</p>
<p>Para o futuro, meu grande desejo é que a juventude multiplique cada vez mais esse amor pelo samba. Sonho com a criação de uma faculdade dentro da Cidade do Samba para formar novos profissionais para o carnaval. Hoje, os ferreiros e os arameiros, por exemplo, estão desaparecendo; há pouquíssimas pessoas fazendo esse trabalho, e eu queria muito ver isso mudar.</p>
<p>Também sonho com um Museu do Carnaval bem tecnológico, onde as pessoas possam mergulhar de verdade na obra de grandes gênios como Joãosinho Trinta. E, acima de tudo, o meu maior sonho é ver sempre, com a bênção de Deus e muita fé, os mestres do passado e os jovens de hoje caminhando de mãos dadas.</p>
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		<title>Julinho e Rute abrem série &#8216;Entrevistão&#8217; e falam sobre cabine dupla, julgamentos, estrutura e novo desafio na União de Maricá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcos Marinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2026 02:46:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[União de Maricá]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quase vinte anos. É o tempo que Julinho Nascimento e Rute Alves dançam juntos, e também o tempo suficiente para construir uma linguagem própria, uma lealdade rara e uma carreira que atravessou rebaixamentos, títulos, mortes e recomeços. Para abrir a série &#8220;Entrevistão&#8221;, o CARNAVALESCO conversou com um dos casais mais longevos do Grupo Especial. Campeões [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quase vinte anos. É o tempo que Julinho Nascimento e Rute Alves dançam juntos, e também o tempo suficiente para construir uma linguagem própria, uma lealdade rara e uma carreira que atravessou rebaixamentos, títulos, mortes e recomeços. Para abrir a série &#8220;Entrevistão&#8221;, o <strong>CARNAVALESCO</strong> conversou com um dos casais mais longevos do Grupo Especial. Campeões pela Viradouro com 40 pontos no último carnaval, eles chegam à União de Maricá com a missão de abrir o domingo do Especial pela primeira vez em toda a parceria. Nesta conversa, falam sobre o que encontraram no barracão de Maricá, sobre a cabine dupla, sobre a noite em que Julinho soube da morte do irmão minutos antes de entrar na concentração do ensaio técnico e ainda assim entrou. E sobre o que significa, depois de tudo, não ter soltado a mão um do outro.</p>
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<figure id="attachment_194676" aria-describedby="caption-attachment-194676" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-194676" src="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica_3.jpg" alt="julinho rute marica 3" width="683" height="423" title="Julinho e Rute abrem série &#039;Entrevistão&#039; e falam sobre cabine dupla, julgamentos, estrutura e novo desafio na União de Maricá 15" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica_3.jpg 683w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica_3-600x372.jpg 600w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica_3-150x93.jpg 150w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica_3-678x420.jpg 678w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica_3-300x186.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica_3-356x220.jpg 356w" sizes="auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px" /><figcaption id="caption-attachment-194676" class="wp-caption-text">Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO</figcaption></figure>
<p><strong>O sentimento de vocês aqui é o mesmo de quando saíram da Tijuca e apostaram na Viradouro ou tem diferença?</strong></p>
<p>Rute Alves: Não vejo semelhança; as situações, ao contrário, são bem diferentes. Na Tijuca, foi a primeira vez que eu fui demitida de uma escola de samba. Foi um ano trágico, politicamente trágico, que repercutiu e respingou em todo o carnaval. Não tivemos ensaios técnicos nem aporte nenhum da Prefeitura para o carnaval. E resultou naquele desfile trágico de 2017, de vários acidentes, e nós estávamos na escola que teve um dos maiores acidentes. Eu me lembro que a gente ficou quase 40 minutos parados em frente à cabine dupla quando teve o acidente. E a nota foi muito ruim: 9,7. E aí o Sr. Fernando dispensou a gente, com todo o direito. Sempre penso que é a forma que se manda embora e não o mandar embora. Todo mundo tem direito. Assim como um dia ele achou que a gente podia defender da melhor forma o pavilhão, naquele ano, ele achou que a gente não deveria mais defender.</p>
<p>E, antes ainda dessa dispensa do Sr. Fernando, no Sábado das Campeãs, recebi uma ligação do Marcio Moura, na época da comissão de frente da Viradouro, dizendo que o Marcelo Calil, o pai, gostava muito do nosso trabalho e sempre que a gente passava [na avenida] ele estava no camarote e falava: ‘Ainda vou ter esse casal na minha escola’. Saímos de uma demissão com a pior nota entre os casais do Grupo Especial, vencendo um ano trágico e fomos para uma escola que quem estava ali sabia da potência dela, mas quem estava ao redor não. A escola estava no Acesso.</p>
<p>Quando a gente chegou na Viradouro e conversamos com o Marcelo, logo o estar no Grupo Especial já passou a não fazer diferença para a gente. Primeiro, porque a gente já começou com uma estrutura que nunca tinha tido no Especial. Todas as nossas ponderações, tudo o que a gente pediu, ele aceitou. Eu me lembro que falei assim para o Júlio: ‘Não importa para onde a gente vá, mas para onde a gente for, temos que ter uma ensaiadora’. Era só eu e ele, sabe? É muito difícil um casal ir para a avenida sem um ensaiador. E o Marcelo aceitou. Também me lembro que teve uma situação que foi muito chata: alguns casais do Grupo Especial desdenharam da gente em rede social e fizeram live para debochar que a gente estava no Acesso. As pessoas, ao invés de ensaiar, fizeram live para debochar do Julinho e de mim. Mal sabiam eles o quanto a gente estava feliz na Viradouro. Mal sabiam eles o quanto a gente estava sendo respeitado, o quanto a gente estava financeiramente sendo respeitado também, que a estrutura que tínhamos nunca tivemos antes. Tanto que, em nove carnavais na Viradouro, entregamos nota todos os anos. O único ano que não entregamos nota, perdemos um décimo, ainda assim foi o ano que o Júlio teve o problema com o sapato. Nove carnavais dando 30 ou 40 pontos diz todo o resultado e diz sobre o porquê a gente não ter dado esse resultado na Tijuca. E nós saímos tão pela porta da frente na Tijuca que, quando a gente saiu esse ano da Viradouro, o Sr. Fernando ligou querendo que a gente voltasse para a escola. Esse ano nós saímos campeões com 40 pontos. E foi nossa opção sair. Nós não fomos mandados embora. E viemos para uma escola que talvez nove entre dez profissionais queiram vir trabalhar. A Viradouro tinha uma estrutura que não era vista por fora pelas pessoas. A Maricá tem uma estrutura que é vista por todos, e ela está no Especial e vai permanecer no Especial.</p>
<p><strong>Dizem que trabalhar na Maricá é excelente pelo lado profissional e financeiro. É diferente de tudo o que vocês já viveram?</strong></p>
<p>Rute Alves: Ano que vem faço 30 anos como porta-bandeira de carnavais e a Viradouro foi a primeira que me deu estrutura. Isso é inegável. Era o que a gente precisava e, ao longo desses anos, não teve um senão. Penso que, para um casal dar resultado na avenida, precisa de uma estrutura. Tivemos agora uma reunião com os jurados, e o Zikan, que é um dos nossos jurados, levantou essa fala: os casais têm que ter estrutura, ensaiador, preparador físico, pelo que a gente carrega, por todas as demandas que existem. As pessoas pensam que é só no dia do desfile, mas não é só no dia do desfile. É toda uma preparação, e a gente precisa estar bem em toda essa preparação. E a escola que não oferece isso não vai ter casal gabaritando. Não vai ter. Quando a gente veio para cá, falamos tudo o que a gente já tinha e precisava: do ateliê que faz a nossa fantasia, que gostaríamos de continuar. E foi tudo aceito. Em termos de estrutura, o que a gente já tinha na Viradouro, aqui temos também para nós e para a nossa equipe. É impossível não se apaixonar por aquela sala (de ensaios). Porque não é só a sala: a gente precisa de colchonetes, barra, som. O diretor de carnaval não tem como saber o que um casal precisa, e tudo foi dado 100%. Eles querem ver a gente emocionados e felizes. Não é barganha: ‘eu estou te dando para você me dar a nota’. Claro que o resultado final é a nota. Óbvio. Mas é: ‘fique feliz no processo, seja feliz no caminho’. E isso faz muita diferença. Quando o Matheus [Santos, presidente da Maricá], que é a nossa voz maior aqui na escola, faz as reuniões, emana isso: amor. A gente vê que está todo mundo muito comprometido. A gente está indo para voltar no Sábado das Campeãs. Só que a certeza disso a gente só vai ter na quarta-feira de cinzas. Está todo mundo nesse propósito, com amor, com felicidade… cheirinho de casa nova de verdade.</p>
<p>Esse barracão aqui nunca tinha visto uma obra. Ele não fez uma coisa só para entrar, estar e fazer o carnaval. Fez uma coisa para a gente ter dignidade no trabalho. Para todo mundo entrar com prazer e trabalhar com prazer,. Todo mundo tem que estar bem. Não tem como você trabalhar com arte mal. Eu me lembro que eu e Julinho passamos por um processo pessoal em nossas vidas, que a gente rezava, chorava e depois entrava para dançar. Alguma coisa ali dizia que a gente não estava bem. Por mais que a gente fizesse os movimentos quase que à perfeição, a perfeição não existe, tirando o Júlio dançando, alguma coisa passava para quem estava vendo a gente. A gente tem que estar bem, a gente tem que estar feliz.</p>
<p>Enquanto os dirigentes não entenderem isso, enquanto os dirigentes tratarem mal as pessoas… E foi o que foi falado pelo Zikan e que eu fiquei triste: em 24 pessoas, 12 casais, eu fui a única que falei que realmente não são todas as escolas que dão estrutura. Eu podia me calar e não falar nada. Eu sei que hoje se contam nos dedos as escolas que têm estrutura. E hoje, é inadmissível, gente! Uma escola do Especial tem condição de dar estrutura. Por menor que seja, por mais que só tenha a verba de um município. Não importa. Se você for botar na ponta do lápis, contando salário, roupa de quadra, roupa de avenida, preparador, ensaiador, o que se gasta com o casal não chega ao que se gasta com uma alegoria. Mestre-sala e Porta-bandeira ainda assim é o quesito mais barato. É inadmissível uma escola não dar estrutura. E chega a ser burrice, porque o resultado não vem. É um quesito.</p>
<p><strong>Vocês ganharam títulos com a Viradouro e agora vão experimentar abrir o domingo de carnaval com uma escola novata no Especial. Como garantir os 40 pontos que a escola depende de vocês?</strong></p>
<p>Julinho Nascimento: Confesso que a gente está vivendo mais um sonho em nossas vidas, como tantos que já vivemos. A Maricá, com essa sede, é uma escola tão jovem e com uma vontade muito grande de aprender e de mostrar o que o povo de Maricá tem. É mais um sonho. Enxergo lá na frente: vamos abrir um carnaval. Já tivemos a oportunidade de subir (do Acesso para o Especial) com uma escola e ser campeão.</p>
<p>Rute Alves: Nunca abrimos [os desfiles]&#8230;</p>
<p>Julinho Nascimento: É agora, de fato, é a primeira vez que, nesses 20 anos juntos, a gente vai abrir um carnaval. Acho que vai ser a realização de um sonho, no sentido do desafio, da expectativa. Temos uma certa maturidade para encarar esse desafio. Ao mesmo tempo, no mesmo sentimento que a União de Maricá, entrar com muita garra, de mostrar um belíssimo carnaval e realizar um grande desfile. Como a Rute já mencionou, a estrutura que a escola está oferecendo não só para nós, mas para todos os profissionais, é maravilhosa. Vamos buscar alcançar esse êxito de gabaritar.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-194675" src="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica_1.jpg" alt="julinho rute marica 1" width="736" height="474" title="Julinho e Rute abrem série &#039;Entrevistão&#039; e falam sobre cabine dupla, julgamentos, estrutura e novo desafio na União de Maricá 16" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica_1.jpg 736w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica_1-600x386.jpg 600w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica_1-150x97.jpg 150w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica_1-652x420.jpg 652w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica_1-300x193.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica_1-696x448.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 736px) 100vw, 736px" /></p>
<p>Rute Alves: Eu penso que é ótimo (abrir o domingo). Pela primeira vez, depois de muito tempo, eu vou ter os outros dias de carnaval para curtir. Desfilamos em Belo Horizonte na terça-feira de carnaval, vamos ter o resto do domingo, segunda-feira… É domingo que a gente abre. Deixa a avenida para a gente. Vamos abrir, a gente vai dar licença para quem vem depois.</p>
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<p><strong>Vocês gostam de ensaiar super cedo. É mais fácil ou mais difícil acordar e treinar? Como é essa rotina de preparação?</strong></p>
<p>Julinho Nascimento: Entendo que, dentro da atividade física, o corpo de manhã cedo desperta, principalmente para o que a gente se propõe que é a dança. É claro que dois meses antes do carnaval a gente começa a enfrentar uma rotina muito louca de compromissos, e manter essa rotina de manhã cedo é realmente puxado. Para a gente é algo maravilhoso. A Rute não gosta muito, porque, ela tem os motivos dela (risos). Eu adoro atividade física de manhã cedo; sempre pratiquei, sempre gostei. E a dança não é somente atividade física, ela mexe muito com o mental. E a nossa proposta de dança como Mestre-sala e Porta-bandeira não é só mental e físico; é espiritual, tem a ver com essa espiritualidade que envolve o pavilhão. Acordar de manhã cedo e já colocar em prática o nosso trabalho, a nossa arte, para mim, é algo inusitado e maravilhoso ao mesmo tempo.</p>
<p>Rute Alves: (Risos) Primeiro, não sei que espiritualidade é essa de manhã. A macumba eu vou fazer à noite, lá até de madrugada. Eu odeio. Porque não é um de manhã, 8 horas, 9 horas, é 5 horas da manhã. Quando é aqui na sala de ensaio (no barracão) é um pouquinho mais tarde, mas quando é na Marquês, é tipo 5 horas da manhã. Que corpo que está acordando a essa hora? Ele que começou com essa pa-lha-ça-da. (risos) Eu só aceito pelo seguinte: ele tem toda a razão. Não é negócio do corpo acordar a essa hora, não. As nossas ensaiadoras falavam até que a gente alinhava mais quando ensaiava durante o dia. O que é muito importante é o que acontecia nas outras escolas mais em janeiro: quando não tem ensaio agendado, surge muita coisa em cima da hora. Quando você ensaia de manhã, um horário que ninguém ocupa… Ninguém marca gravação às 5 horas da manhã. Às vezes, a gente precisava deixar de ensaiar para poder fazer alguma coisa, e isso é muito ruim. A gente ensaia de manhã e fica com o dia livre. Outro ponto é que a pista é toda para a gente. Fazemos cinco, seis, sete vezes em cada cabine sem preocupação [com o horário]. A noite é muito ruim: você faz uma vez e tem que passar.</p>
<p><strong>Falando em treino, por que muitos casais postam vídeos de treinos físicos e poucos de dança? Para vocês, o treinamento físico prevalece sobre a dança?</strong></p>
<p>Julinho Nascimento: A questão da dança é muito pessoal de cada casal: a quantidade de ensaios, a qualidade dos ensaios; tem alguns que preferem ensaiar com mais qualidade, perto do carnaval, outros preferem a quantidade de ensaios e começar muito cedo. Acho que é muito particular de cada casal. A dança é tão importante quanto a preparação física, mas hoje a parte física é fundamental porque a dança dos casais de Mestre-sala e Porta-bandeira é performática. Porque hoje exige uma expectativa muito grande de performance justamente por conta da mudança que houve, há algumas décadas, da posição do casal lá para frente. Hoje existe toda uma preparação para uma entrada, para apresentar uma parte principal de dança, para uma finalização. O nível de performance exigido do casal é maior. E com as fantasias, o casal tem que se preparar muito bem para suportar esse nível de performance. Hoje existe um amplo processo de movimentação, de dança, que passou a exigir esse preparo. E quando você entrava na frente dos casais, há muito tempo atrás, contavam o entrosamento, contavam o entrosamento, a parte do ensaio, a dança em si. Você dançava; não havia um momento de entrada, de saída. Hoje todo mundo sabe que você tem praticamente o mesmo tempo de apresentação de um outro quesito. A comissão de frente vem junto. Você tem a entrada, tem a saída; você passa praticamente de 2 minutos a 2 minutos e meio se apresentando ali com um nível de exigência alta. Hoje você tem elementos de dança que exigem isso. Quem não cuidar da preparação física, quando chega lá, pode ficar devendo alguma coisa no decorrer do desfile. Acontece o desgaste físico, o peso da fantasia, o emocional, isso tudo vai te desgastando. E quando você vai chegando nas cabines finais, pode ser que o nível de performance pode ser comprometido pela questão física. Nesse sentido, a preparação física começa um pouco antes do que a própria preparação técnica. É por isso que digo que é muito pessoal: tem casais com parceria mais recente, outros com mais tempo. Cada um prioriza o seu planejamento de acordo com a peculiaridade do casal.</p>
<p><strong>Existe reclamação de alguns casais sobre a mudança na dança de casal de Mestre-sala e Porta-bandeira. A Selminha, por exemplo, diz que a dança tradicional está sumindo. O que vocês pensam sobre isso?</strong></p>
<p>Rute Alves: Eu vejo que isso decorre muito do julgamento. Quando um casal gabarita em um ano, a tendência é, no ano seguinte, de todos irem naquilo como se fosse uma receita de bolo. Se tem um movimento mais coreográfico em cima de alguma menção ao samba, à letra ou até mesmo às bossas da bateria, isso foi vindo dos jurados para a gente. E a gente sem uma linha, porque isso não era tão transparente. Uma coisa que eu louvo é a gestão do Gabriel (David, presidente da Liesa). Ficamos muitos anos sem ter contato com os nossos jurados, como se eles fossem extraterrestres e não pudéssemos conhecer o pensamento deles. A gente entra na Avenida para fazer um espetáculo, mas está sendo julgado por certas pessoas. Então, tem que ter uma especificidade direcionada para eles. E como fazer algo direcionado se eu não sei como eles pensam? Se alguém me julga, tira notas, escreve uma coisa, concordando ou não, eu não tenho como questionar, não tenho como entender. Agora, com o Gabriel, temos duas reuniões com os jurados. Ele retirou aquela exigência de balé. Hoje temos ainda jurados do Municipal, sim, mas que são super populares. Eles não julgam a gente com a cabeça do balé clássico. Quando não havia o julgamento transparente, quando a gente não podia sentar e conversar com os nossos jurados, se um casal fizesse alguma coisa, concordando ou não, você, querendo nota, ia na boiada também. E a coisa foi crescendo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-194671" src="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica.jpg" alt="julinho rute marica" width="764" height="526" title="Julinho e Rute abrem série &#039;Entrevistão&#039; e falam sobre cabine dupla, julgamentos, estrutura e novo desafio na União de Maricá 17" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica.jpg 764w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica-581x400.jpg 581w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica-150x103.jpg 150w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica-610x420.jpg 610w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica-300x207.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica-218x150.jpg 218w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica-436x300.jpg 436w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica-600x413.jpg 600w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica-696x479.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_rute_marica-100x70.jpg 100w" sizes="auto, (max-width: 764px) 100vw, 764px" /></p>
<p>Coreografia todos fazem, desde que você tenha um tempo para entrar, certos momentos para fazer alguma coisa. Há jurados que exigem que você faça alguma movimentação caso caia na bossa da bateria. Eu acho que tem que ter um bom senso de cada casal com a sua ensaiadora, com a sua coreógrafa. Nós não temos coreógrafa; temos ensaiadora. Quem monta as coreografias somos eu e Júlio. A ensaiadora olha e verifica o que está legal para ser visto de frente, porque às vezes a gente monta, mas não está se vendo. Acho que tem que ter um bom senso dos três para fazer as obrigatoriedades, manter viva a tradição e, ainda assim, botar inovação, um algo a mais. Eu sou a favor disso. A gente fala em tradição, mas antigamente, a velocidade dos nossos giros, por conta do andamento do samba e da bateria, era menor; as bandeiras nem abriam. Nós giravamos muito lentamente para vir na cadência. Só que as bandeiras desfraldadas, abertas, exigem velocidade no giro. E antigamente não tinha como, por conta do andamento.</p>
<p>Se fosse assim, a gente tinha que dançar mais lentamente. Não posso assegurar para você, mas acredito que, se hoje um casal dançar como se dançava antigamente, 100% raiz, vai ser canetado também. Até o novo regulamento da Liga tem essa exigência da dança 360º. Antigamente, não tinha. Isso também tira a originalidade da dança do casal? Acho que não. Acho que tem que ter bom senso. O que tem que se manter mesmo é o cortejo, o carinho, o giro para os dois lados, o namoro. O que você for incrementando, o recheio que você for botando ali é super válido.</p>
<p><strong>Qual o balanço de vocês da cabine dupla no Carnaval 2026?</strong></p>
<p>Julinho Nascimento: Confesso que a gente transitou entre momentos de ‘poxa, vai ser legal, vai ser divertido’ e momentos de ‘Oh, meu Deus, o que vai acontecer?’.</p>
<p>Rute Alves: Você transitou. Eu nunca transitei. (Risos)</p>
<p>Julinho Nascimento: Era algo novo. Muitos falavam assim: ‘Vocês casais vão lidar com isso, vão tirar onda, só vão sair da coisa centrada e ter a preocupação de olhar de um lado para o outro’. As pessoas falavam como se fosse simples, mas não é assim. Sabemos que ali estamos sendo avaliados e, ao mesmo tempo, precisamos atender aos dois lados (das cabines de jurados) e ao público. Todos os casais se acostumaram, durante muitos anos, a dançar chapado de frente para o jurado, quase sempre de costas para o lado contrário da cabine. Não é só olhar e sorrir para um lado e para o outro: tem toda uma questão corporal. A gente permeou situações de ‘está bom, não está bom, está ruim, está indo, não está indo, até onde atinge um certo clímax na dança, até onde atinge um lado, o outro’. São perguntas que ficam na nossa cabeça: como o jurado vai interpretar isso? Um vai gostar, de repente não era o momento para o outro. Foi um desafio para todos nós casais, mas eu gostei da mudança. Achei que quem ganhou mais foi o público. Porque ali em frente à cabine dos jurados é um momento tão gostoso do desfile, no qual acontecem as apresentações de comissões de frente, dos casais, da bateria, e o público aguarda esse momento. E a gente conseguiu se dividir para os dois lados da pista com a mesma intensidade. Foi muito legal. Graças a Deus a gente alcançou as notas. Um balanço bem positivo.</p>
<p>Rute Alves: Eu juro que em nenhum momento eu achei legal. Em nenhum momento eu gostei. Eu nunca transitei. (risos) Fiquei muito revoltada. Quando teve a reunião, a primeira, eu não pude ir, estava trabalhando, falei: ‘Achei péssimo. Como vai ser isso?’. E ficava ainda mais péssimo quando chegavam pessoas da comissão de frente e bateria dizendo que para o casal não ia mudar nada. Claro que muda. E aí, não é defendendo o meu peixe, mas para o casal é que mais muda. O casal tem a obrigatoriedade de apresentar a bandeira. E você vai apresentar só para um jurado e não vai apresentar para o outro? A apresentação vai ter que ser pocket, porque você está perdendo tempo de samba. Não digo ‘perdendo’ com desrespeito, porque o momento mais importante é a apresentação do pavilhão, mas a gente só apresentava para um lado. E agora tem que apresentar para os dois. Sempre se dizia: ‘não pode ficar de costas para o jurado, principalmente o Mestre-sala’. E como desmistificar isso? Agora pode, porque num dos momentos, você vai estar de costas para o jurado. E outra: não existe isso de ser para agradar o público. Se fosse para o público, seria obrigatório nas três cabines. E é só em uma (no caso, no momento de apresentação para as cabines espelhadas). O público das outras cabines não precisa ver? Achei muito equivocada essa mudança com essa fala de que era para o público. Se fosse, tinha que ser em todas as cabines. Tanto que nós mantivemos a mesma coreografia nas três cabines.</p>
<p>Passado o susto, não que eu tenha passado a adorar, para mim normalizou. E deu super certo. Saiu até em um canal do YouTube que filma todos os casais dizendo que nós, desde o início, fomos o casal que mais entendeu a cabine espelhada. Mas não foi fácil. Até sair os 40 pontos: será que foi isso mesmo? Será que acertamos? Porque uma coisa é a gente sair da Avenida satisfeitos; outra é satisfazer quatro pessoas. Até sair a quarta nota, a gente ler as justificativas e entender os comentários e os prêmios… Aí a gente acertou. Ainda assim, a coreografia deste ano não pode ser repetida no próximo ano. Tirou o pavor do primeiro momento, mas temos que acertar novamente. Agora vai ser o medinho. No passado foi o pavor.</p>
<p><strong>Rute, qual a sensação quando elogiam a sua dança mais aguerrida? O que sente quando exaltam essa sua garra na dança?</strong></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-194674" src="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica_2.jpg" alt="rute marica 2" width="1143" height="702" title="Julinho e Rute abrem série &#039;Entrevistão&#039; e falam sobre cabine dupla, julgamentos, estrutura e novo desafio na União de Maricá 18" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica_2.jpg 1143w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica_2-600x369.jpg 600w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica_2-150x92.jpg 150w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica_2-768x472.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica_2-684x420.jpg 684w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica_2-300x184.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica_2-696x427.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica_2-1068x656.jpg 1068w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica_2-356x220.jpg 356w" sizes="auto, (max-width: 1143px) 100vw, 1143px" /></p>
<p>Rute Alves: Louvando o nome de Maria Helena. Essa minha garra veio dela. Minha maior ídola. Tenho respeito a todas que vieram antes de mim; peço licença às minhas ancestrais, mas a minha ídola é ela. Eu danço por ela. Na época dela, não tinha nada disso: ela fazia a fantasia dela, ela descia o morro com a fantasia dela, ia para a Avenida de Kombi, chegava ali e entrava. Então, a gente com preparador, com água, com hotel, com maquiador, não pode entrar ali e fazer menos. Quando ainda me veem com a dança aguerrida, eu falo: ‘Estou imitando ela direitinho; estou louvando o nome da minha maior ídola’.</p>
<p><strong>Julinho, o momento do ensaio técnico quando você soube que seu irmão tinha falecido foi o pior da sua carreira? Como foi para se concentrar e por que não quis ir embora e preferiu ensaiar?</strong></p>
<p>Julinho Nascimento: Não sei exatamente de onde me veio a força (para ensaiar). Acho que eu e a Rute ficamos tão entregues à nossa arte, ao nosso trabalho, ao nosso compromisso um com o outro, com o nosso pavilhão, com a nossa escola, que às vezes a gente só vai entender algumas atitudes depois, porque a gente está tão levado por essa magia. Só depois que a gente vai ter uma ideia. É mágico demais. O que aconteceu com meu irmão foi uma prova muito grande. Na hora, quando recebi a notícia, foi um baque. Estava chegando à concentração com minha família, ligaram e avisaram no viva-voz o que tinha acontecido. Foi uma gritaria dentro do carro. Foi algo que pegou todo mundo de surpresa.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-194670" src="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica.jpg" alt="julinho marica" width="1075" height="660" title="Julinho e Rute abrem série &#039;Entrevistão&#039; e falam sobre cabine dupla, julgamentos, estrutura e novo desafio na União de Maricá 19" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica.jpg 1075w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica-600x368.jpg 600w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica-150x92.jpg 150w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica-768x472.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica-684x420.jpg 684w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica-300x184.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica-696x427.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica-1068x656.jpg 1068w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica-356x220.jpg 356w" sizes="auto, (max-width: 1075px) 100vw, 1075px" /></p>
<p>Eu só tinha sentido isso com o meu pai, há muitos anos… E quando fui me dar conta, eu pensei: ‘Calma. Tenho que acalmar todo mundo aqui’. Acalmar minha irmã, meus filhos… E a Rute chegou logo depois e falou comigo: ‘Não, amigo, vai para casa, vai resolver as coisas’. Eu que sou um cara centrado, estava atordoado. Pensei: ‘Cara, meu irmão era do carnaval; ele não iria admitir que eu deixasse de passar na avenida num momento tão importante como o ensaio técnico e que o motivo fosse ele’. Ele não iria querer isso. Se ele estivesse acamado, adoentado, ele ia falar para mim: ‘Vai lá, faz o teu papel, arrebenta e faz o seu melhor. Eu estou aqui torcendo por você’, como ele sempre esteve. Naquele momento, foi Deus que me tocou no meio daquilo tudo e me veio: ‘Não, eu vou passar; meu irmão vai vir comigo; é o que ele gostaria que eu fizesse; vou fazer por ele, e depois daqui eu vou resolver. Porque agora eu não vou conseguir resolver nada. Não adianta sair daqui correndo; eu só precisava contar para minha mãe, e isso seria depois. Segurei na mão da Rute e disse: ‘Amiga, a gente vai passar por você, pela nossa bandeira, pela nossa escola, pela nossa arte’. E dali, acho que Deus me deu força e eu segui. Expliquei aos meus filhos que depois do ensaio técnico a gente ia resolver as coisas. A gestão da escola (Viradouro) me perguntou se eu queria parar e sair para resolver, eles foram muito humanos, muito solícitos, eu falei que iria honrar minha dama, minha porta-bandeira, meu pavilhão. É o que o meu irmão gostaria. E lá no Setor 1, na concentração do ensaio técnico, a Rute me puxou para o meio da ala das crianças que veio atrás da gente e disse: ‘Tio Julinho está triste. Ele precisa de amor, ele precisa de abraço’. Enfim, são muitas coisas que a gente já passou juntos. Ela é minha irmã de alma, de dança, de vida. E sempre houve essa síntese nossa, de parceria, de irmandade. Ali, acho que eu pedi muito ao meu irmão que ele viesse comigo, que com todo o respeito ao momento que ele estivesse, ele me ia dar forças. E depois ia resolver o que precisasse ser resolvido. A preocupação era a minha mãe, que ninguém da família contasse para a minha mãe antes de eu chegar com a minha irmã para conversar com ela. E isso foi só depois do ensaio. E veio uma chuva naquele ensaio. Foi Deus, não foi da forma que eu gostaria, mas Deus ali me sinalizou com fortaleza, com algo que eu não esperava ter. Meu São Jorge, aqueles que me protegem, que me regem, me conduziram. Sei o quanto esse momento é importante para a gente. Pedi muito a Deus que nada me tirasse do foco. Acho que fizemos um grande ensaio técnico. E ali meu irmão mostrou para mim que a gente ia vencer. É algo que eu vou carregar para mim. Amo meu irmão.</p>
<p><strong>Julinho, como é ser parceiro da Rute? Dizem que ela fala mesmo. Como vocês mantêm a união e ainda debatem sobre o trabalho?</strong></p>
<p>Julinho Fonseca: É como todo relacionamento: nós somos seres humanos, somos diferentes. Personalidades diferentes, maneiras diferentes de enxergar as situações. Por mais que algum momento houvesse atrito, nunca foi por ‘mal caratismo’, por safadeza um com o outro, por traição. Esse tempo todo juntos mostrou para nós o quanto a gente é importante um para o outro. Até nas questões pessoais, o quanto cada um tem para contribuir na vida do outro, seja da maneira que for, no momento que Deus quer.</p>
<p>O amor de verdade, a parceria e a amizade é você aprender a conviver com aquela pessoa, com aquele ser humano que tem defeitos como qualquer outro, como eu tenho, e aprender a lidar com isso, agarrando essa pessoa, com unhas e dentes, para não deixar que nada separe essa amizade. Não é à toa que os Deuses do carnaval nos uniu, e vamos para 20 anos de parceria. A Rute é a maior Porta-bandeira com quem eu já dancei. A Vilma Nascimento é a minha madrinha; ela está lá no lugar dela e ponto final, todo mundo sabe quem é. Mas estou falando da minha relação com a Rute, que foi construída entre nós. Eu não a conhecia, ela também não me conhecia, e a gente construiu e consolidou uma vida e uma parceria juntos. Então eu posso dizer, de boca cheia, que eu tenho a melhor Porta-bandeira do mundo; uma amiga, uma irmã, que está comigo para o que der e vier. Ela com todo o gênio que ela tem, e graças a Deus que ela tem, porque se ela chegou onde chegou é justamente por ser quem ela é, do jeito que ela é. E a troca que a gente tem, sabe? A gente nunca solta a mão um do outro. Não solta.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-194673" src="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica_2.jpg" alt="julinho marica 2" width="1034" height="684" title="Julinho e Rute abrem série &#039;Entrevistão&#039; e falam sobre cabine dupla, julgamentos, estrutura e novo desafio na União de Maricá 20" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica_2.jpg 1034w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica_2-600x397.jpg 600w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica_2-150x99.jpg 150w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica_2-768x508.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica_2-635x420.jpg 635w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica_2-300x198.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/julinho_marica_2-696x460.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 1034px) 100vw, 1034px" /></p>
<p>Tenho plena confiança de que ela nunca soltaria minha mão, como ela sabe que eu nunca soltaria a mão dela. E isso supera qualquer rusga. Os ensinamentos que Deus nos tem dado ao longo desses 20 anos só irão fortalecer e consolidar essa parceria. Estamos aí para realizar mais um sonho juntos: 20 anos de parceria e uma escola que tem menos tempo do que a gente de parceria, e a gente unido a ela para marcar essa parceria de uma maneira muito intensa. O que eu sinto hoje é que Deus conduziu a gente até aqui, e não vai ser por acaso—eu tenho certeza que a gente vai ser muito vitorioso juntamente com a Maricá.</p>
<p>Rute Alves: Eu te amo!</p>
<p>Julinho Nascimento: Também te amo!</p>
<p><strong>Rute, você considera o Julinho o melhor mestre-sala?</strong></p>
<p>Rute Alves: Julinho é! Com todo o respeito a todos os outros, sou muito fã da dança do Daniel, sou fã do Matheus. O Felipe é muito bom, gosto muito da dança dele, mas, para mim, não tem ninguém que chegue aos pés do Júlio. Não tem, não tem, não tem. O Júlio é um dos melhores seres humanos que eu conheço. E tenho certeza que se o mundo conhecesse o Júlio, o mundo ia achar o Júlio um dos melhores seres humanos do mundo.</p>
<p>A gente tem divergências, às vezes, de montagem de coreografia. Mas um nunca foi infiel com o outro. Um nunca foi infiel com o outro. E Júlio é meu irmão mesmo. Foi um casamento mágico. Daqui a pouco não seremos mais um casal de Mestre-sala e Porta-bandeira.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-194672" src="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica.jpg" alt="rute marica" width="804" height="532" title="Julinho e Rute abrem série &#039;Entrevistão&#039; e falam sobre cabine dupla, julgamentos, estrutura e novo desafio na União de Maricá 21" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica.jpg 804w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica-600x397.jpg 600w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica-150x99.jpg 150w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica-768x508.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica-635x420.jpg 635w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica-300x199.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2026/06/rute_marica-696x461.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 804px) 100vw, 804px" /></p>
<p>Julinho Nascimento: Quem é, nunca vai deixar de ser.</p>
<p>Rute Alves: A gente pode não estar mais dançando, mas a gente vai continuar sendo irmãos. Tanto assim que, como eu falei, a gente até abriu mão de estar no grupo especial para poder ficarmos juntos. A parceria era mais importante.</p>
<p>E um fato que eu sempre faço questão de falar para dimensionar o caráter, a grandeza, a nossa parceria: quando o segundo filho do Júlio nasceu, a então esposa teve um problema; precisou ficar internada. Na época o Wilsinho era o nosso presidente na Vila Isabel e deu um valor para o Júlio para ajudar no hospital. E aí, graças a Deus, o Pedro teve alta, a mãe do Pedro também teve alta, ficou tudo bem. E sobrou um dinheiro daquilo, e o Júlio queria dividir comigo.</p>
<p>Isso é muito real: os casais brigam muito por causa de dinheiro. Há Mestres-sala que traem Portas-bandeira por causa de dinheiro, e Portas-bandeira que traem Mestres-sala. A gente nunca entrou numa reunião sozinho para conversar qualquer coisa relacionada ao nosso trabalho sem que o outro estivesse lá. Lealdade, honestidade.</p>
<p>Julinho Nascimento: E acho que o grande plus nosso é isso: a gente transmite essa cumplicidade quando está dançando.</p>
<p><strong>Julinho, o que você sente sendo considerado o melhor mestre-sala?</strong></p>
<p>Julinho Nascimento: Cara, eu me sinto honrado, lisonjeado. Mas eu não sei, de verdade, se sou o melhor mestre-sala. Isso é a perspectiva das pessoas, de algumas que acompanham o carnaval. Eu procuro encarar com naturalidade, não deixar isso subir à cabeça, porque o ego às vezes pode trair a gente. A gente tem vaidade, sim; a gente trabalha para buscar o melhor.</p>
<p>Mas, principalmente, é entender que se eu sou o melhor mestre-sala, é porque alguém me faz ser o melhor mestre-sala. E esse alguém é a minha porta-bandeira que está lá carregando o meu pavilhão. Ela proporciona isso, ela me permite isso, ela me puxa a orelha quando tem que puxar. Eu tenho uma irmã e tenho uma mãe, tenho uma amiga, parceira, vaidosa também, e que tem que ser sim, pelo posto que ela carrega, pela responsabilidade que ela tem. Então, se dizem que sou o melhor mestre-sala, é porque tenho a melhor porta-bandeira, que me faz o melhor mestre-sala. Porque a dança é do um para o outro e do outro para o um.</p>
<p>E pelo outro lado: eu prometi ao meu pai, no seu sepultamento, que um dia seria considerado um grande Mestre-sala, um grande sambista, mas acima de tudo um grande sucessor dele. E acho que é isso que me leva a respeitar os outros grandes Mestres-sala com que já tive o prazer de dividir a avenida, e com que ainda divido… Cara, há mestres-sala maravilhosos desfilando hoje. Então, eu divido com eles essa responsabilidade e esse legado que eu trago comigo.</p>
<p><strong>Para vocês, o que vocês ainda gostariam de realizar na carreira de Mestre-sala e Porta-Bandeira?</strong></p>
<p>Rute Alves: No momento, é ajudar a minha escola, a Maricá, a voltar no sábado das campeãs. No topo. No momento é isso. Depois da quarta-feira de cinzas, do sábado das campeãs, vai mudar, mas no momento o que me falta é isso.</p>
<p>Julinho Nascimento: É, acho que é realizar o sonho de enfrentar esse grande desafio juntamente com a Maricá, que vem com essa proposta de chegar ao grupo especial. Essa jovem escola, com vigor muito grande, e a gente poder se realizar junto com ela, pelo desafio de abrir o carnaval, depois de tanto tempo, com a responsabilidade que é abrir um carnaval no grupo especial do Rio de Janeiro. E dali, deixar caminhos abertos para que os outros casais também façam grandes desfiles.</p>
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		<title>Gabaritou! Mestre Macaco Branco celebra desempenho da bateria da Vila Isabel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ingrid Marins]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jun 2022 13:36:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Vila Isabel]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
		<category><![CDATA[Macaco Branco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois do desfile da Vila Isabel em que teve o grande Martinho da Vila como homenageado, o mestre de bateria Macaco Branco está radiante. A Swingueira de Noel foi nota 50! Sendo assim, gabaritou o quesito “Bateria” pela escola azul e branco. Apesar de ter gabaritado em alguns quesitos, a agremiação acabou ficando em quarto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois do desfile da Vila Isabel em que teve o grande Martinho da Vila como homenageado, o mestre de bateria Macaco Branco está radiante. A Swingueira de Noel foi nota 50! Sendo assim, gabaritou o quesito “Bateria” pela escola azul e branco. Apesar de ter gabaritado em alguns quesitos, a agremiação acabou ficando em quarto lugar no carnaval de 2022, que consagrou a Grande Rio como campeã pela primeira vez.</p>
<figure id="attachment_92923" aria-describedby="caption-attachment-92923" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-92923" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/06/macaco_branco.jpg" alt="macaco branco" width="700" height="440" title="Gabaritou! Mestre Macaco Branco celebra desempenho da bateria da Vila Isabel 23" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/06/macaco_branco.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/06/macaco_branco-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/06/macaco_branco-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/06/macaco_branco-668x420.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /><figcaption id="caption-attachment-92923" class="wp-caption-text">Foto: Ingrid Marins/Site CARNAVALESCO</figcaption></figure>
<p>Comandando a Swingueira de Noel desde o carnaval de 2019, Macaco Branco já foi ritmista da escola, diretor de bateria e diretor musical. Criado dentro da agremiação, ele é Vila Isabel de corpo, alma e coração. O mestre recebeu a equipe do site <strong>CARNAVALESCO</strong> e falou sobre o sentimento de ter gabaritado o quesito e todas as questões que envolvem a bateria.</p>
<p><strong>Qual o sentimento que ficou após o desfile em homenagem a Martinho?</strong></p>
<p>Macaco Branco: “Foi o sentimento de dever cumprido. A gente poder exaltar nosso grande maestro, nosso grande mestre, nosso grande griô Martinho. Nós cantamos e tocamos pra caramba, a escola estava linda e o Edson Pereira fez um grande trabalho. Nosso pessoal do barracão, nosso diretor geral e nosso diretor de carnaval, Moisés, que foi incansável, nosso diretor de barracão, Luís. A presidência, diretoria da escola está de parabéns pelo trabalho que foi feito em homenagem ao Martinho que não podia ter sido tão bom. Sei que tem detalhes para ser ajustados, como nas disputas. Graças a Deus a bateria gabaritou, mas não é por isso que vamos relaxar, continuaremos fazendo nosso trabalho focado naquilo que fazemos todo ano e acreditamos para que a bateria da Vila Isabel continue em alto nível”.</p>
<p><strong>Ser nota máxima é um alívio ou aumenta a responsabilidade para o próximo carnaval?</strong></p>
<p>Macaco Branco: “É um alívio e também aumenta a responsabilidade, são as duas coisas. É alívio para você relaxar e falar: &#8216;graças a Deus deu tudo certo&#8217;. Você fica com o coração aliviado, mas no próximo ano o compromisso aumenta. Porque é preciso manter o nível lá em cima, acaba sendo um trabalho que não pode relaxar. É hora de falar: “agora zerou e vamos começar tudo de novo”.</p>
<figure id="attachment_90643" aria-describedby="caption-attachment-90643" style="width: 978px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-90643 size-full" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_59.jpg" alt="vila isabel campeas 2022 59" width="978" height="652" title="Gabaritou! Mestre Macaco Branco celebra desempenho da bateria da Vila Isabel 24" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_59.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_59-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_59-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_59-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_59-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /><figcaption id="caption-attachment-90643" class="wp-caption-text">Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO</figcaption></figure>
<p><strong>Vocês entraram na avenida após o desfile avassalador da Grande Rio. O que pensou na hora e o que falou para os ritmistas?</strong></p>
<p>Macaco Branco: “A verdade é que a gente sempre motiva a galera, pois trabalho muito nessa parte emocional da galera. De tirar o melhor deles, de fazer com que eles entendam que são peças fundamentais e muito importantes nesse propósito. A Grande Rio fez um ótimo desfile, acreditava que o carnaval estava entre ela e a Vila Isabel, mas a escola foi campeã merecidamente. Eu achava que a Vila podia ter pego o segundo lugar, ter ficado mais próximo ali, mas só de voltar nas campeãs é algo bem legal. A gente coroa e brinda um trabalho que estava sendo feito há muito tempo, no último carnaval ficamos em uma colocação em que não voltamos no sábado e agora ficamos em quarto lugar. Ajustando essas arestas que temos que ajustar, se Deus quiser no próximo carnaval temos grandes chances de levar o caneco”.</p>
<p><strong>O seu trabalho e do Tinga são muito bem avaliados. Qual é o segredo da dupla e do sucesso no trabalho?</strong></p>
<p>Macaco Branco: “O segredo é a amizade, o carinho, o coração. Nós dois somos Vila Isabel, independente do profissionalismo nós temos um carinho especial, pois amamos nossa escola. A gente senta, conversa, vê o que podemos melhorar e a gente nunca relaxa. Procuramos sempre tirar o melhor, espremer até sair o máximo de coisa boa dos nossos ritmistas e componentes do carro de som. O que faz a grande diferença é o nosso empenho de sempre buscar o melhor e nosso amor”.</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="9a2GWp8WdBo"><iframe loading="lazy" title="VILA ISABEL 2022 HD | LARGADA DO DESFILE" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/9a2GWp8WdBo?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></div>
<p><strong>Existe muita discussão sobre andamento mais acelerado ou não. Qual é o seu pensamento sobre essa questão?</strong></p>
<p>Macaco Branco: “Cada samba tem seu andamento que vai fazer com que ele funcione bem na avenida. Tem ano que você vai escolher o samba e, ele tem o andamento mais tranquilo, mais para trás. Tem samba que você vai precisar colocar um pouquinho mais para frente, outros que são bem tranquilos. Esse ano demos a largada no andamento de 146 bpm e ao decorrer da avenida conseguimos deixar entre 145 e 144 bpm, pois era o que o samba pedia. Mas para o samba fluir bem, temos que tocar no andamento que o corresponde, pois não adianta a gente querer engessar e dizer do andamento da escola, ele é do próprio samba. É o samba que diz o andamento necessário, o que dá certo. Se você se prender a um número, vai acabar sacrificando o samba, o componente e não é isso. Se foi escolhido samba x, esse tem que entrar para o estúdio, como eu e Tinga sempre faz, entra lá, toca ele e vai experimentando. Inclusive a gente experimenta até no ensaio de rua, por exemplo: &#8216;achei que ficou legal. não, achei que dava para ser menos&#8217;. Com isso nós vamos chegando a um parâmetro sobre o andamento. A galera usa muito o metrônomo e vai se guiando por ali, mas não é assim. Ele é um instrumento de parâmetro, não um que dita a “verdade”, pois se pega ele e fala que o andamento tem que ser x, beleza. Porém isso é o que? Quem tem que dizer isso é o samba, e não nós ou o metrônomo. Claro que tem uma margem de um pouquinho para mais e outro para menos, se o andamento foge da característica da escola era porque o samba não pertencia ali”.</p>
<p><strong>Você concorda que o nível geral das baterias está alto? E por qual motivo isso vem acontecendo?</strong></p>
<p>Macaco Branco: “Concordo. Temos grandes mestres, grandes trabalhos no carnaval do Rio de Janeiro. Nós temos grandes referências, pois hoje na era da informatização todo mundo tem acesso a tudo. Pois todos conseguem acessar o YouTube para pesquisar o que é possível fazer para melhorar. E isso é parâmetro, quem não acompanhar acaba ficando para trás, simples assim. Hoje em dia não tem uma bateria que seja ruim, todas são excelentes. Cada uma com a sua característica, seu propósito. Costumo dizer que são incomparáveis, cada uma tem sua verdade. Não existe uma melhor que a outra, cada uma tem o seu diferencial e com isso todas são de alto nível. Fica até difícil para o jurado tirar um décimo, às vezes tem aquele deslize, algo que acontece na avenida, aí acaba sendo descontado. Fora isso só tem bateria excelente”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-90639" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_55.jpg" alt="vila isabel campeas 2022 55" width="978" height="652" title="Gabaritou! Mestre Macaco Branco celebra desempenho da bateria da Vila Isabel 25" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_55.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_55-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_55-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_55-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_55-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p><strong>E a parceria com a Sabrina, considera que ela é rainha que consegue unir divulgação da escola e relação com a comunidade?</strong></p>
<p>Macaco Branco: “A Sabrina é muito povão, ela está na frente da bateria como rainha faz 11 anos. Ela é amiga nossa pessoal, minha e da minha esposa Dandara (musa da escola). A minha esposa dá aula para ela já tem uns 10 anos, nós temos uma amizade com ela de um frequentar a casa do outro. Ela faz questão de beijar, abraçar e falar com todo mundo. Mesmo não sendo carioca, ela é muito Vila Isabel, ela é sambista sim. O coração é tudo e também amar tudo aquilo que faz e a Sabrina é assim. A melhor rainha que a gente já teve”.</p>
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		<title>Entrevistão com Júnior Escafura: &#8216;Caso algum dia me torne presidente da Portela, preciso estar preparado para honrar o nome do meu pai&#8217;</title>
		<link>https://carnavalesco.com.br/entrevistao-com-junior-escafura-caso-algum-dia-me-torne-presidente-da-portela-preciso-estar-preparado-para-honrar-o-nome-do-meu-pai/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ingrid Marins]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Apr 2022 21:11:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
		<category><![CDATA[Junior Escafura]]></category>
		<category><![CDATA[Portela]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Júnior Escafura, integrante da comissão de carnaval da azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira, possui um vínculo muito especial com a escola. Passando a compor o time em 2019, juntamente com Claudinho Portela e Higor Machado, Escafura também é diretor de harmonia do Império Serrano. Com passagens em escolas como a Imperatriz Leopoldinense [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Júnior Escafura, integrante da comissão de carnaval da azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira, possui um vínculo muito especial com a escola. Passando a compor o time em 2019, juntamente com Claudinho Portela e Higor Machado, Escafura também é diretor de harmonia do Império Serrano.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-78289" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/escafura.jpg" alt="escafura" width="773" height="490" title="Entrevistão com Júnior Escafura: &#039;Caso algum dia me torne presidente da Portela, preciso estar preparado para honrar o nome do meu pai&#039; 29"></p>
<p>Com passagens em escolas como a Imperatriz Leopoldinense e a Estácio de Sá, o retorno de Escafura para a Portela foi muito bem visto. Portelense desde que era criança, ele acompanhou de perto seu pai sendo presidente da escola. O diretor recebeu a equipe do site <strong>CARNAVALESCO</strong> e falou sobre o desafio de estar de frente na direção de harmonia, sobre o julgamento do quesito e também sobre as lembranças que têm com a “Majestade do Samba”.</p>
<p><strong>Qual é o maior desafio de um diretor de harmonia?</strong></p>
<p>“O diretor de harmonia tem que ser aquela pessoa que mais possui tranquilidade dentro de uma escola de samba. O desafio de ser um diretor é você trazer a escola, trazer o componente para o seu lado e fazer ele entender que também é um dos diretores de harmonia da escola. Quando os integrantes compram a sua ideia, compram a briga da agremiação, ele vai desempenhar um papel muito importante, pois ajuda a harmonia”.</p>
<p><strong>O que você pensa sobre o julgamento do quesito harmonia? Tem que subdividir como é em samba, ou seja, canto dos componentes e carro de som?</strong></p>
<p>“Nos últimos anos o quesito harmonia tem sido motivo de bastante polêmica sobre o julgamento. Porque os jurados têm despontuado muito as escolas em função do carro de som. E a gente que trabalha diretamente com os componentes percebemos que eles ficam frustrados quando veem o resultado da nota de harmonia e a escola não recebeu um 10. Isso os deixa se sentindo culpados e é muito ruim para o diretor. Eu entendo que se os jurados estão focando muito no carro de som, temos que pensar em subdividir o quesito, ou talvez mais para frente criar o quesito “carro de som”. Quem sabe? É uma experiência que pode ser feita e estudada, pois as escolas trabalham muito. É difícil ver alguma ala passar sem cantar, porque as agremiações melhoraram bastante esse trabalho de harmonia&#8221;.</p>
<figure id="attachment_73477" aria-describedby="caption-attachment-73477" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-73477" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/10/escafura_imperio.jpg" alt="escafura imperio" width="700" height="420" title="Entrevistão com Júnior Escafura: &#039;Caso algum dia me torne presidente da Portela, preciso estar preparado para honrar o nome do meu pai&#039; 30" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/10/escafura_imperio.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/10/escafura_imperio-300x180.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/10/escafura_imperio-696x418.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /><figcaption id="caption-attachment-73477" class="wp-caption-text">Foto: Emerson Pereira/Divulgação</figcaption></figure>
<p><strong>Fazendo uma comparação você concorda que após os dois meses com o samba escolhido o ensaio de rua é o melhor caminho para realmente treinar toda escola?</strong></p>
<p>“O ensaio de rua por si só tem uma pegada de avenida, pois você está tirando o componente do lugar habitual de ensaio (a quadra). Os integrantes já começam a achar que é desfile, e assim você motiva mais o componente , tendo mais espaço para trabalhar e mais evolução. Porque o canto, eles já estão acostumados a ensaiar, mas um trabalho de evolução na quadra não dá pra fazer muito bem, pois não se tem espaço. No ensaio de rua, acabamos tendo isso como aliado e assim trabalhar bem o componente para que ele tenha uma evolução satisfatória do jeito que a escola precisa. Fazer o andamento certo das alas, a estratégia para o desfile, e na rua conseguimos ter isso de modo melhor”.</p>
<p><strong>Qual é sua maior lembrança do desfile de 1995 ?</strong></p>
<p>&#8220;O desfile de 1995 é o carnaval da minha vida, inesquecível. Meu pai era presidente da Portela e a lembrança que eu tenho é de sair da Sapucaí com a escola aclamada como campeã de ponta a ponta. Saímos convictos que seríamos campeões naquele ano, porque era a imprensa, o público que lotava o Sambódromo e os componentes da Portela emocionados. É um carnaval que a gente se considera campeão só por causa do desfile, e por isso temos muito orgulho de 1995&#8221;.</p>
<p><strong>O que te faz lembrar seu pai na Portela?</strong></p>
<p>“Do meu pai eu lembro a alegria dele, pois ele era uma pessoa muito alegre. O grande mérito dele na minha opinião, quando assumiu a agremiação ele a uniu. Tinham muitas pessoas que estavam afastadas da Portela, como o Noca, Paulinho da Viola, João Nogueira, Nega Pelé (que se tornou rainha de bateria neste ano) e também vários outros que estavam distantes da escola. Quando ele assume, convida todos eles para voltar e quando estamos unidos somos muito fortes. Isso foi mérito do meu pai e a maior lembrança que tenho da gestão dele, pois quando a Portela está unida e caminhando com todos do mesmo lado é difícil segurar”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-69540" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/04/escafura.jpg" alt="escafura" width="542" height="363" title="Entrevistão com Júnior Escafura: &#039;Caso algum dia me torne presidente da Portela, preciso estar preparado para honrar o nome do meu pai&#039; 31" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/04/escafura.jpg 542w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/04/escafura-300x201.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 542px) 100vw, 542px" /></p>
<p><strong>Essa pressão de ser um Escafura e sempre estar cotado para vir como presidente é fácil de lidar ou mexe muito com você?</strong></p>
<p>“Na Portela eu estou desde criança e como o meu pai foi presidente da escola é natural que eu venha sendo apontado como o futuro líder daqui. É motivo de orgulho e felicidade que tenho, pois as pessoas me enxergam como um líder da escola. Fico muito feliz de ter esse carinho, principalmente dos segmentos mais antigos, como a velha guarda e portelenses que me viram crescer. Consigo lidar muito bem com isso, pois não tenho essa pressão e sim uma responsabilidade. Se isso um dia vier a acontecer preciso estar preparado, pois venho há anos caminhando ao lado do meu pai, mesmo sendo novo aprendi muita coisa. Passei por diversos departamentos dentro da escola, fui diretor de quase todos os setores. Venho me preparando para isso, mas quando acontecer tenho que estar preparado para ser um grande presidente, honrar o nome do meu pai, da minha família e dos outros grandes líderes que a Portela teve”.</p>
<p><strong>O que pensa sobre o próximo pleito portelense?</strong></p>
<p>“Penso que a Portela está caminhando para o centenário e que ela precisa estar unida e forte. Todo mundo do mesmo lado, isso que tem que ser a eleição da escola. As pessoas precisam entender que temos que ter um pouco menos de vaidade, e a agremiação tem que ser a principal responsável. A bandeira da Portela, o pavilhão da escola que é sagrado, é mais importante que qualquer pessoa. A eleição tem que ter o clima de harmonia, clima feliz e todo mundo unido, pois estamos caminhando para os 100 anos e seria muito lindo ter todos no mesmo lado, para que a gente faça um carnaval inesquecível”.</p>
<p><strong>O samba de 2022 foi muito criticado, mas vem rendendo muito. Gilsinho e Nilo Sérgio foram fundamentais nessa transformação?</strong></p>
<p>“Aconteceu uma crítica, porque a Portela tem uma torcida muito grande, e tínhamos grandes sambas aqui. Toda a disputa da escola é um pouco polêmica, porque sempre tem grandes sambas e compositores. Dificilmente vai ter um samba que é escolhido por unanimidade. Esse ano, por exemplo, o samba que ganhou era o preferido dos segmentos da escola, do carnavalesco, pois era o que mais atendia a proposta que vamos apresentar na avenida. As pessoas vão ver o carnaval da Portela e vão entender o porque ele foi escolhido. O Nilo, Gilsinho e o trabalho de harmonia muito forte da escola foram fundamentais sim. A comunidade por si só caminha muito bem, eles compram o samba e não tem jeito. O componente vem para a briga, a Portela é assim, pois quando começam a criticar ela se transforma. Quanto mais criticam o samba-enredo, a gente não fica satisfeito em só cantar, e sim em berrar. O ensaio técnico foi a prova disso e surpresa para muita gente, mas para mim não. Pois eu conheço isso aqui e estou desde que nasci, sei muito bem qual é a raiz da escola. Mesmo com a crítica nos unimos e fomos para dentro para fazer um belo carnaval”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-29489" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Portela_Escafura.jpg" alt="Portela Escafura" width="774" height="774" title="Entrevistão com Júnior Escafura: &#039;Caso algum dia me torne presidente da Portela, preciso estar preparado para honrar o nome do meu pai&#039; 32"></p>
<p><strong>Qual é o tamanho do desafio na Harmonia do Império Serrano?</strong></p>
<p>“Ser diretor de harmonia do Império Serrano é um desafio muito grande, porque é uma escola muito tradicional e que hoje está na Série Ouro. Mas ela não é de lá, é uma das maiores campeãs do carnaval. Então fui pra lá com a responsabilidade e também sabendo que ela está fazendo um investimento grande para disputar o título que dá o acesso ao grupo especial. É um carnaval muito parelho na Série Ouro, as escolas têm muita dificuldade e o Império também. O presidente Sandro Avelar quando assumiu, uniu a escola e isso foi primordial para o bom trabalho que a agremiação está fazendo. Trouxe grandes nomes como Leandro, Patrick e também o Vitinho como mestre que vai ser considerado como um dos grandes mestres de bateria do carnaval carioca, aposto muito nisso. Vejo hoje um Império muito motivado e feliz. É um orgulho estar trabalhando lá e ajudar a escola a fazer um grande carnaval e sei que a responsabilidade é enorme”.</p>
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		<title>Entrevistão com Fernando Horta: ‘estou altamente tranquilo, sabendo que levo um carnaval para disputar’</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Apr 2022 14:32:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Unidos da Tijuca]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Horta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Presente na vida da Unidos da Tijuca desde os anos 80, José Fernando Horta de Sousa Vieira, o presidente Fernando Horta, tirou a escola de uma fila de mais de 70 anos. A escola só havia sido campeã uma vez antes do dirigente, em 1936. Português de nascimento, mas carioca de coração, Fernando Horta deu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Presente na vida da Unidos da Tijuca desde os anos 80, José Fernando Horta de Sousa Vieira, o presidente Fernando Horta, tirou a escola de uma fila de mais de 70 anos. A escola só havia sido campeã uma vez antes do dirigente, em 1936. Português de nascimento, mas carioca de coração, Fernando Horta deu a primeira chance ao carnavalesco Paulo Barros no Grupo Especial em 2004, sendo vice-campeão neste ano e no ano seguinte revolucionando o carnaval. Essa parceria que teve muitas idas e vindas levou a escola aos títulos em 2010, 2012 e 2014, mudando o patamar da Amarela e Azul do morro do Borel. Próximo dos 70 anos, o presidente da Tijuca vai completar 21 anos seguidos no cargo, e teve ainda outras duas passagens que somadas completam 30 anos só como presidente, fora a marcante presença em outros mandatos de 1987 para cá.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-83365" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/horta.jpg" alt="horta" width="700" height="440" title="Entrevistão com Fernando Horta: ‘estou altamente tranquilo, sabendo que levo um carnaval para disputar’ 37" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/horta.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/horta-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/horta-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/horta-668x420.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>Em entrevista ao site <strong>CARNAVALESCO</strong>, o empresário português do ramo da vidraçaria, natural de Felgueiras, comentou o tão esperado tombamento da quadra da escola, explicou sua relação com o carnavalesco Paulo Barros, expôs seu pensamento sobre a sucessão a frente da Unidos da Tijuca, revelou os bastidores da decisão de colocar Wic Tavares como microfone principal da agremiação ao lado do pai Wantuir, e por fim, se disse totalmente confiante em um grande desfile da Unidos da Tijuca no Carnaval 2022.</p>
<p><strong>Após tanto sufoco o que representou para você e para a Tijuca o tombamento da quadra?</strong></p>
<p>&#8220;Representou muito, isso nós estamos lutando desde 1992. Agora a escola ficou com uma situação mais tranquila, temos que resolver o resto, mas acho que foi bom para mim, até porque eu queria quando acabar o meu ciclo na Unidos da Tijuca deixar a escola mais bem estruturada. Foi importante para mim pessoalmente e mais para a escola. Acho que foi uma coisa justa até porque aquilo ali praticamente é terra de ninguém. A Tijuca está implantada ali desde 1992. A Tijuca não invadiu, pagava um aluguel anos e anos, era do Clube dos portuários, depois passou para administração das docas, depois venderam para o Porto Novo, e depois venderam para o fundo da Caixa, uma confusão danada, e a Tijuca tinha um contrato feito com a União, com as Docas, e a Tijuca estava se propondo a adquirir aquele espaço que ocupava, 2800 metros quadrados, com um contrato separado, com todas as instalações separadas. E nós tentamos fazer um acordo que foi aquilo que eu sempre lutei, e agradeço pela votação na Câmara de Vereadores, praticamente unânime, e agora a luta continua porque agora a gente tem muito mais segurança para fazer uma adaptação melhor, de reforma, de melhores instalações. A Tijuca gastou ali uma fortuna, mas sempre fazendo puxadinho, nada em condições daquilo que eu sonho em deixar para a Unidos da Tijuca”.</p>
<p><strong>Qual é seu desfile inesquecível na Tijuca? E por qual motivo?</strong></p>
<p>&#8220;É o mesmo carinho sempre, quando eu começo a fazer um carnaval, para mim o carinho é sempre igual. Até porque a hora que eu perder esse ânimo, eu estou fora. Agora logicamente tem uns que acontecem mais do que os outros, isso é natural. Agora o meu carinho é sempre igual para cada desfile&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-66237" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/02/11fev-horta1.jpeg" alt="11fev horta1" width="713" height="475" title="Entrevistão com Fernando Horta: ‘estou altamente tranquilo, sabendo que levo um carnaval para disputar’ 38" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/02/11fev-horta1.jpeg 713w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/02/11fev-horta1-300x200.jpeg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/02/11fev-horta1-696x464.jpeg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/02/11fev-horta1-630x420.jpeg 630w" sizes="auto, (max-width: 713px) 100vw, 713px" /></p>
<p><strong>Era possível imaginar que um português se tornaria um dos maiores dirigentes de uma escola de samba do Rio de Janeiro?</strong></p>
<p>&#8220;Não, primeiro que eu assumi a escola sem querer. Não tinha pretensões nenhuma. Não tenho agora. A escola faz eleições. Dessa época que eu milito na escola já teve três ou quatro presidentes. Claro, eu sempre junto. Eu mesmo não sei explicar. Eu era jovem, me empolguei. Logicamente que a Tijuca era uma escola de médio porte e eu sempre na vida, tudo aquilo meu, de pequeno se tornou grande, então a Tijuca hoje é uma escola grande. Grande que eu digo, não quer dizer financeiramente, a gente luta todo ano para fazer carnaval. Agora, eu sonhar que eu queria ser grande, eu não queria não. Eu entrei por acaso, entrei porque estava envolvido, a escola teve um fracasso, me achei um pouco responsável, houve um pedido muito grande da comunidade para eu assumir a escola, e a gente está aí. E eu me considero tão carioca quanto você ou qualquer um. Eu vim para cá jovem, tinha 11 anos, eu amo esse povo e essa cidade. Muitas pessoas que estão aqui no Brasil estão por que tem que estar, eu teria outras opções de vida graças a Deus, talvez mais confortável e com mais tranquilidade, e continuo aqui. Eu sempre andei envolvido na arte do carnaval e foi acontecendo&#8221;.</p>
<p><strong>Vamos voltar lá atrás em 2004. Em algum momento, você ficou preocupado com o que seria o desfile quando olhava o trabalho do Paulo Barros no barracão? Aliás, você fala sempre do carinho pelo Paulo Barros e ele, por você. É o maior artista da história da escola?</strong></p>
<p>&#8220;Não, a Unidos da Tijuca tem e teve grandes artistas. Eu acho que a única que não passou por aqui ainda foi a Rosa. Já passou o Renato, passou o Paulo Barros, acho que eu tenho mais carinho pelo Paulo Barros do que ele tem por mim, mas tudo bem. Mas eu tive um grande artista aqui que foi uma pena ele ter falecido, que foi o Oswaldo Jardim, que começou a modificar a cara da Unidos da Tijuca. Foi o maior carnavalesco que a Tijuca teve, na minha concepção. Agora, o Paulo Barros foi muito importante na vida da Unidos da Tijuca, até porque foi uma aposta minha. Paulo Barros só tinha feito um ano ou dois de escola do Grupo de Acesso. Foi uma aposta que na minha cabeça eu pensava que o carnaval estava muito igual. Era cada um apresentando mais luxo do que o outro. E eu via a dificuldade de competir pelo financeiro. Então apostei em fazer alguma coisa diferente. Ninguém apostava e achava que a escola ia para o buraco em 2004 quando viram aquele carro do DNA, mas antes em 2000 a escola fez um grande carnaval que tirou o quinto lugar, ela vinha fazendo grandes carnavais. Para mim, o carnaval de 2004 , 2005, 2006 a escola merecia ter ganhado o campeonato. Foi uma coisa nova que o julgador que era mais conservador não entenderam muito bem o recado da Tijuca&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-72760" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/09/horta.jpg" alt="horta" width="695" height="501" title="Entrevistão com Fernando Horta: ‘estou altamente tranquilo, sabendo que levo um carnaval para disputar’ 39" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/09/horta.jpg 695w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/09/horta-300x216.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/09/horta-324x235.jpg 324w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/09/horta-583x420.jpg 583w" sizes="auto, (max-width: 695px) 100vw, 695px" /></p>
<p><strong>Uma vez na premiação do Estandarte de Ouro, no antigo Canecão, você desabafou e disse que não deixariam um vidraceiro português ser campeão do carnaval. E você foi campeão. Foi complicado colocar a Tijuca nesse patamar em que esteve de 2004 até 2016?</strong></p>
<p>&#8220;Foi uma grande luta porque quando a partir dos anos 2000 que as condições financeiras começaram a ser melhores para as escolas, logicamente que a Tijuca deu o pulo do gato. Tivemos alguns anos de sufoco tremendo, então a Tijuca foi campeã em 2010, 2012 e 2014, mas já merecia ter sido campeã antes. Nos anos 2000, a Tijuca fez grandes carnavais, e não ganhou por questão de décimos. Eu perdi dois campeonatos por muito pouco. Acontece. Mas de 2000 para cá a Tijuca sempre faz carnaval para disputar. A nossa mentalidade é essa&#8221;.</p>
<p><strong>O desfile de 2020 não foi o esperado. O que houve?</strong></p>
<p>&#8220;Embora seja um grande artista, eu não vou culpar A, B, ou C, houve algumas falhas de alguns quesitos e também da concepção do enredo no geral. Mas, a culpa é sempre minha e aconteceu o que tinha que acontecer”.</p>
<p><strong>Muita gente questiona o resultado de 2019 na Tijuca. Você ficou chateado com a colocação? Merecia voltar nas campeãs?</strong></p>
<p>“Não merecia tirar a colocação que tirou. Em 2019 por exemplo, como era um enredo religioso, eles entenderam de outra maneira, jamais eu poderia perder ponto em alegorias ou perder em samba-enredo, mas faz parte&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-80224" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tijuca_ensaiotecnico2022_04.jpg" alt="tijuca ensaiotecnico2022 04" width="978" height="652" title="Entrevistão com Fernando Horta: ‘estou altamente tranquilo, sabendo que levo um carnaval para disputar’ 40"></p>
<p><strong>O que você sentiu quando houve o acidente em 2017? Foi seu momento mais difícil na escola?</strong></p>
<p>&#8220;Aquilo foi uma das grandes decepções porque a Tijuca vinha com um carnaval para ganhar títulos. A Tijuca brigaria ali na ponta. E eu afirmo, depois de estudos feitos, sem ser de cabeça quente, nós fomos sabotados ali. Alguém sabotou o carnaval da Unidos da Tijuca. Lógico que foi internamente, mas profissionais externos. Alguém fez alguma coisa porque não tinha como acontecer aquele acidente e realmente atrapalhou a disputa do carnaval. A Tijuca vinha bem, a Tijuca vinha forte. Mas, em outras escolas já aconteceram acidentes e perderam carnaval assim dessa maneira. Acontece. Ninguém pode dizer hoje que vai ganhar, porque o carnaval é disputado dentro da pista. Ninguém está livre de um acidente&#8221;.</p>
<p><strong>Tivemos vários anos que a Tijuca era apontada como rival da Beija-Flor no canto da comunidade. Hoje, as pessoas dizem que a escola precisa resgatar isso. Concorda?</strong></p>
<p>&#8220;Eu acho que as escolas têm resgatado isso. Até porque a primeira escola que começou com isso não foi a Beija-Flor, foi a Unidos da Tijuca. A Unidos da Tijuca começou lá atrás com as alas de comunidade financiando 100 por cento. E depois a Beija-Flor veio muito bem, logo em seguida, fez um trabalho muito legal. E hoje, todas as escolas estão fazendo esse tipo de trabalho. Até porque quando eu entrei no carnaval, as escolas tinham compromisso de fazer baianas, passistas, velha guarda, alguns segmentos, o resto era tudo ala comercial. Embora tenha ainda algumas escolas com alas comerciais, elas começaram a investir muito nas de comunidade. Quando eu falo em comunidade, não falo só do Borel, são comunidades, pessoas, o cara pode até morar na Vieira Souto, mas ele participa da ala de comunidade. Tem muitos casos desses, as pessoas que se dedicam a vir aos ensaios, a fazer treinamento. Quando o cara compra uma fantasia, sabe que o cara fica sem compromisso nenhum. E tinha muito estrangeiro também. Eu acho até que a Liga deveria deixar participar, de repente com uma ala no fim da escola sem ser avaliada&#8221;.</p>
<p><strong>A Wic, filha do Wantuir, é cotada como uma das maiores revelações do carnaval. Quando surgiu na sua cabeça que ela assumiria o microfone principal ao lado do pai?</strong></p>
<p>&#8220;A Wic já havia saído no ano passado na escola, ela também saía na São Clemente, e esse ano, eu já vinha prestando atenção nela. Logicamente que é muito difícil você colocar uma mulher como voz principal. Desde que eu estou no samba só aconteceu uma vez e mesmo assim não deu muito certo. Ela foi contratada pelo samba vencedor, e eu conversando com o pai dela eu falei ‘que tal colocar a tua filha junto com você? ’. Porque geralmente nenhum cantor quer. Geralmente o cantor pensa ‘eu sou o número um e acabou’. Outras escolas que tentaram fazer, saiu faísca. Como foi até um pedido dele também, ficou numa boa. No fundo ele abriu uma janela para mim também. E foi por méritos dela, ela não está lá por favor nenhum. A escola não faz isso, todo mundo que está é por méritos. E a Wic está lá porque ela tem capacidade para estar. Agora dizer que ela vai ser a voz 100 por cento da Unidos da Tijuca é uma coisa a se pensar, se ver, porque as experiências que foram feitas lá atrás não deram muito certo. E o pai dela também já está com idade, eu gosto muito dele, é um bom profissional, ele estava aqui com uma carreira muito boa, cismou de ter saído, depois queria logo voltar mas ficou de castigo. Agora está aí, é um cara fácil de lidar, dedicado, mas todo mundo tem um fim. É que Jamelão só teve um, cantou até o final. E o Neguinho que está aí, e ele ainda está longe dessa idade. E na vida existe renovação. E vai ter comigo. Fernando Horta só tem um. Amanhã e depois eu vou assistir o desfile lá na frisa ou arquibancada&#8221;.</p>
<p><strong>Você tem um dos melhores mestres de bateria do carnaval. É fácil manter o Casão na escola ou o assédio de outras agremiações é complicado?</strong></p>
<p>&#8220;Casão não vai. Já não é novinho, mas é cria minha. O Casão não pensava nem em ser diretor de bateria. Ele vivia na bateria, sempre foi lá da comunidade, embora já não mora mais lá há muito tempo, mas ele além de tudo era meu funcionário, era vidraceiro. É um mestre de bateria que tem méritos para isso. A maioria da rapaziada que está na bateria são meus amigos, conheço a maioria desde criança. O Casagrande teve uma vez que lá atrás, uns 4 anos ou 5, ele foi assediado por uma escola, ele veio falar comigo e eu falei &#8216;oh, meu filho, tu é que sabes &#8216;. Mas ele mesmo recuou, falou que não é dele, o Casagrande vai se aposentar na Unidos da Tijuca. Igual a mim. Logicamente também deve ter passado necessidade porque pegou essa situação toda, pouco show, pouco trabalho, mas com ele eu fico absolutamente tranquilo. É muito mais fácil, eu largar a escola do que ele sair. Se ele chegou ao que é, é justamente por ser um cara muito trabalhador. Ele tem a bateria totalmente controlada, ele briga demais pela bateria. Além de ser meu diretor de bateria ele é meu amigo”.</p>
<p><strong>O que o Horta pensa dos rumos/futuro dos desfiles das escolas de samba, após quatro anos de Crivella e dois anos de pandemia?</strong></p>
<p>&#8220;O carnaval vinha muito bem, eu me recuso falar esse nome (Crivella). Foram três anos praticamente, porque o outro ainda estava sendo administrado pela administração passada. Sufoco, uma má vontade, um cara que era completamente contrário ao carnaval. Além de não ajudar, ele incentivava para ninguém ajudar. Foram uns anos muito difíceis. A mim, ele não enganou. Tanto que alguns presidentes de escolas de samba optaram em apoiar ele, eu não. Chamei ele de mentiroso em uma reunião que ele marcou 7h da manhã que ele achou que a gente era vagabundo e não ia comparecer. Ele falou que não ia mexer em nada no modelo de carnaval e que se não pudesse fazer melhor ele ia igualar pelo menos o que estava. Nesta reunião, ele perguntou &#8216;Horta, você não fala nada?&#8217;. E eu falei &#8216; não vou falar nada porque você é mentiroso&#8217;. É para esquecer. E depois logicamente que a pandemia veio derrubando muito mais. Não foi a questão de a gente não fazer carnaval, ficar um ano sem ter carnaval, não tem recurso, mas também não faz o desfile, mas no caso da Unidos da Tijuca e outras, nesta pandemia ela deixou de trabalhar, ela deixou de fazer apresentações, ela deixou de fazer situações que ela faz na quadra, empresas que alugam. Porque o dinheiro que vem para o carnaval, eu aplico no carnaval, para fazer carnaval, mas a escola para sobreviver ela vive destes eventos que ajudam muito. Nós estávamos esperançosos com esse carnaval, infelizmente teve que ser adiado, quando se colocou os produtos à venda houve uma alavancada, e depois do adiamento houve um recuo muito grande. A gente não sabe se pode contar com a receita que nós estávamos contando para fazer um carnaval melhor e você pagar o staff. Você gasta um dinheiro grande com a logística, leva mais de 150 profissionais para a Avenida. Você não gasta menos de 300, 400 mil reais para fazer essa brincadeira&#8221;.</p>
<p><strong>E sobre seu sucessor. Pensa em formar alguém e como ficará a Tijuca no dia que você não estiver mais presente?</strong></p>
<p>&#8220;Eu não sou muito de &#8216;vamos criar fulano&#8217;. Até porque eu já participei de outra diretoria em clube de futebol. Você tem um grupo de pessoas que ajudam, que apoiam, não estou nem falando financeiramente, que ajudam dentro da elaboração do carnaval. Mas, a liderança, ela nasce. Dentro daquele grupo que existe, tem que surgir. Aqui não é uma escola que o sucessor vai ser preparado, um parente meu, não. Ele tem que surgir dentro do nosso grupo, eu penso dessa maneira. Não se prepara, cada um nasce com liderança, capacidade administrativa. Tem uma turma que está aqui na escola há muito tempo e na hora certa a gente vai avaliar qual o que eu sinto que tem mais capacidade para eu indicar. E indicar, porque aqui é uma escola democrática, tem eleições. A Tijuca não é falada em época de eleições, ninguém sabe, até eu mesmo às vezes me esqueço, mas a gente abre de três em três anos, bota edital, coloca lá na comunidade, e infelizmente nunca apareceu nenhum candidato. Só apareceu uma vez, aí a votação começou 9h, quando era 10h ele quis desistir. O cara ficou com vergonha e eu falei ‘agora você vai ficar até o final’. E eu já fiquei três ou quatro mandatos sem ser presidente. E para ser presidente o cara tem que querer também, tem gente que se arrepia todo se você perguntar, tem medo de assumir, são bons, mas tem medo da responsabilidade &#8220;.</p>
<p><strong>O que falta para a Unidos da Tijuca voltar ao sábado das campeãs?</strong></p>
<p>&#8220;Falta boa vontade de alguns e é assim mesmo, você tem que saber que você está em uma disputa que tem 12 escolas, e 12 escolas muito fortes. Tem que ser realista, vem ali 8 ou 10 que querem ganhar. Então aquilo é um jogo só. Você perde um décimo, perde dois décimos, ganha ou perde com essa diferença. O carnaval é muito equilibrado. Até os anos 2000 era feito com aquelas escolas que tinham um poder financeiro muito maior, depois que começou a equilibrar as verbas, aí começou a ter mais escolas fortes. Aquilo que a Tijuca quer, todas querem. Aquele negócio de o cara achar que vai ganhar todo ano, já era. Pode até ganhar, mas é uma coisa difícil. A grande maioria corre atrás do mesmo objetivo. Não tem campeão antecipado, carnaval é lá na Avenida&#8221;.</p>
<p><strong>Por fim, o que esperar do desfile de 2022 da Tijuca? O que você responde quando colocam a escola brigando para ficar no Grupo Especial?</strong></p>
<p>“Algumas pessoas que não entraram no barracão ficam falando besteira. Mas eu sei aquilo que a escola tem e o que vai fazer. E a concepção do carnaval que eram 10 quesitos, eu brigo para voltar esse último que tiraram, que é o conjunto. Eu acho que o conjunto é necessário. Mas uma escola para se ganhar o carnaval tem que defender nove quesitos, então quem faz esse tipo de análise, tem que começar a analisar quesito por quesito. Alegoria é importante, empolga, mas é um quesito. Eu estou altamente tranquilo, sabendo que levo um carnaval respeitando as coirmãs, mas para disputar. E pode ter certeza que a Tijuca vai fazer um carnaval diferenciado e para agradar&#8221;.</p>
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		<title>Entrevistão: Perlingeiro projeta desfiles, revela projetos para Cidade do Samba e comenta relação com Gabriel David</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Damico]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Apr 2022 11:13:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Perlingeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eleito presidente da Liesa em março do ano passado, Jorge Perlingeiro fará o primeiro Carnaval no comando da entidade nesta semana. O comunicador, que também é responsável pela leitura das notas no dia da apuração, conversou com o CARNAVALESCO e comentou expectativa para os desfiles do Grupo Especial, que começam na sexta-feira. O locutor também [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Eleito presidente da Liesa em março do ano passado, Jorge Perlingeiro fará o primeiro Carnaval no comando da entidade nesta semana. O comunicador, que também é responsável pela leitura das notas no dia da apuração, conversou com o <strong>CARNAVALESCO</strong> e comentou expectativa para os desfiles do Grupo Especial, que começam na sexta-feira. O locutor também abordou outros temas, como projetos para Cidade do Samba, parceria com a TV Globo e relação com Gabriel David.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-83249" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/perlingeiro.jpg" alt="perlingeiro" width="777" height="454" title="Entrevistão: Perlingeiro projeta desfiles, revela projetos para Cidade do Samba e comenta relação com Gabriel David 44" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/perlingeiro.jpg 777w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/perlingeiro-300x175.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/perlingeiro-768x449.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/perlingeiro-696x407.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/perlingeiro-719x420.jpg 719w" sizes="auto, (max-width: 777px) 100vw, 777px" /></p>
<p>Aos 77 anos, Perlingeiro já lê as notas do desfile das escolas de samba há 30 anos, e revelou que já pensa em deixar a função. Substituto de Jorge Castanheira na presidência da Liesa, o locutor, ao lado do diretor de marketing, Gabriel David, já fez algumas mudanças durante o ano em que está no cargo, como a parceria com a Globo para o programa &#8216;Seleção do Samba&#8217;, e a organização dos mini desfiles na Cidade do Samba. Confira a entrevista completa do mandatário da entidade.</p>
<p><strong>Está chegando a hora dos desfiles. O que representa para Liga, escolas e para você esse retorno após dois anos?</strong></p>
<p>&#8220;Voltamos para ficar, é o Carnaval da superação, principalmente por causa da situação que vivemos, de pandemia, de quatro adiamentos. Foi complicado. Teve de tudo, menos desfile das escolas de samba. Nos preparamos mesmo com as dificuldades, porque foi muito desgastante em termos financeiros. As pessoas não sabem, mas para ter a Sapucaí montada por mais dois meses, tem que se pagar por tudo aquilo que está lá. Conversamos com fornecedores, fizemos reajustas e deu tudo certo. Felizmente, tivemos uma devolução de apenas 12% dos ingressos, que já foram revendidos, e hoje estamos com as entradas 95% vendidas&#8221;.</p>
<p><strong>Vai ser diferente comandar a apuração sendo o presidente da Liesa? Sente pressão?</strong></p>
<p>&#8220;Pressão não existe, pelo contrário, me sinto muito à vontade. Quando me convidaram para presidir a Liesa, uma das condições era seguir na locução das notas. Já estou há 30 anos nessa função, minha voz é patrimônio imaterial do Rio. Mas acho que ninguém é insubstituível. Todo idoso tem limitações, e eu tenho que ver isso também. Estou com 77 anos, mas ainda me sinto apto a fazer esse trabalho. Mas de fato, é um grande desafio comandar a Liga. É uma entidade com apenas 21 funcionários que produzem este enorme evento. O resto são pessoas terceirizadas. É um trabalho de muita responsabilidade. Mas daqui a pouco os jovens vão chegando, e cada vez mais capacitados, a sequência da vida é essa. O mundo mudou, a comunicação também. Hoje tenho um podcast, nunca na minha vida imaginei isso&#8221;.</p>
<figure id="attachment_73848" aria-describedby="caption-attachment-73848" style="width: 781px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-73848" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/11/plenaria_liesa.jpg" alt="plenaria liesa" width="781" height="460" title="Entrevistão: Perlingeiro projeta desfiles, revela projetos para Cidade do Samba e comenta relação com Gabriel David 45"><figcaption id="caption-attachment-73848" class="wp-caption-text">Perlingeiro e Júlio César apresentaram as propostas feitas nas reuniões anteriores. Foto: Henrique Matos/Divulgação Liesa</figcaption></figure>
<p><strong>Qual é o balanço que você faz até agora da sua gestão no comando da Liesa?</strong></p>
<p>&#8220;Não me vejo com um líder ou algo parecido, sou apenas um conselheiro de todo um grupo. O maior feito da gestão até aqui foi conseguir quatro anos de contrato com a Prefeitura. Negociei diretamente com o prefeito e o Gabriel estava comigo. Se ele tem mandato de mais três anos, porque ele iria assinar com a gente por um ano só. Setembro tem Rock In Rio, outubro tem eleições, novembro e dezembro, Copa do Mundo, quando que a Prefeitura iria sentar com a gente pra renovar de novo por mais um ano? Nunca. Iria me jogar pra janeiro, véspera do Carnaval. O nome disso é planejamento. Outro feito importante foi ter conseguido mais de R$ 7 milhões para cada escola, isso em meio a pandemia, em negociação com TV Globo, patrocinadores&#8221;.</p>
<p><strong>E a Cidade do Samba. Segue pensando em melhorar o local, ter uma praça de alimentação melhor, e mais atividades durante o ano?</strong></p>
<p>&#8220;Não terminei todo o projeto que eu queria lá. Trocamos todas as lonas, não só do palco principal, como dos camarins, e conseguimos um feito importante, que foi colocar uma unidade do Corpo de Bombeiros dentro da Cidade do Samba. Tive que pedir ao governador, com o Eduardo Paes do meu lado. Se eu ficar para o ano que vem, vou fazer a praça de alimentação que eu queria ter começado esse ano e não consegui. Fazer uma área que tenha pagode todos os dias de 18h às 21h, um grande espaço para que as pessoas possam comer, beber, se distrair, tornar mais receptivo para os turistas também, porque eles nunca vão lá. Vamos também retomar os dois barracões que estão ocupados por duas escolas que não essão no nosso grupo, que são Estácio e União da Ilha. Um deles iremos construir um grande museu, e outro para receber turistas, fazer cursos profissionalizantes e apresentação de várias coisas que vamos precisar a partir de 2023. A Cidade do Samba está em um eixo que tem o Museu do Amanhã, AquaRio, e a Roda-Gigante. De repente pode se fazer um esquema com um ingresso só em que a pessoa curte as quatro atrações. Enfim, projetos existem. Falta agora dinheiro, parcerias, mas tudo continua em pauta. Estamos pensando também em levar essa nossa sede para lá e fundir tudo em uma coisa só para centralizar o trabalho. A Cidade do Samba é muito bem localizada. A ideia é não ter ela apenas como uma fábrica de alegorias, ser só isso custa muito caro. Depois do Carnaval,vamos lavar a Cidade do Samba toda e pintá-la&#8221;.</p>
<figure id="attachment_70005" aria-describedby="caption-attachment-70005" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-70005" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro.jpg" alt="perlingeiro" width="800" height="600" title="Entrevistão: Perlingeiro projeta desfiles, revela projetos para Cidade do Samba e comenta relação com Gabriel David 46" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro.jpg 800w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro-300x225.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro-768x576.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro-80x60.jpg 80w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro-265x198.jpg 265w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro-696x522.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro-560x420.jpg 560w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-70005" class="wp-caption-text">Foto: Henrique Matos/Divulgação Liesa</figcaption></figure>
<p><strong>Na sua gestão a Liesa colocou o pix para compra de ingressos para os desfiles, mostrou a escolha dos sambas na TV Globo, realizou os mini-desfiles e a transmissão dos ensaios técnicos. O que mais pode vir de novidade pós-desfiles de 2022?</strong></p>
<p>&#8220;Não dá para nós ficarmos também só com um evento por ano. Tenho um projeto também de fazer um Carnaval de meio de ano na Sapucaí, sem concurso ou disputa. A ideia é escolher um tema e cada escola fazer um desfile sobre o assunto. Fazer um Carnaval para turistas, para trazer gente pra cidade, movimentar a rede hoteleira. Temos também que promover mais eventos nas quadras das escolas, fazer um festival de samba. Todas essas ideias existem, precisa-se de planejamento e dinheiro. Mas para esse ano ainda, acho que a única novidade é a divulgação das justificativas dos jurados antes de três meses. Nunca houve isso em mais de 30 anos de Sapucaí. Esse ano, já 48h após a apuração, terão as respostas no site. Objetivo é a transparência. As escolas já vão desfilar no sábado das campeãs sabendo o porquê de suas posições&#8221;.</p>
<p><strong>Após quatro anos de sufoco com o ex-prefeito, as escolas voltaram a serem respeitadas pelo poder público. Qual é a importância desse apoio e diálogo com o prefeito Eduardo Paes?</strong></p>
<p>&#8220;Ter o poder público do nosso lado é uma vantagem. Ninguém é grande sozinho. Sem o apoio do Eduardo Paes, que é um cara que gosta de Carnaval, portelense de coração. É um cara que vibra com a gente, nos ajuda e muito. Graças a ele, recapeamos a pista da Sapucaí. Os bueiros nos davam muitos problemas. Tivemos a iluminação para esse ano, que é a grande novidade. Agradeço ao governador também pelo patrocínio da Light. Ter o governo do estado e do município ao lado é muito bom. Não pode ser como o último prefeito que nós tivemos. Não gosto nem de falar o nome dele, porque aquilo foi um atraso na nossa vida. Espero que ele não tenha mais a coragem de se candidatar. Hoje ele não ganha nem para síndico do prédio. Foram três anos de retrocesso do Carnaval. Ainda bem que o samba agoniza, mas não morre. Voltamos ao nosso prestígio e respeito&#8221;.</p>
<p><strong>Você tinha falado em melhorar a apuração em termos de estrutura. O que teremos de novidade?</strong></p>
<p>&#8220;As mudanças esse ano são poucas. Eu tinha um projeto montado para fazer a apuração na Cidade do Samba, por vários motivos, o primeiro é por ser coberto. Na Apoteose tem sol, tem chuva, e esse ano ainda ocorre em uma terça-feira, dia útil. Há 20, 30 anos, a Sapucaí ficava cheia, de um lado a torcida da Mangueira, que é perto dali, com 10 mil pessoas, e do outro mais 30 mil com todas as outras escolas somadas. Com o passar dos anos, as coisas foram mudando. A Globo, de forma inteligente, foi colocando repórteres nas quadras, telões e aquilo se transformou em um evento&#8221;. Então, a ideia da apuração na Cidade do Samba iria ter 1.200 convidados, 100 de cada escola, distribuídos em espaços com mesas, cerveja, salgadinho, um palco com painel de LED. Do lado de fora, teria uma bateria com 60 ritmistas, cinco de cada escola. Também teria um carro de som, para que quando saísse o resultado, a escola campeã subiria no carro alegórico, o presidente receberia o troféu lá em cima e daria uma volta olímpica na Cidade do Samba. A ideia era fazer uma tremenda festa. Esse ano não tem quase nada diferente, só as mesas que serão maiores e um barzinho temático para servir os convidados. A apuração é o dia de mais audiência no Carnaval para a Globo, tinha que ser mais valorizado esse momento&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-68416" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/gabriel_perlingeiro.jpg" alt="gabriel perlingeiro" width="736" height="522" title="Entrevistão: Perlingeiro projeta desfiles, revela projetos para Cidade do Samba e comenta relação com Gabriel David 47" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/gabriel_perlingeiro.jpg 736w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/gabriel_perlingeiro-300x213.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/gabriel_perlingeiro-100x70.jpg 100w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/gabriel_perlingeiro-696x494.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/gabriel_perlingeiro-592x420.jpg 592w" sizes="auto, (max-width: 736px) 100vw, 736px" /></p>
<p><strong>Falando em TV Globo. Como está a relação?</strong></p>
<p>&#8220;A Rede Globo é uma parceira do Carnaval e da Liesa. Ainda temos mais dois anos de contrato. Mas com relação a transmissão, eu tenho algumas críticas. Eu não concordo, por exemplo, que eles transmitam a primeira escola só após a última para não terem que mexer na programação. Não acho justo. Em uma partida de futebol você não começa a transmitir o jogo só com 20 minutos do primeiro tempo. E para atender a Globo, a gente teria que começar os nossos desfiles só às 23h, aí a última escola correria risco de se apresentar com sol quente. Mas eles são donos da imagem, então temos que respeitar&#8221;.</p>
<p><strong>Existe muito falatório de discussões entre você e Gabriel. Hoje como é a relação de trabalho entre vocês?</strong></p>
<p>&#8220;Não existiu nenhum tipo de racha. Houve sim, divergências de opinião. Gabriel é um rapaz extremamente competente, jovem e ambicioso. Pelo andar da carruagem, ele fatalmente vai chegar à Presidência da Liesa, e por merecimento. Surgiram boatos que eu teria dito isso e aquilo dele, que tínhamos brigado. Divergência eu tenho com todo mundo. Semana passada mesmo, estávamos abraçados, conversando aqui dentro. Não existe essa coisa de &#8216;não falo mais com ele&#8217;. Se não falasse, ele não estaria mais trabalhando comigo. São apenas pontos de vista diferentes, algumas tomadas de decisão sem a minha participação, mas depois eu entrei para afinar isso tudo. Torço muito pelo sucesso do Gabriel, ele tem só 24 anos, tem idade para ser meu neto (risos)&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-69984" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro.jpg" alt="perlingeiro castro" width="800" height="600" title="Entrevistão: Perlingeiro projeta desfiles, revela projetos para Cidade do Samba e comenta relação com Gabriel David 48" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro.jpg 800w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro-300x225.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro-768x576.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro-80x60.jpg 80w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro-265x198.jpg 265w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro-696x522.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro-560x420.jpg 560w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p><strong>Estão chegando no fim do papo.O que espera dos desfiles na semana que vem?</strong></p>
<p>&#8220;Chegamos às vésperas dos desfiles com a certeza que vamos fazer um belíssimo espetáculo. As pessoas estão ávidas para ver o Carnaval novamente. As escolas estão fazendo o melhor dever de casa possível. A Liga repassou dinheiro para que todas pudessem fazer grandes e equilibrados desfiles. Esse ano não tem aquela coisa do &#8216;já ganhou&#8217;. Os ensaios técnicos tiveram excelente nível, com boa presença de público. Um ano sem Carnaval são R$ 5 bilhões que deixam de entrar para os cofres públicos, então daí dá pra tirar a importância. Vamos fazer grandes desfiles&#8221;.</p>
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		<title>Entrevistão com Junior Scapin: ‘Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto honrado de trazer a alegria do Paulo Gustavo para a Avenida’</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Apr 2022 12:58:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[São Clemente]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
		<category><![CDATA[Junior Scapin]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Responsável pela comissão de frente da São Clemente desde 2019, Junior Scapin acumula na função passagens, entre outras, pela Estação Primeira de Mangueira, Império Serrano, Estácio, Império da Tijuca, em que desenvolveu a memorável comissão de frente de 2013, no enredo “Negra, Pérola Mulher”, que rendeu a escola o acesso ao Grupo Especial. Na Verde-e-rosa, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Responsável pela comissão de frente da São Clemente desde 2019, Junior Scapin acumula na função passagens, entre outras, pela Estação Primeira de Mangueira, Império Serrano, Estácio, Império da Tijuca, em que desenvolveu a memorável comissão de frente de 2013, no enredo “Negra, Pérola Mulher”, que rendeu a escola o acesso ao Grupo Especial. Na Verde-e-rosa, o artista foi responsável por abrir a apresentação de 2016, ano em que a escola foi coroada com o título no enredo que homenageou Maria Bethânia. No terceiro ano na São Clemente, Junior foi bastante elogiado pela coragem em 2019 em tocar em assuntos delicados com bastante humor representando os dirigentes das escolas de samba e as viradas de mesa do carnaval. Fora do samba, o artista tem trabalhos em programas como “Esquenta” e “Criança Esperança” da TV Globo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-83105" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin.jpg" alt="scapin" width="671" height="401" title="Entrevistão com Junior Scapin: ‘Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto honrado de trazer a alegria do Paulo Gustavo para a Avenida’ 54" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin.jpg 671w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin-300x179.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 671px) 100vw, 671px" /></p>
<p>Admirador do trabalho sem tripés e elementos alegóricos, em entrevista ao site <strong>CARNAVALESCO</strong>, o coreógrafo admite a dificuldade pelo julgamento ao realizar comissões mais simples, mais focadas nos bailarinos, no Grupo Especial. Na conversa, Junior também relembrou trabalhos marcantes, falou um pouco das ideias para a apresentação de 2022, reclamou do peso dado às bandeiras na hora do julgamento e explicou o tamanho da responsabilidade de produzir uma comissão para homenagear um artista como Paulo Gustavo.</p>
<p><strong>Qual é o maior desafio hoje da comissão de frente ser a síntese do enredo ou um espetáculo impactante de abertura?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Eu penso que hoje em dia tem que ter as duas coisas porque as pessoas falam muito do primeiro setor da escola. De alguns anos para cá, a comissão de frente acabou ganhando muita importância, o início vem ganhando muita importância. Confesso para você que sou da opinião de que a comissão de frente hoje em dia ajuda sim a ganhar carnaval. Se você vem com uma boa frente de escola, acho que já é um chamariz para o que vem atrás, mas acho que juntar a importância da comissão de frente, juntar tudo que você faz durante três meses com o que vai ser contado, com o que vem atrás, acho muito importante. O que eu não gosto, na verdade, é que a comissão de frente seja uma coisa, e aí depois comece o desfile. Isso eu não concordo. Acho que a comissão de frente não pode ser uma coisa à parte. A Comissão de Frente tem que ser tudo junto, tem que existir uma uniformidade, desde o primeiro setor que é o nosso, até a última ala que vem na escola&#8221;.</p>
<p><strong>Qual é a comissão inesquecível da sua carreira? E qual foi a que podia ser melhor na hora para valer?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Eu costumo dizer que eu tenho três comissões muito boas e que eu não consigo escolher. Mas, obviamente, uma muito importante é o Império da Tijuca de 2013 que foram as mulheres negras. Eu digo que foi um divisor de águas na minha vida, existe um Júnior Scapin antes da Tijuca 2013, e outro depois. Acho que uma comissão de frente muito importante que eu tive também, que na verdade eu nem sei o que deu errado porque no meu julgamento os julgadores falaram tanta coisa e coisas que na verdade não aconteceram, foi Mangueira 2017, porque foi a primeira vez que eu comecei a trabalhar com teatro, comecei a ver a comissão de frente muito mais teatral do que dançada. Como eu fui bailarino durante muitos anos e hoje em dia eu sou coreógrafo, a gente tende, quando está começando a fazer comissão de frente, a deixar tudo muito dançado e esquece um pouco da teatralidade. Na verdade, nesse ano foi muito mais teatral do que dançado. Foi uma comissão de frente muito importante, uma comissão de frente que todo mundo fala, foi bem bacana. Os julgadores citaram que a minha comissão não teve interação com o carro, sendo que a minha coreografia era totalmente relacionada ao carro. E, 2019, na São Clemente, que tinha tudo para dar errado, tinha tudo para ser muito mal falada no sentido que eu estava falando dos dirigentes das escolas de samba, da virada de mesa, e na verdade, a surpresa grata que eu tive foi que todo mundo falou muito bem, todo mundo entendeu a comissão de frente, e essa era uma preocupação minha, porque a arquibancada não tem o livro Abre-alas, então você tem que olhar e entender o que está sendo contado. Fiquei muito feliz também com a repercussão deste trabalho”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-83106" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin2.jpg" alt="scapin2" width="700" height="440" title="Entrevistão com Junior Scapin: ‘Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto honrado de trazer a alegria do Paulo Gustavo para a Avenida’ 55" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin2.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin2-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin2-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin2-668x420.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p><strong>Sem ser a sua, qual a comissão que você adora? Pode citar até três.</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Gosto muito da comissão do Patrick (Carvalho), dos pretos velhos (Paraíso do Tuiuti 2018), eu acho que é uma comissão simples, e é uma comissão de um efeito absurdo, de uma emoção absurda, o Patrick foi muito feliz naquela comissão de frente. Gosto muito da comissão de frente do Hélio Bejani, agora da piscina, dos orixás, enfim, gosto muito (Grande Rio 2020). Eu gosto de todas as comissões do Marcelo Misailidis, eu sou apaixonado por ele. É a minha grande referência no mundo do carnaval, é o Marcelo Misailidis e o Hélio Bejani, o Hélio eu já trabalhei, comecei no carnaval sendo bailarino dele em comissão de frente, mas eu gosto da savana do Marcelo Misailidis (Vila Isabel 2012), que foi incrível, todo mundo ficou encantado, apaixonado. São três comissões assim da atualidade que eu acho bem bacana e bem importantes”.</p>
<p><strong>Se pudesse, o que aperfeiçoaria no quesito Comissão de Frente?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Gostaria muito que um dia os coreógrafos do Grupo Especial não fizessem comissão de frente com o tripé, enfim, essas coisas, eu prefiro trabalhar sem tripé, por isso que eu gosto de trabalhar muito no Grupo de Acesso, porque eu me sinto muito mais desafiado quando não tem um elemento cenográfico para me debruçar. Eu acho que exige muito mais da sua criatividade como artista e é por isso que a gente vê no Grupo de Acesso comissões lindas, comissões super interessantes, porque como você não tem esse artifício para se debruçar, você acaba tendo que exigir muito da sua criatividade”.</p>
<p><strong>O elemento cenográfico é tão fundamental assim no Grupo Especial?</strong></p>
<p>Junior Scapin: “Hoje em dia, acho que é praticamente um critério você ter que usar um carro, você ter que usar um elemento cenográfico. Porque parece que se você vem sem um elemento cenográfico, você já entra na Avenida com 9,9. Assim, já tendo um tripé, um elemento cenográfico, já é difícil você tirar nota máxima, imagina sem. Eu tento, obviamente, nos meus elementos cenográficos, não ter eles como a atração principal. Para mim, a atração principal sempre é o meu material humano, que são os meus bailarinos. Eu tento agregar o meu trabalho com esses tripés e eu acho que eu consigo. Confesso, que já trouxe alguns muito grandes, mas eu acho que foi necessário para o que eu queria mostrar. Mas, gostaria que não tivesse. Eu tiraria esse tripé um ano talvez só para ver como funcionaria essa coisa da criatividade dos profissionais”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-83107" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin3.jpg" alt="scapin3" width="700" height="440" title="Entrevistão com Junior Scapin: ‘Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto honrado de trazer a alegria do Paulo Gustavo para a Avenida’ 56" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin3.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin3-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin3-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin3-668x420.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p><strong>Acha legal que tenha a apresentação apenas na frente do módulo de jurados ou gostaria que a análise fosse igual São Paulo pela pista toda?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Acho muito importante a apresentação para o jurado porque você tem condição de fazer uma coreografia especial, parar e se apresentar. Eu já fui chamado para fazer o carnaval de São Paulo, eu não pude aceitar porque eu estava no carnaval do Rio, mas, quando eu fui chamado fiquei me perguntando, ‘gente será que eu consigo fazer um trabalho que eu vá me apresentar para o jurado andando assim no decorrer da Avenida? ’ É muito difícil. Acho que eles têm até um trabalho muito bacana de estrutura, de como você vai desfilar, acho que o trabalho da direção de carnaval, direção de harmonia deve ser muito bom lá, mas eu como coreógrafo eu sinto a necessidade de parar, de virar, de me apresentar, de agradecer e de ir embora. Isso é importante para que o jurado de fato consiga ver o que você quer apresentar&#8221;.</p>
<p><strong>Não haverá mais a obrigatoriedade de se apresentar para o público do setor 3. Você vai manter? E faz algo para o setor 1?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Eu sempre faço no setor 1, acho que o setor 1 é o grande termômetro se seu trabalho vai dar certo, se seu trabalho vai dar errado. Se você escuta gritos, escuta aplausos, tende que seu trabalho dê certo ao longo da Avenida. Para o setor 3 eu não sei qual a importância disso, até mesmo para a escola. Se a escola me pedir que eu faça, eu faço, mas eu me sinto um pouco prejudicado, porque na verdade a gente larga de um portão e já tem que virar no setor 3 para poder fazer a apresentação. Isso come tempo, isso atrapalha um pouco a harmonia da escola. Mas, se eu tiver que fazer, eu fiz ao longo de todos anos, não tive problema nenhum porque soube me adequar ao tempo ali da escola, mas não acho importante. Acho importante sim a apresentação para o setor 1. Porque é uma galera que não vai poder ver a apresentação, é uma galera que só vê as pessoas passando correndo ali e muito rápido. É um carinho com a galera que está ali&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-78864" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/saoclemente_ensaiotecnico2022_09-1024x683.jpg" alt="saoclemente ensaiotecnico2022 09" width="696" height="464" title="Entrevistão com Junior Scapin: ‘Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto honrado de trazer a alegria do Paulo Gustavo para a Avenida’ 57"></p>
<p><strong>A sua comissão de frente em 2013 pelo Império da Tijuca foi histórica. Por que uma comissão como aquela dificilmente seria aprovada pelos jurados do Especial?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Acho que aquela comissão de frente para o Especial, hoje em dia, por mais força que elas tivessem, por mais garra que elas tivessem, por mais emoção que elas tivessem, eles iriam tocar no ponto não teve um clímax, não teve um ápice, não teve um elemento cenográfico, embora, a gente tivesse uma menina que vinha com uma asa, enfim. Mas, eu acho que os jurados hoje em dia eles iriam interferir nesse momento do &#8216; cadê o clímax?&#8217;. Acho que para eles não é só emoção, eles precisam ver uma mágica acontecendo, uma pessoa sumindo, uma pessoa voando, uma pessoa trocando de roupa, uma pessoa mergulhando. Eu acho que precisa esse &#8216;Q&#8217; de ‘Broadway’, de ‘Las Vegas’ na comissão de frente para que você consiga tirar os 40 pontos, para que você consiga ganhar prêmios. Só por esse lado. Pela emoção, pela garra, as pessoas iriam se encantar, iriam se emocionar, pelo fato de ela ser simples aos olhos de quem está julgando, poderia tirar um 9,9&#8221;.</p>
<p><strong>Te incomoda quando você faz um belo trabalho e na hora do julgamento tem o peso da bandeira? O que você sente?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Me incomoda. Eu acho que as pessoas tinham que respeitar o pavilhão da escola. Independente se a escola tem muitos títulos, se não tem nenhum título. Existe muita diferença, até, de dinheiro dentro das escolas. Tem escolas hoje em dia que não fazem carnaval só com a verba da prefeitura. Elas têm patrocinadores, escolas de outros municípios ganham de outros municípios. Eu acho até injusta a comparação porque no caso do meu quesito comissão de frente, é muito diferente um trabalho que custa 500 mil reais para um trabalho que custa 180 mil. É muito difícil. Por isso, acho que cada escola, cada envelope tinha que ser lacrado quando você vê a apresentação da comissão de frente. Assistiu a apresentação da comissão de frente de tal escola, dá a sua nota, lacre seu envelope, e entrega para quem tiver que entregar. Porque esse comparativo de notas eu acho muito injusto. Existem escolas com mais dinheiro, escolas com menos dinheiro, o empenho é o mesmo, mas a gente sabe que carnaval não se faz só com dedicação e empenho. A gente sabe que precisa de dinheiro para colocar o carnaval na rua. Infelizmente o preconceito das bandeiras existe sim, tanto da escola que sobe do Grupo de Acesso, que geralmente é a escola que cai, e geralmente é a escola que tem menos bandeira, quanto com as escolas que sempre estão cotadas para descer. O Carnaval acaba e já tem escola cotada para descer no carnaval seguinte. É um absurdo, mas eu graças a Deus faço meu trabalho, não penso sinceramente nesse lance se a bandeira da escola vai me prejudicar ou não, eu espero quando estou me apresentando, que realmente quem está me julgando veja o meu trabalho, veja o meu empenho, veja o empenho da minha equipe, dos meus bailarinos, da minha apresentação, e que me dê a nota mediante aquilo que eu estou apresentando naquele momento&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-78862" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/saoclemente_ensaiotecnico2022_07-1024x683.jpg" alt="saoclemente ensaiotecnico2022 07" width="696" height="464" title="Entrevistão com Junior Scapin: ‘Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto honrado de trazer a alegria do Paulo Gustavo para a Avenida’ 58"></p>
<p><strong>O que representa na sua carreira fazer a comissão de frente em homenagem ao Paulo Gustavo?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Eu conheci o Paulo, eu fui coreógrafo do programa ‘Esquenta’ da Regina Casé. A Regina é muito amiga do Paulo e o Paulo vivia no programa. A gente tinha uma troca legal quando estava lá no programa, ele sempre muito engraçado, sempre muito educado. E artista. Eu acho que é uma perda precoce, ninguém esperava. O Paulo tinha toda uma rede de apoio do lado dele quando ele ficou doente e a gente vê o quanto essa doença é ingrata, independente de classe social, independentemente de você ter dinheiro ou não, se você contrair esse vírus, e se infelizmente estiver na sua hora, você vai acabar indo embora. Fazer uma comissão de frente que vai trazer a alegria do Paulo, essa luta LGBTQI+ que o Paulo tanto lutava. Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto muito feliz e muito honrado de poder estar representando na Avenida uma pessoa que foi tão importante, que morreu tão precocemente, mas que vai ser lembrado aí por muito tempo, e graças a Deus também ser lembrado por esse carnaval que a São Clemente vai fazer&#8221;.</p>
<p><strong>O que o público vai sentir quando olhar a comissão de frente da São Clemente?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Eu acho que primeiro eles vão se divertir muito. Acho que o primeiro olhar do público, eles vão se divertir demais. As pessoas estão pensando muito no óbvio. E, na verdade, eu procurei fugir do óbvio. Mas, a gente vem falando de um momento muito especial na vida do Paulo. É um momento muito divertido. As pessoas vão se divertir muito nesse primeiro momento. E, eu acho que a minha apresentação para o jurado começa com toda essa alegria, começa com todo esse deboche que o Paulo tinha, e a gente divide a apresentação da comissão de frente em dois momentos: alegria e emoção. Eu quero que as pessoas se divirtam muito, mas eu quero também que as pessoas olhem da metade para o final da minha apresentação e se emocionem muito com tudo que está acontecendo ali&#8221;</p>
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		<title>Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Apr 2022 21:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Mocidade]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No sétimo desfile consecutivo pela Mocidade Independente de Padre Miguel, Saulo Finelon e Jorge Teixeira, produziram comissões de frente inesquecíveis, dentre elas, a famosa apresentação com o Aladdin voando pela Marquês de Sapucaí no ano do título de 2017. Os coreógrafos têm ainda na conta, dois desfiles em 2010 e 2011 que produziram também na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No sétimo desfile consecutivo pela Mocidade Independente de Padre Miguel, Saulo Finelon e Jorge Teixeira, produziram comissões de frente inesquecíveis, dentre elas, a famosa apresentação com o Aladdin voando pela Marquês de Sapucaí no ano do título de 2017. Os coreógrafos têm ainda na conta, dois desfiles em 2010 e 2011 que produziram também na Verde e Branca de Padre Miguel. Além do trabalho desenvolvido com o carnaval, Saulo é bailarino do Theatro Municipal e Jorge é diretor artístico da Companhia Bemo, também do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e diretor artístico da Companhia Brasileira de Ballet (CBB).</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-82885" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade2.jpg" alt="coreografos mocidade2" width="700" height="400" title="Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’ 66" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade2.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade2-300x171.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade2-696x398.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>Com a expectativa de produzir mais uma comissão para um enredo desejado pela comunidade independente, ano passado Elza Soares e agora o padroeiro e a história da &#8220;Não Existe Mais Quente&#8221;, a dupla conversou com o site <strong>CARNAVALESCO</strong> e revelou seu entendimento de que o quesito tem se tornado um show à parte, chamariz de público e carro chefe para disputa de título, explicou suas preferências para o desenvolvimento das coreografias e efeitos especiais, expressou sua alegria pelo carinho recebido dentro da escola, com a comunidade, e relembrou trabalhos anteriores.</p>
<p><strong>Qual é o maior desafio hoje da comissão de frente ser a síntese do enredo ou um espetáculo impactante de abertura?</strong></p>
<p>Saulo: &#8220;O caminho que está levando é realmente um show à parte, é óbvio que estar dentro do enredo e dentro da temática, isso é primordial. Mas, o espetáculo se sobrepõe a isso, não adianta só você estar falando do enredo se você realmente não tem um verdadeiro show, e acredito que a trajetória que nós estamos trilhando e as pessoas esperam, o mais difícil é essa superação, acredito que realmente tem que ser um impacto e é o que o público espera, acho que não tem mais volta. Mas só o impacto não, porque se não fica uma coisa muito aleatória. Eu acredito que infelizmente as comissões antigas ficaram lá para trás&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81037" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_30.jpg" alt="ensaiotecnico2022 mocidade 30" width="978" height="652" title="Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’ 67" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_30.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_30-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_30-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_30-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_30-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Jorge: &#8220;É você buscar um efeito que fale do enredo, é muito importante que o efeito venha realmente compondo o enredo e não que seja uma coisa aleatória, simplesmente por um efeito. Essa é a nossa grande preocupação. É achar alguma coisa que se encaixe nesse grande show, mas também se encaixe no enredo, e é bem difícil. Esse casamento tem que ser perfeito, enredo e show&#8221;.</p>
<p><strong>Toda comissão pede um ápice. Vocês concordam que em 2020 nenhuma comissão de frente teve um boom de inesquecível pela pressão de sempre ter que ser uma apresentação inesquecível?</strong></p>
<p>Saulo: &#8220;Eu acho que quando a gente fala do impacto, isso não tem nada a ver com o efeito. O impacto pode ser sentimental, pode ser emocional, pode ser de outra maneira. Eu acho que nós estamos muito comprometidos com o trabalho, a gente não sente uma pressão com um ‘temos que fazer’, a gente faz porque a gente acredita, gosta e vai, e já faz parte do processo. Não tem como não ter pressão, é uma competição. Coreografar comissão não é só ser coreógrafo, você é diretor de um show, não é só ali fazer coreografia e a competição é que leva a essa adrenalina”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-82884" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade.jpg" alt="coreografos mocidade" width="700" height="400" title="Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’ 68" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade-300x171.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade-696x398.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>Jorge: &#8220;Você tem que chegar até o público, você tem que emocionar de alguma forma. Você tem que fazer senti-lo alguma coisa em relação a sua comissão. Não significa que tem que ser uma explosão, efeito só de sobrenatural, mas você tem que chegar até o público. O grande segredo do artista é chegar até o público. Você precisa trabalhar com o sensorial. O efeito é a cereja, mas eu gosto muito do que vem compondo, que vem criando a atmosfera para criar o efeito. É muito mais a estrutura que nós vamos dar, a ambientação para que o efeito aconteça”.</p>
<p><strong>Qual é a comissão inesquecível da carreira de vocês? E qual foi a que podia ser melhor na hora oficial?</strong></p>
<p>Saulo: &#8220;A comissão de frente, a gente faz um projeto, querendo acertar, e a gente já tem essa característica de ter um percentual de erro, de riscos, e a gente compra, e a escola compra, claro que a gente tenta minimizar, mas o risco ele sempre existe. Acho que a comissão que a gente ficou mais decepcionado e deu mais trabalho foi no ano do gelo aqui na Mocidade (2011), dos patins, que choveu, os componentes não aguentaram, tiveram erros e não foi o resultado que a gente imaginou. Mas, acho que cada comissão é um filho e a gente tem carinho. Por isso, não tem uma que a gente não goste, todas têm as suas dificuldades. E a que a gente mais gosta, o ano que foi Cervantes, em 2016, a gente amava aquele cavalo, e parecia que era um bicho de estimação. O Aladdin (2017) foi uma grande surpresa, a gente tem a noção do projeto, mas a gente não tem a dimensão de quando vai para a Avenida. E a que estava plasticamente perfeita, acho que foi a da Índia que foi bem redonda em relação a hora que a gente desfilou, ao samba-enredo&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81020" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_13.jpg" alt="ensaiotecnico2022 mocidade 13" width="978" height="652" title="Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’ 69" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_13.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_13-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_13-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_13-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_13-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Jorge: &#8220;Eu gostava muito da dos patins (2011), e aí foge ao que aconteceu naquele ano do gelo, é que fugiu ao nosso domínio, nós contratamos, fomos buscar a melhor equipe de patinação campeã brasileira, e nós não esperávamos que eles não fossem ter a resistência necessária. Faltou resistência e experiência, eles acabaram cometendo erros na hora, que para eles, talvez, na competição deles não fizesse diferença. Eu acho que a comissão que mais nos deu trabalho foi a do tempo (2019), tivemos bastante dificuldade, nós não conseguimos levar o tripé para a Avenida, foi uma comissão que deu muito trabalho. Eu amo a Índia, existia um raio, mas o que vinha na frente já emocionava tanto, que não era nem o efeito, era muito impactante aquela entrada, e aquele conjunto era uma obra de arte perfeita. E o Aladdin, adorava o efeito, mas adorava a coreografia que existia atrás, os homens com os cestos”.</p>
<p><strong>Sem ser a de vocês, qual a comissão que vocês adoram? Podem citar até três.</strong></p>
<p>Jorge: &#8220;Eu não posso deixar de falar da comissão do Rodrigo (Negri) e da Priscilla (Mota), da época do Segredo (Tijuca 2010). Aquilo marcou uma época dos carnavais. E, uma lá atrás, que eu nem fazia comissão ainda, uma do Barquinho (Beija-Flor 2017), que é do Marcelo Misailidis, adorava aquele trabalho, porque ele tem essa coisa muito de criar uma atmosfera, trazer um grande pensador, um poeta para as comissões dele. E algumas comissões do Fábio de Melo, foi outro que houve uma mudança ali, foi o que começou a dar essa cara de show. A partir dele a coisa começou a mudar, e acabou chegando no efeito da Tijuca 2010&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81025" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_18.jpg" alt="ensaiotecnico2022 mocidade 18" width="978" height="652" title="Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’ 70" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_18.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_18-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_18-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_18-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_18-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Saulo &#8220;O Fábio de Melo realmente foi o precursor, o Carlinhos (de Jesus) trouxe comissões bastante leves que aconteciam, o Marcelo Misailidis. E teve aquela do Elefante, aquelas dobraduras e de repente aparecia o elefante. A Priscilla e o Rodrigo que também foi uma comissão que virou, eu acho que as pessoas começaram a olhar mais ainda para as comissões de frente imaginando que se você tem uma boa entrada, você pode ter um título. Uma coisa vai puxando e as pessoas olham de outra forma. E o Paulo Barros sempre deu muita atenção às comissões, um ano bem marcante. A gente gostava muito da savana (Vila Isabel 2012) do Marcelo (Misailidis) também&#8221;.</p>
<p><strong>O elemento cenográfico é tão fundamental assim no Grupo Especial?</strong></p>
<p>Jorge: &#8220;Eu não vejo que seja fundamental, mas também não acho que seja dispensável. Eu acho que vai caber o enredo. Se o enredo que você tem, cabe não trazer, ok. Se o enredo que você tem, cabe trazê-lo, ok também. Eu acho que tudo se estiver dentro do enredo, se for um elemento que faz parte da concepção, está valendo. Para mim não acho que tenha elemento pequeno, grande, ele tem que fazer parte da comissão. Se ele estiver bem estruturado dentro da linha de pensamento que o coreógrafo junto com o carnavalesco, sem problema nenhum. O que não pode ser é um elefante branco, alguma coisa sem função”.</p>
<p>Saulo: &#8220;É a valorização do espetáculo. O quanto mais você faz de novidade, você atrai o público, porque eu acho que isso que é importante para a grandiosidade do espetáculo, isso só vai somar. O que é importante como idealizadores de um projeto, é realmente amarrar isso. Eu não posso trazer um carro enorme que fica lá parado e aí não tem sincronia com os bailarinos, só porque é um boneco grande. Aí também não adianta vir com um monte de coisa pequenininha que também não acontece. Eu acho que o projeto tem que estar bem amarrado. Porque isso tem esse tamanho? Um exemplo é a nossa no ano do canhão. O canhão tinha 11 metros, como é que o carro ia ser menor que isso? Eu acho que os jurados querem ver isso, porque a gente vê isso nas notas. Infelizmente, quem também vai dar isso além do público são os jurados, porque nós estamos em uma competição&#8221;.</p>
<p><strong>Se pudessem, o que gostariam de aperfeiçoar no quesito Comissão de Frente?</strong></p>
<p>Saulo: &#8220;Uma das coisas que me intrigam um pouco, é a gente ser julgado pelo o que foi feito por nós mesmo no ano anterior. Às vezes acontece, e eu acho isso errado. Nós teríamos que ser julgados só pelo o que acontece esse ano. Julgar arte já é muito subjetivo. Eu gosto e você não gosta. Eu acho que deveria esquecer um pouco o que passou e partir do zero. Eles tentarem de alguma maneira, porque acho que também deve ser muito difícil para eles, julgar em dois minutos o trabalho de um ano, dessa forma eu acredito que eles têm que esquecer o que passou e ver aquilo que está vendo naquele momento. Se eu e o Jorge, a gente já tem um nível de comissão, se a gente faz menos do que a gente fez, a gente não tem um 10. Mas, um outro que tem um trabalho inferior ao nosso que já é melhor do que ele fez ano passado, ele ganha um 10”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81016" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_09.jpg" alt="ensaiotecnico2022 mocidade 09" width="978" height="652" title="Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’ 71" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_09.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_09-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_09-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_09-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_09-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Jorge: &#8220;Poderia haver tópicos mais separados. Criatividade talvez, notas mais separadas. Eles têm um desfile inteiro para escrever. Diferente de alguém que vai julgar enredo, evolução. Acho que as coisas poderiam ser um pouco mais discriminadas. O que eu acho que a Liesa poderia pensar é essa coisa de que a cada ano muda essa cabine de jurados. Cada ano você se organiza, tem que voltar para a Avenida. Nós fomos lá e já vimos que as cabines já mudaram de novo esse ano. Podia ter umas cabines fixas como o primeiro. Isso muda até a evolução da escola, porque quem dá a evolução é a comissão de frente. E, eu acho que você compromete dois jurados quando coloca eles no mesmo espaço porque são visões diferentes. A minha linha de exigência pode ser diferente da sua”.</p>
<p><strong>Acham legal que tenha a apresentação apenas na frente do módulo de jurados ou gostariam que a análise fosse igual São Paulo, pela pista toda?</strong></p>
<p>Jorge: &#8220;Eu acho que talvez pelo fato de a gente já estar acostumado, eu gosto dessa análise parada. Acho que funciona muito. As nossas coreografias de avanço são muito trabalhadas. E existe a preocupação de não fazer nada tapando a lateral da arquibancada para que todos vejam. Existe uma evolução. Os nossos trabalhos vão evoluindo até chegar ao clímax. E o jurado já está assistindo a coreografia de avanço. Ele não te julga só pelo o que está sendo apresentado na frente dele. Ele já está te olhando antes, vendo toda a evolução que você está fazendo. Eu gosto. E talvez também porque aqui a gente não tem esse costume que lá em São Paulo tem”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81014" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_07.jpg" alt="ensaiotecnico2022 mocidade 07" width="978" height="652" title="Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’ 72" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_07.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_07-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_07-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_07-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_07-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Saulo: &#8220;Na verdade, a gente já faz um projeto pensando na estrutura do que é o show. De repente, de não acontecer mais, a gente vai fazer um outro tipo de comissão, que seria só avanço. Eu nem entro nessa seara se é bom ou ruim, porque eu não sei. Eu gosto de parar porque eu acho que você tem mais possibilidades de montar coisas. Eu acho que a comissão hoje engrandece o show, vende ingresso”.</p>
<p><strong>Não haverá mais a obrigatoriedade de se apresentar para o público do setor 3. Vocês vão manter? E fazem algo para o setor 1?</strong></p>
<p>Saulo: &#8220;O início a gente sempre faz, o Setor 1, a gente sempre fala que é o nosso ensaio geral com público. É o nosso termômetro. É superdifícil porque não tem som, a gente não consegue cantar. Para a gente é a parte mais difícil. E às vezes pode até não dar muito certo, mas graças a Deus sempre deu, e a gente sempre faz. Mas, essa coisa do Setor 3, eu particularmente não gosto porque a gente tem muita preocupação com a escola, com a porta-bandeira que está atrás, com a harmonia da escola. Os 34 minutos que a gente está puxando, o diretor de harmonia é praticamente o Jorge, porque a gente tem a preocupação com a escola. A comissão para e já logo de cara tem um jurado. A gente sempre fez uma coreografia diferente porque não dá para fazer, a gente praticamente já tem que desmontar, é muito perto entre o início e a primeira cabine”.</p>
<p>Jorge: &#8220;Setor 1 sempre vamos fazer, é uma delícia fazer para aquele público ali, difícil, mas é uma delícia. A gente sai dali às vezes com a alma fervendo porque já sabe qual vai ser a reação do público. O Setor 3, na verdade, a gente nunca fez ele como se fosse um jurado, a gente sempre fez alguma coisa porque nós temos a preocupação de fazer uma apresentação o tempo todo na Avenida. Nossas coreografias de avanço são super dançadas. Agora não tem como, é a menor distância da Avenida, é a saída do início do desfile até a primeira cabine. Como eu vou parar no meio e fazer alguma coisa nesse meio? Quebra toda a matemática”.</p>
<p><strong>O torcedor da Mocidade tem muita confiança no trabalho de vocês. O que representa ter esse carinho e segurança que o quesito para o torcedor é muito forte?</strong></p>
<p>Jorge: &#8220;É um combustível, na verdade é a hora que a gente se sente em casa. Afinal de contas é o oitavo ano que nós estamos na escola, mais dois anos passados que nós estivemos antes. São praticamente 10 anos de Avenida com a Mocidade. Esse carinho é muito importante e nos dá muito vigor. E o carinho acontece da mesma forma mesmo no ano que a gente não fez o melhor trabalho, porque eles acreditam no nosso trabalho e sabem que é humano, normal, um ano dá certo e outro ano pode não dar tão certo. E o carinho é sempre o mesmo”.</p>
<p>Saulo: &#8220;Estar trabalhando na Mocidade é incrível porque é uma escola com um peso enorme em relação a comunidade mesmo. Eles cobram, eles gostam, acaba virando uma família, e eles querem participar o tempo inteiro, eles dão ideias, e eles ficam o tempo inteiro, ficam na pressão dessa coisa de apaixonados mesmo, que é muito bacana. E a gente transforma isso no positivo, a gente sente a obrigação de fazer o melhor porque a gente sabe que tem pessoas ali que amam e olham para gente &#8216;a salvação &#8216;, o quesito, e eles cuidam e gostam de todos os quesitos da escola. É óbvio que tem uma energia maravilhosa”.</p>
<p><strong>O que esperar da comissão de 2022? Será uma apresentação para impactar e emocionar? O que não poderá faltar nela?</strong></p>
<p>Jorge: &#8220;A nossa preocupação é sempre emocionar, a primeira coisa é emocionar, mexer com você de alguma forma. Ou muita alegria, ou se arrepiar, chorar, alguma coisa. E está sendo muito interessante porque é a primeira vez que nós estamos fazendo um afro, está sendo delicioso. As pessoas podem esperar que vai ter várias surpresas&#8221;.</p>
<p>Saulo: &#8220;A gente está indo na sequência de dois enredos que a comunidade queria muito, e realmente está sendo muito prazeroso, e o samba-enredo para mim é o melhor, é um absurdo como arrepia. Quando a gente fez o primeiro ensaio, que botou o samba-enredo e começou a movimentação, só foi levando a gente para cima. Podem esperar, estamos muito satisfeitos com o que estamos fazendo. Podem esperar uma comissão bem completa, bem impactante, com tudo que a gente gosta e que a gente acredita&#8221;.</p>
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		<title>Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#8216;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 14:51:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Unidos da Tijuca]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Casal formado para desfilarem juntos na Unidos da Tijuca no próximo carnaval, Denadir e Phelipe não veem a hora de poderem voltar ao solo sagrado da Sapucaí. Anunciados em 2020, a dupla que já nutre uma amizade de longo tempo, teve que se virar durante a pandemia e Phelipe conta que buscou novas fontes de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Casal formado para desfilarem juntos na Unidos da Tijuca no próximo carnaval, Denadir e Phelipe não veem a hora de poderem voltar ao solo sagrado da Sapucaí. Anunciados em 2020, a dupla que já nutre uma amizade de longo tempo, teve que se virar durante a pandemia e Phelipe conta que buscou novas fontes de receita para manter a casa e sustentar a família. Agora, com pouco tempo faltando para o desfile oficial, os preparativos estão a todo vapor para que a estreia do casal possa acontecer de forma maravilhosa.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-82703" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe.jpg" alt="denadir phelipe" width="700" height="440" title="Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#039;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#039; 80" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe-668x420.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>Em entrevista ao site <strong>CARNAVALESCO</strong>, Phelipe e Denadir comentam o que admiram na dança de cada um, contam as dificuldades de quase dois anos sem pisar na Sapucaí e sobre as consequências de terem ficado muito tempo parados, citam os casais que são referência no carnaval, além de explicarem alguns conceitos que preferem na dança e na caracterização com a fantasia.</p>
<p><strong>Como vocês receberam o convite para dançarem juntos?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;Foi o Casagrande que indicou, se eu não me engano, o Phelipe também, mas a mim foi o Casagrande e a Geissa (assessora da Unidos da Tijuca) que me indicaram para a escola, e aí o Casagrande me ligou marcando uma reunião com o seu Fernando Horta no dia seguinte. E eu adorei o convite porque a Tijuca sempre foi uma escola que eu sempre quis desfilar, tem samba exaltação que é maravilhoso, e é uma escola que empolga muito&#8221;.</p>
<p>Phelipe:&#8221;Depois do rebaixamento da União da Ilha algumas escolas entraram em contato comigo para ver uma possível contratação. E aí o Casagrande, ele falou comigo em uma ligação e perguntou se eu tinha o interesse de vir para a Tijuca, de defender o pavilhão da Tijuca, e eu fiquei muito feliz, principalmente por ser ele um ícone da escola, um mestre muito renomado no carnaval, só que eu não sabia quem seria a porta-bandeira. Daí eu fiquei muito contente em saber na hora que eu fui conversar com o presidente Fernando Horta que a porta-bandeira seria a Denadir, que é minha amiga de mais de 20 anos, que me deu grandes oportunidades também no mundo do samba e isso me deixou mais feliz e mais empenhado para eu poder vir para a Unidos da Tijuca. É claro que também agora é uma responsabilidade muito maior por ela ser uma porta-bandeira experiente, a mais experiente que eu já tive. Adquiri muita experiência também com a Rafaela (Theodoro) e com a Dandara (Ventapane), mas elas eram menos experientes. E agora também me dá muita tranquilidade porque eu tenho uma grande porta-bandeira do meu lado&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-82704" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe2.jpg" alt="denadir phelipe2" width="700" height="440" title="Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#039;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#039; 81" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe2.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe2-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe2-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe2-668x420.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p><strong>De um para o outro. Citem características que gostam do outro na dança?</strong></p>
<p>Denadir:&#8221;Eu gosto do modo como ele se veste, da elegância dele, eu gosto do riscado dele, e assim, o que eu mais gosto na dança do Phelipe é que não tem como dançar com ele sério. Não digo sério de não estar sorrindo, você está sorrindo, mas ele está o tempo todo ali fazendo sempre uma brincadeira, inventando sempre um passo novo, e isso eu gosto muito, é muito legal, o trabalho se torna muito descontraído&#8221;.</p>
<p>Phelipe:&#8221;A Denadir é muito guerreira, é uma porta-bandeira muito tradicional, uma dança característica de força, aguerrida, também tem seus momentos de leveza, bailarina, mas não é tão bailarina assim, ela uma porta-bandeira mais raiz, que reproduz o que Maria Helena fazia, até mesmo da Lúcia (Lucinha Nobre), que é uma porta-bandeira que tem um pouco do balé na dança, mas é aquilo mais tradicional. Eu acho que essa tradição que ela carrega na dança dela é o que me encanta&#8221;.</p>
<p><strong>Ficar dois anos sem desfilar é puxado para todos os casais? Pode impactar no desfile?</strong></p>
<p>Denadir:&#8221; Eu espero que não fique, mas eu acredito que não é impactante para gente porque o casal de mestre-sala e porta-bandeira, ele não pára, acabou o carnaval a gente descansa, vamos botar aí um mês, no máximo dois meses, depois estamos ensaiando de novo, tem que colocar o corpo em movimento, teve a pandemia, ficamos um ano e pouco, quase dois, sem desfilar, eu e o Phelipe, a gente estava a todo tempo colocando o corpo em movimento, todo o tempo ensaiando, sempre fazendo funcional, porque o corpo não pode parar&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-80248" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tijuca_ensaiotecnico2022_28.jpg" alt="tijuca ensaiotecnico2022 28" width="978" height="652" title="Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#039;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#039; 82"></p>
<p>Phelipe: &#8220;Provavelmente vai impactar. Pode ser que positivamente ou negativamente para alguns. Eu fiquei um ano e oito meses sem praticar a dança, mas cuidando da minha saúde física, cuidando do meu psicológico principalmente porque eu acho que o que vai contar muito nesse carnaval é o psicológico. Então, fez uma diferença grande. Nós ficamos sem ensaiar por conta das incertezas, nós tivemos que cada um correr para o seu lado, até por uma questão de prevenção a saúde, e também buscar uma fonte de renda extra. Eu sou funcionário do samba, eu trabalho no carnaval, não tenho outra fonte de renda, então eu tive que achar um meio de sustentar a minha família no meio disso tudo, então a gente deu uma parada e aí após os estudos serem feitos, e com as possibilidades que foram tendo, a gente foi retomando as atividades físicas e o trabalho de dança&#8221;.</p>
<p><strong>O que vocês aperfeiçoariam no quesito de vocês?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;Eu acredito que o que poderia melhorar, é os jurados não serem tão criteriosos como eles são. Porque já vi dançar muito bem na cabine e na quarta-feira de Cinzas o resultado não ser tão legal como a gente espera. Às vezes a gente olha aquele casal, ‘caraca, com certeza vai dar 10’, aí chega no dia, não é, e aí a gente quer saber o que aconteceu, lógico, que o olhar dos jurados é um, eu que estou ali na pista as vezes acompanhando, que quando é um amigo meu eu acompanho, as vezes eles até pedem, são olhares diferentes, mas a gente que é entendedor da dança, a gente que está ali de perto vendo, a gente acha que está tudo maravilhoso e tudo muito perfeito. Eu acho que o jurado podia olhar com mais carinho todos nós. Falta detalhamento na justificativa, bastante, até para gente não repetir no próximo ano, porque eles às vezes utilizam certos tipos de palavras que você entende de uma forma e não é aquilo que ele quer. Não fica claro&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-80245" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tijuca_ensaiotecnico2022_25.jpg" alt="tijuca ensaiotecnico2022 25" width="978" height="652" title="Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#039;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#039; 83"></p>
<p>Phelipe: &#8220;É subjetivo demais, não concordo com muita coisa que é imposta pelos jurados, porque muitas vezes eles escrevem uma coisa para um movimento de um colega que eu fiz e ganhei 10 e vice-versa. Então, é muito gosto, esse gosto de julgar teria que ser excluído, eu acho que teria que ter um parâmetro, um grau de dificuldade de coreografia, e desenvolvimento de movimentos, seria bacana para poder incrementar esse julgamento, e não só o gosto pessoal de cada um&#8221;</p>
<p><strong>Phelipe quando você decidiu fazer o passo de ficar na ponta do pé?</strong></p>
<p>Phelipe: &#8220;Isso foi um presente, eu sempre admirei muito o Chiquinho, eu trabalhei na Alegria da Zona Sul, fui segundo mestre-sala dele e da Maria Helena, assim que eles saíram da Imperatriz, e assim que eu fui contratado para a Imperatriz, eu tinha que achar alguma maneira de me identificar com a comunidade, até porque eu vinha depois de Verônica e Ubirajara, Verônica havia dançando antes com Marcinho Diamante, e a Maria Helena e o Chiquinho ainda continuavam muito vivos ali, e eu tinha que achar uma maneira de ‘linkar’ o meu trabalho, que era jovem, com a história da escola que era de Maria Helena e Chiquinho, e foi onde eu tive a ideia de reproduzir um passo do Chiquinho. Obviamente da minha forma, com o meu tempo, com a minha velocidade, e eu vinha aprimorando durante estes dez anos aí, e agora já consigo ficar mais tempo na ponta e tudo mais. Mas, foi graças ao Chiquinho que eu cheguei aqui&#8221;.</p>
<p><strong>Como funciona a produção da fantasia com vocês?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;O Jack (Vasconcelos) foi bem legal, nós vamos vir em uma cor que nós pedimos, no setor que a gente pediu, a fantasia está bem bacana, e a gente acompanha tudo, a partir de ele desenhar, ele mostra, esse ano ele fez dois desenhos, mostrou e nós escolhemos o mais bonito, o que ficaria melhor para a gente, e o Fernando Magalhães foi quem a gente perturbou depois, porque é quem produziu a roupa&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-80249" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tijuca_ensaiotecnico2022_29.jpg" alt="tijuca ensaiotecnico2022 29" width="978" height="652" title="Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#039;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#039; 84"></p>
<p>Phelipe: &#8220;A minha relação com o Jack é muito boa, a gente conversa muito, inclusive ele tem a preocupação de saber como a gente gosta de vir na Avenida. Eu particularmente gosto muito de vir de capa, não gosto muito de colocar peso nas costas porque na aerodinâmica dificulta o movimento, o giro por exemplo da pirueta. Eu acho que a capa dá o movimento que o esplendor tem, talvez até mais bonita porque é maior e dá um movimento melhor. Então, ele teve essa preocupação de perguntar o que cada um queria e colocou dentro da ideia dele o nosso pedido&#8221;.</p>
<p><strong>Qual o desfile inesquecível de vocês? E porquê?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;Eu tenho vários. Na realidade eu costumo dizer no ponto positivo, eu digo 2015, 2016 e 2019, e em um ponto negativo que eu nunca vou esquecer é 2018, porque era uma roupa que me incomodava muito, era muito pesada, e atrapalhou bastante os meus movimentos. Eu costumo dizer que o desfile é um conjunto, se o samba é bom, se a escola entra empolgada, aquilo tudo entra para dentro de você e você consegue fazer um bom desfile. Eu lembro que 2015 foi um desfile maravilhoso porque quando eu cheguei no Setor 1, que eu gosto muito de me apresentar no Setor 1, ali eu senti uma energia muito boa, na época do público comigo, comigo e com o meu parceiro, o Fabrício Pires, e ali ele olhou para mim, eu olhei para ele, eu chego a me arrepiar quando eu falo disso, eu falei &#8216;eu acho que esse ano é nosso &#8216;, ele disse que tinha certeza. E, nos outros anos no decorrer da Avenida sempre tem algo especial, parece, quando você acha &#8216;ah, tá chovendo &#8216;, ou eu já desfilei, eu lembro que em 2019 teve uma pessoa da frisa que estourou um champanhe na frente do jurado na primeira cabine, e eu pisei em cima, eu falei agora já era porque é escorregadio, e graças a Deus deu tudo certo, e assim a gente vê que acontece várias coisas e você consegue driblar aquilo tudo e fazer um bom desfile, aí sim se torna especial&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-80238" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tijuca_ensaiotecnico2022_18.jpg" alt="tijuca ensaiotecnico2022 18" width="978" height="652" title="Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#039;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#039; 85"></p>
<p>Phelipe: &#8220;Foi 2014 com certeza, eu sou flamenguista, apesar de estar dançando agora em uma escola de raiz vascaína. Eu sou flamenguista e eu conheci o maior ídolo da minha vida, o Zico, depois do Zeca Pagodinho é claro, porque o Zeca eu vi, e o Zico não, eu não vi jogar, mas meu pai me contou muitas histórias do Zico e eu consegui apresentar ao meu pai o ídolo dele. Meu pai se emocionou. E, por ter conseguido garantir 40 pontos na Avenida, de ter garantido diversos prêmios”.</p>
<p><strong>Qual porta-bandeira e qual mestre-sala são referências para vocês?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;Eu tenho vários. Eu costumo dizer que todos são muito bons, mas alguns se destacam. Gosto muito da Selminha e do Claudinho, incomparável a dança deles, é maravilhosa. Gosto da Rute e do Julinho, gosto muito da Lúcia (Lucinha Nobre) e do Marlon. Os que chamam mais a minha atenção, são esses, gosto dos outros, mas os que me inspiram, cada um com suas características&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-80237" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tijuca_ensaiotecnico2022_17.jpg" alt="tijuca ensaiotecnico2022 17" width="978" height="652" title="Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#039;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#039; 86"></p>
<p>Phelipe: &#8220;Eu tenho o Julinho como referência, tive o prazer de ser o segundo dele durante dois anos na Vila Isabel. Dele com a Rute. E, eu acho que eu me encontrei, eu acho que eu encontrei o Phelipe juntando a dança do Julinho e a dança do Raphael. Mas o Raphael é jovem que nem eu, e eu não cheguei a trabalhar com ele. E o Julinho eu trabalhei de perto, por isso que eu digo que o Julinho é minha referência. Mas, eu tenho o Claudinho também como referência de tradição, Selminha como referência de tradição também, que eu sempre gosto de enaltecer o trabalho do dois porque é a referência não só para mim, mas para todos os casais de mestre-sala e porta-bandeira de tradição de dança, a Selminha e o Claudinho&#8221;.</p>
<p><strong>Como aliar a dança com a coreografia sem impactar a tradição do quesito?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;Eu gosto mais do tradicional. Eu costumo dizer que eu gosto de arroz, feijão, bife e batata frita. É um prato que todo mundo gosta. Então, eu gosto do tradicional, mas com uma pitada de ousadia. Não tem um segredo, é durante o ensaio. Tem coisas que a gente quer fazer, acha bonito na coreografia, mas não se encaixa em uma dança de mestre-sala e porta-bandeira para o jurado. Às vezes na quadra a gente pode até colocar aquela coreografia, mas para o jurado não se encaixa, aí a gente tira, limpa de uma forma, vamos trocar, fazer de outra forma, até encaixar tudo&#8221;.</p>
<p>Phelipe: “Então aí é o segredo, é o pulo do gato que cada um tem que descobrir o seu. Eu gosto muito de inovar em movimentos principalmente dentro da letra do samba porque isso é o que a dança pede. A gente tem que dançar, diz o ditado, a gente tem que dançar conforme a música. Só que às vezes a música tem um ritmo diferente, uma batida diferente, e a gente não pode mudar a tradição do mestre-sala, por exemplo, para uma dança indígena, mas a gente pode colocar a dança indígena dentro da dança do mestre-sala e da porta-bandeira. É um pouco complicado esse limite entre o tradicional e a ousadia, mas graças a Deus, a parceria que eu tenho com a Denadir e com a nossa coreógrafa também, a Carol Villanova, que é bailarina do Carlinhos de Jesus, já trabalha com carnaval há muito tempo, a gente conseguiu achar o termo certo, nem o meio termo, a gente achou o termo completo para poder chegar na Avenida e poder fazer uma apresentação tradicional, mas também, homenagear a quem está sendo representado neste enredo ‘Waranã’ que é o povo indígena&#8221;.</p>
<p><strong>Bandeira grande ou pequena? E por que?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;Pequena, eu sou pequena, então tem que ser pequena. Prefiro a pequena. É bem melhor para que eu possa manusear, eu sou miudinha, então se eu ficar com uma bandeira muito grande, vai me atrapalhar bastante, então eu prefiro a bandeira pequena, que é de acordo com a minha estatura. Já senti comentários por conta da bandeira, várias pessoas já perguntaram porque que sua bandeira é pequena, parece de porta-bandeira mirim, eu sou pequena, eu não sou uma porta-bandeira mirim, mas eu sou pequena. Então, eu acho que tudo tem que ser de acordo, não adianta eu colocar um salto muito alto para desfilar se não vai ser legal para a fantasia&#8221;.</p>
<p>Phelipe: &#8220;Tem preconceito sim, e eu era um desses preconceituosos até começar a trabalhar com ela. Porque na risca, na risca, no regulamento a bandeira ela tem o seu tamanho, só que se for para a Avenida e o jurado ficar lá na concentração medindo a bandeira de todo mundo, a metade dos mestres-salas e porta-bandeiras vão entrar com algum décimo a menos. E assim, existem porta-bandeiras maiores, existem porta-bandeiras menores, mestres-salas também, o Júlio, por exemplo, o braço dele é gigante, e é a aerodinâmica, como eu falei, o esplendor nas minhas costas incomoda porque ele vai tirar a minha movimentação. E, no caso da minha porta-bandeira, ela é uma porta-bandeira que não tem uma estatura muito alta, e eu acho que deve assim acompanhar, e é uma coisa que deve até ser levada para plenária, para não haver mais esse tipo de preconceito. Bandeira tem que ser de conformidade ao tamanho da pessoa&#8221;.</p>
<p><strong>O que esperam do desfile de 2022 para Tijuca e todas escolas no geral? O que vão sentir quando pisarem novamente na Sapucaí pra valer?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;Eu acho que o próximo desfile vai ser um desfile emocionante para todos. Porque ficamos um carnaval sem desfilar, para Tijuca eu espero campeonato. Mas, eu acho que vai ser um desfile que vai ficar na história porque quem é do samba, quem ama o carnaval, sente falta, então está todo mundo aguardando, está todo mundo esperando esse dia, vai ser um desfile muito emocionante para todos&#8221;.</p>
<p>Phelipe: &#8220;O que eu vou sentir eu não posso te dizer porque a gente está aguardando isso há muito tempo. A gente está aí, é como você tirar a vida de alguém. Carnaval para mim é a minha vida, até me emociono porque foram longos meses de espera para poder estar de volta e ver muita gente cantando samba, fazendo o que ama. Eu amo carnaval, eu vivo o carnaval 24 horas podia, 32 anos de vida, eu não sei o que te dizer que eu vou sentir, mas eu espero que seja um carnaval mais feliz. O carnaval vem sendo muito batido nessa questão porque é aglomeração e tudo mais, mas eu acho que vai ser o redentor dessa pandemia, vai ser o fim da pandemia. Eu acho que se tivesse acontecido o carnaval antes a pandemia já teria acabado&#8221;.</p>
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