O Paraíso do Tuiuti abriu os desfiles da terça-feira de Carnaval na Marquês de Sapucaí em busca do primeiro título no Grupo Especial. Com o enredo “Lonã Ifá Lukumí”, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, a escola destacou a força da espiritualidade afro-brasileira e afro-cubana.

Na ala 20, a reverência foi dedicada a Eleguá, orixá mensageiro de Olodumare e dos demais orixás, responsável por conduzir ebós e pedidos aos deuses e guardião das chaves da prosperidade.

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ANTONIO MIDON
Antônio Midon. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Representado pelo vermelho, símbolo de vitalidade, e pelo preto, ligado ao mistério, Eleguá marca a abertura dos caminhos e a circulação do axé.

Para falar sobre fé, destino e pedidos, participaram Antônio Midon, carnavalesco há mais de 50 anos e estreante na Tuiuti; Wellington Marques, 43, servidor público, há cinco anos na escola; e Bruna Davi, 38, médica, em sua segunda participação pela agremiação.

Fé e atitude para abrir caminhos

Questionado sobre a necessidade de agir para que os caminhos se abram, Antônio Midon destacou o papel da fé. “Eu acho que é questão de fé. Levando em consideração a fé, a gente tem que estar sempre pedindo o melhor para você e para todos. Desde o momento que você peça isso, acaba acontecendo. Abre os seus caminhos e também daqueles ligados a você”, afirmou.

WELLINGTON MARQUES
Wellington Marques, 43 anos, servidor público. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Wellington Marques também relacionou fé e ação. “Sobretudo fé. Se a gente acredita, as coisas acontecem. Mas eu acho que quando a gente tem fé e a gente age em nome dessa fé, as coisas tendem a acontecer”, disse.

Para Bruna Davi, além da espiritualidade, é preciso discernimento nas escolhas diárias. “Eu acho que primeiramente estar aberto a energias positivas e tentar tirar o que não presta, porque a gente sente quando não presta. Então, saber quem está ao teu redor, saber como se comunicar com as coisas ruins e tirá-las de perto ajuda bastante”, afirmou.

Pedidos pessoais aos deuses

Ao falar sobre o que pediria aos deuses, Antônio Midon foi direto. “Para a minha vida? Saúde e felicidade. Só isso. Continuar com disposição para continuar brincando”, disse.

Wellington Marques seguiu a mesma linha. “Saúde. Se você tem saúde, você tem tudo. Você tem disposição para seguir em frente e lutar pelos seus ideais”, afirmou.

BRUNA DAVI
Bruna Davi, 38 anos, médica. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Bruna Davi fez um pedido voltado ao autoconhecimento. “Discernimento para fazer escolhas. Quando a gente está insistindo em uma energia que não é legal para a gente, deixamos o mal persistir perto da gente. Entender o que faz bem e o que faz mal”, disse.

O que pedir para o Tuiuti

Quando o assunto foi a escola, Antônio Midon demonstrou experiência e cautela. “Hoje, para a Tuiuti, que no mínimo a gente voltasse entre as seis. Se ganhar melhor ainda, mas a competição a gente sabe que não depende só da gente, depende de uma série de circunstâncias que, para quem brinca Carnaval há mais de 50 anos como eu, sabe que não é só fazer um bom Carnaval”, afirmou.

Wellington Marques foi mais enfático. “Eu pediria o campeonato. A escola merece”, disse. Ao ser questionado se dá para sonhar, respondeu: “Já dá para sonhar”, concluiu.

Bruna Davi destacou a confiança da ala. “Eu não sei se o campeonato a gente pode pedir de primeira, mas eu imagino que desfilar no sábado pela primeira vez vai ser muito bacana e está todo mundo muito confiante que sábado a gente está aqui porque ninguém vai deixar a fantasia aí. Isso é um combinado da ala inteira”, afirmou.