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	<title>Entrevistão &#8211; Carnavalesco</title>
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	<description>Carnaval do Rio de Janeiro, escolas de samba, sambas-enredo, fantasias e vídeos</description>
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	<title>Entrevistão &#8211; Carnavalesco</title>
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		<title>Gabaritou! Mestre Macaco Branco celebra desempenho da bateria da Vila Isabel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ingrid Marins]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jun 2022 13:36:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Vila Isabel]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
		<category><![CDATA[Macaco Branco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois do desfile da Vila Isabel em que teve o grande Martinho da Vila como homenageado, o mestre de bateria Macaco Branco está radiante. A Swingueira de Noel foi nota 50! Sendo assim, gabaritou o quesito “Bateria” pela escola azul e branco. Apesar de ter gabaritado em alguns quesitos, a agremiação acabou ficando em quarto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois do desfile da Vila Isabel em que teve o grande Martinho da Vila como homenageado, o mestre de bateria Macaco Branco está radiante. A Swingueira de Noel foi nota 50! Sendo assim, gabaritou o quesito “Bateria” pela escola azul e branco. Apesar de ter gabaritado em alguns quesitos, a agremiação acabou ficando em quarto lugar no carnaval de 2022, que consagrou a Grande Rio como campeã pela primeira vez.</p>
<figure id="attachment_92923" aria-describedby="caption-attachment-92923" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-92923" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/06/macaco_branco.jpg" alt="macaco branco" width="700" height="440" title="Gabaritou! Mestre Macaco Branco celebra desempenho da bateria da Vila Isabel 2" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/06/macaco_branco.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/06/macaco_branco-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/06/macaco_branco-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/06/macaco_branco-668x420.jpg 668w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /><figcaption id="caption-attachment-92923" class="wp-caption-text">Foto: Ingrid Marins/Site CARNAVALESCO</figcaption></figure>
<p>Comandando a Swingueira de Noel desde o carnaval de 2019, Macaco Branco já foi ritmista da escola, diretor de bateria e diretor musical. Criado dentro da agremiação, ele é Vila Isabel de corpo, alma e coração. O mestre recebeu a equipe do site <strong>CARNAVALESCO</strong> e falou sobre o sentimento de ter gabaritado o quesito e todas as questões que envolvem a bateria.</p>
<p><strong>Qual o sentimento que ficou após o desfile em homenagem a Martinho?</strong></p>
<p>Macaco Branco: “Foi o sentimento de dever cumprido. A gente poder exaltar nosso grande maestro, nosso grande mestre, nosso grande griô Martinho. Nós cantamos e tocamos pra caramba, a escola estava linda e o Edson Pereira fez um grande trabalho. Nosso pessoal do barracão, nosso diretor geral e nosso diretor de carnaval, Moisés, que foi incansável, nosso diretor de barracão, Luís. A presidência, diretoria da escola está de parabéns pelo trabalho que foi feito em homenagem ao Martinho que não podia ter sido tão bom. Sei que tem detalhes para ser ajustados, como nas disputas. Graças a Deus a bateria gabaritou, mas não é por isso que vamos relaxar, continuaremos fazendo nosso trabalho focado naquilo que fazemos todo ano e acreditamos para que a bateria da Vila Isabel continue em alto nível”.</p>
<p><strong>Ser nota máxima é um alívio ou aumenta a responsabilidade para o próximo carnaval?</strong></p>
<p>Macaco Branco: “É um alívio e também aumenta a responsabilidade, são as duas coisas. É alívio para você relaxar e falar: &#8216;graças a Deus deu tudo certo&#8217;. Você fica com o coração aliviado, mas no próximo ano o compromisso aumenta. Porque é preciso manter o nível lá em cima, acaba sendo um trabalho que não pode relaxar. É hora de falar: “agora zerou e vamos começar tudo de novo”.</p>
<figure id="attachment_90643" aria-describedby="caption-attachment-90643" style="width: 978px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-90643 size-full" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_59.jpg" alt="vila isabel campeas 2022 59" width="978" height="652" title="Gabaritou! Mestre Macaco Branco celebra desempenho da bateria da Vila Isabel 3" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_59.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_59-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_59-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_59-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_59-630x420.jpg 630w" sizes="(max-width: 978px) 100vw, 978px" /><figcaption id="caption-attachment-90643" class="wp-caption-text">Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO</figcaption></figure>
<p><strong>Vocês entraram na avenida após o desfile avassalador da Grande Rio. O que pensou na hora e o que falou para os ritmistas?</strong></p>
<p>Macaco Branco: “A verdade é que a gente sempre motiva a galera, pois trabalho muito nessa parte emocional da galera. De tirar o melhor deles, de fazer com que eles entendam que são peças fundamentais e muito importantes nesse propósito. A Grande Rio fez um ótimo desfile, acreditava que o carnaval estava entre ela e a Vila Isabel, mas a escola foi campeã merecidamente. Eu achava que a Vila podia ter pego o segundo lugar, ter ficado mais próximo ali, mas só de voltar nas campeãs é algo bem legal. A gente coroa e brinda um trabalho que estava sendo feito há muito tempo, no último carnaval ficamos em uma colocação em que não voltamos no sábado e agora ficamos em quarto lugar. Ajustando essas arestas que temos que ajustar, se Deus quiser no próximo carnaval temos grandes chances de levar o caneco”.</p>
<p><strong>O seu trabalho e do Tinga são muito bem avaliados. Qual é o segredo da dupla e do sucesso no trabalho?</strong></p>
<p>Macaco Branco: “O segredo é a amizade, o carinho, o coração. Nós dois somos Vila Isabel, independente do profissionalismo nós temos um carinho especial, pois amamos nossa escola. A gente senta, conversa, vê o que podemos melhorar e a gente nunca relaxa. Procuramos sempre tirar o melhor, espremer até sair o máximo de coisa boa dos nossos ritmistas e componentes do carro de som. O que faz a grande diferença é o nosso empenho de sempre buscar o melhor e nosso amor”.</p>
<div class="youtube-embed" data-video_id="9a2GWp8WdBo"><iframe title="VILA ISABEL 2022 HD | LARGADA DO DESFILE" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/9a2GWp8WdBo?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></div>
<p><strong>Existe muita discussão sobre andamento mais acelerado ou não. Qual é o seu pensamento sobre essa questão?</strong></p>
<p>Macaco Branco: “Cada samba tem seu andamento que vai fazer com que ele funcione bem na avenida. Tem ano que você vai escolher o samba e, ele tem o andamento mais tranquilo, mais para trás. Tem samba que você vai precisar colocar um pouquinho mais para frente, outros que são bem tranquilos. Esse ano demos a largada no andamento de 146 bpm e ao decorrer da avenida conseguimos deixar entre 145 e 144 bpm, pois era o que o samba pedia. Mas para o samba fluir bem, temos que tocar no andamento que o corresponde, pois não adianta a gente querer engessar e dizer do andamento da escola, ele é do próprio samba. É o samba que diz o andamento necessário, o que dá certo. Se você se prender a um número, vai acabar sacrificando o samba, o componente e não é isso. Se foi escolhido samba x, esse tem que entrar para o estúdio, como eu e Tinga sempre faz, entra lá, toca ele e vai experimentando. Inclusive a gente experimenta até no ensaio de rua, por exemplo: &#8216;achei que ficou legal. não, achei que dava para ser menos&#8217;. Com isso nós vamos chegando a um parâmetro sobre o andamento. A galera usa muito o metrônomo e vai se guiando por ali, mas não é assim. Ele é um instrumento de parâmetro, não um que dita a “verdade”, pois se pega ele e fala que o andamento tem que ser x, beleza. Porém isso é o que? Quem tem que dizer isso é o samba, e não nós ou o metrônomo. Claro que tem uma margem de um pouquinho para mais e outro para menos, se o andamento foge da característica da escola era porque o samba não pertencia ali”.</p>
<p><strong>Você concorda que o nível geral das baterias está alto? E por qual motivo isso vem acontecendo?</strong></p>
<p>Macaco Branco: “Concordo. Temos grandes mestres, grandes trabalhos no carnaval do Rio de Janeiro. Nós temos grandes referências, pois hoje na era da informatização todo mundo tem acesso a tudo. Pois todos conseguem acessar o YouTube para pesquisar o que é possível fazer para melhorar. E isso é parâmetro, quem não acompanhar acaba ficando para trás, simples assim. Hoje em dia não tem uma bateria que seja ruim, todas são excelentes. Cada uma com a sua característica, seu propósito. Costumo dizer que são incomparáveis, cada uma tem sua verdade. Não existe uma melhor que a outra, cada uma tem o seu diferencial e com isso todas são de alto nível. Fica até difícil para o jurado tirar um décimo, às vezes tem aquele deslize, algo que acontece na avenida, aí acaba sendo descontado. Fora isso só tem bateria excelente”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-90639" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_55.jpg" alt="vila isabel campeas 2022 55" width="978" height="652" title="Gabaritou! Mestre Macaco Branco celebra desempenho da bateria da Vila Isabel 4" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_55.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_55-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_55-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_55-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/vila-isabel_campeas_2022_55-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p><strong>E a parceria com a Sabrina, considera que ela é rainha que consegue unir divulgação da escola e relação com a comunidade?</strong></p>
<p>Macaco Branco: “A Sabrina é muito povão, ela está na frente da bateria como rainha faz 11 anos. Ela é amiga nossa pessoal, minha e da minha esposa Dandara (musa da escola). A minha esposa dá aula para ela já tem uns 10 anos, nós temos uma amizade com ela de um frequentar a casa do outro. Ela faz questão de beijar, abraçar e falar com todo mundo. Mesmo não sendo carioca, ela é muito Vila Isabel, ela é sambista sim. O coração é tudo e também amar tudo aquilo que faz e a Sabrina é assim. A melhor rainha que a gente já teve”.</p>
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		<title>Entrevistão com Júnior Escafura: &#8216;Caso algum dia me torne presidente da Portela, preciso estar preparado para honrar o nome do meu pai&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ingrid Marins]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Apr 2022 21:11:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
		<category><![CDATA[Junior Escafura]]></category>
		<category><![CDATA[Portela]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Júnior Escafura, integrante da comissão de carnaval da azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira, possui um vínculo muito especial com a escola. Passando a compor o time em 2019, juntamente com Claudinho Portela e Higor Machado, Escafura também é diretor de harmonia do Império Serrano. Com passagens em escolas como a Imperatriz Leopoldinense [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Júnior Escafura, integrante da comissão de carnaval da azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira, possui um vínculo muito especial com a escola. Passando a compor o time em 2019, juntamente com Claudinho Portela e Higor Machado, Escafura também é diretor de harmonia do Império Serrano.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-78289" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/escafura.jpg" alt="escafura" width="773" height="490" title="Entrevistão com Júnior Escafura: &#039;Caso algum dia me torne presidente da Portela, preciso estar preparado para honrar o nome do meu pai&#039; 8"></p>
<p>Com passagens em escolas como a Imperatriz Leopoldinense e a Estácio de Sá, o retorno de Escafura para a Portela foi muito bem visto. Portelense desde que era criança, ele acompanhou de perto seu pai sendo presidente da escola. O diretor recebeu a equipe do site <strong>CARNAVALESCO</strong> e falou sobre o desafio de estar de frente na direção de harmonia, sobre o julgamento do quesito e também sobre as lembranças que têm com a “Majestade do Samba”.</p>
<p><strong>Qual é o maior desafio de um diretor de harmonia?</strong></p>
<p>“O diretor de harmonia tem que ser aquela pessoa que mais possui tranquilidade dentro de uma escola de samba. O desafio de ser um diretor é você trazer a escola, trazer o componente para o seu lado e fazer ele entender que também é um dos diretores de harmonia da escola. Quando os integrantes compram a sua ideia, compram a briga da agremiação, ele vai desempenhar um papel muito importante, pois ajuda a harmonia”.</p>
<p><strong>O que você pensa sobre o julgamento do quesito harmonia? Tem que subdividir como é em samba, ou seja, canto dos componentes e carro de som?</strong></p>
<p>“Nos últimos anos o quesito harmonia tem sido motivo de bastante polêmica sobre o julgamento. Porque os jurados têm despontuado muito as escolas em função do carro de som. E a gente que trabalha diretamente com os componentes percebemos que eles ficam frustrados quando veem o resultado da nota de harmonia e a escola não recebeu um 10. Isso os deixa se sentindo culpados e é muito ruim para o diretor. Eu entendo que se os jurados estão focando muito no carro de som, temos que pensar em subdividir o quesito, ou talvez mais para frente criar o quesito “carro de som”. Quem sabe? É uma experiência que pode ser feita e estudada, pois as escolas trabalham muito. É difícil ver alguma ala passar sem cantar, porque as agremiações melhoraram bastante esse trabalho de harmonia&#8221;.</p>
<figure id="attachment_73477" aria-describedby="caption-attachment-73477" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-73477" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/10/escafura_imperio.jpg" alt="escafura imperio" width="700" height="420" title="Entrevistão com Júnior Escafura: &#039;Caso algum dia me torne presidente da Portela, preciso estar preparado para honrar o nome do meu pai&#039; 9" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/10/escafura_imperio.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/10/escafura_imperio-300x180.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/10/escafura_imperio-696x418.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /><figcaption id="caption-attachment-73477" class="wp-caption-text">Foto: Emerson Pereira/Divulgação</figcaption></figure>
<p><strong>Fazendo uma comparação você concorda que após os dois meses com o samba escolhido o ensaio de rua é o melhor caminho para realmente treinar toda escola?</strong></p>
<p>“O ensaio de rua por si só tem uma pegada de avenida, pois você está tirando o componente do lugar habitual de ensaio (a quadra). Os integrantes já começam a achar que é desfile, e assim você motiva mais o componente , tendo mais espaço para trabalhar e mais evolução. Porque o canto, eles já estão acostumados a ensaiar, mas um trabalho de evolução na quadra não dá pra fazer muito bem, pois não se tem espaço. No ensaio de rua, acabamos tendo isso como aliado e assim trabalhar bem o componente para que ele tenha uma evolução satisfatória do jeito que a escola precisa. Fazer o andamento certo das alas, a estratégia para o desfile, e na rua conseguimos ter isso de modo melhor”.</p>
<p><strong>Qual é sua maior lembrança do desfile de 1995 ?</strong></p>
<p>&#8220;O desfile de 1995 é o carnaval da minha vida, inesquecível. Meu pai era presidente da Portela e a lembrança que eu tenho é de sair da Sapucaí com a escola aclamada como campeã de ponta a ponta. Saímos convictos que seríamos campeões naquele ano, porque era a imprensa, o público que lotava o Sambódromo e os componentes da Portela emocionados. É um carnaval que a gente se considera campeão só por causa do desfile, e por isso temos muito orgulho de 1995&#8221;.</p>
<p><strong>O que te faz lembrar seu pai na Portela?</strong></p>
<p>“Do meu pai eu lembro a alegria dele, pois ele era uma pessoa muito alegre. O grande mérito dele na minha opinião, quando assumiu a agremiação ele a uniu. Tinham muitas pessoas que estavam afastadas da Portela, como o Noca, Paulinho da Viola, João Nogueira, Nega Pelé (que se tornou rainha de bateria neste ano) e também vários outros que estavam distantes da escola. Quando ele assume, convida todos eles para voltar e quando estamos unidos somos muito fortes. Isso foi mérito do meu pai e a maior lembrança que tenho da gestão dele, pois quando a Portela está unida e caminhando com todos do mesmo lado é difícil segurar”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-69540" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/04/escafura.jpg" alt="escafura" width="542" height="363" title="Entrevistão com Júnior Escafura: &#039;Caso algum dia me torne presidente da Portela, preciso estar preparado para honrar o nome do meu pai&#039; 10" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/04/escafura.jpg 542w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/04/escafura-300x201.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 542px) 100vw, 542px" /></p>
<p><strong>Essa pressão de ser um Escafura e sempre estar cotado para vir como presidente é fácil de lidar ou mexe muito com você?</strong></p>
<p>“Na Portela eu estou desde criança e como o meu pai foi presidente da escola é natural que eu venha sendo apontado como o futuro líder daqui. É motivo de orgulho e felicidade que tenho, pois as pessoas me enxergam como um líder da escola. Fico muito feliz de ter esse carinho, principalmente dos segmentos mais antigos, como a velha guarda e portelenses que me viram crescer. Consigo lidar muito bem com isso, pois não tenho essa pressão e sim uma responsabilidade. Se isso um dia vier a acontecer preciso estar preparado, pois venho há anos caminhando ao lado do meu pai, mesmo sendo novo aprendi muita coisa. Passei por diversos departamentos dentro da escola, fui diretor de quase todos os setores. Venho me preparando para isso, mas quando acontecer tenho que estar preparado para ser um grande presidente, honrar o nome do meu pai, da minha família e dos outros grandes líderes que a Portela teve”.</p>
<p><strong>O que pensa sobre o próximo pleito portelense?</strong></p>
<p>“Penso que a Portela está caminhando para o centenário e que ela precisa estar unida e forte. Todo mundo do mesmo lado, isso que tem que ser a eleição da escola. As pessoas precisam entender que temos que ter um pouco menos de vaidade, e a agremiação tem que ser a principal responsável. A bandeira da Portela, o pavilhão da escola que é sagrado, é mais importante que qualquer pessoa. A eleição tem que ter o clima de harmonia, clima feliz e todo mundo unido, pois estamos caminhando para os 100 anos e seria muito lindo ter todos no mesmo lado, para que a gente faça um carnaval inesquecível”.</p>
<p><strong>O samba de 2022 foi muito criticado, mas vem rendendo muito. Gilsinho e Nilo Sérgio foram fundamentais nessa transformação?</strong></p>
<p>“Aconteceu uma crítica, porque a Portela tem uma torcida muito grande, e tínhamos grandes sambas aqui. Toda a disputa da escola é um pouco polêmica, porque sempre tem grandes sambas e compositores. Dificilmente vai ter um samba que é escolhido por unanimidade. Esse ano, por exemplo, o samba que ganhou era o preferido dos segmentos da escola, do carnavalesco, pois era o que mais atendia a proposta que vamos apresentar na avenida. As pessoas vão ver o carnaval da Portela e vão entender o porque ele foi escolhido. O Nilo, Gilsinho e o trabalho de harmonia muito forte da escola foram fundamentais sim. A comunidade por si só caminha muito bem, eles compram o samba e não tem jeito. O componente vem para a briga, a Portela é assim, pois quando começam a criticar ela se transforma. Quanto mais criticam o samba-enredo, a gente não fica satisfeito em só cantar, e sim em berrar. O ensaio técnico foi a prova disso e surpresa para muita gente, mas para mim não. Pois eu conheço isso aqui e estou desde que nasci, sei muito bem qual é a raiz da escola. Mesmo com a crítica nos unimos e fomos para dentro para fazer um belo carnaval”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-29489" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Portela_Escafura.jpg" alt="Portela Escafura" width="774" height="774" title="Entrevistão com Júnior Escafura: &#039;Caso algum dia me torne presidente da Portela, preciso estar preparado para honrar o nome do meu pai&#039; 11"></p>
<p><strong>Qual é o tamanho do desafio na Harmonia do Império Serrano?</strong></p>
<p>“Ser diretor de harmonia do Império Serrano é um desafio muito grande, porque é uma escola muito tradicional e que hoje está na Série Ouro. Mas ela não é de lá, é uma das maiores campeãs do carnaval. Então fui pra lá com a responsabilidade e também sabendo que ela está fazendo um investimento grande para disputar o título que dá o acesso ao grupo especial. É um carnaval muito parelho na Série Ouro, as escolas têm muita dificuldade e o Império também. O presidente Sandro Avelar quando assumiu, uniu a escola e isso foi primordial para o bom trabalho que a agremiação está fazendo. Trouxe grandes nomes como Leandro, Patrick e também o Vitinho como mestre que vai ser considerado como um dos grandes mestres de bateria do carnaval carioca, aposto muito nisso. Vejo hoje um Império muito motivado e feliz. É um orgulho estar trabalhando lá e ajudar a escola a fazer um grande carnaval e sei que a responsabilidade é enorme”.</p>
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		<title>Entrevistão com Fernando Horta: ‘estou altamente tranquilo, sabendo que levo um carnaval para disputar’</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Apr 2022 14:32:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Unidos da Tijuca]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Horta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Presente na vida da Unidos da Tijuca desde os anos 80, José Fernando Horta de Sousa Vieira, o presidente Fernando Horta, tirou a escola de uma fila de mais de 70 anos. A escola só havia sido campeã uma vez antes do dirigente, em 1936. Português de nascimento, mas carioca de coração, Fernando Horta deu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Presente na vida da Unidos da Tijuca desde os anos 80, José Fernando Horta de Sousa Vieira, o presidente Fernando Horta, tirou a escola de uma fila de mais de 70 anos. A escola só havia sido campeã uma vez antes do dirigente, em 1936. Português de nascimento, mas carioca de coração, Fernando Horta deu a primeira chance ao carnavalesco Paulo Barros no Grupo Especial em 2004, sendo vice-campeão neste ano e no ano seguinte revolucionando o carnaval. Essa parceria que teve muitas idas e vindas levou a escola aos títulos em 2010, 2012 e 2014, mudando o patamar da Amarela e Azul do morro do Borel. Próximo dos 70 anos, o presidente da Tijuca vai completar 21 anos seguidos no cargo, e teve ainda outras duas passagens que somadas completam 30 anos só como presidente, fora a marcante presença em outros mandatos de 1987 para cá.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-83365" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/horta.jpg" alt="horta" width="700" height="440" title="Entrevistão com Fernando Horta: ‘estou altamente tranquilo, sabendo que levo um carnaval para disputar’ 16" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/horta.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/horta-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/horta-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/horta-668x420.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>Em entrevista ao site <strong>CARNAVALESCO</strong>, o empresário português do ramo da vidraçaria, natural de Felgueiras, comentou o tão esperado tombamento da quadra da escola, explicou sua relação com o carnavalesco Paulo Barros, expôs seu pensamento sobre a sucessão a frente da Unidos da Tijuca, revelou os bastidores da decisão de colocar Wic Tavares como microfone principal da agremiação ao lado do pai Wantuir, e por fim, se disse totalmente confiante em um grande desfile da Unidos da Tijuca no Carnaval 2022.</p>
<p><strong>Após tanto sufoco o que representou para você e para a Tijuca o tombamento da quadra?</strong></p>
<p>&#8220;Representou muito, isso nós estamos lutando desde 1992. Agora a escola ficou com uma situação mais tranquila, temos que resolver o resto, mas acho que foi bom para mim, até porque eu queria quando acabar o meu ciclo na Unidos da Tijuca deixar a escola mais bem estruturada. Foi importante para mim pessoalmente e mais para a escola. Acho que foi uma coisa justa até porque aquilo ali praticamente é terra de ninguém. A Tijuca está implantada ali desde 1992. A Tijuca não invadiu, pagava um aluguel anos e anos, era do Clube dos portuários, depois passou para administração das docas, depois venderam para o Porto Novo, e depois venderam para o fundo da Caixa, uma confusão danada, e a Tijuca tinha um contrato feito com a União, com as Docas, e a Tijuca estava se propondo a adquirir aquele espaço que ocupava, 2800 metros quadrados, com um contrato separado, com todas as instalações separadas. E nós tentamos fazer um acordo que foi aquilo que eu sempre lutei, e agradeço pela votação na Câmara de Vereadores, praticamente unânime, e agora a luta continua porque agora a gente tem muito mais segurança para fazer uma adaptação melhor, de reforma, de melhores instalações. A Tijuca gastou ali uma fortuna, mas sempre fazendo puxadinho, nada em condições daquilo que eu sonho em deixar para a Unidos da Tijuca”.</p>
<p><strong>Qual é seu desfile inesquecível na Tijuca? E por qual motivo?</strong></p>
<p>&#8220;É o mesmo carinho sempre, quando eu começo a fazer um carnaval, para mim o carinho é sempre igual. Até porque a hora que eu perder esse ânimo, eu estou fora. Agora logicamente tem uns que acontecem mais do que os outros, isso é natural. Agora o meu carinho é sempre igual para cada desfile&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-66237" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/02/11fev-horta1.jpeg" alt="11fev horta1" width="713" height="475" title="Entrevistão com Fernando Horta: ‘estou altamente tranquilo, sabendo que levo um carnaval para disputar’ 17" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/02/11fev-horta1.jpeg 713w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/02/11fev-horta1-300x200.jpeg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/02/11fev-horta1-696x464.jpeg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/02/11fev-horta1-630x420.jpeg 630w" sizes="auto, (max-width: 713px) 100vw, 713px" /></p>
<p><strong>Era possível imaginar que um português se tornaria um dos maiores dirigentes de uma escola de samba do Rio de Janeiro?</strong></p>
<p>&#8220;Não, primeiro que eu assumi a escola sem querer. Não tinha pretensões nenhuma. Não tenho agora. A escola faz eleições. Dessa época que eu milito na escola já teve três ou quatro presidentes. Claro, eu sempre junto. Eu mesmo não sei explicar. Eu era jovem, me empolguei. Logicamente que a Tijuca era uma escola de médio porte e eu sempre na vida, tudo aquilo meu, de pequeno se tornou grande, então a Tijuca hoje é uma escola grande. Grande que eu digo, não quer dizer financeiramente, a gente luta todo ano para fazer carnaval. Agora, eu sonhar que eu queria ser grande, eu não queria não. Eu entrei por acaso, entrei porque estava envolvido, a escola teve um fracasso, me achei um pouco responsável, houve um pedido muito grande da comunidade para eu assumir a escola, e a gente está aí. E eu me considero tão carioca quanto você ou qualquer um. Eu vim para cá jovem, tinha 11 anos, eu amo esse povo e essa cidade. Muitas pessoas que estão aqui no Brasil estão por que tem que estar, eu teria outras opções de vida graças a Deus, talvez mais confortável e com mais tranquilidade, e continuo aqui. Eu sempre andei envolvido na arte do carnaval e foi acontecendo&#8221;.</p>
<p><strong>Vamos voltar lá atrás em 2004. Em algum momento, você ficou preocupado com o que seria o desfile quando olhava o trabalho do Paulo Barros no barracão? Aliás, você fala sempre do carinho pelo Paulo Barros e ele, por você. É o maior artista da história da escola?</strong></p>
<p>&#8220;Não, a Unidos da Tijuca tem e teve grandes artistas. Eu acho que a única que não passou por aqui ainda foi a Rosa. Já passou o Renato, passou o Paulo Barros, acho que eu tenho mais carinho pelo Paulo Barros do que ele tem por mim, mas tudo bem. Mas eu tive um grande artista aqui que foi uma pena ele ter falecido, que foi o Oswaldo Jardim, que começou a modificar a cara da Unidos da Tijuca. Foi o maior carnavalesco que a Tijuca teve, na minha concepção. Agora, o Paulo Barros foi muito importante na vida da Unidos da Tijuca, até porque foi uma aposta minha. Paulo Barros só tinha feito um ano ou dois de escola do Grupo de Acesso. Foi uma aposta que na minha cabeça eu pensava que o carnaval estava muito igual. Era cada um apresentando mais luxo do que o outro. E eu via a dificuldade de competir pelo financeiro. Então apostei em fazer alguma coisa diferente. Ninguém apostava e achava que a escola ia para o buraco em 2004 quando viram aquele carro do DNA, mas antes em 2000 a escola fez um grande carnaval que tirou o quinto lugar, ela vinha fazendo grandes carnavais. Para mim, o carnaval de 2004 , 2005, 2006 a escola merecia ter ganhado o campeonato. Foi uma coisa nova que o julgador que era mais conservador não entenderam muito bem o recado da Tijuca&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-72760" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/09/horta.jpg" alt="horta" width="695" height="501" title="Entrevistão com Fernando Horta: ‘estou altamente tranquilo, sabendo que levo um carnaval para disputar’ 18" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/09/horta.jpg 695w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/09/horta-300x216.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/09/horta-324x235.jpg 324w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/09/horta-583x420.jpg 583w" sizes="auto, (max-width: 695px) 100vw, 695px" /></p>
<p><strong>Uma vez na premiação do Estandarte de Ouro, no antigo Canecão, você desabafou e disse que não deixariam um vidraceiro português ser campeão do carnaval. E você foi campeão. Foi complicado colocar a Tijuca nesse patamar em que esteve de 2004 até 2016?</strong></p>
<p>&#8220;Foi uma grande luta porque quando a partir dos anos 2000 que as condições financeiras começaram a ser melhores para as escolas, logicamente que a Tijuca deu o pulo do gato. Tivemos alguns anos de sufoco tremendo, então a Tijuca foi campeã em 2010, 2012 e 2014, mas já merecia ter sido campeã antes. Nos anos 2000, a Tijuca fez grandes carnavais, e não ganhou por questão de décimos. Eu perdi dois campeonatos por muito pouco. Acontece. Mas de 2000 para cá a Tijuca sempre faz carnaval para disputar. A nossa mentalidade é essa&#8221;.</p>
<p><strong>O desfile de 2020 não foi o esperado. O que houve?</strong></p>
<p>&#8220;Embora seja um grande artista, eu não vou culpar A, B, ou C, houve algumas falhas de alguns quesitos e também da concepção do enredo no geral. Mas, a culpa é sempre minha e aconteceu o que tinha que acontecer”.</p>
<p><strong>Muita gente questiona o resultado de 2019 na Tijuca. Você ficou chateado com a colocação? Merecia voltar nas campeãs?</strong></p>
<p>“Não merecia tirar a colocação que tirou. Em 2019 por exemplo, como era um enredo religioso, eles entenderam de outra maneira, jamais eu poderia perder ponto em alegorias ou perder em samba-enredo, mas faz parte&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-80224" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tijuca_ensaiotecnico2022_04.jpg" alt="tijuca ensaiotecnico2022 04" width="978" height="652" title="Entrevistão com Fernando Horta: ‘estou altamente tranquilo, sabendo que levo um carnaval para disputar’ 19"></p>
<p><strong>O que você sentiu quando houve o acidente em 2017? Foi seu momento mais difícil na escola?</strong></p>
<p>&#8220;Aquilo foi uma das grandes decepções porque a Tijuca vinha com um carnaval para ganhar títulos. A Tijuca brigaria ali na ponta. E eu afirmo, depois de estudos feitos, sem ser de cabeça quente, nós fomos sabotados ali. Alguém sabotou o carnaval da Unidos da Tijuca. Lógico que foi internamente, mas profissionais externos. Alguém fez alguma coisa porque não tinha como acontecer aquele acidente e realmente atrapalhou a disputa do carnaval. A Tijuca vinha bem, a Tijuca vinha forte. Mas, em outras escolas já aconteceram acidentes e perderam carnaval assim dessa maneira. Acontece. Ninguém pode dizer hoje que vai ganhar, porque o carnaval é disputado dentro da pista. Ninguém está livre de um acidente&#8221;.</p>
<p><strong>Tivemos vários anos que a Tijuca era apontada como rival da Beija-Flor no canto da comunidade. Hoje, as pessoas dizem que a escola precisa resgatar isso. Concorda?</strong></p>
<p>&#8220;Eu acho que as escolas têm resgatado isso. Até porque a primeira escola que começou com isso não foi a Beija-Flor, foi a Unidos da Tijuca. A Unidos da Tijuca começou lá atrás com as alas de comunidade financiando 100 por cento. E depois a Beija-Flor veio muito bem, logo em seguida, fez um trabalho muito legal. E hoje, todas as escolas estão fazendo esse tipo de trabalho. Até porque quando eu entrei no carnaval, as escolas tinham compromisso de fazer baianas, passistas, velha guarda, alguns segmentos, o resto era tudo ala comercial. Embora tenha ainda algumas escolas com alas comerciais, elas começaram a investir muito nas de comunidade. Quando eu falo em comunidade, não falo só do Borel, são comunidades, pessoas, o cara pode até morar na Vieira Souto, mas ele participa da ala de comunidade. Tem muitos casos desses, as pessoas que se dedicam a vir aos ensaios, a fazer treinamento. Quando o cara compra uma fantasia, sabe que o cara fica sem compromisso nenhum. E tinha muito estrangeiro também. Eu acho até que a Liga deveria deixar participar, de repente com uma ala no fim da escola sem ser avaliada&#8221;.</p>
<p><strong>A Wic, filha do Wantuir, é cotada como uma das maiores revelações do carnaval. Quando surgiu na sua cabeça que ela assumiria o microfone principal ao lado do pai?</strong></p>
<p>&#8220;A Wic já havia saído no ano passado na escola, ela também saía na São Clemente, e esse ano, eu já vinha prestando atenção nela. Logicamente que é muito difícil você colocar uma mulher como voz principal. Desde que eu estou no samba só aconteceu uma vez e mesmo assim não deu muito certo. Ela foi contratada pelo samba vencedor, e eu conversando com o pai dela eu falei ‘que tal colocar a tua filha junto com você? ’. Porque geralmente nenhum cantor quer. Geralmente o cantor pensa ‘eu sou o número um e acabou’. Outras escolas que tentaram fazer, saiu faísca. Como foi até um pedido dele também, ficou numa boa. No fundo ele abriu uma janela para mim também. E foi por méritos dela, ela não está lá por favor nenhum. A escola não faz isso, todo mundo que está é por méritos. E a Wic está lá porque ela tem capacidade para estar. Agora dizer que ela vai ser a voz 100 por cento da Unidos da Tijuca é uma coisa a se pensar, se ver, porque as experiências que foram feitas lá atrás não deram muito certo. E o pai dela também já está com idade, eu gosto muito dele, é um bom profissional, ele estava aqui com uma carreira muito boa, cismou de ter saído, depois queria logo voltar mas ficou de castigo. Agora está aí, é um cara fácil de lidar, dedicado, mas todo mundo tem um fim. É que Jamelão só teve um, cantou até o final. E o Neguinho que está aí, e ele ainda está longe dessa idade. E na vida existe renovação. E vai ter comigo. Fernando Horta só tem um. Amanhã e depois eu vou assistir o desfile lá na frisa ou arquibancada&#8221;.</p>
<p><strong>Você tem um dos melhores mestres de bateria do carnaval. É fácil manter o Casão na escola ou o assédio de outras agremiações é complicado?</strong></p>
<p>&#8220;Casão não vai. Já não é novinho, mas é cria minha. O Casão não pensava nem em ser diretor de bateria. Ele vivia na bateria, sempre foi lá da comunidade, embora já não mora mais lá há muito tempo, mas ele além de tudo era meu funcionário, era vidraceiro. É um mestre de bateria que tem méritos para isso. A maioria da rapaziada que está na bateria são meus amigos, conheço a maioria desde criança. O Casagrande teve uma vez que lá atrás, uns 4 anos ou 5, ele foi assediado por uma escola, ele veio falar comigo e eu falei &#8216;oh, meu filho, tu é que sabes &#8216;. Mas ele mesmo recuou, falou que não é dele, o Casagrande vai se aposentar na Unidos da Tijuca. Igual a mim. Logicamente também deve ter passado necessidade porque pegou essa situação toda, pouco show, pouco trabalho, mas com ele eu fico absolutamente tranquilo. É muito mais fácil, eu largar a escola do que ele sair. Se ele chegou ao que é, é justamente por ser um cara muito trabalhador. Ele tem a bateria totalmente controlada, ele briga demais pela bateria. Além de ser meu diretor de bateria ele é meu amigo”.</p>
<p><strong>O que o Horta pensa dos rumos/futuro dos desfiles das escolas de samba, após quatro anos de Crivella e dois anos de pandemia?</strong></p>
<p>&#8220;O carnaval vinha muito bem, eu me recuso falar esse nome (Crivella). Foram três anos praticamente, porque o outro ainda estava sendo administrado pela administração passada. Sufoco, uma má vontade, um cara que era completamente contrário ao carnaval. Além de não ajudar, ele incentivava para ninguém ajudar. Foram uns anos muito difíceis. A mim, ele não enganou. Tanto que alguns presidentes de escolas de samba optaram em apoiar ele, eu não. Chamei ele de mentiroso em uma reunião que ele marcou 7h da manhã que ele achou que a gente era vagabundo e não ia comparecer. Ele falou que não ia mexer em nada no modelo de carnaval e que se não pudesse fazer melhor ele ia igualar pelo menos o que estava. Nesta reunião, ele perguntou &#8216;Horta, você não fala nada?&#8217;. E eu falei &#8216; não vou falar nada porque você é mentiroso&#8217;. É para esquecer. E depois logicamente que a pandemia veio derrubando muito mais. Não foi a questão de a gente não fazer carnaval, ficar um ano sem ter carnaval, não tem recurso, mas também não faz o desfile, mas no caso da Unidos da Tijuca e outras, nesta pandemia ela deixou de trabalhar, ela deixou de fazer apresentações, ela deixou de fazer situações que ela faz na quadra, empresas que alugam. Porque o dinheiro que vem para o carnaval, eu aplico no carnaval, para fazer carnaval, mas a escola para sobreviver ela vive destes eventos que ajudam muito. Nós estávamos esperançosos com esse carnaval, infelizmente teve que ser adiado, quando se colocou os produtos à venda houve uma alavancada, e depois do adiamento houve um recuo muito grande. A gente não sabe se pode contar com a receita que nós estávamos contando para fazer um carnaval melhor e você pagar o staff. Você gasta um dinheiro grande com a logística, leva mais de 150 profissionais para a Avenida. Você não gasta menos de 300, 400 mil reais para fazer essa brincadeira&#8221;.</p>
<p><strong>E sobre seu sucessor. Pensa em formar alguém e como ficará a Tijuca no dia que você não estiver mais presente?</strong></p>
<p>&#8220;Eu não sou muito de &#8216;vamos criar fulano&#8217;. Até porque eu já participei de outra diretoria em clube de futebol. Você tem um grupo de pessoas que ajudam, que apoiam, não estou nem falando financeiramente, que ajudam dentro da elaboração do carnaval. Mas, a liderança, ela nasce. Dentro daquele grupo que existe, tem que surgir. Aqui não é uma escola que o sucessor vai ser preparado, um parente meu, não. Ele tem que surgir dentro do nosso grupo, eu penso dessa maneira. Não se prepara, cada um nasce com liderança, capacidade administrativa. Tem uma turma que está aqui na escola há muito tempo e na hora certa a gente vai avaliar qual o que eu sinto que tem mais capacidade para eu indicar. E indicar, porque aqui é uma escola democrática, tem eleições. A Tijuca não é falada em época de eleições, ninguém sabe, até eu mesmo às vezes me esqueço, mas a gente abre de três em três anos, bota edital, coloca lá na comunidade, e infelizmente nunca apareceu nenhum candidato. Só apareceu uma vez, aí a votação começou 9h, quando era 10h ele quis desistir. O cara ficou com vergonha e eu falei ‘agora você vai ficar até o final’. E eu já fiquei três ou quatro mandatos sem ser presidente. E para ser presidente o cara tem que querer também, tem gente que se arrepia todo se você perguntar, tem medo de assumir, são bons, mas tem medo da responsabilidade &#8220;.</p>
<p><strong>O que falta para a Unidos da Tijuca voltar ao sábado das campeãs?</strong></p>
<p>&#8220;Falta boa vontade de alguns e é assim mesmo, você tem que saber que você está em uma disputa que tem 12 escolas, e 12 escolas muito fortes. Tem que ser realista, vem ali 8 ou 10 que querem ganhar. Então aquilo é um jogo só. Você perde um décimo, perde dois décimos, ganha ou perde com essa diferença. O carnaval é muito equilibrado. Até os anos 2000 era feito com aquelas escolas que tinham um poder financeiro muito maior, depois que começou a equilibrar as verbas, aí começou a ter mais escolas fortes. Aquilo que a Tijuca quer, todas querem. Aquele negócio de o cara achar que vai ganhar todo ano, já era. Pode até ganhar, mas é uma coisa difícil. A grande maioria corre atrás do mesmo objetivo. Não tem campeão antecipado, carnaval é lá na Avenida&#8221;.</p>
<p><strong>Por fim, o que esperar do desfile de 2022 da Tijuca? O que você responde quando colocam a escola brigando para ficar no Grupo Especial?</strong></p>
<p>“Algumas pessoas que não entraram no barracão ficam falando besteira. Mas eu sei aquilo que a escola tem e o que vai fazer. E a concepção do carnaval que eram 10 quesitos, eu brigo para voltar esse último que tiraram, que é o conjunto. Eu acho que o conjunto é necessário. Mas uma escola para se ganhar o carnaval tem que defender nove quesitos, então quem faz esse tipo de análise, tem que começar a analisar quesito por quesito. Alegoria é importante, empolga, mas é um quesito. Eu estou altamente tranquilo, sabendo que levo um carnaval respeitando as coirmãs, mas para disputar. E pode ter certeza que a Tijuca vai fazer um carnaval diferenciado e para agradar&#8221;.</p>
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		<title>Entrevistão: Perlingeiro projeta desfiles, revela projetos para Cidade do Samba e comenta relação com Gabriel David</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Damico]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Apr 2022 11:13:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Perlingeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eleito presidente da Liesa em março do ano passado, Jorge Perlingeiro fará o primeiro Carnaval no comando da entidade nesta semana. O comunicador, que também é responsável pela leitura das notas no dia da apuração, conversou com o CARNAVALESCO e comentou expectativa para os desfiles do Grupo Especial, que começam na sexta-feira. O locutor também [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Eleito presidente da Liesa em março do ano passado, Jorge Perlingeiro fará o primeiro Carnaval no comando da entidade nesta semana. O comunicador, que também é responsável pela leitura das notas no dia da apuração, conversou com o <strong>CARNAVALESCO</strong> e comentou expectativa para os desfiles do Grupo Especial, que começam na sexta-feira. O locutor também abordou outros temas, como projetos para Cidade do Samba, parceria com a TV Globo e relação com Gabriel David.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-83249" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/perlingeiro.jpg" alt="perlingeiro" width="777" height="454" title="Entrevistão: Perlingeiro projeta desfiles, revela projetos para Cidade do Samba e comenta relação com Gabriel David 23" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/perlingeiro.jpg 777w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/perlingeiro-300x175.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/perlingeiro-768x449.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/perlingeiro-696x407.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/perlingeiro-719x420.jpg 719w" sizes="auto, (max-width: 777px) 100vw, 777px" /></p>
<p>Aos 77 anos, Perlingeiro já lê as notas do desfile das escolas de samba há 30 anos, e revelou que já pensa em deixar a função. Substituto de Jorge Castanheira na presidência da Liesa, o locutor, ao lado do diretor de marketing, Gabriel David, já fez algumas mudanças durante o ano em que está no cargo, como a parceria com a Globo para o programa &#8216;Seleção do Samba&#8217;, e a organização dos mini desfiles na Cidade do Samba. Confira a entrevista completa do mandatário da entidade.</p>
<p><strong>Está chegando a hora dos desfiles. O que representa para Liga, escolas e para você esse retorno após dois anos?</strong></p>
<p>&#8220;Voltamos para ficar, é o Carnaval da superação, principalmente por causa da situação que vivemos, de pandemia, de quatro adiamentos. Foi complicado. Teve de tudo, menos desfile das escolas de samba. Nos preparamos mesmo com as dificuldades, porque foi muito desgastante em termos financeiros. As pessoas não sabem, mas para ter a Sapucaí montada por mais dois meses, tem que se pagar por tudo aquilo que está lá. Conversamos com fornecedores, fizemos reajustas e deu tudo certo. Felizmente, tivemos uma devolução de apenas 12% dos ingressos, que já foram revendidos, e hoje estamos com as entradas 95% vendidas&#8221;.</p>
<p><strong>Vai ser diferente comandar a apuração sendo o presidente da Liesa? Sente pressão?</strong></p>
<p>&#8220;Pressão não existe, pelo contrário, me sinto muito à vontade. Quando me convidaram para presidir a Liesa, uma das condições era seguir na locução das notas. Já estou há 30 anos nessa função, minha voz é patrimônio imaterial do Rio. Mas acho que ninguém é insubstituível. Todo idoso tem limitações, e eu tenho que ver isso também. Estou com 77 anos, mas ainda me sinto apto a fazer esse trabalho. Mas de fato, é um grande desafio comandar a Liga. É uma entidade com apenas 21 funcionários que produzem este enorme evento. O resto são pessoas terceirizadas. É um trabalho de muita responsabilidade. Mas daqui a pouco os jovens vão chegando, e cada vez mais capacitados, a sequência da vida é essa. O mundo mudou, a comunicação também. Hoje tenho um podcast, nunca na minha vida imaginei isso&#8221;.</p>
<figure id="attachment_73848" aria-describedby="caption-attachment-73848" style="width: 781px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-73848" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/11/plenaria_liesa.jpg" alt="plenaria liesa" width="781" height="460" title="Entrevistão: Perlingeiro projeta desfiles, revela projetos para Cidade do Samba e comenta relação com Gabriel David 24"><figcaption id="caption-attachment-73848" class="wp-caption-text">Perlingeiro e Júlio César apresentaram as propostas feitas nas reuniões anteriores. Foto: Henrique Matos/Divulgação Liesa</figcaption></figure>
<p><strong>Qual é o balanço que você faz até agora da sua gestão no comando da Liesa?</strong></p>
<p>&#8220;Não me vejo com um líder ou algo parecido, sou apenas um conselheiro de todo um grupo. O maior feito da gestão até aqui foi conseguir quatro anos de contrato com a Prefeitura. Negociei diretamente com o prefeito e o Gabriel estava comigo. Se ele tem mandato de mais três anos, porque ele iria assinar com a gente por um ano só. Setembro tem Rock In Rio, outubro tem eleições, novembro e dezembro, Copa do Mundo, quando que a Prefeitura iria sentar com a gente pra renovar de novo por mais um ano? Nunca. Iria me jogar pra janeiro, véspera do Carnaval. O nome disso é planejamento. Outro feito importante foi ter conseguido mais de R$ 7 milhões para cada escola, isso em meio a pandemia, em negociação com TV Globo, patrocinadores&#8221;.</p>
<p><strong>E a Cidade do Samba. Segue pensando em melhorar o local, ter uma praça de alimentação melhor, e mais atividades durante o ano?</strong></p>
<p>&#8220;Não terminei todo o projeto que eu queria lá. Trocamos todas as lonas, não só do palco principal, como dos camarins, e conseguimos um feito importante, que foi colocar uma unidade do Corpo de Bombeiros dentro da Cidade do Samba. Tive que pedir ao governador, com o Eduardo Paes do meu lado. Se eu ficar para o ano que vem, vou fazer a praça de alimentação que eu queria ter começado esse ano e não consegui. Fazer uma área que tenha pagode todos os dias de 18h às 21h, um grande espaço para que as pessoas possam comer, beber, se distrair, tornar mais receptivo para os turistas também, porque eles nunca vão lá. Vamos também retomar os dois barracões que estão ocupados por duas escolas que não essão no nosso grupo, que são Estácio e União da Ilha. Um deles iremos construir um grande museu, e outro para receber turistas, fazer cursos profissionalizantes e apresentação de várias coisas que vamos precisar a partir de 2023. A Cidade do Samba está em um eixo que tem o Museu do Amanhã, AquaRio, e a Roda-Gigante. De repente pode se fazer um esquema com um ingresso só em que a pessoa curte as quatro atrações. Enfim, projetos existem. Falta agora dinheiro, parcerias, mas tudo continua em pauta. Estamos pensando também em levar essa nossa sede para lá e fundir tudo em uma coisa só para centralizar o trabalho. A Cidade do Samba é muito bem localizada. A ideia é não ter ela apenas como uma fábrica de alegorias, ser só isso custa muito caro. Depois do Carnaval,vamos lavar a Cidade do Samba toda e pintá-la&#8221;.</p>
<figure id="attachment_70005" aria-describedby="caption-attachment-70005" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-70005" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro.jpg" alt="perlingeiro" width="800" height="600" title="Entrevistão: Perlingeiro projeta desfiles, revela projetos para Cidade do Samba e comenta relação com Gabriel David 25" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro.jpg 800w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro-300x225.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro-768x576.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro-80x60.jpg 80w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro-265x198.jpg 265w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro-696x522.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro-560x420.jpg 560w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-70005" class="wp-caption-text">Foto: Henrique Matos/Divulgação Liesa</figcaption></figure>
<p><strong>Na sua gestão a Liesa colocou o pix para compra de ingressos para os desfiles, mostrou a escolha dos sambas na TV Globo, realizou os mini-desfiles e a transmissão dos ensaios técnicos. O que mais pode vir de novidade pós-desfiles de 2022?</strong></p>
<p>&#8220;Não dá para nós ficarmos também só com um evento por ano. Tenho um projeto também de fazer um Carnaval de meio de ano na Sapucaí, sem concurso ou disputa. A ideia é escolher um tema e cada escola fazer um desfile sobre o assunto. Fazer um Carnaval para turistas, para trazer gente pra cidade, movimentar a rede hoteleira. Temos também que promover mais eventos nas quadras das escolas, fazer um festival de samba. Todas essas ideias existem, precisa-se de planejamento e dinheiro. Mas para esse ano ainda, acho que a única novidade é a divulgação das justificativas dos jurados antes de três meses. Nunca houve isso em mais de 30 anos de Sapucaí. Esse ano, já 48h após a apuração, terão as respostas no site. Objetivo é a transparência. As escolas já vão desfilar no sábado das campeãs sabendo o porquê de suas posições&#8221;.</p>
<p><strong>Após quatro anos de sufoco com o ex-prefeito, as escolas voltaram a serem respeitadas pelo poder público. Qual é a importância desse apoio e diálogo com o prefeito Eduardo Paes?</strong></p>
<p>&#8220;Ter o poder público do nosso lado é uma vantagem. Ninguém é grande sozinho. Sem o apoio do Eduardo Paes, que é um cara que gosta de Carnaval, portelense de coração. É um cara que vibra com a gente, nos ajuda e muito. Graças a ele, recapeamos a pista da Sapucaí. Os bueiros nos davam muitos problemas. Tivemos a iluminação para esse ano, que é a grande novidade. Agradeço ao governador também pelo patrocínio da Light. Ter o governo do estado e do município ao lado é muito bom. Não pode ser como o último prefeito que nós tivemos. Não gosto nem de falar o nome dele, porque aquilo foi um atraso na nossa vida. Espero que ele não tenha mais a coragem de se candidatar. Hoje ele não ganha nem para síndico do prédio. Foram três anos de retrocesso do Carnaval. Ainda bem que o samba agoniza, mas não morre. Voltamos ao nosso prestígio e respeito&#8221;.</p>
<p><strong>Você tinha falado em melhorar a apuração em termos de estrutura. O que teremos de novidade?</strong></p>
<p>&#8220;As mudanças esse ano são poucas. Eu tinha um projeto montado para fazer a apuração na Cidade do Samba, por vários motivos, o primeiro é por ser coberto. Na Apoteose tem sol, tem chuva, e esse ano ainda ocorre em uma terça-feira, dia útil. Há 20, 30 anos, a Sapucaí ficava cheia, de um lado a torcida da Mangueira, que é perto dali, com 10 mil pessoas, e do outro mais 30 mil com todas as outras escolas somadas. Com o passar dos anos, as coisas foram mudando. A Globo, de forma inteligente, foi colocando repórteres nas quadras, telões e aquilo se transformou em um evento&#8221;. Então, a ideia da apuração na Cidade do Samba iria ter 1.200 convidados, 100 de cada escola, distribuídos em espaços com mesas, cerveja, salgadinho, um palco com painel de LED. Do lado de fora, teria uma bateria com 60 ritmistas, cinco de cada escola. Também teria um carro de som, para que quando saísse o resultado, a escola campeã subiria no carro alegórico, o presidente receberia o troféu lá em cima e daria uma volta olímpica na Cidade do Samba. A ideia era fazer uma tremenda festa. Esse ano não tem quase nada diferente, só as mesas que serão maiores e um barzinho temático para servir os convidados. A apuração é o dia de mais audiência no Carnaval para a Globo, tinha que ser mais valorizado esse momento&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-68416" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/gabriel_perlingeiro.jpg" alt="gabriel perlingeiro" width="736" height="522" title="Entrevistão: Perlingeiro projeta desfiles, revela projetos para Cidade do Samba e comenta relação com Gabriel David 26" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/gabriel_perlingeiro.jpg 736w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/gabriel_perlingeiro-300x213.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/gabriel_perlingeiro-100x70.jpg 100w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/gabriel_perlingeiro-696x494.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/gabriel_perlingeiro-592x420.jpg 592w" sizes="auto, (max-width: 736px) 100vw, 736px" /></p>
<p><strong>Falando em TV Globo. Como está a relação?</strong></p>
<p>&#8220;A Rede Globo é uma parceira do Carnaval e da Liesa. Ainda temos mais dois anos de contrato. Mas com relação a transmissão, eu tenho algumas críticas. Eu não concordo, por exemplo, que eles transmitam a primeira escola só após a última para não terem que mexer na programação. Não acho justo. Em uma partida de futebol você não começa a transmitir o jogo só com 20 minutos do primeiro tempo. E para atender a Globo, a gente teria que começar os nossos desfiles só às 23h, aí a última escola correria risco de se apresentar com sol quente. Mas eles são donos da imagem, então temos que respeitar&#8221;.</p>
<p><strong>Existe muito falatório de discussões entre você e Gabriel. Hoje como é a relação de trabalho entre vocês?</strong></p>
<p>&#8220;Não existiu nenhum tipo de racha. Houve sim, divergências de opinião. Gabriel é um rapaz extremamente competente, jovem e ambicioso. Pelo andar da carruagem, ele fatalmente vai chegar à Presidência da Liesa, e por merecimento. Surgiram boatos que eu teria dito isso e aquilo dele, que tínhamos brigado. Divergência eu tenho com todo mundo. Semana passada mesmo, estávamos abraçados, conversando aqui dentro. Não existe essa coisa de &#8216;não falo mais com ele&#8217;. Se não falasse, ele não estaria mais trabalhando comigo. São apenas pontos de vista diferentes, algumas tomadas de decisão sem a minha participação, mas depois eu entrei para afinar isso tudo. Torço muito pelo sucesso do Gabriel, ele tem só 24 anos, tem idade para ser meu neto (risos)&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-69984" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro.jpg" alt="perlingeiro castro" width="800" height="600" title="Entrevistão: Perlingeiro projeta desfiles, revela projetos para Cidade do Samba e comenta relação com Gabriel David 27" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro.jpg 800w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro-300x225.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro-768x576.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro-80x60.jpg 80w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro-265x198.jpg 265w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro-696x522.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/05/perlingeiro_castro-560x420.jpg 560w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p><strong>Estão chegando no fim do papo.O que espera dos desfiles na semana que vem?</strong></p>
<p>&#8220;Chegamos às vésperas dos desfiles com a certeza que vamos fazer um belíssimo espetáculo. As pessoas estão ávidas para ver o Carnaval novamente. As escolas estão fazendo o melhor dever de casa possível. A Liga repassou dinheiro para que todas pudessem fazer grandes e equilibrados desfiles. Esse ano não tem aquela coisa do &#8216;já ganhou&#8217;. Os ensaios técnicos tiveram excelente nível, com boa presença de público. Um ano sem Carnaval são R$ 5 bilhões que deixam de entrar para os cofres públicos, então daí dá pra tirar a importância. Vamos fazer grandes desfiles&#8221;.</p>
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		<title>Entrevistão com Junior Scapin: ‘Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto honrado de trazer a alegria do Paulo Gustavo para a Avenida’</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Apr 2022 12:58:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[São Clemente]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
		<category><![CDATA[Junior Scapin]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Responsável pela comissão de frente da São Clemente desde 2019, Junior Scapin acumula na função passagens, entre outras, pela Estação Primeira de Mangueira, Império Serrano, Estácio, Império da Tijuca, em que desenvolveu a memorável comissão de frente de 2013, no enredo “Negra, Pérola Mulher”, que rendeu a escola o acesso ao Grupo Especial. Na Verde-e-rosa, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Responsável pela comissão de frente da São Clemente desde 2019, Junior Scapin acumula na função passagens, entre outras, pela Estação Primeira de Mangueira, Império Serrano, Estácio, Império da Tijuca, em que desenvolveu a memorável comissão de frente de 2013, no enredo “Negra, Pérola Mulher”, que rendeu a escola o acesso ao Grupo Especial. Na Verde-e-rosa, o artista foi responsável por abrir a apresentação de 2016, ano em que a escola foi coroada com o título no enredo que homenageou Maria Bethânia. No terceiro ano na São Clemente, Junior foi bastante elogiado pela coragem em 2019 em tocar em assuntos delicados com bastante humor representando os dirigentes das escolas de samba e as viradas de mesa do carnaval. Fora do samba, o artista tem trabalhos em programas como “Esquenta” e “Criança Esperança” da TV Globo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-83105" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin.jpg" alt="scapin" width="671" height="401" title="Entrevistão com Junior Scapin: ‘Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto honrado de trazer a alegria do Paulo Gustavo para a Avenida’ 33" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin.jpg 671w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin-300x179.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 671px) 100vw, 671px" /></p>
<p>Admirador do trabalho sem tripés e elementos alegóricos, em entrevista ao site <strong>CARNAVALESCO</strong>, o coreógrafo admite a dificuldade pelo julgamento ao realizar comissões mais simples, mais focadas nos bailarinos, no Grupo Especial. Na conversa, Junior também relembrou trabalhos marcantes, falou um pouco das ideias para a apresentação de 2022, reclamou do peso dado às bandeiras na hora do julgamento e explicou o tamanho da responsabilidade de produzir uma comissão para homenagear um artista como Paulo Gustavo.</p>
<p><strong>Qual é o maior desafio hoje da comissão de frente ser a síntese do enredo ou um espetáculo impactante de abertura?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Eu penso que hoje em dia tem que ter as duas coisas porque as pessoas falam muito do primeiro setor da escola. De alguns anos para cá, a comissão de frente acabou ganhando muita importância, o início vem ganhando muita importância. Confesso para você que sou da opinião de que a comissão de frente hoje em dia ajuda sim a ganhar carnaval. Se você vem com uma boa frente de escola, acho que já é um chamariz para o que vem atrás, mas acho que juntar a importância da comissão de frente, juntar tudo que você faz durante três meses com o que vai ser contado, com o que vem atrás, acho muito importante. O que eu não gosto, na verdade, é que a comissão de frente seja uma coisa, e aí depois comece o desfile. Isso eu não concordo. Acho que a comissão de frente não pode ser uma coisa à parte. A Comissão de Frente tem que ser tudo junto, tem que existir uma uniformidade, desde o primeiro setor que é o nosso, até a última ala que vem na escola&#8221;.</p>
<p><strong>Qual é a comissão inesquecível da sua carreira? E qual foi a que podia ser melhor na hora para valer?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Eu costumo dizer que eu tenho três comissões muito boas e que eu não consigo escolher. Mas, obviamente, uma muito importante é o Império da Tijuca de 2013 que foram as mulheres negras. Eu digo que foi um divisor de águas na minha vida, existe um Júnior Scapin antes da Tijuca 2013, e outro depois. Acho que uma comissão de frente muito importante que eu tive também, que na verdade eu nem sei o que deu errado porque no meu julgamento os julgadores falaram tanta coisa e coisas que na verdade não aconteceram, foi Mangueira 2017, porque foi a primeira vez que eu comecei a trabalhar com teatro, comecei a ver a comissão de frente muito mais teatral do que dançada. Como eu fui bailarino durante muitos anos e hoje em dia eu sou coreógrafo, a gente tende, quando está começando a fazer comissão de frente, a deixar tudo muito dançado e esquece um pouco da teatralidade. Na verdade, nesse ano foi muito mais teatral do que dançado. Foi uma comissão de frente muito importante, uma comissão de frente que todo mundo fala, foi bem bacana. Os julgadores citaram que a minha comissão não teve interação com o carro, sendo que a minha coreografia era totalmente relacionada ao carro. E, 2019, na São Clemente, que tinha tudo para dar errado, tinha tudo para ser muito mal falada no sentido que eu estava falando dos dirigentes das escolas de samba, da virada de mesa, e na verdade, a surpresa grata que eu tive foi que todo mundo falou muito bem, todo mundo entendeu a comissão de frente, e essa era uma preocupação minha, porque a arquibancada não tem o livro Abre-alas, então você tem que olhar e entender o que está sendo contado. Fiquei muito feliz também com a repercussão deste trabalho”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-83106" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin2.jpg" alt="scapin2" width="700" height="440" title="Entrevistão com Junior Scapin: ‘Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto honrado de trazer a alegria do Paulo Gustavo para a Avenida’ 34" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin2.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin2-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin2-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin2-668x420.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p><strong>Sem ser a sua, qual a comissão que você adora? Pode citar até três.</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Gosto muito da comissão do Patrick (Carvalho), dos pretos velhos (Paraíso do Tuiuti 2018), eu acho que é uma comissão simples, e é uma comissão de um efeito absurdo, de uma emoção absurda, o Patrick foi muito feliz naquela comissão de frente. Gosto muito da comissão de frente do Hélio Bejani, agora da piscina, dos orixás, enfim, gosto muito (Grande Rio 2020). Eu gosto de todas as comissões do Marcelo Misailidis, eu sou apaixonado por ele. É a minha grande referência no mundo do carnaval, é o Marcelo Misailidis e o Hélio Bejani, o Hélio eu já trabalhei, comecei no carnaval sendo bailarino dele em comissão de frente, mas eu gosto da savana do Marcelo Misailidis (Vila Isabel 2012), que foi incrível, todo mundo ficou encantado, apaixonado. São três comissões assim da atualidade que eu acho bem bacana e bem importantes”.</p>
<p><strong>Se pudesse, o que aperfeiçoaria no quesito Comissão de Frente?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Gostaria muito que um dia os coreógrafos do Grupo Especial não fizessem comissão de frente com o tripé, enfim, essas coisas, eu prefiro trabalhar sem tripé, por isso que eu gosto de trabalhar muito no Grupo de Acesso, porque eu me sinto muito mais desafiado quando não tem um elemento cenográfico para me debruçar. Eu acho que exige muito mais da sua criatividade como artista e é por isso que a gente vê no Grupo de Acesso comissões lindas, comissões super interessantes, porque como você não tem esse artifício para se debruçar, você acaba tendo que exigir muito da sua criatividade”.</p>
<p><strong>O elemento cenográfico é tão fundamental assim no Grupo Especial?</strong></p>
<p>Junior Scapin: “Hoje em dia, acho que é praticamente um critério você ter que usar um carro, você ter que usar um elemento cenográfico. Porque parece que se você vem sem um elemento cenográfico, você já entra na Avenida com 9,9. Assim, já tendo um tripé, um elemento cenográfico, já é difícil você tirar nota máxima, imagina sem. Eu tento, obviamente, nos meus elementos cenográficos, não ter eles como a atração principal. Para mim, a atração principal sempre é o meu material humano, que são os meus bailarinos. Eu tento agregar o meu trabalho com esses tripés e eu acho que eu consigo. Confesso, que já trouxe alguns muito grandes, mas eu acho que foi necessário para o que eu queria mostrar. Mas, gostaria que não tivesse. Eu tiraria esse tripé um ano talvez só para ver como funcionaria essa coisa da criatividade dos profissionais”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-83107" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin3.jpg" alt="scapin3" width="700" height="440" title="Entrevistão com Junior Scapin: ‘Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto honrado de trazer a alegria do Paulo Gustavo para a Avenida’ 35" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin3.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin3-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin3-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/scapin3-668x420.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p><strong>Acha legal que tenha a apresentação apenas na frente do módulo de jurados ou gostaria que a análise fosse igual São Paulo pela pista toda?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Acho muito importante a apresentação para o jurado porque você tem condição de fazer uma coreografia especial, parar e se apresentar. Eu já fui chamado para fazer o carnaval de São Paulo, eu não pude aceitar porque eu estava no carnaval do Rio, mas, quando eu fui chamado fiquei me perguntando, ‘gente será que eu consigo fazer um trabalho que eu vá me apresentar para o jurado andando assim no decorrer da Avenida? ’ É muito difícil. Acho que eles têm até um trabalho muito bacana de estrutura, de como você vai desfilar, acho que o trabalho da direção de carnaval, direção de harmonia deve ser muito bom lá, mas eu como coreógrafo eu sinto a necessidade de parar, de virar, de me apresentar, de agradecer e de ir embora. Isso é importante para que o jurado de fato consiga ver o que você quer apresentar&#8221;.</p>
<p><strong>Não haverá mais a obrigatoriedade de se apresentar para o público do setor 3. Você vai manter? E faz algo para o setor 1?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Eu sempre faço no setor 1, acho que o setor 1 é o grande termômetro se seu trabalho vai dar certo, se seu trabalho vai dar errado. Se você escuta gritos, escuta aplausos, tende que seu trabalho dê certo ao longo da Avenida. Para o setor 3 eu não sei qual a importância disso, até mesmo para a escola. Se a escola me pedir que eu faça, eu faço, mas eu me sinto um pouco prejudicado, porque na verdade a gente larga de um portão e já tem que virar no setor 3 para poder fazer a apresentação. Isso come tempo, isso atrapalha um pouco a harmonia da escola. Mas, se eu tiver que fazer, eu fiz ao longo de todos anos, não tive problema nenhum porque soube me adequar ao tempo ali da escola, mas não acho importante. Acho importante sim a apresentação para o setor 1. Porque é uma galera que não vai poder ver a apresentação, é uma galera que só vê as pessoas passando correndo ali e muito rápido. É um carinho com a galera que está ali&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-78864" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/saoclemente_ensaiotecnico2022_09-1024x683.jpg" alt="saoclemente ensaiotecnico2022 09" width="696" height="464" title="Entrevistão com Junior Scapin: ‘Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto honrado de trazer a alegria do Paulo Gustavo para a Avenida’ 36"></p>
<p><strong>A sua comissão de frente em 2013 pelo Império da Tijuca foi histórica. Por que uma comissão como aquela dificilmente seria aprovada pelos jurados do Especial?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Acho que aquela comissão de frente para o Especial, hoje em dia, por mais força que elas tivessem, por mais garra que elas tivessem, por mais emoção que elas tivessem, eles iriam tocar no ponto não teve um clímax, não teve um ápice, não teve um elemento cenográfico, embora, a gente tivesse uma menina que vinha com uma asa, enfim. Mas, eu acho que os jurados hoje em dia eles iriam interferir nesse momento do &#8216; cadê o clímax?&#8217;. Acho que para eles não é só emoção, eles precisam ver uma mágica acontecendo, uma pessoa sumindo, uma pessoa voando, uma pessoa trocando de roupa, uma pessoa mergulhando. Eu acho que precisa esse &#8216;Q&#8217; de ‘Broadway’, de ‘Las Vegas’ na comissão de frente para que você consiga tirar os 40 pontos, para que você consiga ganhar prêmios. Só por esse lado. Pela emoção, pela garra, as pessoas iriam se encantar, iriam se emocionar, pelo fato de ela ser simples aos olhos de quem está julgando, poderia tirar um 9,9&#8221;.</p>
<p><strong>Te incomoda quando você faz um belo trabalho e na hora do julgamento tem o peso da bandeira? O que você sente?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Me incomoda. Eu acho que as pessoas tinham que respeitar o pavilhão da escola. Independente se a escola tem muitos títulos, se não tem nenhum título. Existe muita diferença, até, de dinheiro dentro das escolas. Tem escolas hoje em dia que não fazem carnaval só com a verba da prefeitura. Elas têm patrocinadores, escolas de outros municípios ganham de outros municípios. Eu acho até injusta a comparação porque no caso do meu quesito comissão de frente, é muito diferente um trabalho que custa 500 mil reais para um trabalho que custa 180 mil. É muito difícil. Por isso, acho que cada escola, cada envelope tinha que ser lacrado quando você vê a apresentação da comissão de frente. Assistiu a apresentação da comissão de frente de tal escola, dá a sua nota, lacre seu envelope, e entrega para quem tiver que entregar. Porque esse comparativo de notas eu acho muito injusto. Existem escolas com mais dinheiro, escolas com menos dinheiro, o empenho é o mesmo, mas a gente sabe que carnaval não se faz só com dedicação e empenho. A gente sabe que precisa de dinheiro para colocar o carnaval na rua. Infelizmente o preconceito das bandeiras existe sim, tanto da escola que sobe do Grupo de Acesso, que geralmente é a escola que cai, e geralmente é a escola que tem menos bandeira, quanto com as escolas que sempre estão cotadas para descer. O Carnaval acaba e já tem escola cotada para descer no carnaval seguinte. É um absurdo, mas eu graças a Deus faço meu trabalho, não penso sinceramente nesse lance se a bandeira da escola vai me prejudicar ou não, eu espero quando estou me apresentando, que realmente quem está me julgando veja o meu trabalho, veja o meu empenho, veja o empenho da minha equipe, dos meus bailarinos, da minha apresentação, e que me dê a nota mediante aquilo que eu estou apresentando naquele momento&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-78862" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/saoclemente_ensaiotecnico2022_07-1024x683.jpg" alt="saoclemente ensaiotecnico2022 07" width="696" height="464" title="Entrevistão com Junior Scapin: ‘Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto honrado de trazer a alegria do Paulo Gustavo para a Avenida’ 37"></p>
<p><strong>O que representa na sua carreira fazer a comissão de frente em homenagem ao Paulo Gustavo?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Eu conheci o Paulo, eu fui coreógrafo do programa ‘Esquenta’ da Regina Casé. A Regina é muito amiga do Paulo e o Paulo vivia no programa. A gente tinha uma troca legal quando estava lá no programa, ele sempre muito engraçado, sempre muito educado. E artista. Eu acho que é uma perda precoce, ninguém esperava. O Paulo tinha toda uma rede de apoio do lado dele quando ele ficou doente e a gente vê o quanto essa doença é ingrata, independente de classe social, independentemente de você ter dinheiro ou não, se você contrair esse vírus, e se infelizmente estiver na sua hora, você vai acabar indo embora. Fazer uma comissão de frente que vai trazer a alegria do Paulo, essa luta LGBTQI+ que o Paulo tanto lutava. Eu como homem, gay, coreógrafo, me sinto muito feliz e muito honrado de poder estar representando na Avenida uma pessoa que foi tão importante, que morreu tão precocemente, mas que vai ser lembrado aí por muito tempo, e graças a Deus também ser lembrado por esse carnaval que a São Clemente vai fazer&#8221;.</p>
<p><strong>O que o público vai sentir quando olhar a comissão de frente da São Clemente?</strong></p>
<p>Junior Scapin: &#8220;Eu acho que primeiro eles vão se divertir muito. Acho que o primeiro olhar do público, eles vão se divertir demais. As pessoas estão pensando muito no óbvio. E, na verdade, eu procurei fugir do óbvio. Mas, a gente vem falando de um momento muito especial na vida do Paulo. É um momento muito divertido. As pessoas vão se divertir muito nesse primeiro momento. E, eu acho que a minha apresentação para o jurado começa com toda essa alegria, começa com todo esse deboche que o Paulo tinha, e a gente divide a apresentação da comissão de frente em dois momentos: alegria e emoção. Eu quero que as pessoas se divirtam muito, mas eu quero também que as pessoas olhem da metade para o final da minha apresentação e se emocionem muito com tudo que está acontecendo ali&#8221;</p>
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		<title>Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Apr 2022 21:49:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Mocidade]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No sétimo desfile consecutivo pela Mocidade Independente de Padre Miguel, Saulo Finelon e Jorge Teixeira, produziram comissões de frente inesquecíveis, dentre elas, a famosa apresentação com o Aladdin voando pela Marquês de Sapucaí no ano do título de 2017. Os coreógrafos têm ainda na conta, dois desfiles em 2010 e 2011 que produziram também na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No sétimo desfile consecutivo pela Mocidade Independente de Padre Miguel, Saulo Finelon e Jorge Teixeira, produziram comissões de frente inesquecíveis, dentre elas, a famosa apresentação com o Aladdin voando pela Marquês de Sapucaí no ano do título de 2017. Os coreógrafos têm ainda na conta, dois desfiles em 2010 e 2011 que produziram também na Verde e Branca de Padre Miguel. Além do trabalho desenvolvido com o carnaval, Saulo é bailarino do Theatro Municipal e Jorge é diretor artístico da Companhia Bemo, também do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e diretor artístico da Companhia Brasileira de Ballet (CBB).</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-82885" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade2.jpg" alt="coreografos mocidade2" width="700" height="400" title="Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’ 45" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade2.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade2-300x171.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade2-696x398.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>Com a expectativa de produzir mais uma comissão para um enredo desejado pela comunidade independente, ano passado Elza Soares e agora o padroeiro e a história da &#8220;Não Existe Mais Quente&#8221;, a dupla conversou com o site <strong>CARNAVALESCO</strong> e revelou seu entendimento de que o quesito tem se tornado um show à parte, chamariz de público e carro chefe para disputa de título, explicou suas preferências para o desenvolvimento das coreografias e efeitos especiais, expressou sua alegria pelo carinho recebido dentro da escola, com a comunidade, e relembrou trabalhos anteriores.</p>
<p><strong>Qual é o maior desafio hoje da comissão de frente ser a síntese do enredo ou um espetáculo impactante de abertura?</strong></p>
<p>Saulo: &#8220;O caminho que está levando é realmente um show à parte, é óbvio que estar dentro do enredo e dentro da temática, isso é primordial. Mas, o espetáculo se sobrepõe a isso, não adianta só você estar falando do enredo se você realmente não tem um verdadeiro show, e acredito que a trajetória que nós estamos trilhando e as pessoas esperam, o mais difícil é essa superação, acredito que realmente tem que ser um impacto e é o que o público espera, acho que não tem mais volta. Mas só o impacto não, porque se não fica uma coisa muito aleatória. Eu acredito que infelizmente as comissões antigas ficaram lá para trás&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81037" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_30.jpg" alt="ensaiotecnico2022 mocidade 30" width="978" height="652" title="Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’ 46" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_30.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_30-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_30-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_30-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_30-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Jorge: &#8220;É você buscar um efeito que fale do enredo, é muito importante que o efeito venha realmente compondo o enredo e não que seja uma coisa aleatória, simplesmente por um efeito. Essa é a nossa grande preocupação. É achar alguma coisa que se encaixe nesse grande show, mas também se encaixe no enredo, e é bem difícil. Esse casamento tem que ser perfeito, enredo e show&#8221;.</p>
<p><strong>Toda comissão pede um ápice. Vocês concordam que em 2020 nenhuma comissão de frente teve um boom de inesquecível pela pressão de sempre ter que ser uma apresentação inesquecível?</strong></p>
<p>Saulo: &#8220;Eu acho que quando a gente fala do impacto, isso não tem nada a ver com o efeito. O impacto pode ser sentimental, pode ser emocional, pode ser de outra maneira. Eu acho que nós estamos muito comprometidos com o trabalho, a gente não sente uma pressão com um ‘temos que fazer’, a gente faz porque a gente acredita, gosta e vai, e já faz parte do processo. Não tem como não ter pressão, é uma competição. Coreografar comissão não é só ser coreógrafo, você é diretor de um show, não é só ali fazer coreografia e a competição é que leva a essa adrenalina”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-82884" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade.jpg" alt="coreografos mocidade" width="700" height="400" title="Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’ 47" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade-300x171.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/coreografos_mocidade-696x398.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>Jorge: &#8220;Você tem que chegar até o público, você tem que emocionar de alguma forma. Você tem que fazer senti-lo alguma coisa em relação a sua comissão. Não significa que tem que ser uma explosão, efeito só de sobrenatural, mas você tem que chegar até o público. O grande segredo do artista é chegar até o público. Você precisa trabalhar com o sensorial. O efeito é a cereja, mas eu gosto muito do que vem compondo, que vem criando a atmosfera para criar o efeito. É muito mais a estrutura que nós vamos dar, a ambientação para que o efeito aconteça”.</p>
<p><strong>Qual é a comissão inesquecível da carreira de vocês? E qual foi a que podia ser melhor na hora oficial?</strong></p>
<p>Saulo: &#8220;A comissão de frente, a gente faz um projeto, querendo acertar, e a gente já tem essa característica de ter um percentual de erro, de riscos, e a gente compra, e a escola compra, claro que a gente tenta minimizar, mas o risco ele sempre existe. Acho que a comissão que a gente ficou mais decepcionado e deu mais trabalho foi no ano do gelo aqui na Mocidade (2011), dos patins, que choveu, os componentes não aguentaram, tiveram erros e não foi o resultado que a gente imaginou. Mas, acho que cada comissão é um filho e a gente tem carinho. Por isso, não tem uma que a gente não goste, todas têm as suas dificuldades. E a que a gente mais gosta, o ano que foi Cervantes, em 2016, a gente amava aquele cavalo, e parecia que era um bicho de estimação. O Aladdin (2017) foi uma grande surpresa, a gente tem a noção do projeto, mas a gente não tem a dimensão de quando vai para a Avenida. E a que estava plasticamente perfeita, acho que foi a da Índia que foi bem redonda em relação a hora que a gente desfilou, ao samba-enredo&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81020" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_13.jpg" alt="ensaiotecnico2022 mocidade 13" width="978" height="652" title="Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’ 48" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_13.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_13-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_13-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_13-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_13-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Jorge: &#8220;Eu gostava muito da dos patins (2011), e aí foge ao que aconteceu naquele ano do gelo, é que fugiu ao nosso domínio, nós contratamos, fomos buscar a melhor equipe de patinação campeã brasileira, e nós não esperávamos que eles não fossem ter a resistência necessária. Faltou resistência e experiência, eles acabaram cometendo erros na hora, que para eles, talvez, na competição deles não fizesse diferença. Eu acho que a comissão que mais nos deu trabalho foi a do tempo (2019), tivemos bastante dificuldade, nós não conseguimos levar o tripé para a Avenida, foi uma comissão que deu muito trabalho. Eu amo a Índia, existia um raio, mas o que vinha na frente já emocionava tanto, que não era nem o efeito, era muito impactante aquela entrada, e aquele conjunto era uma obra de arte perfeita. E o Aladdin, adorava o efeito, mas adorava a coreografia que existia atrás, os homens com os cestos”.</p>
<p><strong>Sem ser a de vocês, qual a comissão que vocês adoram? Podem citar até três.</strong></p>
<p>Jorge: &#8220;Eu não posso deixar de falar da comissão do Rodrigo (Negri) e da Priscilla (Mota), da época do Segredo (Tijuca 2010). Aquilo marcou uma época dos carnavais. E, uma lá atrás, que eu nem fazia comissão ainda, uma do Barquinho (Beija-Flor 2017), que é do Marcelo Misailidis, adorava aquele trabalho, porque ele tem essa coisa muito de criar uma atmosfera, trazer um grande pensador, um poeta para as comissões dele. E algumas comissões do Fábio de Melo, foi outro que houve uma mudança ali, foi o que começou a dar essa cara de show. A partir dele a coisa começou a mudar, e acabou chegando no efeito da Tijuca 2010&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81025" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_18.jpg" alt="ensaiotecnico2022 mocidade 18" width="978" height="652" title="Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’ 49" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_18.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_18-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_18-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_18-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_18-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Saulo &#8220;O Fábio de Melo realmente foi o precursor, o Carlinhos (de Jesus) trouxe comissões bastante leves que aconteciam, o Marcelo Misailidis. E teve aquela do Elefante, aquelas dobraduras e de repente aparecia o elefante. A Priscilla e o Rodrigo que também foi uma comissão que virou, eu acho que as pessoas começaram a olhar mais ainda para as comissões de frente imaginando que se você tem uma boa entrada, você pode ter um título. Uma coisa vai puxando e as pessoas olham de outra forma. E o Paulo Barros sempre deu muita atenção às comissões, um ano bem marcante. A gente gostava muito da savana (Vila Isabel 2012) do Marcelo (Misailidis) também&#8221;.</p>
<p><strong>O elemento cenográfico é tão fundamental assim no Grupo Especial?</strong></p>
<p>Jorge: &#8220;Eu não vejo que seja fundamental, mas também não acho que seja dispensável. Eu acho que vai caber o enredo. Se o enredo que você tem, cabe não trazer, ok. Se o enredo que você tem, cabe trazê-lo, ok também. Eu acho que tudo se estiver dentro do enredo, se for um elemento que faz parte da concepção, está valendo. Para mim não acho que tenha elemento pequeno, grande, ele tem que fazer parte da comissão. Se ele estiver bem estruturado dentro da linha de pensamento que o coreógrafo junto com o carnavalesco, sem problema nenhum. O que não pode ser é um elefante branco, alguma coisa sem função”.</p>
<p>Saulo: &#8220;É a valorização do espetáculo. O quanto mais você faz de novidade, você atrai o público, porque eu acho que isso que é importante para a grandiosidade do espetáculo, isso só vai somar. O que é importante como idealizadores de um projeto, é realmente amarrar isso. Eu não posso trazer um carro enorme que fica lá parado e aí não tem sincronia com os bailarinos, só porque é um boneco grande. Aí também não adianta vir com um monte de coisa pequenininha que também não acontece. Eu acho que o projeto tem que estar bem amarrado. Porque isso tem esse tamanho? Um exemplo é a nossa no ano do canhão. O canhão tinha 11 metros, como é que o carro ia ser menor que isso? Eu acho que os jurados querem ver isso, porque a gente vê isso nas notas. Infelizmente, quem também vai dar isso além do público são os jurados, porque nós estamos em uma competição&#8221;.</p>
<p><strong>Se pudessem, o que gostariam de aperfeiçoar no quesito Comissão de Frente?</strong></p>
<p>Saulo: &#8220;Uma das coisas que me intrigam um pouco, é a gente ser julgado pelo o que foi feito por nós mesmo no ano anterior. Às vezes acontece, e eu acho isso errado. Nós teríamos que ser julgados só pelo o que acontece esse ano. Julgar arte já é muito subjetivo. Eu gosto e você não gosta. Eu acho que deveria esquecer um pouco o que passou e partir do zero. Eles tentarem de alguma maneira, porque acho que também deve ser muito difícil para eles, julgar em dois minutos o trabalho de um ano, dessa forma eu acredito que eles têm que esquecer o que passou e ver aquilo que está vendo naquele momento. Se eu e o Jorge, a gente já tem um nível de comissão, se a gente faz menos do que a gente fez, a gente não tem um 10. Mas, um outro que tem um trabalho inferior ao nosso que já é melhor do que ele fez ano passado, ele ganha um 10”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81016" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_09.jpg" alt="ensaiotecnico2022 mocidade 09" width="978" height="652" title="Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’ 50" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_09.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_09-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_09-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_09-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_09-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Jorge: &#8220;Poderia haver tópicos mais separados. Criatividade talvez, notas mais separadas. Eles têm um desfile inteiro para escrever. Diferente de alguém que vai julgar enredo, evolução. Acho que as coisas poderiam ser um pouco mais discriminadas. O que eu acho que a Liesa poderia pensar é essa coisa de que a cada ano muda essa cabine de jurados. Cada ano você se organiza, tem que voltar para a Avenida. Nós fomos lá e já vimos que as cabines já mudaram de novo esse ano. Podia ter umas cabines fixas como o primeiro. Isso muda até a evolução da escola, porque quem dá a evolução é a comissão de frente. E, eu acho que você compromete dois jurados quando coloca eles no mesmo espaço porque são visões diferentes. A minha linha de exigência pode ser diferente da sua”.</p>
<p><strong>Acham legal que tenha a apresentação apenas na frente do módulo de jurados ou gostariam que a análise fosse igual São Paulo, pela pista toda?</strong></p>
<p>Jorge: &#8220;Eu acho que talvez pelo fato de a gente já estar acostumado, eu gosto dessa análise parada. Acho que funciona muito. As nossas coreografias de avanço são muito trabalhadas. E existe a preocupação de não fazer nada tapando a lateral da arquibancada para que todos vejam. Existe uma evolução. Os nossos trabalhos vão evoluindo até chegar ao clímax. E o jurado já está assistindo a coreografia de avanço. Ele não te julga só pelo o que está sendo apresentado na frente dele. Ele já está te olhando antes, vendo toda a evolução que você está fazendo. Eu gosto. E talvez também porque aqui a gente não tem esse costume que lá em São Paulo tem”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81014" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_07.jpg" alt="ensaiotecnico2022 mocidade 07" width="978" height="652" title="Entrevistão com Saulo Finelon e Jorge Teixeira: ‘Trabalhar na Mocidade é uma responsabilidade enorme pela comunidade que cobra e dá muito carinho’ 51" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_07.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_07-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_07-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_07-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/ensaiotecnico2022_mocidade_07-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Saulo: &#8220;Na verdade, a gente já faz um projeto pensando na estrutura do que é o show. De repente, de não acontecer mais, a gente vai fazer um outro tipo de comissão, que seria só avanço. Eu nem entro nessa seara se é bom ou ruim, porque eu não sei. Eu gosto de parar porque eu acho que você tem mais possibilidades de montar coisas. Eu acho que a comissão hoje engrandece o show, vende ingresso”.</p>
<p><strong>Não haverá mais a obrigatoriedade de se apresentar para o público do setor 3. Vocês vão manter? E fazem algo para o setor 1?</strong></p>
<p>Saulo: &#8220;O início a gente sempre faz, o Setor 1, a gente sempre fala que é o nosso ensaio geral com público. É o nosso termômetro. É superdifícil porque não tem som, a gente não consegue cantar. Para a gente é a parte mais difícil. E às vezes pode até não dar muito certo, mas graças a Deus sempre deu, e a gente sempre faz. Mas, essa coisa do Setor 3, eu particularmente não gosto porque a gente tem muita preocupação com a escola, com a porta-bandeira que está atrás, com a harmonia da escola. Os 34 minutos que a gente está puxando, o diretor de harmonia é praticamente o Jorge, porque a gente tem a preocupação com a escola. A comissão para e já logo de cara tem um jurado. A gente sempre fez uma coreografia diferente porque não dá para fazer, a gente praticamente já tem que desmontar, é muito perto entre o início e a primeira cabine”.</p>
<p>Jorge: &#8220;Setor 1 sempre vamos fazer, é uma delícia fazer para aquele público ali, difícil, mas é uma delícia. A gente sai dali às vezes com a alma fervendo porque já sabe qual vai ser a reação do público. O Setor 3, na verdade, a gente nunca fez ele como se fosse um jurado, a gente sempre fez alguma coisa porque nós temos a preocupação de fazer uma apresentação o tempo todo na Avenida. Nossas coreografias de avanço são super dançadas. Agora não tem como, é a menor distância da Avenida, é a saída do início do desfile até a primeira cabine. Como eu vou parar no meio e fazer alguma coisa nesse meio? Quebra toda a matemática”.</p>
<p><strong>O torcedor da Mocidade tem muita confiança no trabalho de vocês. O que representa ter esse carinho e segurança que o quesito para o torcedor é muito forte?</strong></p>
<p>Jorge: &#8220;É um combustível, na verdade é a hora que a gente se sente em casa. Afinal de contas é o oitavo ano que nós estamos na escola, mais dois anos passados que nós estivemos antes. São praticamente 10 anos de Avenida com a Mocidade. Esse carinho é muito importante e nos dá muito vigor. E o carinho acontece da mesma forma mesmo no ano que a gente não fez o melhor trabalho, porque eles acreditam no nosso trabalho e sabem que é humano, normal, um ano dá certo e outro ano pode não dar tão certo. E o carinho é sempre o mesmo”.</p>
<p>Saulo: &#8220;Estar trabalhando na Mocidade é incrível porque é uma escola com um peso enorme em relação a comunidade mesmo. Eles cobram, eles gostam, acaba virando uma família, e eles querem participar o tempo inteiro, eles dão ideias, e eles ficam o tempo inteiro, ficam na pressão dessa coisa de apaixonados mesmo, que é muito bacana. E a gente transforma isso no positivo, a gente sente a obrigação de fazer o melhor porque a gente sabe que tem pessoas ali que amam e olham para gente &#8216;a salvação &#8216;, o quesito, e eles cuidam e gostam de todos os quesitos da escola. É óbvio que tem uma energia maravilhosa”.</p>
<p><strong>O que esperar da comissão de 2022? Será uma apresentação para impactar e emocionar? O que não poderá faltar nela?</strong></p>
<p>Jorge: &#8220;A nossa preocupação é sempre emocionar, a primeira coisa é emocionar, mexer com você de alguma forma. Ou muita alegria, ou se arrepiar, chorar, alguma coisa. E está sendo muito interessante porque é a primeira vez que nós estamos fazendo um afro, está sendo delicioso. As pessoas podem esperar que vai ter várias surpresas&#8221;.</p>
<p>Saulo: &#8220;A gente está indo na sequência de dois enredos que a comunidade queria muito, e realmente está sendo muito prazeroso, e o samba-enredo para mim é o melhor, é um absurdo como arrepia. Quando a gente fez o primeiro ensaio, que botou o samba-enredo e começou a movimentação, só foi levando a gente para cima. Podem esperar, estamos muito satisfeitos com o que estamos fazendo. Podem esperar uma comissão bem completa, bem impactante, com tudo que a gente gosta e que a gente acredita&#8221;.</p>
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		<title>Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#8216;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2022 14:51:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Unidos da Tijuca]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Casal formado para desfilarem juntos na Unidos da Tijuca no próximo carnaval, Denadir e Phelipe não veem a hora de poderem voltar ao solo sagrado da Sapucaí. Anunciados em 2020, a dupla que já nutre uma amizade de longo tempo, teve que se virar durante a pandemia e Phelipe conta que buscou novas fontes de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Casal formado para desfilarem juntos na Unidos da Tijuca no próximo carnaval, Denadir e Phelipe não veem a hora de poderem voltar ao solo sagrado da Sapucaí. Anunciados em 2020, a dupla que já nutre uma amizade de longo tempo, teve que se virar durante a pandemia e Phelipe conta que buscou novas fontes de receita para manter a casa e sustentar a família. Agora, com pouco tempo faltando para o desfile oficial, os preparativos estão a todo vapor para que a estreia do casal possa acontecer de forma maravilhosa.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-82703" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe.jpg" alt="denadir phelipe" width="700" height="440" title="Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#039;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#039; 59" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe-668x420.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>Em entrevista ao site <strong>CARNAVALESCO</strong>, Phelipe e Denadir comentam o que admiram na dança de cada um, contam as dificuldades de quase dois anos sem pisar na Sapucaí e sobre as consequências de terem ficado muito tempo parados, citam os casais que são referência no carnaval, além de explicarem alguns conceitos que preferem na dança e na caracterização com a fantasia.</p>
<p><strong>Como vocês receberam o convite para dançarem juntos?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;Foi o Casagrande que indicou, se eu não me engano, o Phelipe também, mas a mim foi o Casagrande e a Geissa (assessora da Unidos da Tijuca) que me indicaram para a escola, e aí o Casagrande me ligou marcando uma reunião com o seu Fernando Horta no dia seguinte. E eu adorei o convite porque a Tijuca sempre foi uma escola que eu sempre quis desfilar, tem samba exaltação que é maravilhoso, e é uma escola que empolga muito&#8221;.</p>
<p>Phelipe:&#8221;Depois do rebaixamento da União da Ilha algumas escolas entraram em contato comigo para ver uma possível contratação. E aí o Casagrande, ele falou comigo em uma ligação e perguntou se eu tinha o interesse de vir para a Tijuca, de defender o pavilhão da Tijuca, e eu fiquei muito feliz, principalmente por ser ele um ícone da escola, um mestre muito renomado no carnaval, só que eu não sabia quem seria a porta-bandeira. Daí eu fiquei muito contente em saber na hora que eu fui conversar com o presidente Fernando Horta que a porta-bandeira seria a Denadir, que é minha amiga de mais de 20 anos, que me deu grandes oportunidades também no mundo do samba e isso me deixou mais feliz e mais empenhado para eu poder vir para a Unidos da Tijuca. É claro que também agora é uma responsabilidade muito maior por ela ser uma porta-bandeira experiente, a mais experiente que eu já tive. Adquiri muita experiência também com a Rafaela (Theodoro) e com a Dandara (Ventapane), mas elas eram menos experientes. E agora também me dá muita tranquilidade porque eu tenho uma grande porta-bandeira do meu lado&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-82704" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe2.jpg" alt="denadir phelipe2" width="700" height="440" title="Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#039;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#039; 60" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe2.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe2-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe2-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/denadir_phelipe2-668x420.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p><strong>De um para o outro. Citem características que gostam do outro na dança?</strong></p>
<p>Denadir:&#8221;Eu gosto do modo como ele se veste, da elegância dele, eu gosto do riscado dele, e assim, o que eu mais gosto na dança do Phelipe é que não tem como dançar com ele sério. Não digo sério de não estar sorrindo, você está sorrindo, mas ele está o tempo todo ali fazendo sempre uma brincadeira, inventando sempre um passo novo, e isso eu gosto muito, é muito legal, o trabalho se torna muito descontraído&#8221;.</p>
<p>Phelipe:&#8221;A Denadir é muito guerreira, é uma porta-bandeira muito tradicional, uma dança característica de força, aguerrida, também tem seus momentos de leveza, bailarina, mas não é tão bailarina assim, ela uma porta-bandeira mais raiz, que reproduz o que Maria Helena fazia, até mesmo da Lúcia (Lucinha Nobre), que é uma porta-bandeira que tem um pouco do balé na dança, mas é aquilo mais tradicional. Eu acho que essa tradição que ela carrega na dança dela é o que me encanta&#8221;.</p>
<p><strong>Ficar dois anos sem desfilar é puxado para todos os casais? Pode impactar no desfile?</strong></p>
<p>Denadir:&#8221; Eu espero que não fique, mas eu acredito que não é impactante para gente porque o casal de mestre-sala e porta-bandeira, ele não pára, acabou o carnaval a gente descansa, vamos botar aí um mês, no máximo dois meses, depois estamos ensaiando de novo, tem que colocar o corpo em movimento, teve a pandemia, ficamos um ano e pouco, quase dois, sem desfilar, eu e o Phelipe, a gente estava a todo tempo colocando o corpo em movimento, todo o tempo ensaiando, sempre fazendo funcional, porque o corpo não pode parar&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-80248" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tijuca_ensaiotecnico2022_28.jpg" alt="tijuca ensaiotecnico2022 28" width="978" height="652" title="Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#039;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#039; 61"></p>
<p>Phelipe: &#8220;Provavelmente vai impactar. Pode ser que positivamente ou negativamente para alguns. Eu fiquei um ano e oito meses sem praticar a dança, mas cuidando da minha saúde física, cuidando do meu psicológico principalmente porque eu acho que o que vai contar muito nesse carnaval é o psicológico. Então, fez uma diferença grande. Nós ficamos sem ensaiar por conta das incertezas, nós tivemos que cada um correr para o seu lado, até por uma questão de prevenção a saúde, e também buscar uma fonte de renda extra. Eu sou funcionário do samba, eu trabalho no carnaval, não tenho outra fonte de renda, então eu tive que achar um meio de sustentar a minha família no meio disso tudo, então a gente deu uma parada e aí após os estudos serem feitos, e com as possibilidades que foram tendo, a gente foi retomando as atividades físicas e o trabalho de dança&#8221;.</p>
<p><strong>O que vocês aperfeiçoariam no quesito de vocês?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;Eu acredito que o que poderia melhorar, é os jurados não serem tão criteriosos como eles são. Porque já vi dançar muito bem na cabine e na quarta-feira de Cinzas o resultado não ser tão legal como a gente espera. Às vezes a gente olha aquele casal, ‘caraca, com certeza vai dar 10’, aí chega no dia, não é, e aí a gente quer saber o que aconteceu, lógico, que o olhar dos jurados é um, eu que estou ali na pista as vezes acompanhando, que quando é um amigo meu eu acompanho, as vezes eles até pedem, são olhares diferentes, mas a gente que é entendedor da dança, a gente que está ali de perto vendo, a gente acha que está tudo maravilhoso e tudo muito perfeito. Eu acho que o jurado podia olhar com mais carinho todos nós. Falta detalhamento na justificativa, bastante, até para gente não repetir no próximo ano, porque eles às vezes utilizam certos tipos de palavras que você entende de uma forma e não é aquilo que ele quer. Não fica claro&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-80245" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tijuca_ensaiotecnico2022_25.jpg" alt="tijuca ensaiotecnico2022 25" width="978" height="652" title="Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#039;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#039; 62"></p>
<p>Phelipe: &#8220;É subjetivo demais, não concordo com muita coisa que é imposta pelos jurados, porque muitas vezes eles escrevem uma coisa para um movimento de um colega que eu fiz e ganhei 10 e vice-versa. Então, é muito gosto, esse gosto de julgar teria que ser excluído, eu acho que teria que ter um parâmetro, um grau de dificuldade de coreografia, e desenvolvimento de movimentos, seria bacana para poder incrementar esse julgamento, e não só o gosto pessoal de cada um&#8221;</p>
<p><strong>Phelipe quando você decidiu fazer o passo de ficar na ponta do pé?</strong></p>
<p>Phelipe: &#8220;Isso foi um presente, eu sempre admirei muito o Chiquinho, eu trabalhei na Alegria da Zona Sul, fui segundo mestre-sala dele e da Maria Helena, assim que eles saíram da Imperatriz, e assim que eu fui contratado para a Imperatriz, eu tinha que achar alguma maneira de me identificar com a comunidade, até porque eu vinha depois de Verônica e Ubirajara, Verônica havia dançando antes com Marcinho Diamante, e a Maria Helena e o Chiquinho ainda continuavam muito vivos ali, e eu tinha que achar uma maneira de ‘linkar’ o meu trabalho, que era jovem, com a história da escola que era de Maria Helena e Chiquinho, e foi onde eu tive a ideia de reproduzir um passo do Chiquinho. Obviamente da minha forma, com o meu tempo, com a minha velocidade, e eu vinha aprimorando durante estes dez anos aí, e agora já consigo ficar mais tempo na ponta e tudo mais. Mas, foi graças ao Chiquinho que eu cheguei aqui&#8221;.</p>
<p><strong>Como funciona a produção da fantasia com vocês?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;O Jack (Vasconcelos) foi bem legal, nós vamos vir em uma cor que nós pedimos, no setor que a gente pediu, a fantasia está bem bacana, e a gente acompanha tudo, a partir de ele desenhar, ele mostra, esse ano ele fez dois desenhos, mostrou e nós escolhemos o mais bonito, o que ficaria melhor para a gente, e o Fernando Magalhães foi quem a gente perturbou depois, porque é quem produziu a roupa&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-80249" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tijuca_ensaiotecnico2022_29.jpg" alt="tijuca ensaiotecnico2022 29" width="978" height="652" title="Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#039;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#039; 63"></p>
<p>Phelipe: &#8220;A minha relação com o Jack é muito boa, a gente conversa muito, inclusive ele tem a preocupação de saber como a gente gosta de vir na Avenida. Eu particularmente gosto muito de vir de capa, não gosto muito de colocar peso nas costas porque na aerodinâmica dificulta o movimento, o giro por exemplo da pirueta. Eu acho que a capa dá o movimento que o esplendor tem, talvez até mais bonita porque é maior e dá um movimento melhor. Então, ele teve essa preocupação de perguntar o que cada um queria e colocou dentro da ideia dele o nosso pedido&#8221;.</p>
<p><strong>Qual o desfile inesquecível de vocês? E porquê?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;Eu tenho vários. Na realidade eu costumo dizer no ponto positivo, eu digo 2015, 2016 e 2019, e em um ponto negativo que eu nunca vou esquecer é 2018, porque era uma roupa que me incomodava muito, era muito pesada, e atrapalhou bastante os meus movimentos. Eu costumo dizer que o desfile é um conjunto, se o samba é bom, se a escola entra empolgada, aquilo tudo entra para dentro de você e você consegue fazer um bom desfile. Eu lembro que 2015 foi um desfile maravilhoso porque quando eu cheguei no Setor 1, que eu gosto muito de me apresentar no Setor 1, ali eu senti uma energia muito boa, na época do público comigo, comigo e com o meu parceiro, o Fabrício Pires, e ali ele olhou para mim, eu olhei para ele, eu chego a me arrepiar quando eu falo disso, eu falei &#8216;eu acho que esse ano é nosso &#8216;, ele disse que tinha certeza. E, nos outros anos no decorrer da Avenida sempre tem algo especial, parece, quando você acha &#8216;ah, tá chovendo &#8216;, ou eu já desfilei, eu lembro que em 2019 teve uma pessoa da frisa que estourou um champanhe na frente do jurado na primeira cabine, e eu pisei em cima, eu falei agora já era porque é escorregadio, e graças a Deus deu tudo certo, e assim a gente vê que acontece várias coisas e você consegue driblar aquilo tudo e fazer um bom desfile, aí sim se torna especial&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-80238" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tijuca_ensaiotecnico2022_18.jpg" alt="tijuca ensaiotecnico2022 18" width="978" height="652" title="Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#039;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#039; 64"></p>
<p>Phelipe: &#8220;Foi 2014 com certeza, eu sou flamenguista, apesar de estar dançando agora em uma escola de raiz vascaína. Eu sou flamenguista e eu conheci o maior ídolo da minha vida, o Zico, depois do Zeca Pagodinho é claro, porque o Zeca eu vi, e o Zico não, eu não vi jogar, mas meu pai me contou muitas histórias do Zico e eu consegui apresentar ao meu pai o ídolo dele. Meu pai se emocionou. E, por ter conseguido garantir 40 pontos na Avenida, de ter garantido diversos prêmios”.</p>
<p><strong>Qual porta-bandeira e qual mestre-sala são referências para vocês?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;Eu tenho vários. Eu costumo dizer que todos são muito bons, mas alguns se destacam. Gosto muito da Selminha e do Claudinho, incomparável a dança deles, é maravilhosa. Gosto da Rute e do Julinho, gosto muito da Lúcia (Lucinha Nobre) e do Marlon. Os que chamam mais a minha atenção, são esses, gosto dos outros, mas os que me inspiram, cada um com suas características&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-80237" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/tijuca_ensaiotecnico2022_17.jpg" alt="tijuca ensaiotecnico2022 17" width="978" height="652" title="Entrevistão com Phelipe Lemos e Denadir Garcia: &#039;o julgamento do quesito muitas vezes é subjetivo demais&#039; 65"></p>
<p>Phelipe: &#8220;Eu tenho o Julinho como referência, tive o prazer de ser o segundo dele durante dois anos na Vila Isabel. Dele com a Rute. E, eu acho que eu me encontrei, eu acho que eu encontrei o Phelipe juntando a dança do Julinho e a dança do Raphael. Mas o Raphael é jovem que nem eu, e eu não cheguei a trabalhar com ele. E o Julinho eu trabalhei de perto, por isso que eu digo que o Julinho é minha referência. Mas, eu tenho o Claudinho também como referência de tradição, Selminha como referência de tradição também, que eu sempre gosto de enaltecer o trabalho do dois porque é a referência não só para mim, mas para todos os casais de mestre-sala e porta-bandeira de tradição de dança, a Selminha e o Claudinho&#8221;.</p>
<p><strong>Como aliar a dança com a coreografia sem impactar a tradição do quesito?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;Eu gosto mais do tradicional. Eu costumo dizer que eu gosto de arroz, feijão, bife e batata frita. É um prato que todo mundo gosta. Então, eu gosto do tradicional, mas com uma pitada de ousadia. Não tem um segredo, é durante o ensaio. Tem coisas que a gente quer fazer, acha bonito na coreografia, mas não se encaixa em uma dança de mestre-sala e porta-bandeira para o jurado. Às vezes na quadra a gente pode até colocar aquela coreografia, mas para o jurado não se encaixa, aí a gente tira, limpa de uma forma, vamos trocar, fazer de outra forma, até encaixar tudo&#8221;.</p>
<p>Phelipe: “Então aí é o segredo, é o pulo do gato que cada um tem que descobrir o seu. Eu gosto muito de inovar em movimentos principalmente dentro da letra do samba porque isso é o que a dança pede. A gente tem que dançar, diz o ditado, a gente tem que dançar conforme a música. Só que às vezes a música tem um ritmo diferente, uma batida diferente, e a gente não pode mudar a tradição do mestre-sala, por exemplo, para uma dança indígena, mas a gente pode colocar a dança indígena dentro da dança do mestre-sala e da porta-bandeira. É um pouco complicado esse limite entre o tradicional e a ousadia, mas graças a Deus, a parceria que eu tenho com a Denadir e com a nossa coreógrafa também, a Carol Villanova, que é bailarina do Carlinhos de Jesus, já trabalha com carnaval há muito tempo, a gente conseguiu achar o termo certo, nem o meio termo, a gente achou o termo completo para poder chegar na Avenida e poder fazer uma apresentação tradicional, mas também, homenagear a quem está sendo representado neste enredo ‘Waranã’ que é o povo indígena&#8221;.</p>
<p><strong>Bandeira grande ou pequena? E por que?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;Pequena, eu sou pequena, então tem que ser pequena. Prefiro a pequena. É bem melhor para que eu possa manusear, eu sou miudinha, então se eu ficar com uma bandeira muito grande, vai me atrapalhar bastante, então eu prefiro a bandeira pequena, que é de acordo com a minha estatura. Já senti comentários por conta da bandeira, várias pessoas já perguntaram porque que sua bandeira é pequena, parece de porta-bandeira mirim, eu sou pequena, eu não sou uma porta-bandeira mirim, mas eu sou pequena. Então, eu acho que tudo tem que ser de acordo, não adianta eu colocar um salto muito alto para desfilar se não vai ser legal para a fantasia&#8221;.</p>
<p>Phelipe: &#8220;Tem preconceito sim, e eu era um desses preconceituosos até começar a trabalhar com ela. Porque na risca, na risca, no regulamento a bandeira ela tem o seu tamanho, só que se for para a Avenida e o jurado ficar lá na concentração medindo a bandeira de todo mundo, a metade dos mestres-salas e porta-bandeiras vão entrar com algum décimo a menos. E assim, existem porta-bandeiras maiores, existem porta-bandeiras menores, mestres-salas também, o Júlio, por exemplo, o braço dele é gigante, e é a aerodinâmica, como eu falei, o esplendor nas minhas costas incomoda porque ele vai tirar a minha movimentação. E, no caso da minha porta-bandeira, ela é uma porta-bandeira que não tem uma estatura muito alta, e eu acho que deve assim acompanhar, e é uma coisa que deve até ser levada para plenária, para não haver mais esse tipo de preconceito. Bandeira tem que ser de conformidade ao tamanho da pessoa&#8221;.</p>
<p><strong>O que esperam do desfile de 2022 para Tijuca e todas escolas no geral? O que vão sentir quando pisarem novamente na Sapucaí pra valer?</strong></p>
<p>Denadir: &#8220;Eu acho que o próximo desfile vai ser um desfile emocionante para todos. Porque ficamos um carnaval sem desfilar, para Tijuca eu espero campeonato. Mas, eu acho que vai ser um desfile que vai ficar na história porque quem é do samba, quem ama o carnaval, sente falta, então está todo mundo aguardando, está todo mundo esperando esse dia, vai ser um desfile muito emocionante para todos&#8221;.</p>
<p>Phelipe: &#8220;O que eu vou sentir eu não posso te dizer porque a gente está aguardando isso há muito tempo. A gente está aí, é como você tirar a vida de alguém. Carnaval para mim é a minha vida, até me emociono porque foram longos meses de espera para poder estar de volta e ver muita gente cantando samba, fazendo o que ama. Eu amo carnaval, eu vivo o carnaval 24 horas podia, 32 anos de vida, eu não sei o que te dizer que eu vou sentir, mas eu espero que seja um carnaval mais feliz. O carnaval vem sendo muito batido nessa questão porque é aglomeração e tudo mais, mas eu acho que vai ser o redentor dessa pandemia, vai ser o fim da pandemia. Eu acho que se tivesse acontecido o carnaval antes a pandemia já teria acabado&#8221;.</p>
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		<title>Entrevistão com Sandro Avelar: ‘Sou um grande articulador, sempre articulei bastante o Grupo de Acesso’</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Apr 2022 16:22:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Império Serrano]]></category>
		<category><![CDATA[Série Ouro]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Avelar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mestre-sala, passista, ritmista, agora presidente. Pode-se dizer que Sandro Avelar já fez de tudo ou quase tudo no carnaval. Neto de Zacarias da Silva Avelar, presidente do Império Serrano nas décadas de 1950 e 1960, Sandro segue a dinastia da família e desde 2020 é o mandatário da Serrinha. Bastante incisivo com aquilo que pretende, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Mestre-sala, passista, ritmista, agora presidente. Pode-se dizer que Sandro Avelar já fez de tudo ou quase tudo no carnaval. Neto de Zacarias da Silva Avelar, presidente do Império Serrano nas décadas de 1950 e 1960, Sandro segue a dinastia da família e desde 2020 é o mandatário da Serrinha. Bastante incisivo com aquilo que pretende, crítico ferrenho do último desfile da escola, que considera um dos piores, senão o pior, o dirigente também se considera um articulador, um militante sambista que procura lutar sempre por aquilo que entende ser o melhor para o carnaval.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-82515" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sandro_avelar.jpg" alt="sandro avelar" width="700" height="400" title="Entrevistão com Sandro Avelar: ‘Sou um grande articulador, sempre articulei bastante o Grupo de Acesso’ 70" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sandro_avelar.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sandro_avelar-300x171.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/sandro_avelar-696x398.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>Em entrevista ao site <strong>CARNAVALESCO</strong>, Sandro Avelar conta as dificuldades que encontrou quando assumiu o Império Serrano, explica os bastidores da contratação e sua relação atual com o carnavalesco Leandro Vieira, aponta os desafios da Serrinha para um carnaval que busca incessantemente o título, além de esclarecer sua atuação na Liga-RJ e seu relacionamento com a Liesa.</p>
<p><strong>Você sabia quando assumiu o Império Serrano que o desafio de gestão seria enorme. Foi além do que esperava?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;Eu não entrei enganado, né? Eu entrei convicto de que o Império Serrano vive um momento difícil financeiramente, em relação a estrutura da escola mesmo, de sua comunidade. Falei diversas vezes que o Império tinha feito na minha visão o pior desfile da história em 2020. E, entrei motivado realmente para tentar modificar bastante a escola, tanto que 90% dos segmentos foram contratados, não mantive a base que nós tínhamos porque eu realmente buscava mudança. Eu quis buscar uma nova cara para o Império Serrano, mas mantendo as tradições da casa&#8221;.</p>
<p><strong>Você sempre fala nas dívidas da escola. O que já foi pago e como fazer o desfile e pagar essa dívida?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;Estou pagando aos poucos, não tem como resolver 74 anos do Império Serrano em um, ainda mais durante a pandemia, com a quadra fechada. Mas, busquei acordo em diversos processos, os processos que tinham os maiores custos eu busquei acordo, eu pago mensalmente, alguns dos credores do Império Serrano, outros eu estou tentando buscar também. Mas, eu espero que o Império Serrano possa em médio, longo prazo colocar suas dívidas em dia, e ter realmente crédito e saldo para cada vez mais buscar um carnaval melhor. Eu tento buscar o justo meio termo em relação ao pagamento, mas eu busco sempre quitar uma parte da dívida, mas o restante eu destino ao carnaval que é o produto final&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-78661" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imperioserrano2022_ensaio1203_-13-1024x682.jpeg" alt="imperioserrano2022 ensaio1203 13" width="696" height="464" title="Entrevistão com Sandro Avelar: ‘Sou um grande articulador, sempre articulei bastante o Grupo de Acesso’ 71"></p>
<p><strong>A escola faz uma grande feijoada, tem shows, como incentivar ainda mais essa geração de receita? O que você pensa em criar?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;Eu acredito que o marketing da escola de samba em geral precisa ser trabalhado. No caso do Império Serrano, era uma escola que estava desacreditada, uma escola que veio perdendo sua comunidade. Na minha visão não há marketing melhor do que a vitória. O que que eu penso nesse primeiro momento, dar o título ao Império Serrano. Porque é a forma que eu tenho para tentar motivar a comunidade, e também aumentar a contrapartida para o patrocinador. Nesse período eu criei um time de futebol porque obviamente o Império Serrano disputando com escola do Grupo Especial, a captação de recursos não ia ter o mesmo potencial. Fui para o lado do esporte, do lado social, fui para a questão do assistencialismo junto à comunidade, para tentar em contrapartida também, tentar aumentar o atrativo para o Império Serrano. Nós vamos manter o clube de futebol, que começa o campeonato carioca em maio, nós continuamos doando cesta básica, e tentar direcionar os recursos para a escola de samba, reverter todos esses benefícios em prol do carnaval&#8221;.</p>
<p><strong>Muita gente fala que o Sandro Avelar é o dono do Acesso. O que você responde?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;Eu sou um grande articulador, nunca foi segredo para ninguém que eu sempre articulei bastante o Grupo de Acesso, eu fui da Intendente Magalhães por mais de 10 anos, fui presidente do Império da Praça Seca lá em 2009. Eu era o presidente mais jovem da história do carnaval, se você olhar aí neste perfil, ainda continuo sendo um dos presidentes mais jovens, e bastante militante. Sou militante, gosto do carnaval, sou sambista, já fui ritmista, mestre-sala, fui intérprete, sou um dos fundadores dos Filhos da Águia, poucas pessoas sabem disso, fui do Império do Futuro, desfilei com meu avô em carro alegórico. Só não fui baiana, mas se uma escola estiver precisando também, e não tiver ninguém para ajudar, eu vou ajudar. Sou um militante, hoje também ocupo o cargo de vice-presidente da Federação Nacional do Samba que agrega as ligas de diversos estados. Não tenho essa relação de militância só no Rio de Janeiro, participo do carnaval de Vitória, do carnaval de São Paulo. Sou um sambista de fato&#8221;.</p>
<figure id="attachment_75831" aria-describedby="caption-attachment-75831" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-75831" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/12/sandro_castro.jpg" alt="sandro castro" width="700" height="400" title="Entrevistão com Sandro Avelar: ‘Sou um grande articulador, sempre articulei bastante o Grupo de Acesso’ 72"><figcaption id="caption-attachment-75831" class="wp-caption-text">Foto: Emerson Pereira/Divulgação Império Serrano</figcaption></figure>
<p><strong>Neste contexto, dizem que a figura do Sandro Avelar não seria bem recebida na Liesa. Você acredita nisso?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;Eu acredito que o carnaval não tem essa vertente. O Império Serrano é uma escola fundadora, de uma bandeira pesada, eu mantenho uma boa relação com todos da Liesa, inclusive eu participei da posse do Jorge Perlingeiro, e também assumi uma posição no Conselho Deliberativo, o Império Serrano como fundador tinha vaga, e a gente mantém uma relação de respeito, tanto que eu fui um dos articuladores para termos a volta dos ensaios técnicos da Série A. Busquei unificar de fato o discurso das duas ligas, tive uma pessoa que me ajudou bastante que é o responsável de fato em tentar agregar e ajudar as duas ligas que é o Almir Reis, presidente da Beija-Flor. O Almir é esse elo entre as duas ligas. E eu tenho ajudado bastante também, e há uma conversa muito amistosa e muito tranquila&#8221;.</p>
<p><strong>Gosta de ser chamado de general pelos amigos?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;Eles dizem que eu sou um pouco ditador. Na verdade, eu sou muito incisivo no que eu quero e na forma como eu me coloco. General é para mostrar que eu sou um cara firme. Mas, eu tenho outros apelidos também, general é um que pegou no carnaval, mas me agrada bastante, eu gosto do apelido de general&#8221;.</p>
<p><strong>Existe favoritismo para o Império Serrano, como foi com a Imperatriz? E como administrar isso?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;Eu acho que o Império é uma das favoritas sim, eu acho que o Império tem uma grande bandeira, é uma das grandes bandeiras do grupo, e acho que tem mais umas duas escolas com potencial igual ou até maior. Financeiramente, o Império Serrano não é a maior escola, tem escolas que têm poder aquisitivo maior, mas o Império demonstra um chão muito forte, e trazendo essa questão de reparação histórica, o Império Serrano merece uma vaga no Especial&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-63581" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-3-1024x768.jpg" alt="serrano final2020 3" width="696" height="522" title="Entrevistão com Sandro Avelar: ‘Sou um grande articulador, sempre articulei bastante o Grupo de Acesso’ 73" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-3-1024x768.jpg 1024w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-3-300x225.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-3-768x576.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-3-80x60.jpg 80w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-3-160x120.jpg 160w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-3-265x198.jpg 265w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-3-696x522.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-3-560x420.jpg 560w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-3.jpg 1040w" sizes="auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px" /></p>
<p><strong>Como você analisa essa disputa de 2022 na Série Ouro pela única vaga para o Especial?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;O que é combinado não sai caro, né? Nós temos plena convicção disso. Os regulamentos foram aprovados em assembleia com bastante antecedência, não adianta chorar por algo que não aconteceu. Eu acredito que devemos pensar no futuro em ter um acesso e um descenso maior. Mas, no atual cenário, todos sabiam que esse seria o cenário atual. Na verdade, os grupos se protegem, né? É óbvio que a Liesa vai tentar limitar, fazendo um acesso e um descenso de uma escola, e a Série Ouro também. É algo totalmente aceitável e dentro da lei&#8221;.</p>
<p><strong>Como você administra a relação com o imperiano que adora cobrar e exigir excelência em tudo da escola?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;Eu acho digno, mas também eu tento mostrar a realidade. O Império é uma escola que estava praticamente indo para a Intendente Magalhães. Fez um carnaval horrível. O Império Serrano tem muita dívida e precisa realmente se reencontrar. Eu estou realmente tentando buscar o melhor para a minha escola, a escola do meu coração e acredito que tenho feito o melhor que eu podia até o momento&#8221;.</p>
<p><strong>Você apostou no mestre Vitinho, levou pancada e hoje ele está colhendo os frutos. O que falar do trabalho dele? E o que falar de quem ainda faz comentários sem fundamento técnico?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;O Vitinho é um irmão para mim. Nós somos criados juntos e eu tinha relação com o pai dele, o meu pai já com o avô. Vale ressaltar que o avô do Vitinho era mestre de bateria quando o meu avô era presidente do Império Serrano. Nós temos esse elo histórico. Ele tem um potencial muito grande, já provou isso na Unidos da Ponte e era o segundo diretor lá na Portela. Acho que o Império Serrano precisava renovar a bateria, o mestre anterior tinha um grande valor, mas não tinha o formato que eu realmente desejava para a escola. Realmente, eu torço para o Vitinho dar esse novo gás para a escola, e também mantive toda a base da Serrinha. Todos os diretores do Império Serrano são crias do Império Serrano e muito com vínculo familiar. Filho de ex-mestres, filho de ex-diretores, trouxe esse elo para manter a tradição, resgatando a história da escola. Eu sou palpiteiro em relação a bateria, mas eu consultei diversos mestres, inclusive, mestre Silvio que foi do Império Serrano, Wanderley que também foi mestre do Império, todos eles deram aval e concordaram com a contratação do mestre Vitinho. E foi uma aposta dentro de casa, não trouxemos mestre de outro local. Nós apostamos realmente na prata da casa&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-63584" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-9.jpg" alt="serrano final2020 9" width="785" height="570" title="Entrevistão com Sandro Avelar: ‘Sou um grande articulador, sempre articulei bastante o Grupo de Acesso’ 74" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-9.jpg 785w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-9-300x218.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-9-768x558.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-9-324x235.jpg 324w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-9-648x470.jpg 648w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-9-696x505.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/serrano_final2020-9-578x420.jpg 578w" sizes="auto, (max-width: 785px) 100vw, 785px" /></p>
<p><strong>Você chegou ao topo como presidente do Império Serrano, mas é sambista e veio de mestre-sala. Conta essa sua história de sambista</strong></p>
<p>Sandro Avelar: ”Na verdade, o Império Serrano é quase que uma herança. O meu avô foi fundador, foi presidente do Império Serrano, deu título ao Império Serrano do Grupo Especial, meu pai foi vice-presidente, comandou em um período diversos setores do Império Serrano, mas eu sempre vivi dentro do Império Serrano. Império do Futuro, fui passista, fui ritmista, desfilei na ala das crianças, fui buscar realmente um conhecimento maior fora do Império Serrano. Fui para os Filhos da Águia, fui para a Portela, fui mestre-sala da Beija-Flor, Unidos da Tijuca, mas o bom filho sempre retorna. Volto para o Império Serrano hoje motivado, mais experiente, tentando colocar a escola no seu eixo&#8221;.</p>
<p><strong>Como é trabalhar com o Leandro Vieira?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;Uma grata surpresa. Eu acho o Leandro Vieira um cara competente, nós tínhamos um medo porque tem um rótulo, a grife Leandro Vieira assustava, mas o Leandro virou meu amigo pessoal independente de trabalhar junto ou não. Espero que ele possa continuar com o Império, mas independente disso, Leandro foi um achado, eu acho ele maravilhoso, e foi ótimo para a escola, ele entende a identidade da escola, e ele tem agradado a todos. Em relação ao carnaval que ele projetou, ele não tem dificuldade alguma financeira, tudo que ele pediu nós compramos, obviamente a gente tem que pechinchar porque o Império Serrano precisa pechinchar, mas é um carnaval que eu acredito que seja o que ele realmente está esperando&#8221;.</p>
<p><strong>Aliás, falam que o barracão do Império Serrano está atrasado. Isso procede? Como está o andamento lá?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;O Império Serrano não está atrasado porque o Império Serrano começou do zero. Todos os carros começamos da planta. Não é algo que nós mantivemos estrutura. Eu fui em quase todos os barracões da Série A e posso garantir que 90% dos barracões são reaproveitamento das anteriores. E o Império Serrano começou da planta. Esculturas novas, obviamente que a gente aproveitou o que era possível, mas o barracão do Império é grandioso e eu posso garantir que se não for o melhor, é um dos melhores barracões desse pré-carnaval&#8221;.</p>
<p><strong>Falando de carnaval no geral, você incentiva a Indentende. O que espera dos desfiles de 2022 lá?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;Eu acho que a Intendente Magalhães está precisando ser mais valorizada. Acredito que será um grande desfile, as escolas sofreram com a pandemia igual as do Grupo Especial, mas a Intendente Magalhães tem uma carência maior. Acredito que vai ser um carnaval grandioso, um carnaval competitivo, e acredito que possa ser o maior carnaval da história da Intendente Magalhães, visto que o Eduardo Paes tem colaborado bastante, dado um reforço maior, não só financeiramente, mas também com a questão da estrutura para as escolas de samba da Intendente Magalhães&#8221;.</p>
<p><strong>Hoje, o que você sonha para os desfiles da Série Ouro? E o que acha que é utopia e o que pode virar realidade nesses sonhos?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;Eu acho que os desfiles da Série Ouro precisam melhorar a questão estrutural. As escolas de samba têm carência na estrutura de barracão, recursos muito menores se comparado ao Especial, se você parar para analisar a diferença é quase com a gente recebendo uns 20% do que recebe uma escola do Especial, só que aqui nós temos quatro setores e no Especial são seis setores. Então, proporcionalmente existe essa defasagem grande. Mas, na minha visão, é um carnaval popular. Eu acho que a Série Ouro não pode perder esse caráter popular, tanto que os ingressos têm esse caráter popular, é o carnaval do povo. Cada local com sua cultura, e a Série Ouro busca sempre está coisa mais popular e é o que nós estamos mantendo&#8221;.</p>
<p><strong>Sobre regulamento e obrigatoriedades nos desfiles, o que você aperfeiçoaria, tanto no Acesso, quanto no Especial?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;Tudo depende muito da questão financeira. A Série Ouro não tem como avançar muito, visto que o valor é irrisório comparado com o Grupo Especial. É um regulamento enxuto, mas um regulamento que coloca todas as escolas de samba em pé de igualdade. Eu acho que isso é melhor para o espetáculo. Ninguém pode reclamar de algo que foi democraticamente constituído em assembleia geral. O regulamento é um pouco mais enxuto, mas ele vai mostrar que as escolas de samba estão preparadas. A grande diferença do regulamento de 2022 é a questão do tripé da comissão de frente e eu posso garantir que vai ser na minha visão o diferencial de todas as escolas de samba. Todas as escolas de samba estão fazendo tripés grandiosos e com bastante efeito. O que não aconteceu nas anteriores&#8221;.</p>
<p><strong>Você é muito amigo da Morango, porta-bandeira. Acredita que nos próximos anos vamos ver como porta-bandeira de uma escola do Especial? Como superar essa barreira?</strong></p>
<p>Sandro Avelar: &#8220;Eu particularmente respeito a opinião de quem é contrário, mas é bom deixar claro que cada instituição com sua independência. Não tenho conhecimento sobre o regulamento do Especial em relação a isso, mas se a Série Ouro aprovar eu sou totalmente favorável. Se a Intendente Magalhães também aprovar, sou totalmente favorável. Cada um que coloque as regras do seu jogo. Eu sou favorável, acredito que nós temos que dar a oportunidade de não só para porta-bandeira homem ou trans, o que for, nós temos também que tirar alguns rótulos do carnaval. O carnaval precisa ser mais popular e ele não pode ter nenhum tipo de separação ou elitismo, quem quiser ser porta-bandeira, quem quiser ser baiana, quem quiser ser ritmista, tem que ser a festa do povo, para o povo&#8221;.</p>
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		<title>Entrevistão com Dudu Azevedo: ‘Cobrança é enorme. A Beija-Flor é a maior campeã da era Sambódromo’</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Apr 2022 16:08:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Dudu Azevedo]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Emplacando a preparação de seu segundo desfile pela Beija-Flor, o diretor de carnaval Dudu Azevedo já teve o mérito de ajudar a escola a apagar a imagem ruim do carnaval de 2019, quando na comemoração dos seus 70 anos, terminou em décimo primeiro lugar. Com Dudu, a escola voltou às campeãs com o quarto lugar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Emplacando a preparação de seu segundo desfile pela Beija-Flor, o diretor de carnaval Dudu Azevedo já teve o mérito de ajudar a escola a apagar a imagem ruim do carnaval de 2019, quando na comemoração dos seus 70 anos, terminou em décimo primeiro lugar. Com Dudu, a escola voltou às campeãs com o quarto lugar em 2020. O desejo agora é por mais. Pelo retorno ao lugar mais alto do pódio, a Beija-Flor já igualou seu maior jejum neste século, contando em anos e lembrando que em 2021 não houve carnaval, a taça já não vem desde 2018. O mesmo intervalo de tempo que aconteceu entre 2011 e 2015.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81585" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo2.jpg" alt="dudu azevedo2" width="700" height="400" title="Entrevistão com Dudu Azevedo: ‘Cobrança é enorme. A Beija-Flor é a maior campeã da era Sambódromo’ 81" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo2.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo2-300x171.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo2-696x398.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>Com passagens por União da Ilha, onde ainda ajuda, Salgueiro, Grande Rio entre outras, o diretor de carnaval recebeu a reportagem do site <strong>CARNAVALESCO</strong> falou sobre a cobrança por títulos dentro da Beija-Flor, relembrou seus maiores carnavais tanto assistindo quanto dirigindo, falou das comparações que surgem de seu trabalho com o de Laíla, sobre o julgamento do quesito harmonia e sobre as perdas de pessoas que a Deusa da Passarela vem sofrendo desde o início da pandemia em 2020.</p>
<p><strong>Como sambista qual é o maior desfile que você viu? Por que?</strong></p>
<p>Dudu Azevedo: “Que eu assisti, cara, eu vou voltar lá atrás, eu vi desfiles do Renato Lage, na Mocidade, na década de 90, eu era apaixonado. Aquele desfile que falava sobre as brincadeiras de criança, que vinha o rosto do menininho jogando ‘Atari’, o olho dele era as televisões, aquele desfile, para mim, é um desfile magnífico, inesquecível (Desfile de 1993). Eu, muito jovem, lembro do ‘Explode Coração’ do Salgueiro (1993), lembro da ‘Festa Profana’ da Ilha (1989), para mim são desfiles que eu guardo muito bem. O desfile da Estácio da ‘Paulicéia Desvairada’ (1992), foi também, assim, muito forte para mim”. O desfile da Beija-Flor 2007, ‘Áfricas’, e o da Vila Isabel do ‘Festa no Arraiá’ (2013), também são magníficos”.</p>
<p><strong>Como diretor de carnaval qual o maior desfile que participou e por que?</strong></p>
<p>Dudu Azevedo: “Como diretor de carnaval, eu guardo três desfiles na minha mente que eu participei do desfile e eu saí da Avenida muito em êxtase. Foi Salgueiro 2014, Salgueiro 2016 ‘Malandro Batuqueiro’, que para mim o final do ‘Malandro Batuqueiro’ é apoteótico, a arquibancada toda pulando e cantando. E, o 2020 da Beija-Flor para mim é muito emblemático, sabe? Uma escola que vinha do décimo primeiro lugar, meu primeiro ano na Beija-Flor, uma escola que tantas vezes eu fui para a Avenida para bater palma para o desfile da Beija-Flor, aquele rolo compressor que passavam na Avenida, e, eu saí da Avenida muito feliz com aquela comunidade, como cantou, como desfilou. Então, estes três desfiles, eu trago muito na minha memória”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81584" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo1.jpg" alt="dudu azevedo1" width="700" height="400" title="Entrevistão com Dudu Azevedo: ‘Cobrança é enorme. A Beija-Flor é a maior campeã da era Sambódromo’ 82" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo1.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo1-300x171.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo1-696x398.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p><strong>Você questionou o julgamento do quesito harmonia em 2020. O que sugere para aperfeiçoar?</strong></p>
<p>Dudu Azevedo: “O quesito harmonia, eu acho que tem que ficar totalmente ligado ao canto total da escola. Porque hoje o que a gente vê na maioria das justificativas, algo relacionado ao carro de som. Então, você julga 12, 13 pessoas profissionais, cantores profissionais, músicos profissionais, em detrimento a 3 mil pessoas que o diretor de harmonia fica o ano inteiro ensaiando. E, aí, de repente a escola canta para caramba, tem pessoas cantando no tom, em consonância perfeita, tudo certinho, mas aí um ‘plim’ do cavaco lá no carro de som perde ponto em harmonia. Eu acho que isso não está sendo justo. Eu deixaria a harmonia para o canta da escola, para você ver se a escola está realmente cantando, com ênfase, no tom, em consonância perfeita, não tem desigualdade de canto, um setor cantar mais do que outro, partes do samba são mais cantadas que outras partes, para mim eu julgaria a harmonia assim”.</p>
<p><strong>Gostaria do carro de som ser um subitem do quesito harmonia? Como acontece no samba com letra e melodia?</strong></p>
<p>Dudu Azevedo: “Eu acho que a gente tem que envolver o carro de som de alguma forma no julgamento. Não tenho certeza dessa minha opinião, acho que teria que ser testado para dar certo. Mas, eu envolveria o carro de som no quesito sim samba-enredo. Porque eu acho que um samba bom, mal cantado, ele não chega na sua nota 10. Um samba médio, bem cantado, ele até atinge a nota 10. E o samba bom, mal cantado, ele não atinge a nota 10. Então, eu acho que o samba-enredo tinha que ter um pouco do carro de som para ser julgado. Eu colocaria o carro de som para ser julgado no julgamento de execução do samba-enredo. ‘Mas, pô Dudu, você está certo disso?’. Não sei. É um teste que deveria ser feito para ver essa mudança. É um teste pra gente ver se a gente consegue julgar o samba-enredo bom, bem cantado pelo carro de som”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81585" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo2.jpg" alt="dudu azevedo2" width="700" height="400" title="Entrevistão com Dudu Azevedo: ‘Cobrança é enorme. A Beija-Flor é a maior campeã da era Sambódromo’ 81" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo2.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo2-300x171.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo2-696x398.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p><strong>É pesado ter a comparação com o que o Laíla fez na escola?</strong></p>
<p>Dudu Azevedo: “Eu sempre bati palma para os trabalhos do Laíla na Beija-Flor, sempre fui para a Avenida para ver a Beija-Flor passar. E tudo que eu queria era um dia desfilar com uma escola da mesma forma que a Beija-Flor desfilava. Agora, aqui dentro, eu cheguei em um momento em que a escola ficou em décimo primeiro (2019). Uma escola super campeã, e, de repente, não sei, tudo que ela fazia, algo poderia melhorar, algo, de repente, com a evolução do tempo, a gente poderia modificar, entendeu? Mudanças são válidas para as nossas vidas, para o nosso trabalho. Eu procurei conversar com os diretores, com a comunidade, e tirar deles o que eles achavam que era o melhor da escola. E, o que era melhor, se era um trabalho feito pelo Laíla, se era um trabalho feito em um ano sem o Laíla, eu não queria saber, eu queria saber se é o melhor para a nossa escola? Nós vamos trabalhar em cima desse melhor”.</p>
<p><strong>Estar na Beija-Flor é ser cobrado pelo rolo compressor. Como administrar isso internamente e com a comunidade?</strong></p>
<p>Dudu Azevedo: “A cobrança é enorme. A Beija-Flor é a maior campeã da era Sambódromo. Não consegue ficar dois anos sem títulos. Todo mundo cobra títulos. E, a gente está trabalhando para isso. Aquela comunidade é um rolo compressor, a gente brigou esse ano para ter um enredo que se comunicasse com a nossa comunidade e o enredo é totalmente ligado à história de cada um de nós ali, povo preto da Baixada, e, eu tenho certeza que o carimbo, a identidade da escola impressa no canto do Neguinho da Beija-Flor, no rodopiar da Selminha e do Claudinho, na força de uma comunidade que é um rolo compressor, na direção de todos nós feita pelo Almir (Reis), que está na escola há muito tempo, que é o nosso presidente, negro, é o conjunto de tarefas que a gente vai levar para a Avenida para levantar este caneco”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81587" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo4.jpg" alt="dudu azevedo4" width="700" height="400" title="Entrevistão com Dudu Azevedo: ‘Cobrança é enorme. A Beija-Flor é a maior campeã da era Sambódromo’ 84" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo4.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo4-300x171.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/dudu_azevedo4-696x398.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p><strong>A Beija-Flor perdeu diversas pessoas, entre elas, o Leo Mídia e o Bakaninha. Como levantar a cabeça e como construir o trabalho sem eles?</strong></p>
<p>Dudu Azevedo: “Rapaz, pelo lado emocional é bem difícil. Nós tivemos algumas perdas pelo Covid, como o ex-presidente Farid (Abrão David), tivemos o Velloso (Jorge Velloso), não por Covid, mas no período, um cara super campeão com samba-enredo, muito ligado a comunidade. Mas, agora nos últimos três meses, nós perdemos três valores do chão da casa. Três valores muito jovens com futuros mais do que promissores. Por mais que o Bakaninha já fosse uma realidade na nossa quadra, ele ainda esperava dar prosseguimento ao primeiro microfone da Beija-Flor porque o Neguinho falava que ele era o substituto. Então, emocionalmente, bateu muito na gente. Em termos de trabalho, é uma mola propulsora aí para gente. A gente vai cantar, encantar, seduzir o público com toda a paixão, com toda a garra, por eles. E, que eles lá de cima, estejam iluminando a gente. Tivemos o primeiro ensaio sem o Bakaninha, e a força da escola foi muito grande. Uma palavra bem usada pelo presidente Almir foi a palavra amor. É um povo que ama muito a sua escola. É uma família que se ama muito e a gente está, mesmo dolorido, a gente está com muita garra, porque o amor é mais forte do que tudo. E, a gente vai entrar na Avenida e vamos trazer esse caneco em homenagem a esse pessoal que a gente perdeu”.</p>
<p><strong>Muita gente espera a Beija-Flor volumosa em 2022. É por aí?</strong></p>
<p>Dudu Azevedo: ”Desde que eu cheguei aqui, é o que eu falei, o melhor da escola quando a gente conversa com os diretores, com a comunidade, todo mundo quer essa exuberância da Beija-Flor, essa riqueza, esse volume da Beija-Flor. E, a gente vem imprimindo isso. Muita conversa com o Louzada (Alexandre), o nosso carnavalesco. Podem esperar uma Beija-Flor com cara de Beija-Flor. Uma Beija-Flor volumosa, exuberante e riquíssima, com criatividade. Hoje, de repente, a gente já não compra mais alguns materiais valiosos, porém, esses mesmos materiais foram substituídos para ter a mesma plástica, ter o mesmo brilho, o mesmo olhar. Para você falar assim ‘caramba, está tudo muito rico’. Mas, isso é fruto da criatividade do Alexandre Louzada. É um enredo que fala conosco, esse povo preto da Baixada. Queria falar de si. E, o mundo, hoje, precisa disso. O racismo existe. Vivemos em um país racista em que a gente pede só a palavra respeito. A gente não quer ficar falando de intolerância, fazer nenhum ‘mimimi’ com nada. Respeita a história do negro. Mas, não é respeitar o negro na sua história como é contada não. A gente está contando a verdadeira história do negro. Dando valores, a estes seres humanos que fizeram história, nós, que somos negros, que trabalhamos na maior cultura popular do país, que é o carnaval, nós temos o nosso valor. Então, a Beija-Flor valoriza o trabalho do negro, o trabalho de pessoas importantes negras que ao longo da história ficaram apagadas por trás de uma cortina de fumaça. O povo preto da Baixada vai cantar e encantar a Sapucaí, pode ter certeza”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-77563" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Beija-flor_abertura-carnaval_20-1024x683.jpg" alt="Beija flor abertura carnaval 20" width="696" height="464" title="Entrevistão com Dudu Azevedo: ‘Cobrança é enorme. A Beija-Flor é a maior campeã da era Sambódromo’ 85" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Beija-flor_abertura-carnaval_20-1024x683.jpg 1024w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Beija-flor_abertura-carnaval_20-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Beija-flor_abertura-carnaval_20-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Beija-flor_abertura-carnaval_20-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Beija-flor_abertura-carnaval_20-1068x712.jpg 1068w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Beija-flor_abertura-carnaval_20-630x420.jpg 630w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Beija-flor_abertura-carnaval_20.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px" /></p>
<p><strong>Você é um cara que pensa o carnaval fora dos desfiles. O que gostaria de ter durante o ano?</strong></p>
<p>Dudu Azevedo: “Eu acho que carnaval tem que ser o ano todo. Eu já falei isso várias vezes, as pessoas que amam o carnaval falam dele o ano todo. Eu converso carnaval com o presidente Almir o ano inteiro. Tem outras pessoas também que eu converso carnaval. E, eu acho que cabe para gente o desfile principal lá em fevereiro, no calendário de carnaval, mas cabe a gente ter um outro desfile nesse um ano que antecede. O melhor da festa é esperar por ela. A cidade tem que respirar carnaval. Você vai para a Argentina, você desce no aeroporto e estão te vendendo tango. Você almoça ouvindo tango, você toma café vendo tango, o aeroporto está te vendendo tango, você vai ver o estádio do Boca Juniors e lá tem tango. A nossa cidade é de carnaval, a gente precisa entrar neste clima de carnaval o ano inteiro. Com eventos, com desfiles, com várias situações de manifestações culturais. Uma coisa é o desfile das escolas de samba. Isso é muito bem administrado, feito pela Liesa. Beleza! Legal! Agora, quais são as manifestações culturais do carnaval ao longo do ano? Nós precisamos entrar nesse mercado aí, porque isso é cultura. É acabar o carnaval e pegar as esculturas das seis primeiras escolas, a prefeitura de repente tem dois, três carros que a gente vai tirar as esculturas das escolas campeãs, algumas mais referências, vamos montar em cima daquele carro e vamos fazer três, quatro desfiles durante a semana na Marquês de Sapucaí. Desfiles pequenos, do setor 3 ao setor 7. Mas, para você fomentar as pessoas virem ao Rio de Janeiro e curtirem o carnaval. Isso tem que acontecer, com patrocínio privado de repente. A gente tem que pegar a Cidade do Samba e ter desfiles como foi a festa da Série Ouro. A gente tem que ter uma feijoada por mês na Cidade do Samba, aos domingos, que vai lotar. As quadras ficam lotadas quando acontece isso. Agora a gente está na pandemia, mas a pandemia, uma hora vai acabar. Ou, a gente vai conviver com alguns protocolos que dão permissão para a gente aglomerar. Mas, isso tem que ser pensado. Tem que ter exposição de fotos, exposição de artes de carnaval. Tem que pegar essa galera de barracão que faz fantasia, eles têm que trabalhar o ano inteiro. Carnaval é uma indústria que tem que funcionar o ano inteiro. Muita gente só pensa o carnaval em janeiro. Não dá para pensar uma escola só para poder desfilar e ser campeão e dar 10 pelo jurado. A manifestação cultural tem que estar o ano inteiro. Eu sonho com isso”.</p>
<p><strong>Como será a ajuda do Dudu na Ilha?</strong></p>
<p>Dudu Azevedo: “Eu tenho uma dívida de gratidão com a União da Ilha. Com o povo insulano. Minha contratação na Ilha foi depois de um ano muito difícil para mim. Eu faço agora 11 carnavais como diretor de carnaval. E o meu pior momento foi o desfile do Chacrinha na Grande Rio (2018). Quando eu tenho a dispensa na Grande Rio, a gente fica meio que sem saber para onde ir por todo o ocorrido. E, a Ilha abriu as portas para mim. Um dia após o resultado da quarta-feira de cinzas, o presidente da Ilha faz contato com a Beija-Flor, conversa com a presidência aqui e pede para conversar comigo, para que eu possa ajudar a Ilha no grupo de baixo. E, depois deles autorizarem, de eles permitirem que eu fosse, eu falei que ajudaria sim. Porque para mim, gratidão não se prescreve. Eu sou muito grato pela oportunidade que a Ilha me deu. Fiz um novo carnaval no ano seguinte, foi um belo carnaval, a União da Ilha foi cotada para vir nas campeãs e diante desse trabalho tenho certeza que muitas escolas viram. E, como a Beija-Flor acabou me chamando para eu estar aqui na maior das maiores do carnaval, na época do sambódromo, eu falei que ajudaria. E, hoje a gente tem no barracão da Ilha o Edu, o Cahê, o próprio presidente Ney, o seu Luiz Carlos chefe do barracão, eles tocam o carnaval da escola no dia a dia, e, eu sou muito ligado a Beija-Flor no dia a dia. Passo lá dia sim, dia não, no final do dia para bater um papo com eles, para ver como está o ritmo das coisas, mas a ideia é a gente colocar a Ilha na Avenida, mas o dia a dia está sendo muito tocado por eles. A gente só bate papo de carnaval para a Ilha vir com um grande carnaval e voltar ao lugar de onde ela nunca deveria ter saído”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-75329" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/12/festa_beija-2-1024x682.jpg" alt="festa beija 2" width="696" height="464" title="Entrevistão com Dudu Azevedo: ‘Cobrança é enorme. A Beija-Flor é a maior campeã da era Sambódromo’ 86"></p>
<p><strong>Como tornar a evolução dos desfiles mais solta e com samba no pé?</strong></p>
<p>Dudu Azevedo: “Eu acho que é um pouco no julgamento. Confio muito na forma como a gente está falando disso nas reuniões que tiveram agora para jurados. Teve reunião com diretor de carnaval, com carnavalesco, com os presidentes. Acredito muito em uma visão um pouco mais solta do carnaval. Porque quem engessa muito é o julgamento. Porque quando uma escola é campeã, tira nota 10, vira uma tendência você fazer o que aquela escola fez porque você também quer ser campeão. Só que eu acho que arte não tem tendência. Quando algo está sendo feito para uma tendência, eu acredito que deva ser quebrado esse julgamento para que fique livre a arte de qualquer um. Vou dar um exemplo aqui, quando uma bateria passa com um ritmo de uma forma na Avenida que ganha 10, muitas vezes mantendo suas características, isso virou uma tendência. Todo mundo caminha para aquilo ali. E, aí você acaba limitando a criatividade do seu mestre. Eu costumo falar para o meu mestre ‘pensa, faça o que quiser, só mostra no ensaio para gente, para a gente ver se está no contexto do desfile da escola, ou não é alguma coisa só para a bateria’. Porque a bossa, a paradinha, tem que estar no encanto do desfile ser bom, de ser para todo mundo. Fazer todo mundo vibrar. Quando isso acontece só para a bateria, não é tão bom. Quando começam a cobrar do mestre apenas resultado, apenas a nota 10, ele acaba virando tendência o que outro fez. As tendências precisam ser quebradas. Mas, isso acontece também com a plástica do carnaval, quando o carnavalesco faz algo. As alegorias humanas, em algum momento foram copiadas por alguns carnavalescos, porque virou uma tendência quando o Paulo Barros começou a fazer isso. Então, eu acho que as tendências têm que ter um tempo, senão, tem que ser quebradas porque o julgamento não pode deixar a tendência para sempre. Arte é livre, arte é criatividade&#8221;.</p>
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		<title>Entrevistão com Cátia Drumond: ‘Imperatriz é tradicional, mas está aberta para tudo que é novo’</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lucas Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Apr 2022 19:35:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Imperatriz]]></category>
		<category><![CDATA[Cátia Drumond]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com 27 anos de serviços prestados, passando por todas as funções da escola, Cátia Drumond teve um desafio e tanto ao ter que substituir o próprio pai, o presidente da Imperatriz Leopoldinense, Luiz Pacheco Drumond, falecido em 2021. Só na presidência, somando as três passagens, foram mais de 25 anos de seu Luizinho, como era [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Com 27 anos de serviços prestados, passando por todas as funções da escola, Cátia Drumond teve um desafio e tanto ao ter que substituir o próprio pai, o presidente da Imperatriz Leopoldinense, Luiz Pacheco Drumond, falecido em 2021. Só na presidência, somando as três passagens, foram mais de 25 anos de seu Luizinho, como era carinhosamente chamado pela comunidade.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-81488" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/catia_drumond.jpg" alt="catia drumond" width="700" height="440" title="Entrevistão com Cátia Drumond: ‘Imperatriz é tradicional, mas está aberta para tudo que é novo’ 92" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/catia_drumond.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/catia_drumond-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/catia_drumond-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/catia_drumond-668x420.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>Contanto com a ajuda de seu irmão na vice-presidência, Vinicius Drumond, e do jovem filho João Drumond, fazendo parte da diretoria, Cátia tem dado continuidade a renovação que seu pai mesmo começou após o rebaixamento em 2019. Com o falecimento, coube à presidente seguir no trabalho, e a expectativa que a escola tem gerado para esse retorno ao Grupo Especial, também vem da atuação da nova mandatária.</p>
<p>Cátia recebeu a reportagem do site <strong>CARNAVALESCO</strong> no barracão da Imperatriz Leopoldinense na Cidade do Samba para uma entrevista em que contou um pouco mais do trabalho realizado na “Rainha de Ramos”, explicou a atuação destacada de seu filho João na diretoria da agremiação, revelou os preparativos para o carnaval 2022, relembrou bastidores do rebaixamento de 2019 e comentou sobre o peso de ser a única mulher presidente de escola de samba do Grupo Especial.</p>
<p><strong>O que representa assumir a Imperatriz após a perda do seu pai?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: “&#8221;Foi um desafio enorme. Sempre falo que é difícil substituir uma pessoa que não é substituível. Ele é insubstituível. O carnaval vem sofrendo, vem agonizando, isso que me deixa nervosa porque a gente vê que o carnaval está perdendo força. É um desafio enorme&#8221;.</p>
<p><strong>Você sempre trabalhou nos bastidores, precisamente, dentro do barracão. O que fazia na escola?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: &#8220;São 27 anos, já fui de tudo, já fui secretária, já servi cafezinho, já fui almoxarife, já fui diretora de carnaval. Nos últimos anos eu estava como administradora do barracão e compradora. Sei um pouquinho de cada setor. Passei em cada setor&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-68294" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/catia_drumond-1.jpg" alt="catia drumond 1" width="991" height="647" title="Entrevistão com Cátia Drumond: ‘Imperatriz é tradicional, mas está aberta para tudo que é novo’ 93" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/catia_drumond-1.jpg 991w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/catia_drumond-1-300x196.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/catia_drumond-1-768x501.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/catia_drumond-1-696x454.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/catia_drumond-1-643x420.jpg 643w" sizes="auto, (max-width: 991px) 100vw, 991px" /></p>
<p><strong>Em algum momento, você acha que seu pai imaginou que você assumiria a escola? O que ele falava para vocês sobre sucessão?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: &#8220;Não tinha sucessão na cabeça dele. Na cabeça dele, nenhum filho de verdade iria assumir a escola. Eu acho que para o meu pai, o ponto final estava nele. Porque ele sempre dizia para gente que era cansativo, ele falava que era uma cachaça, mas que a gente perdia um pouco da saúde da gente aqui. Eu acho que ele não queria muito isso para a gente não. Mas, é aquele negócio, 45 anos você não pega e joga no lixo. Não tem como, né? Então, vamos tentar seguir o legado dele, é difícil, não é fácil, principalmente quando a gente está subindo de um Grupo de Acesso, mas a gente sabe o tamanho da bandeira, o tamanho da força que a gente tem. E, eu acho que estamos no caminho certo. Mas, ele não esperava ninguém na sucessão dele, não&#8221;.</p>
<p><strong>O mundo do samba está impressionado com a nova Imperatriz. Qual é o segredo dessa gestão?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: &#8220;Não tem nova gestão. É uma continuidade do carnaval de 2020. O meu pai já tinha trazido um pessoal para a diretoria, jovem. E a gente conseguiu resgatar no rebaixamento a comunidade para dentro da quadra novamente. Aí veio a Covid, veio o falecimento do meu pai, e acaba que eu assumo a escola. Então, a única coisa que eu fiz foi dar continuidade. Tem a cabeça do João (Drumond) que é um menino jovem, mas eu não vejo uma nova gestão, entendeu? É a continuidade da gestão do seu Luiz, sendo que é um tradicional com uma direção nova, mas nada. Agora, a Imperatriz é a mesma. E, o jovem é o futuro né. Então, eu acho que a Imperatriz era muito tradicional, hoje ela é tradicional. Mas, a gente está aberta para tudo que é novo. E com gente nova fica mais fácil”.</p>
<figure id="attachment_78283" aria-describedby="caption-attachment-78283" style="width: 700px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-78283" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/presidentecatia_cortecarnaval.jpg" alt="presidentecatia cortecarnaval" width="700" height="440" title="Entrevistão com Cátia Drumond: ‘Imperatriz é tradicional, mas está aberta para tudo que é novo’ 94"><figcaption id="caption-attachment-78283" class="wp-caption-text">Fotos: Nelson Malfacini/Divulgação Imperatriz</figcaption></figure>
<p><strong>Quando vocês decidiram olhar mais para comunidade e trazer ela para dentro da quadra?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: &#8220;O resgate da Imperatriz foi em 2020, veio primeiro com a queda, depois com a contratação do Leandro (Vieira). E, aí, eu acho que a comunidade com a queda, até a própria comunidade sentiu que precisava estar junto. A gente precisava se unir para fazer uma Imperatriz forte, para voltar. É o que eu falo, quando se perde, a gente perde todo mundo junto, e quando a gente ganha, ganha também todo mundo junto. Então, assim, a Imperatriz perdeu em todo mundo, a equipe toda, mas quando ela também subiu em 2020, que ela ganha o carnaval do Acesso, ela também ganha com uma equipe toda, e ganha com uma comunidade que te abraçou no teu pior momento. Foi um momento que o meu pai quis sair da escola, ele já estava cansado aos seus 79 anos, dizia que não aguentava mais, que era muito cansativo para a saúde dele, mas ao mesmo tempo, a comunidade pede que ele volte, ele volta, e a gente faz um grande desfile. Acho assim, que vem de 2020. O trabalho não começou depois de 2020, o trabalho começou no carnaval de 2020, o resgate da escola está lá em 2020. Natural, eu acho que aí a comunidade dá importância pela perda do patrono dela, do presidente dela, e a própria comunidade vem e abraça a escola. Eu acho isso muito positivo, foi muito positivo para a gente&#8221;.</p>
<p><strong>O que você pensa em fazer na sua gestão que não deu tempo para esse desfile?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: &#8220;Eu estou muito focada no desfile deste ano, mas vem novidade para 2023. Acho que virou a página 2022, porque a gente precisa virar essa página, está difícil de virar, mas logo assim que a gente virar a página 2022, vem muitas surpresas para 2023. Tem coisas em andamento, nada fechado, mas coisas em andamento que eu acho que vai ser bom para a escola. Para desfile, pós carnaval, para a própria quadra, para a Imperatriz num todo&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-71176" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/07/catia_drumond.jpg" alt="catia drumond" width="673" height="482" title="Entrevistão com Cátia Drumond: ‘Imperatriz é tradicional, mas está aberta para tudo que é novo’ 95" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/07/catia_drumond.jpg 673w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/07/catia_drumond-300x215.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/07/catia_drumond-586x420.jpg 586w" sizes="auto, (max-width: 673px) 100vw, 673px" /></p>
<p><strong>A escola está muito atuante nas redes sociais e com a comunidade. Podemos esperar mais do que durante o ano, entre maio e dezembro?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: &#8220;Eu acho que toda escola precisa se comunicar com a sua comunidade. Não tem outra maneira hoje em dia. A melhor comunicação é essa. Você bota um negócio no Instagram, daqui a pouco bomba. Chegou, você alcançou o seu objetivo, que era chegar nos componentes. Eu acho que tem que ser assim. Eu acho que a partir de maio, a Imperatriz continua da mesma maneira, trabalhando da mesma maneira nas redes sociais. Continuam os projetos, a partir de maio, a gente está esperando acabar o carnaval, né? Assim que acabou o carnaval, a gente continua os projetos normalmente, aí volta ao normal&#8221;.</p>
<p><strong>Ficou surpresa com o seu filho João querendo estar dentro da escola? Como você analisa a ótima repercussão do que ele fala na imprensa e entre os sambistas?</strong></p>
<p>Cátia Drumond:&#8221;Foi uma grande surpresa porque, primeiro, meu pai faleceu e o João tinha 18 anos. E, aí a gente falou, o que que a gente faz? Alguns membros da família não quiseram continuar, não quiseram dar continuidade, e ficou eu e o Vinícius. E aí, eu dizia assim, até onde eu posso ir? Até onde eu consigo ir? E o João falou &#8216; mãe, vambora, estou contigo, vou te ajudar&#8217;. E, realmente, ele é o meu braço direito e meu braço esquerdo aqui. Sabe, sem o João, acho que eu e o Vinícius estávamos bem atrapalhados. Ele ajuda muito, muito&#8221;.</p>
<p><strong>O que representa ter trazido a Rosa de volta para Imperatriz?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: &#8220;Não fui eu que trouxe. Quando eu cheguei na escola, a Rosa já estava. Mas, eu como torcedora da Imperatriz acho um casamento, não estou falando nem como presidente, não fui eu que contratei a Rosa, foi meu pai, eu acho um casamento perfeito. A Imperatriz resgata a Rosa, a Rosa resgata a Imperatriz, e a gente resgata junto o Arlindo Rodrigues. Eu acho isso um casamento perfeito. E, ao mesmo tempo, está na modernidade toda, tem o romantismo, tem tudo, então, assim, eu fico feliz de ver a Rosa contando o Arlindo. Eu acho que não teria pessoa melhor para fazer esse enredo, que não fosse Rosa Magalhães&#8221;.</p>
<p><strong>Qual é a palavra que vem na sua cabeça quando você pensa no dia 22 de abril e na abertura do carnaval?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: &#8220;Primeiro eu penso se eu vou conseguir chegar até a Avenida (risos). Minhas pernas tremem, sabe? Eu sei do desafio que é enorme. Mas, eu também sei do trabalho que a gente está fazendo, e que a Imperatriz, mais uma vez eu vou falar, vai abrir o carnaval com um grande desfile. Isso aí não tenha dúvida, a gente está trabalhando dia e noite, a gente cansa de sair daqui de madrugada em prol desse desfile. Pena que foi adiado. Podia ter sido logo em fevereiro e acabar com a curiosidade de todo mundo, e acabar com a minha ansiedade&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-66824" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/catia_drumond.jpg" alt="catia drumond" width="826" height="528" title="Entrevistão com Cátia Drumond: ‘Imperatriz é tradicional, mas está aberta para tudo que é novo’ 96" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/catia_drumond.jpg 826w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/catia_drumond-300x192.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/catia_drumond-768x491.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/catia_drumond-696x445.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/03/catia_drumond-657x420.jpg 657w" sizes="auto, (max-width: 826px) 100vw, 826px" /></p>
<p><strong>O que esperar dessa Imperatriz voltando para o Grupo Especial?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: &#8220;A escola vem bem luxuosa como é de praxe, Rosa Magalhães também exige isso. A escola vai fazer um grande desfile. Vai fazer um grande desfile como escola de Grupo Especial, porque a Imperatriz foi lá no Acesso, por um erro nosso, mas que nós pagamos bonito o erro, fizemos o dever de casa super bem feito. Mostramos do que somos capazes, e eu tenho certeza que nós vamos fazer um carnaval para ficar entre as seis, e para ser campeã&#8221;.</p>
<p><strong>Mexeu com você o adiamento do carnaval? Qual foi o impacto para Imperatriz?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: &#8220;Mexeu muito. Agora a gente estava assim praticamente com 85% do carnaval pronto, praticamente faltando dois carros, agora finalizados. Eu fiquei muito triste porque carnaval é fevereiro, né? Mas, a gente tem que seguir o que a Liesa e o próprio prefeito que disse que não tínhamos condições de desfilar em fevereiro e preparar para abril. Eu acho que foi um impacto para quem estava bem adiantado, que era o nosso caso. Mas foi bem triste. Não tem como não impactar no financeiro porque você ganha mais dois meses de folha de pagamento, mais dois meses de conta de luz alta, isso se eu falar para você que não vai impactar, não tem como, e a verba é a mesma&#8221;.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-large wp-image-78796" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imperatriz_ensaiotecnico2022_06-1024x683.jpg" alt="imperatriz ensaiotecnico2022 06" width="696" height="464" title="Entrevistão com Cátia Drumond: ‘Imperatriz é tradicional, mas está aberta para tudo que é novo’ 97"></p>
<p><strong>O que você sentiu quando a Imperatriz foi rebaixada em 2019?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: &#8220;Cara, foi no dia do meu aniversário. Quarta-feira de Cinzas, 5 de março, não vou esquecer nunca mais. Eu nem vi a apuração porque eu tomei um remédio e fui dormir. E, quando eu acordei, perguntei qual o resultado, Imperatriz rebaixada. É muito triste porque, assim, o meu pai sempre trabalhou muito certinho, muito sério. E, se foi um erro de projeto, se foi um erro no desfile, eu não sei, sei que nós erramos. Erramos, pagamos, fizemos o dever de casa, voltamos, mas é triste. Ninguém quer descer. Quem está no Grupo Especial, não quer descer. Quem está no Acesso, quer subir. Mas, quem está aqui não quer descer. O Acesso é bem difícil. Se o Especial é difícil, nossa, o Acesso é bem difícil, acho até que deveriam olhar mais pelas escolas do Grupo de Acesso, da Intendente (Magalhães), enfim, mas fiquei bastante triste, imagina, que presente de aniversário. Decepcionada, mas a gente sabia, depois do desfile a gente sabia que aquilo podia acontecer, não adianta você ir para casa e achar que aquilo não é realidade. Porque quando você entende do trabalho, às vezes você faz um grande barracão, mas aquilo acontece na Avenida, se você não faz um belo desfile, não adianta, você ganha e você perde dentro da Sapucaí, fora isso, mas foi bem triste&#8221;.</p>
<p><strong> Como foi o processo de resgate da Imperatriz?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: &#8220;Ganhou, ganhou. Ganhou porque você começa a ver com outros olhos, você começa a enxergar erros que você não via. Porque, assim, quando você não vem bem mas vem empurrando, uma hora a corda vai arrebentar. Foi mais ou menos o que estava acontecendo com a Imperatriz. Quando arrebentou, você para e fala &#8216;vamos analisar, alguma coisa está errada&#8217;. E aí você vai atrás para consertar os erros. Eu acho que em 2020 a gente conseguiu recuperar, não vou te dar uns 100%, mas acho que uns 90%, e agora em 2022 eu não posso ir com 90%, eu tenho que ir com 100% certo, não posso errar&#8221;.</p>
<p><strong>Como é ser a única mulher no comando de uma escola de samba no Grupo Especial?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: &#8220;No Grupo Especial, porque no Grupo de Acesso também tem, né? Olha só, eu até brinco com os presidentes quando eu estou lá, eu falo &#8216;só tem eu de menina poderosa&#8217;, mas assim, me tratam super bem, eu nem lembro dessa diferença, não lembro mesmo. Entre os presidentes lá, de todas as agremiações do Grupo Especial, não sinto nenhuma diferença por eu ser mulher. Eu acho também que por eu estar aqui a muito tempo ocupando o lugar que eu sempre ocupei ao lado do meu pai, então muita gente já me via como a futura presidente da escola. Me sinto bem, mas eu falo para eles que eu sou a &#8216;menina poderosa &#8216;(risos). Aqui é uma escola feminina, a gente tem uma presidente mulher, e uma carnavalesca mulher. Eu acho que está aí, a mulher vai ocupando os cargos. A mulher tem que crescer no mundo do samba, eu trato a Imperatriz como se eu cuidasse da minha família, então a gente organiza a casa. Não que os homens não saibam organizar, mas eu acho que a mulher tem mais o jeitinho dela&#8221;.</p>
<p><strong>Pensando no todo, o que você sonha para o futuro das escolas de samba?</strong></p>
<p>Cátia Drumond: &#8220;Independência. Acho que a gente precisa disso, resgate do sambista, trazer essa molecada, essa criançada de projeto social para dentro da escola que isso é fundamental, se não o samba vai acabar&#8221;.</p>
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